Perjúrio

9 Capítulo 9


Notas iniciais
VOLTEI MEU POVO e assim como eu disse em outras fics, será que podemos esquecer o fato que eu fiquei um mês sem atualizar? Por favorzinho? Peço mil desculpas por esse sumiço, por mais que o capítulo estivesse bem adiantado, tinha muita coisa que pensei em colocar depois e acabei demorando um pouco por conta de bem, a vida adulta acontece e as fics acabaram ficando um pouco de lado. Mas fico feliz de postar mais um capítulo, a fic já está se encaminhando para o final então fiquem de olho! Logo logo tem mais fics Matt e Jen aqui no Nyah! Dando aquela relembrada básica: Jen foi procurar o Matt para finalmente darem continuidade ao caso Maximoff, às vésperas da audiência, emocionada com um discurso de seu primo Bruce Banner. Ela achava que tinha assustado Matt, porém ele a conforta conversando com ela na Academia Fogwell. Por último, Jen pergunta se ele foi blipado ou não, e o último capítulo terminava nesse ponto. Mais recados nas notas finais, boa leitura!

O silêncio se torna tangível enquanto Matt toma mais um gole da cerveja, quase virando o rosto para cima junto com a garrafa. Em um relance das luzes do lado de fora, entrando através uma janela velha e um tanto suja, consigo ver brevemente seus olhos castanhos por baixo das lentes vermelhas presas por uma armação extremamente fina. A pergunta ressoa no ar: “você foi blipado?”

— Você foi? – Ele me devolve a pergunta. Advogado desgraçado.

— Fui. – Respondo com um tom levemente orgulhoso, como se para encorajá-lo a dizer se “sim” ou “não” e, enfim, responder a dúvida latente desde o momento que nos vimos a primeira vez. – Dentro de uma lanchonete, enquanto estudava um processo. Cinco anos depois, eu voltei, mas o processo tinha sumido. – Dou uma gargalhada para acompanhar, e percebo que Matt ri também.

Contudo, o belo sorriso logo se transforma em uma linha fina de lábios apertados, traçando seu rosto de um lado a outro. Não parecia ser um assunto tão tranquilo quanto eu fiz parecer, nem que ele estava tão disposto a contar como dissera sobre as habilidades sobre-humanas.

— Desculpe, eu...

— Eu não fui blipado. – Matt educadamente me corta. – Mas... Eu tenho pessoas muito importantes na minha vida. Meu sócio, Foggy, e a gerente administrativa do nosso escritório, Karen.

Ele não precisa terminar de falar para eu imaginar o final da história. Uma porção de ar é exalada de seus pulmões através de um suspiro breve, mas audível.

— Quando estamos nós três sozinhos no escritório, eu escuto os corações deles. Sem querer, sabe? É apenas um hábito. Como... uma música ambiente. Corações calmos que às vezes ficam descompassados ao se assustarem com algum prazo muito em cima da hora. Até o dia do blip.

Matt roda o líquido dentro da garrafa algumas vezes.

— Eu estava na minha sala, e, de repente, os corações deles pararam. Ao mesmo tempo. Lembro de tê-los chamado, caminhado até a recepção e até o final do escritório, sem escutá-los. Sem sentir o perfume de Karen ou a loção pós-barba de Foggy. Apenas cinzas no chão sob as solas dos meus sapatos. – Um novo suspiro. Vejo uma lágrima por trás dos óculos, rapidamente seca com as costas da mão. – Saí correndo porta afora, e o mundo estava em completo caos.

A respiração de Matt é entrecortada, quase chorosa. Não achei que o veria frágil daquela forma. Uma sensação agridoce percorre meu peito, feliz por saber que confiava em mim a ponto de contar um detalhe tão importante de sua vida, e triste por saber o que ele passara. Matt não merecia aquilo.

