História se passa após o episódio 9 da 4 temporada.


Caroline, exausta, jogou sua bolsa sobre a cama. Mais um dia... Ela gostaria de falar com Stefan, mas ele estava fora. Uma olhada em seu celular e lembranças foram jogadas em seu rosto. Um mês atrás, ela deixara Mystic Falls. Um mês atrás, Tyler, sua mãe e doze híbridos, em um plano para destruir Klaus, haviam sido mortos. Um mês atrás, ela deixara escapar o segredo sobre Damon e Elena; Stefan reagira em um acesso de fúria, Elena chegara um pouco depois e Stefan sumiu em perfeita rapidez. Ambas trocaram acusações e a amizade estava abalada. Caroline se precipitara, pois agora Elena estava livre da ligação de Damon.

Mas, se tudo estava ruim, podia piorar. Stefan se aliara a Klaus na busca pela cura. Caroline não obtivera sucesso em dissuadi-lo do plano e, então, sentindo-se culpada, juntara-se a eles na tentativa de manter Stefan longe dos pescoços humanos. Uma carta fora tudo o que deixara para sua mãe, e, em seu carro, Caroline perseguiu Stefan e Klaus por um dia antes de ser descoberta pelo Original. Depois de uma conversa tensa, ele permitira que ficasse, desde que se mantivesse longe dos assuntos deles. Em troca, ela pedira apenas que pudesse se certificar de que Stefan não voltaria a ser quem ele realmente era, e quem ele mais odiava: Stefan Ripper!

Caroline, em um impulso, abriu sua agenda e discou o número... Na delegacia de Mystic Falls, um homem atendeu:

— Delegacia de Mystic Falls, boa noite!

— Gostaria de falar com a xerife! — disse a loira, sendo invadida por um pavor.

— Quem gostaria, por favor? — disse o homem.

— A assistente do novo prefeito! — mentiu. — Um momento! — disse o homem, transferindo a ligação.

— Alô? — surgiu a voz de Liz Forbes do outro lado.

Caroline estava paralisada pelo medo, pela saudade. Um nó se formou na garganta e ela respirou fundo para conter as lágrimas. — Foi engano, me desculpe! — disse, já pronta para desligar.

— Caroline? Caroline, é você? — disse a voz em tom de desespero. — Onde você está? Filha, é você?

"Tu, tu, tu", fez a ligação ao ser finalizada.

Caroline rompeu em lágrimas. Que ideia estúpida fora aquela de ligar para sua mãe? Ela apenas falava com Bonnie, sua única fonte de informação. Liz estava tentando sobreviver, mas a dor da perda de Caroline ainda a afetava. Agora, ambas estariam desoladas. "Estúpida!", xingou-se mentalmente.

— Você sabe que não precisa ser assim, amor — disse Klaus atrás dela. Caroline enxugou o rosto e respirou fundo para se recompor. Odiava ouvir a voz dele. — Faça suas malas e vá embora! — disse ele. — Não vou deixar Stefan aqui! — respondeu ela, se virando. — Só vou embora quando tudo isso acabar, então eu juro que ficarei livre de você!

— Você se sujeita a isso porque quer. Não a obriguei a me seguir, nem a aceitar o acordo! Estou sendo generoso por deixá-la partir.

— Generoso? — riu ela. — Essa palavra não descreve você! Se eu conseguir colocar um pouco de juízo na cabeça do Stefan, ele voltará comigo e te deixará sozinho na procura dessa maldita cura. Caso contrário, ficarei aqui para evitar que ele se torne algo parecido com você!

— Bom, essa é sua escolha! — disse ele em seu tom cruel. — O jantar estará pronto em uma hora! Não se atrase. Odeio esperar!

Disse ele, deixando-a. Caroline espremeu seu aparelho na mão para controlar a raiva e caminhou até o banheiro para seu banho. Enquanto seus cabelos eram encharcados pela água morna, ela se questionava pela milésima vez: por que diabos Klaus continuava a insistir naquela maluquice? Desde que os três estavam juntos, eles se reuniam sempre no mesmo horário para o jantar. Já haviam se mudado por quatro vezes; em todas as casas, que eram sempre enormes e deslumbrantes, ele continuava com aquilo. Caroline ficaria feliz em conhecer esses diferentes lugares em tão pouco tempo, mas as circunstâncias não eram favoráveis e Klaus era o anfitrião!

