Perfume

6 Capítulo 6: Confidências


Notas iniciais
O capítulo pode ser considerado um pouco violento, no entanto, faz parte da história e algumas coisas precisam ser escritas. Vocês vão conhecer a verdadeira face de Miguel Xavier::

O dia amanhece frio, esse certamente será o clima dos próximos dias na cidade, segundo as previsões dos meteorologistas. Pamela já estava de pé, não tinha conseguido dormir direito na última noite, passou a madrugada toda assistindo televisão e pensando em Jonathan Sampaio, os seus olhos continuam escassos. Precisa fugir dessa bomba relógio, é assim que resume a sua vida. Deve tomar as primeiras providências. Lavou o rosto no banheiro e escovou os dentes perfeitamente alinhados em sua cavidade bocal.

Ela desce as longas escadarias, o vento estava forte naquela manhã, trazendo uma sensação estranha no estômago, um pavor entorpecedor. Pamela anda nos longos corredores em direção a cozinha. Ela coloca a água para ferver no fogão, ignorando o uso da cafeteira, odeia o sabor da bebida nessas maquinas, deixa um tanto artificial. Quando o liquido começa a borbulhar na leiteira, Pamela joga dentro do coador acima da garrafa térmica cromada de um litro e finalmente o café se encontra pronto.

Pamela se acomoda na cadeira inclinada, contemplando o nada e de repente uma mulher dona de cabelos loiros, usando uma roupa de frio, introduziu-se no ambiente, com um sorriso tímido matinal.

— Bom dia, você deve ser a Pamela, não é?

— Sim...

— Eu sou Barbara Novak, namorada de Levi.

A mulher levantou-se para cumprimentar a cunhada, elas se abraçaram rapidamente, o aroma de Barbara é deslumbrante assim como o seu caráter. Pamela normalmente sente-se solitária no palacete e agora, tem o irmão e a namorada dele, para conversar.

— Pode se acomodar, vou buscar uns biscoitos.

— Não precisa.

— Claro que necessita, deve se sentir em casa.

Pamela abre o armário e pega um pote de biscoitos de goiaba e colocou na mesa próxima da escritora, adjunto com a xicara de porcelana. As duas damas estavam sentadas frente a frente, a chuva permanece intermite no lado externo, elas dialogavam como se conhecessem há bastante tempo.

— Posso te fazer uma pergunta, Pamela?

— Sim.

— Você ainda vai se casar com aquele homem?

— É uma decisão que precisa ser tomada com cautela.

— Não ligue para a imagem ou pelo dinheiro.

Barbara e Pamela, ficam caladas por alguns segundos.

— Barbara, eu queria ter algum talento, para qualquer coisa, sabe?

— Cada um nasce com um dom.

— Verdade.

— Monte o seu próprio destino, não viva sob o brilho dos outros.

— Eu tenho orgulho do Levi por isso, se tornou um homem de negócios.

Barbara ingere o café e ergue os olhos, não pode contar nada a respeito do empreendimento do amado, isso é um segredo que deve ser trancado a sete chaves. Em seguida, as duas se levantam, limpam os respingos de sujeira no cômodo e seguem para o segundo andar.

Pamela não pode mais usar esse cabresto, é a hora de ser a chefe nesse momento. O Land Rover percorre a cidade inundada pela tempestade, chegando a casa do noivo.

Miguel Xavier abre a porta da mansão com um sorriso debochado no rosto, ao encarar a dama que entra rapidamente sem ao menos ser convidada. Os olhares são fúnebres, Pamela coloca a bolsa de couro no sofá de palete. O homem a dianteira se aproxima e tenta roubar um beijo, fracassando.

— O que está acontecendo?

— Ficou sabendo a respeito do acidente com o Jonathan?

— Sim, mas o que isso tem a ver conosco?

— Ele é um grande amigo meu.

Miguel finalmente rouba um selinho. Pamela faz uma cara de nojo, saindo de perto do empresário do ramo da hotelaria.

— Xavier...

— Me chame de Miguel, vamos casar em poucos dias.

— É sobre isso que desejo falar.

— Continue.

— Quero cancelar o nosso compromisso. – Ele fala colocando o anel na mesa de centro espelhada.

— Pamela! Pamela! Pamela!

O empresário avança para cima da mulher, que se assusta.

— Quer mesmo assinar o óbito do seu amado, Jonathan?

Aquelas palavras foram fortes o suficiente para deixar a dama sem reação.

— Não acredito nisso, tentei me convencer do contrário. Mas tentar tirar a vida de outra pessoa? Como isso pode acontecer Miguel? Você é um monstro, por isso não terá mais nada entre a gente.

Miguel encrava o punho esquerdo no rosto de Pamela, que desaba no estofado, sendo puxada pelas crinas para frente de um espelho.

— Olhe para você, Pamela. É só um pedaço de carne, que eu vou usar e abusar pelo resto da vida.

Xavier a cheira pelas costas feito um animal, sendo conduzido pelo perfume com a essência de floral branco até o pescoço da garota, que berra desconsolada, sem ao menos ser escutada.

— Espero que esteja preparada, pois o nosso casamento vai suceder, ou então, aquele Jonathan Sampaio, se transformará em pó.

Em lastima, apenas observa pelo espelho o reflexo do homem, literalmente fora de controle. Como nunca tinha visto. O vestido é estraçalhado pelas mãos grossas do empresário, que a puxa pelos cabelos, alguns fios caem no piso de madeira laminado, sendo levada a força para o quarto no segundo andar. Como uma besta em fúria, começa a bater diligentemente naquela bunda avantajada, acima da enorme cama. O sutiã cai no pavimento primeiro, seguindo pela calcinha. Pamela não pode fazer mais nada, a não ser se entregar a dor e sentir aquele homem a invadindo por completa, feito uma presa sendo devorada por um predador indomável. Aquela não era a primeira vez que transavam, mas a garota suplicava para ser a última. No final da cópula, ela é jogada para o lado, que nem um lixo e se enrola no lençol sujo de sangue.

— Seremos felizes para sempre. – Ele debocha.

Miguel Xavier ascende o charuto irlandês, tragando e soltando a fumaça.

Não existe nada mais do que humilhação para a mulher. As marcas podem sumir com o tempo, mas não tem como esquecer o ocorrido.

Duas semanas se passaram e Pamela, tinha tomado uma única decisão, se unir matrimonialmente com Miguel Xavier, para salvar a vida de Jonathan.

Ninguém poderia fazer mais nada, nem mesmo Levi.