Perfeitos um para o outro... Ou quase isso
27 Uma missão qualquer - Parte 01
Capítulo 27: Uma missão qualquer — Parte 01
E deveria ir até Erwin para pegar os tais documentos que se referiam ao meu relacionamento com Eren, mas eu recebi uma mensagem através de um mensageiro, que futuramente, o próprio comandante viria me trazer o documento, pois havia algo que ele queria falar comigo.
Não fiz nada além de aceitar, afinal, não era como se eu pudesse ou quisesse ir contra o seu pedido. Continuei com o treinamento de Eren, focando mais em nosso combate corpo a corpo, mas não negligenciando o seu treino para caçar bestas, esse era o seu trabalho, no fim das contas.
Três meses se passaram desde o início do treinamento e quase seis meses desde que o pirralho entrou em minha vida. Nossa relação estava... normal? Talvez normal, não seja a palavra ideal para representar a nossa situação, mas comum, talvez servisse.
Eu continuei sendo aquele Capitão impiedoso e que se importa muito com a limpeza e ele continuou sendo o recruta obstinado e determinado, que apesar de ser horrível quando o assunto era ser um soldado, se esforçava mais do que qualquer um que carregasse esse nome. A única diferença era os beijos que trocamos quando estamos sozinhos, as quatro noites que fizemos sexo e os momentos confidentes no qual conversamos sobre nossas vidas.
— Desculpe, Capitão. Não consegui matar as duas — disse parado ao meu lado, de cabeça baixa, olhando para a besta morta em nossa frente.
Era dia de treinamento prático. Eu levei Eren para fora de nossa base e pedi que usasse um movimento recém aprendido para tentar matar duas bestas ao mesmo tempo, mas ele só conseguiu matar uma delas, o corte que fez na segunda besta, enquanto passava voando com o gás acima dela, não foi fundo o suficiente para levar a morte.
Ergui minha mão e fiz um leve carinho em seu cabelo, dizendo-lhe: — Você se saiu bem. Continue treinando e conseguirá. Agora, vamos para casa, que o almoço deve estar pronto — lembrei-o enquanto seguia até o cavalo e subia nele, esperei pelo recruta que veio logo em seguida e após ajudá-lo a subir e ele segurar em minha cintura, nós partimos, galopando devagar.
Eu estava atrasando o nosso regresso a base e ao mesmo tempo, dando-nos mais um tempinho a sós, mesmo que fossem apenas mais alguns poucos segundos.
— Capitão... Acha que alguém insignificante como eu, pode conseguir lutar tão bem quanto você? — perguntou aquele que era meu amante, meu namorado e a pessoa que se tornou o meu coração, aquele que comandava a minha vida.
— Não acho que você seja insignificante. Mas se acha que é, garanto que isso não é algo que limite suas habilidades — expliquei calmamente.
— Não entendi — admitiu enquanto me abraçava pela cintura e apoiava seu queixo em meu ombro, olhando meu rosto enquanto esperava pela explicação que ele sabia que eu iria dar.
— Quando cheguei ao exército, eu era um ninguém. Erwin me fez um soldado e em meu primeiro ano, todos se referiam a mim como um insignificante. Hoje sou um dos melhores combatentes do exército... Se você for tão insignificante quanto eu, podemos esperar um grande futuro — brinquei ouvindo-o rir.
Seguimos o restante do caminho mais rapidamente e logo chegamos na casa, da qual uma deliciosa fragrância de carne saía pela porta e nos convidava a entrar.
— Chegamos, Mya! — avisou assim que passamos pela porta. A garota correu até nós para nos receber e depois começou a servir a mesa, tendo a ajuda do pirralho, que carregou o que era mais pesado. Durante a refeição, os dois conversaram como de costume. — Só consegui pegar uma delas, a outra o Capitão teve que matar — explicou o recruta, o que havíamos testado naquele dia.
— Esse golpe que usou é aquele que estava praticando na árvore?
— Não, é aquele que eu abro os braços e faço um "x" na hora de cortar — explicou enquanto mostrava a ela o movimento do corte.
— Ah! Lembrei, é aquele que na primeira vez que você fez, caiu de bunda — riu a garota, lembrando de uma das cenas hilárias que presenciei.
