Perigosamente Perto
3 Primeiro relance: O campo de flores
Notas iniciais
Duas semanas já haviam se passado. Eu continuei minha jornada solitário, treinando com meus pokémons e tendo que aturar várias fãs retardadas me perseguindo. Confesso que já estava acostumado, mas parecia que nesses últimos tempos, a presença delas me incomodava. Por isso, procurei me isolar um pouco em uma região afastada de Kanto, próximo a cidade do Ash, Pallet. Lá era um lugar excelente para ficar sozinho e refletir sobre combinações de ataques e sobre tudo que estava acontecendo na minha vida. Próximo ao local onde eu planejava ficar, havia um enorme campo florido. Ao olhar para ele, logo me veio uma lembrança à mente. Então, eu me deitei entre as flores e fechei meus olhos, começando a me lembrar daquele dia especial.
Era primavera na região de Hoenn. Por todos os lados, a vida desabrochava. Os campos estavam cheios de flores e os pokémons estavam bastante ativos. Eu era simplesmente um passante que viajava por aí, conhecendo o mundo e me dedicando aos meus treinos nos torneios pokémon. A alguns dias atrás, eu havia vencido minha maior adversária nos torneios, uma garota irritante chamada May. Confesso que ela era uma gracinha, parecia ser apenas uma iniciante, mas era uma iniciante bem bonitinha até, tenho que confessar. Lá estava eu sentado sobre uma colina, admirando a brisa, quando de repente, eu ouvi o som de uma voz bastante familiar.
-Beautifly, vento de prata!
-Ora, ora, se não é a tal May- sussurei.
-Vamos lá Beautifly, você consegue, eu sei que consegue fazer melhor do que isso. Vamos, mais uma vez. Vento de prata agora! Poxa Beautifly, faça isso direito, você sempre soube como fazer isso.
-Não vai adiantar de nada falar desse jeito.
-Hã, Drew?!
-Sim, sou eu. Aliás, é uma bela coincidência nos encontrarmos de novo.
-Hum, eu não tô achando nem um pouco divertido te ver aqui.
-Mas eu tô adorando te ver aqui, suando pra conseguir fazer um bom ataque.
-Está de brincadeira comigo, né?!
-Não, estou falando sério. Mas falar desse jeito com o Beautifly não vai adiantar. Você precisa depositar confiança nele para que ele possa te corresponder. Será que você poderia me ajudar a mostrar pra ela Beautifly?
-Ei! O Beautifly é MEU pokémon! Eu que tenho que dizer a ele o que ele deve fazer.
-Então, já que ele é seu pokémon, deveria depositar mais confiança nele. Bem, já que não precisa da minha ajuda aqui, então eu já vou in...
-Ei Drew! Espere! Eu preciso da sua ajuda. Será que poderíamos dar uma volta enquanto conversamos?
-Tá certo, por mim tudo bem.
Então, nós começamos a caminhar pelo campo, um do lado do outro. Ela disse que gostava das flores daquele lugar, por isso sugeriu que caminhássemos enquanto conversávamos. Mas ela não conseguia dizer uma palavra durante o percurso. Muito pelo contrário, a garota tagarela que eu conheci naquele torneio havia se tornado uma pessoa tímida e calada. Eu tentava pensar em algum assunto que pudesse fazê-la falar alguma coisa. Então, tive um estalo e comecei a falar.
-May, porque você quis se tornar coordenadora?
-Bem...Eu fui assistente de uma coordenadora num torneio e quando vi aquele brilho e aqueles movimentos do Beautifly dela, eu senti que os torneios eram o que eu realmente queria.
-Então é por isso que quis criar um Wurmple até que ele finalmente evoluísse para um Beautifly?
-Sim. Eu queria ter um Beautifly tão forte quanto o dela, mas eu mal sei como posso fazer o meu se tornar forte daquele jeito.
-Talvez devesse parar com as comparações.
-Hã, comparações?!
-Exatamente, você está comparando seu pokémon com o pokémon de outra pessoa, sem ver as qualidades que seu próprio pokémon tem. E isso é errado. Deveria começar a reparar mais no que seu Beautifly pode fazer. Até porque, ele é muito bonitinho. Que nem a treinadora...
-O-O que?!
-Eu só falei pra brincar. Entre o pokémon e a treinadora, eu ainda prefiro o pokémon.
-GRRR! VOCÊ ME PAGA!
-E-Ei, espera!
Ela nem me deixou terminar de falar. Pulou em cima de mim decidida a me arrebentar a cara. Ela parecia um Charizard perto de liberar um super-aquecimento, a fúria dela era tão grande que poderia espantar um bando de Monkeys. Ela me segurou pela gola da camisa e começou a me chacoalhar, gritando bem alto.
-Quem você pensa que é pra falar essas coisas de mim?! Eu era tida como a Princesa de Pettalburg, a garota mais bonita do colégio. E saiba que até hoje, nunca discordaram disso!
-Ei, me larga garota!- Falei, dando um empurrão nos braços dela, para que ela soltasse a gola da minha camisa. Depois me levantei e comecei a falar.
-Você garotas são todas iguais!
-Hã, do que está falando?!
-Todas vocês só ligam pra coisas fúteis, como romance, ídolos e coisas com tipo, só pensam em idiotices que são pura perda de tempo.
-Não me venha com essas idiotices! Você, garotos, também perdem tempo com coisas fúteis. Pra você, treinamento, competições e conquistas são mais importantes do que sentimentos! Talvez seja por isso que as mulheres sejam melhores!- E se virou de costas para mim, voltando a falar, com uma voz chorosa- Está certo então. Não temos mais o que conversar. Até mais, senhor mal-educado.
E saiu correndo dali. Mas assim que ela começou a correr, ela pisou em falso e caiu no chão gritando de dor.
-AAAI!
-May! Ei, o que aconteceu?
-Meu pé, meu pé!
-O que tem o seu pé?
-Dói, dói!
-Deixa eu ver!- E com cuidado, coloquei minhas mãos no tornozelo dela.
-AAI! Dói, dói!
-Droga, acho que você torceu o tornozelo. Não se preocupe, vou tomar conta de você.
Então, eu me abaixei ao lado dela e peguei-a no colo, com cuidado, para não deixá-la cair. Para uma garota de apenas dez anos, ela era bastante pesada, mas eu nem estava ligando. Eu apenas peguei-a com cuidado e comecei a caminhar com ela nos braços. Ela chorava de dor, pois seu tornozelo estava bastante inchado e parecia ter sido uma torção feia. Eu me lembrava perfeitamente da expressão de dor que estava estampada em seu rosto. Mas eu sabia que eu precisava ajudá-la...Eu tinha que fazer isso.
Eu estava profundamente mergulhado em minhas lembranças desse dia, não conseguia mais abrir os olhos e encarar a realidade na qual estava. Porém, o Roselia se encarregou de me fazer voltar ao normal, para o mundo que eu estava. Ele estava com o mesmo olhar preocupado de alguns dias atrás e me observava atentamente. Eu apenas fiz um cafuné em sua cabeça, dando um sorriso largo, porém, cheio de melancolia. Me levantei depressa e com o mesmo tom confiante que sempre tive, prossegui minha viagem, ainda com lembranças daquele dia em minha mente...E em meu coração.
Continua...
Fale com o autor