Perfume
19 Capítulo 19: Justiça
Notas iniciais
Ler escutando a música Just Breathe do Pearl Jam
— O que aconteceu cara? Está bem? — Sim... — No que está pensando? Tony abaixou o volume do aparelho sonoro. — Apenas na Barbara, é nisso ou a respeito da Pamela. — As duas mulheres do seu destino. — Com certeza. — Encontrou alguma pista? — Nenhuma, mas esse cara tem algo de estranho.— Tipo?— Um olhar desumano, como se as pessoas não fossem nada, só objetos.— Ás vezes é só o jeito dele. — Não é apenas isso Tony, se você tivesse ido, ia saber. O aparelho celular começa a vibrar no bolso de Levi, trata-se do delegado da cidade, que tinha encontrado o verdadeiro assassino de Pamela, o telefone quase caiu do braço ao escutar aquelas palavras. Ele pisou os pés no acelerador e chegou rápido na delegacia, não podia ser verdade, talvez estava cego demais com as palavras, mas logo Jonathan Sampaio? O amante? Tony estava certo afinal? Um crime seguido de um ciúme doentio, no mesmo paradigma de Dom Casmurro? Isso não parece ser verdade, certamente é uma armação contra ao estudante de ciências socais. — Isso está estranho. — Eu sempre disse que foi um crime passional, Levi. — Esse tempo todo fui enganado? — O Jonathan foi esperto. Em poucos minutos o carro estaciona na frente da delegacia. Os dois varões entram no local, seguindo adiante para a sala do delegado que os aguardam acomodados na poltrona a frente de sua mesa. O rosto do homem parece estar um pouco abatido e inchado, certamente nem deve ter conseguido dormir na noite anterior. — Encontramos a única testemunha.— Disso sabemos, descobriram algo em intermédio desse menino? – Indaga Levi. — Não foi por este motivo que prendemos o Jonathan.— O que aconteceu? Tony continua calado sentado na cadeira confortável, apreciando o diálogo. — Recebemos algumas denúncias anônimas, nós dando diversas dicas, até chegarmos ao meliante e encontramos algumas coisas no iate da família Sampaio. As roupas usadas no dia do crime, uma máscara e algumas munições para a arma. Valentim boceja um pouco indolente. — Não estou acreditando nisso, delegado. — É de onde menos se espera que encontramos a verdade. — Ele e a minha irmã eram amantes.— Um crime passional, se a Pamela não fosse dele, seria de outra pessoa? — Eu preciso conversar com ele. — Tem certeza? — Sim, ele não pode ter me enganado dessa forma. Levi é encaminhando para uma saleta totalmente escura na companhia de dois agentes militares, por um momento, imagina se um dia a polícia federal descobrir todos os seus delitos, como seria a vida engaiolado? Ele permanece abancado na cadeira de madeira, esperando, em seguida, Jonathan surge algemado com a face avermelhada. Levi não consegue enxergar a mentira no olhar daquele rapaz, não seria capaz de cometer tamanha brutalidade com uma pessoa que amou tanto, Jonathan não é um psicopata. — Tem como conversamos em particular?— Qualquer coisa é só chamar. O homem levanta a cabeça, deixando os dois sozinhos. Afinal, não tem como detento fazer algo contra a visita, pois permanece acorrentado na cadeira. — De mocinho á assassino, Jonathan. — Eu não matei a sua irmã, Levi. Só peço que acredite na minha pessoa. — Todo mundo nessa cidade quer te ver morto, mas eu não, acredito na sua inocência. — Sério? — Sim, você não seria estúpido o suficiente ao ponto de assassinar uma pessoa e continuar aqui em Arraial, teria que ser esperto para arquitetar esse plano e atirar contra uma pessoa com uma precisão digna de um serial killer, coisa que um amador não faz, você é um amador, certamente nunca pegou em um revolver, quanto mais em um fuzil. — Existem pessoas gigantes envolvidas nisso. — É apenas uma. — O Miguel Xavier. No dia em que eu sofri o acidente de carro, bem... – Jonathan fita o chão, pouco envergonhado das palavras que almejavam sair de sua cavidade bocal. No entanto, não tem como os vigilantes escutarem, está na parte externa do cômodo. – Eu me lembro desse dia perfeitamente, eu e a Pamela nós amamos sem regras naquela manhã em Pitinga, existiam tantos planos, sabe? Um casamento, filhos, netos, cachorros, mas tudo foi rápido demais, aquela tarde chegou a ser macabra, não apenas pelo acidente, mas por um recado que encontrei no iate da minha família, tinha um cadáver no barco e uma ameaça escrita a sangue, “Se afaste das coisas que não lhe pertencem”, quando telefonei para Pam, eu a disse que isso era coisa desse canalha, sempre soube, Levi. Nunca entendi o motivo dela não ter assumido a nossa relação.
— Não está na sua cara? — O quê? — Ela morreu para te proteger, você sofreu um acidente que ninguém conseguiu desvendar, ela te amava de verdade, Jonathan. Em seus últimos dias de vida, não consegui reconhecê-la, sinceramente, era apenas uma boneca de porcelana, um fantoche. Me senti um pouco culpado de ter me afastado daqui durante todos esses anos, mas tive que construir a minha independência e salvar ela das garras da minha mãe, em qualquer lugar que a Pamela estiver, ela vai ter de perdoado a nossa progenitora, ela fez o que fez, para defender a filha, mas acabou por enterrando uma alma e depois um corpo. Não tenha medo, vou contratar um advogado, você vai sair detrás dessas grades em breve, eu prometo.
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