...

— O que acha? — disse Klaus assim que Caroline entrou na sala de jantar. A loira vestia um vestido florido, com uma jaqueta de couro preta por cima e botas de cano alto. Seus cabelos recém-secados estavam deslumbrantes, Klaus pensou consigo.

— Muito bonita — respondeu ela secamente. A sala de jantar onde estavam pertencia à nova casa para onde haviam se mudado cerca de três horas atrás. Uma enorme mesa de carvalho ocupava o centro; um lustre muito pesado iluminava o ambiente. Mais ao fundo, uma lareira aquecia o lugar e duas enormes cortinas cobriam as janelas.

— Está adiantada! — disse ele, olhando o relógio. — Isso é um milagre!

— Isso sou eu querendo me livrar logo disso! — disse ela, levantando a sobrancelha de forma desafiadora e sexy, acrescentou Klaus mentalmente. Klaus sorriu; adorava todo o estoque de ódio que Caroline destilava sobre ele. Ao menos ela ainda estava ali.

— Muito bem! Só falta Stefan! — Onde o mandou desta vez?

— A lugar nenhum, sweet! Ele apenas foi dar uma volta!

— É mentira! Stefan não sairia para dar uma volta sem me avisar! Você está metido nisso!

— Se te faz feliz acreditar nisso, não vou tentar dissuadi-la. Mas talvez Stefan esteja cansado de sua supervisão! — disse ele.

— Apenas fique quieto! — retrucou estressada, com medo de que aquilo fosse verdade.

Klaus encheu seu copo de bebida e ficou observando-a. Ela, então, caminhou até a janela, abrindo as cortinas que revelavam um imenso jardim. Ficou ali admirando a paisagem, consciente dos olhos de Klaus em suas costas. Ela nunca se acostumaria com aquilo. Haviam se passado cerca de quinze minutos do horário do jantar e nada de Stefan. Caroline estava preocupada, mas ao mesmo tempo se vendo feliz: não jantaria com Klaus aquela noite.

— Bom, acho que Stefan não vem! Quer dizer que posso ir para meu quarto!

— Quer dizer que Stefan me deve uma excelente explicação! Vamos, venha se sentar! — disse ele, puxando a cadeira para ela. Caroline bufou, incrédula; lá iam seus planos de evitar Klaus por água abaixo. Ela caminhou até a mesa se sentando, fingindo não perceber os gestos cavalheiros dele. Stefan teria de ter uma boa desculpa, caso contrário ela mesma o mataria. O primeiro prato foi servido e o vinho também. Caroline manteve-se em silêncio, comendo o mais depressa possível.

— Se fosse humana, estaria engasgada! — comentou sarcástico.

— Sorte minha não ser! Porque, provavelmente, eu seria o jantar! — foi a resposta rápida.

— Adoro seu senso odioso de humor! — disse ele, sorrindo. Quanto mais Caroline o destratava, menos ele parecia ser afetado. Ela desconfiava que, às vezes, ele sentia algum tipo de prazer naquilo.

— Por que faz isso? — disse ela, largando os talheres.

— Faço o quê? — disse ele, parando para encará-la.

— Estou aqui tentando fazer você entender que odeio estar aqui. Odeio estar com você, mas você continua sorrindo. Não acha que é estranho, até para você? — extravasou toda a sua irritação. Ele sorriu novamente de uma maneira inocente e tomou um gole de seu vinho. — Responda! Deixe de ser tão odioso!

— Você está decidida a me odiar, não há nada que eu possa fazer quanto a isso! — continuou a se alimentar.

— Sente prazer nisso, não é? Adora me ver desta forma deplorável! — Ele a fitou por um momento e continuou a comer. — Pare de agir como se eu não estivesse aqui! — explodiu, jogando um dos talheres dele longe. Ele se recostou na cadeira, mordendo o lábio e tentando conter-se.

— Isso é tudo o que eu tenho! — disse ele, encarando-a. — Por que eu não aproveitaria?

— Do que está falando?

— Por que acha que reúno vocês todas as noites? — Ela arqueou a sobrancelha, confusa com aquele olhar que tanto a amedrontava.