— Eu nunca fiquei tão assustado por não enxergar, Jen. Desde que eu descobri ter ficado cego, em uma maca de hospital, nunca fiquei com tanto medo quanto naquele dia. Foi uma sensação horrível sentir que meus amigos cessaram de existir, e sair na rua sem entender nada, apenas escutando gritos, acidentes, barulhos desconexos dentro da minha cabeça. Minhas mãos tremiam tanto que eu tinha dificuldades até de segurar a bengala.

Coloco minha cerveja sobre a mesa e estico o corpo para segurar o pulso de Matt, uma tentativa de trazer um pouquinho que fosse de acalento.

— Acho que eu passava os dias no escritório, esperançoso. Até dormi uns dias lá. – A expressão de Matt muda e ele ri, contudo, ainda há tristeza em sua voz. – Isso durou até eles voltarem, como se não tivesse passado mais de cinco segundos. Eu abracei tanto os dois, Jen, chorava e ria como uma criança sem saber como me expressar.

A ponta de meus lábios se estende para um lado só em um sorriso sincero.

— Você não sabe o quanto eu sou grato aos Vingadores por trazerem as pessoas mais importantes da minha vida de volta. – Ele diz após algum tempo. – Inclusive, não foi o Holliway que me chamou para o caso Westview contra Maximoff. Eu me convidei. Quero ajudar como uma maneira de agradecimento, mesmo.

Arregalo meus olhos em surpresa, além de meu coração pular mais forte dentro do peito (certamente Matt ouviu sem esforço algum).

— Eu não imaginava. – Respondo. – Mas por que não se ofereceu de ficar com o caso junto com seu sócio?

— E perder a chance de conhecer a sensacional Mulher Hulk? Certamente não. Foi a melhor decisão que tomei. – Meu coração entra em descompasso por um instante. Por que será? – Aproveitando, caso você fale com seu primo, Bruce, pode agradecer a ele por mim? Por ter salvado meus amigos?

— Por que você mesmo não agradece? – Levanto da mesa, e Matt faz o mesmo. – Bruce vai ser nosso informante amanhã na audiência para falar sobre a Maximoff.

— É mesmo? – A expressão dele se ilumina.

— Verdade. E ele vai ficar feliz de conhecer você pessoalmente.

Olho meu relógio; já não está tão cedo, beirando a noitinha. Trabalharíamos até bem tarde naquela noite, mas com certeza seria uma noite agradável, principalmente por sabermos tanto um do outro agora, como amigos de longa data. Me espreguiço enquanto engulo um bocejo, juntando nossa sujeira e dizendo:

— Os documentos da Wanda estão na minha casa. Você topa ir?

Matt faz uma expressão de “por quê não?”, abrindo sua bengala em seguida para irmos embora. Quando levo as mãos ao interruptor para apagar as luzes, olho para o saco de boxe no chão. Como se pressentisse o que iria falar, Matt se limita a dizer:

— Depois da audiência damos um jeito nisso. Não é como se alguém fosse usar esse lugar até lá. – E faz menção de fechar a porta atrás de si, escutando a maçaneta cair pelo lado de dentro. – Oh, merd–

Uma caixa de ferramentas, algum tempo desprendido arrumando a porta e o saco de pancadas – já que estávamos na função e seria estúpido voltar no outro dia apenas para aquilo –, bem como um caminho a pé até o meu apartamento ocasionou uma conversa com Matt, a qual começou de maneira extremamente cômica enquanto subíamos as escadas, quase chegando ao meu pavimento:

— Posso fazer uma pergunta pessoal?

— Pode. – Eu rio. – Já fiz várias dessas para você só essa noite.

— Alguma vez você se transformou na Mulher Hulk... Sem vestir nada por baixo?

Explodo em gargalhadas, escondendo a boca atrás do pulso para tentar me conter, porém noto que Matt igualmente se diverte.

— Já. Mas eu estava em casa, então não teve problema. Aí pedi para meu primo desenvolver uma roupa elástica o suficiente para eu usar sempre por baixo da minha roupa normal, para não ocorrer esses imprevistos.

— E você consegue mudar a qualquer hora a sua forma?

