Perfeitos um para o outro... Ou quase isso
12 Você gosta de mim?
Capítulo 12: Você gosta de mim?
Já de volta a nossa base, resolvi voltar aos treinamentos. A missão seria dali uma semana, então precisava treinar o máximo que podíamos.
Ao invés de ficar na base segura, insisti para que fôssemos para a outra, pois se o que o juiz falou era verdade, que existiam muitas pessoas querendo o meu recruta, eu deveria nos manter o mais distante possível, pelo bem do nosso treinamento e pelo bem da sua segurança.
O treino foi normal, igualmente tenso. Ele estava evoluindo no seu ritmo, mas a sua concentração estava diminuindo cada vez mais. Tentei mudar os treinos, mas não obtive resultados positivos, ele só se machucava cada vez mais. Depois de dois dias, fiz ele organizar novos livros, como uma punição por não estar concentrado no treino.
Aqueles livros, não eram muito bons, por isso estavam guardados em caixas ao invés de expostos na prateleira. Não havia necessidade de tirar a poeira deles ou de colocá-los em exposição, mas eu não sabia mais que outra punição lhe dar, pois todas as punições na qual conseguia pensar, lhe deixariam machucado, e isso não seria bom para nenhum de nós.
— Esses livros também foram presentes? — perguntou curioso, enquanto tirava a poeira acumulada e colocava-os na estante, junto dos outros.
— Sim.
— De quem os ganhou?
— Erwin.
— Vocês são bem próximos, não é? — continuou com as perguntas, pensei em parar com aquele assunto por ali, já que aquilo de nada serviria, mas decidi continuar. Aquela conversa podia ser a solução para os meus problemas.
— Ele é meu melhor amigo e a pessoa que me tornou um soldado — respondi, não dando tempo para que ele fizesse outra pergunta e assumindo a tarefa. — Por falar em soldado, o que te fez querer ser um?
Ele parou de trabalhar por alguns segundos e de costas para mim, respondeu em tom baixo: — Eu queria tentar evitar que outras crianças passassem pelo mesmo que eu passei. E... queria ser forte como você — revelou para a minha surpresa. — Presenciei uma das suas lutas contra as bestas e decidi que queria ser tão forte quando aquele que vi lutando...
Ele se virou para mim, tirou o pano que cobria sua boca e nariz e que impedia que a poeira os alcançasse, sorriu envergonhado e completou: — Pode-se dizer que te admiro desde criança.
— Quando me olha, não vejo admiração nos seus olhos, vejo desejo. E aquele beijo não foi por admiração, foi? — questionei seriamente, mas mais curioso do que bravo. Ele sorriu novamente sem jeito e desviou o olhar.
— Eu te admirei por muitos anos, Capitão. E essa admiração só cresceu desde que cheguei ao exército, mas... acho que comecei a sentir mais do que só admiração — confessou com um olhar triste.
Ele tentou passar por cima das caixas e sair de perto da estante, mas seu pé tropeçou em uma pilha de livros e ele caiu para frente. Reagi por reflexo, mas não consegui evitar a queda e acabei caindo junto com ele.
Eu caí deitado e ele por cima de mim. Seus braços que foram ao chão por um reflexo, seguravam seu corpo a centímetros do meu. Seus olhos olhavam os meus e me encaravam do mesmo modo que das outras vezes, vorazes... famintos por um beijo.
— Desculpe — pediu em um sussurro, desviando o seu olhar. Não consegui descobrir se aquele pedido era pela queda ou pelo modo como ele me olhava, então não fiz questão de responder. Eren já estava saindo quando segurei em sua cintura, com uma das mãos, impedindo que se movesse.
Seus olhos procuraram os meus, em um reflexo, para pedir uma explicação. Quando seu rosto estava novamente em minha frente, segurei em sua nuca e ergui meu próprio rosto em direção ao seu, cessando por completo aquela distância e beijando seus lábios.
A sua surpresa foi apenas inicial, pois poucos segundos depois, ele estava movendo a sua boca na minha, assim como eu fazia. Quando decidi encerrar o contato, me afastei e encostei minha cabeça no chão, colocando um pouco de distância entre nós.
— Pirralho... Você gosta de mim? — Fui direto ao assunto. Era algo que eu precisava saber. Ele me encarou, dessa vez sem desviar o olhar e acenou afirmativamente.
— Pode parecer impossível, já que nos conhecermos há pouco tempo, mas, gosto muito de você — confessou, se aproximando e me dando um beijo, igual ao primeiro, apenas um selar de lábios. Depois ele se afastou e de joelhos, sentou-se sobre seus pés, enquanto eu me sentava sobre o chão e encarava-o novamente.
— Esse gostar é sexual ou sentimental?
— ... Ambos — respondeu novamente desviando o olhar. Ali estava a vergonha que vi no início da conversa.
Ao ver seu rosto levemente corado e sua vergonha, eu me lembrava da sua determinação e da confissão corajosa que fez há poucos segundos. Ela parecia ter dupla personalidade... Embora eu soubesse que não era nada tão radical, ainda me surpreendia com o quanto às suas reações podiam variar tanto.
— O que devo fazer, Capitão?... Não sei se posso, simplesmente, deixar de gostar de alguém — disse olhando para o chão. Pelo pouco que eu podia ver de sua expressão, dessa vez ele não estava evitando meu olhar, estava perdido em pensamentos.
Aquela pergunta, me fez lembrar do que Petra havia dito, e por algum motivo, eu podia ver uma grande diferença na profundidade de sentimentos. O que ela dizia sentir por mim, não chega nem perto do "gostar" do garoto em minha frente.
— Então não deixe de gostar — respondi para a sua surpresa e a minha. Antes mesmo de pensar nas consequências daquelas palavras, elas já tinham saltado para fora de minha boca. — Entretanto, é melhor parar de me olhar assim, ou não me responsabilizo se decidir aceitar o que seu olhar sugere que façamos — disse encarando-o seriamente e vendo um novo tom de vermelho em seu rosto.
— Se eu realmente quiser fazer isso, você vai fazer? — perguntou enquanto mordia o lábio inferior e olhava para mim.
O seu olhar só tinha esperança e preocupação, nem uma malícia, o que deixava claro que aquela mordida no lábio não era uma provocação, mas mesmo assim eu estava vendo uma.
Meu corpo reagiu aquela visão e meus pensamentos foram bagunçados pela cabeça de baixo. Se eu conseguisse dar uma resposta que não fosse atacá-lo, me daria os parabéns por ter resistido a maior tentação pela qual já passei na vida!
E por falar em tentação. Eu nunca fui do tipo que era controlado por instintos primitivos, como desejo. E podia viver sem sexo, apesar de gostar de desfrutar do prazer de uma companhia. Mas aquele pirralho, estava realmente me afetando!!
Fale com o autor