— Porque gosta de nos torturar! Gosta de mostrar quem está no controle — Klaus baixou a cabeça, fechou os olhos e respirou fundo. Quando voltou a encará-la:

— Porque vocês são o mais próximo que tenho de uma família em todos esses anos! — gritou ele, muito bravo. Klaus empurrou a cadeira em um gesto brusco e se levantou.

— Uma família? — riu Caroline. — Você não sabe o que é uma família!

— Não mesmo! — disse ele. — Desde quando nasci, fui sempre o bastardo, o estorvo. Fui aquele que todos querem longe. Nunca fui notado ou amado de verdade. Depois que me tornei vampiro, fui caçado por Mikael, a figura mais próxima de um pai que eu tive. Rebekah, Kol, Finn, Elijah, mamãe, meus híbridos, você e seus amigos... todos tentaram me dar um fim!

— Você pode nos culpar por isso? Você destrói tudo pelo caminho. Causa dor e medo em tudo à sua volta. Você nos prende e nos tortura. Você é uma ameaça a todos nós! Como pretende que alguém te ame? — disse ela, encarando-o.

Ela estava ciente do perigo que corria; se Klaus perdesse a cabeça, ela estaria morta. Mas seria uma morta que jogara tudo na cara de Klaus.

— Não pretendo mais, Caroline! — disse ele, jogando a mesa longe, e tudo o que estava em cima dela se partiu.

— Se não está feliz, vá embora! Eu já disse!

— Não sem o Stefan! — insistiu

— Stefan não é esse comedor de coelhos indefesos que você conhece e teima em preservar! Stefan é o meu amigo Ripper, que mais cedo ou mais tarde cederá. Ele não é tão superior a mim! — prossegiu, tentando feri-la.

— Não! Stefan era o seu amigo Ripper! Agora ele é o meu amigo! — disse Caroline. — Aquele que se deixou sentir, aquele que se permitiu mudar e venceu sua compulsão! Quer amigos? Quer amor? Siga o exemplo dele!

Ela virou-se e subiu para seu quarto. Mais algumas coisas estavam sendo quebradas no andar de baixo. Caroline se encolheu na cama, esperando o momento em que Klaus lhe arrancaria o coração.

...

Uma hora mais tarde, a fechadura virou e Caroline estremeceu. Sua hora havia chegado!

— Caroline! — chamou a voz, e ela abriu os olhos tomados de pavor.

— O que houve? — disse Stefan, abraçando-a.

— Uh... — suspirou ela. — É só você! — abraçou-o apertadamente, enterrando a cabeça em seu peito.

— O que houve? Klaus está trancado em seu escritório e a sala de jantar está destruída! Achei que algo tivesse acontecido com você! — disse ele, com seu tom sério e preocupado.

— Eu o desafiei! Eu o irritei! Tenho certeza de que ele irá me matar! — ela começou a chorar.

— Acalme-se, Car! — disse o vampiro, forçando-a a olhá-lo.

— Ele não matará você. — Como pode ter tanta certeza?

— Ele não teria deixado você sair de lá caso quisesse isso. Assim como eu, somos intocáveis para ele.

— Você é intocável! Eu não! Ele quer o seu Ripper de volta! Eu só estou atrapalhando. Stefan sorriu, enxugando o rosto da loira.

— Você é a droga dele. Você é quem ele ama. Não tocaria em você porque ele não suportaria viver sem você!

— Está maluco, Stefan? — disse ela, revoltada. — Não, Car! Eu sei do que estou falando. Infelizmente, conheço Klaus mais do que gostaria e convivo com ele mais do que você. Esse último mês tem sido muito revelador.

— Ele me manda embora a cada cinco segundos! Ele me ameaça o dobro! Você não pode acreditar no que está falando!

— Ele quer que você vá embora porque se sente fraco ao seu lado. Ele se sente vulnerável e odeia isso. Por que acha que ele ainda não usou compulsão sobre você? Ele poderia fazê-la desistir, Car, mas não o fez. Eu sei que o odeia, e espero que continue assim. Mas quero te ajudar a entender. Agora que você sabe, talvez seja sensata e vá embora!

Notas finais
Meu Deus, me sinto uma teenager again!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.