— Geralmente sim, mas existem alguns “gatilhos”, digamos. Acredito que a raiva seja o maior deles.

Começo a contar algumas histórias engraçadas enquanto busco minha chave para abrir a porta, a dificuldade em encontrar a fechadura, bem como as risadas incessantes partindo tanto de mim quanto dele mostrando que a bebida começava a fazer efeito.

— Você se sente melhor sendo a Hulk do que a Jennifer?

— Mil vezes. Ela tem a confiança e a inteligência juntos, enquanto a Jen só tem a inteligência. Inclusive, eu queria perguntar... posso ir assim para a audiência amanhã?

— Assim como? Eu não exatamente consigo ver.

— Idiota.

Ele sorri.

— Por que você não iria na audiência como a Mulher Hulk?

— O Holliway não gosta que eu vá trabalhar com essa forma. E eu não tiro muito a razão dele.

— O Holliway pode ir se ferrar, também.

Fico surpresa com a colocação dele, arregalando os olhos enquanto acendo a luz da sala. Uma a uma, as lâmpadas se acendem – lar, doce lar. Dou logo de cara com um bonito vestido dourado pendurado entre as poltronas, provocando um suspiro alto e agudo de desconforto.

— O que foi? – Matt se aproxima e segura o tecido entre seus dedos. – Ótimo material. Você tem planos?

— É só um vestido estúpido de uma festa estúpida que estava marcada para hoje. Eu iria se não estivéssemos trabalhando... na verdade, o plano era beber até esquecer a audiência e só pensar nisso amanhã de manhã.

A expressão de desaprovação de meu colega chega a me queimar, porém ignoro olhando para o outro lado.

— Quer um pouco de vinho? – Ele nega com a cabeça enquanto fecha a bengala e tateia entre as cadeiras para se sentar em frente a uma grande mesa, ao mesmo tempo que me sirvo de uma taça generosa de bebida e me sento à sua diagonal, menos de um braço esticado de distância.

— Esses papéis estão em braile? – Pergunta, surpreso ao tocá-los.

— Bom, sim. – Admito enquanto pego algumas anotações minhas. – Eu levei em uma gráfica... de uns conhecidos, nada foi vazado. E pedi para imprimirem tudo em braile para você.

A expressão de Matt cede e mostra um sorriso de felicidade genuína, provocando um sorriso em mim também por trás da taça de vinho. A bebida estava realmente fazendo efeito, ou ele parecia ainda mais bonito sorrindo daquela forma?

Balanço a cabeça e tomo mais um gole.

— Eu faço a declaração de abertura amanhã... Jen – ele fala meu nome como se ainda fosse um tanto difícil dizê-lo em voz alta (imagino que Matt tenha pensado em dizer ‘Walters’, e até que a autora da fanfic escreveu “Walters” antes de apagar e colocar como Jen. Acham que não estou de olho?) –, assim você tem tempo de pensar no que vai dizer ao final. Suas anotações são muito confusas... sem ofensas.

— Suspenso. – Dou uma risada. – Acho que o negócio é dizer que a Wanda não tinha controle dos poderes. Mas ainda parece tão vago... especialmente porque, até onde a gente sabe, ninguém a estava controlando.

— Podemos tentar desconsiderar o cárcere privado. Inclusive, o crime dela parece ser algo novo, já que mantém as pessoas em uma espécie de cativeiro aberto, se é que é possível falar assim.

— Seria tão bom se o Visão fosse amanhã... – Digo em voz alta, em uma tentativa de atrair alguma boa energia do universo para consagrar meu desejo.

— O Visão não seria de tanta ajuda assim, Jen. Quer dizer, seria, mas não é bem a nossa salvação. – Matt batuca com os dedos no vidro. – Sabe se os Tratados de Sokovia ainda estão em vigor?

— Os últimos julgados com ele foram quando a Viúva Negra fugiu e olhe lá. Vou ver se acho algum julgado sobre.

Continuo lendo os papéis entre uma e outra taça de vinho, conversando em voz alta com Matt enquanto as horas vão passando. De vez em quando, nossas mãos se tocam, eu acaricio gentilmente a área acima de seu polegar, trocamos sorrisos e Matt até afrouxa um pouco o nó da gravata. Efetivamente estava quente, talvez porque eu tenha deixado as janelas fechadas e esquecido de ligar o ar, ou porque o vinho subia pelo meu corpo mais do que eu permitiria em um dia normal.

E foi quando ele mencionou uma pergunta feita anteriormente que tudo mudou:

— Voltando ao assunto de você ser a Mulher Hulk no Tribunal, eu realmente não me importo – Disse Matt depois de discutirmos mais alguns detalhes do caso – O mais importante é você se sentir confortável em um dia tão importante.

— Então eu não assusto você? – Pergunto usando um tom mais baixo.

— Seu coração bate como a percussão de uma orquestra de baterias, Jen. – Ele responde, também baixo. – É impossível não se assustar. – Uma breve pausa, e ele move uma das mãos até minha bochecha. – Mas isso é extremamente fascinante.

Eu aproximei o rosto de Matt, sorrindo, e levei meus lábios de encontro aos dele. O gosto do vinho era proeminente, mesmo que só eu tivesse bebido, e sinto que ele não recua, quase como se quisesse sentir aquele mesmo gosto sem nem tocar na taça. As mãos dele seguram minha nuca enquanto eu fico um tanto sem reação, pois não achava que ele iria querer me beijar tanto assim, mas entro na brincadeira e beijo seu lábio inferior, a palpitação em meu peito demonstrando toda a adrenalina daquele momento – o calor nos envolvia e, se não fosse pela quina da mesa em frente aos meus seios, provavelmente teria arrancado a blusa dele ali mesmo.

Matt se afasta, ainda mantendo alguns beijinhos, e respira fundo.

— Se importa se eu for ao banheiro?

... isso foi inesperado. Lentamente o solto, minhas mãos ainda em brasa após tocar sua pele.

— Claro que não. É a terceira porta à direita. Quer ajuda?

— Não precisa. Eu prometo que já volto. – Ele se levanta e caminha, procurando pelo banheiro.

Alguns minutos se passam sem seu retorno. Mexo nos papéis do processo nesse meio tempo, buscando acalmar minha respiração descontrolada e coração palpitante. Ele era solteiro, não? Era sim, ele havia negado ter alguém especial enquanto íamos até Nova Jersey. Por mais que tente manter a atenção no caso, nada parece fazer sentido diante dos meus olhos, provavelmente devido ao cansaço e sprint de adrenalina por conta do beijo. Após um período considerável de tempo sem Matt retornar, começo a ficar preocupada e saio da sala.

— Matt? – Chamo em meio ao vazio do apartamento. – Matt, está tudo bem?

Com o nó do dedo indicador, bato na porta, sem resposta; contudo, antes de ficar desesperada, algo chama minha atenção. Um chiado de uma televisão antiga ligada, mais antiga que a que possuo em meu quarto. Sigo o barulho para encontrar uma pessoa sentada sobre a minha cama, sorrindo, e minha voz soa fanha quando sussurro:

— Mãe?

Notas finais
O que acharam das coisas pegando fogo, hein? UAHSUAHSUAH eu ainda acho que a Jen e o Matt vão acabar tendo um envolvimento romântico se ele aparecer em She-Hulk. Um recadinho: agora em março eu vou tirar férias, portanto, não vou conseguir ler comentários e responder com a mesma velocidade. Estou deixando algumas fics prontas e agendadas para postagem nesse período, mas, se eu não responder é por conta dessa pausa, e respondo assim que possível. O próximo capítulo de Perjúrio vai ser curtinho, e vou deixar agendado para daqui umas duas ou três semanas; depois eu retomo a escrita dos capítulos finais. Mas por favor comentem ♥ eu fico feliz de conversar com vocês! Por ora era isso, espero que fiquem todos bem e nos falamos em breve! ~ ♥ ~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.