— Não precisava lembrar dessa parte — disse Eren constrangido, voltando a comer de cabeça baixa, fazendo a menina rir ainda mais. Ele não gostava de se mostrar tão patético em minha frente, mas por outro lado, eu adorava ver o seu empenho, mesmo que às vezes o resultado fosse desastroso.
Após a refeição, deixei os dois cuidarem da limpeza e subi ao quarto. Mas assim que cheguei até lá e vi pela janela que um cavalo se aproximava, voltei ao primeiro andar e recebi o nosso convidado, era Erwin.
Ao invés de recebê-lo na sala, eu o levei até o escritório e resolvi conversar com ele em particular. Não querendo expor a minha relação com Eren em sua frente, pois não sabia como o garoto iria se sentir com isso. Ele me deu os papéis e explicou algumas questões como a da idade, a de minha família e os nomes.
— Então ele concordou?
— Sim. Estamos meio que namorando, embora não tenhamos dado um nome em específico, já que nem um de nós se importa muito com isso — expliquei sentado na beira da minha mesa e tendo-o em pé em minha frente. Eu usava o escritório com tão pouca frequência, que a poeira ali acumulava com mais facilidade, eu faria Eren limpar aquela área na próxima vez que precisasse castigá-lo.
— Fico feliz por vocês dois. Estou fazendo o que posso, não só com relação a esconder seu relacionamento, mas com os outros problemas e felizmente tenho boas notícias sobre um deles.
— E sobre qual deles seria? — questionei curioso, cruzando os braços sobre o peito e me preparando para prestar atenção nas suas explicações.
— Eu estive investigando a história que a menina contou, tentando encontrar alguma ligação com a realidade. E apesar de não ter achado nada sobre a profecia, encontrei algo que pode estar relacionado com o surgimento das bestas. Em uma grande cidade que foi destruída e abandonada muito tempo atrás, há registros de que havia um laboratório no qual experimentos aconteciam.
— Aquele que mandei investigar, encontrou descendentes de pessoas que moravam originalmente nessa cidade e que disseram que o laboratório ficou famoso devido a um grande acidente no qual todos os cientistas foram mortos e algo escapou.
— Algo escapou?
— Sim. A pessoa que nos deu a informação, disse que seu bisavô, quando criança, entrou na área proibida do laboratório e encontrou algumas gaiolas gigantes de metal arrebentadas, como se alguma coisa tivesse danificado-as de dentro para fora — explicou aquele parte da história que podia ser assimilada com a história contada por Mya.
— Não é possível saber se é ou não verdade, até ver com seus próprios olhos, mas acho que é algo que vale a pena investigar mais à fundo. Por coincidência ou não, os superiores decidiram ir nessa cidade, para investigar uma construção misteriosa que foi avistada por alguns soldados e que dizem parecer ser mais nova do que o restante das construções abandonadas.
— Amanhã à noite, dois esquadrões serão enviados para essa cidade. Quero que vá como escolta e que aproveite essa oportunidade para procurar pistas no laboratório. Por sorte ele fica localizado no lado oposto da cidade abandonada, então você pode investigar sem ser visto... Acha que pode fazer isso?
Respirei fundo com toda aquela informação, antes de responder: — Poder eu posso, mas se eu desaparecer por muito tempo, eles vão suspeitar de algo.
— O seu trabalho será especificamente fazer a escolta deles durante o trajeto de ida e volta, pois a maioria dos que vão são inexperientes em batalhas em campo aberto, mas dentro da cidade, eles alegam que podem cuidar de si mesmo, então você estará livre para fazer o que quiser — explicou-me.
— E quanto ao Eren e a Mya?
— A decisão é sua. Pode deixá-los aqui ou mandá-los para a sua base dentro da cidade Maria. Se eles estiverem lá, farei o que puder para protegê-los — garantiu pouco antes de encerrar a conversa, falando que ainda tinha algo importante que tínhamos que conversar, mas que ficaria para depois que eu voltasse e que queria que Eren estivesse presente durante a conversa.
Levei-o até a porta e depois que ele se foi, convoquei os dois para a mesa na qual tínhamos feito a refeição há pouco. Quando eles chegaram, expliquei a eles o que Erwin tinha dito sobre a cidade, o laboratório, a missão e o meu papel nela, terminando com a pergunta sobre o que eles pretendiam fazer em minha ausência.
— Acho que é melhor ficarmos aqui... Dentro da cidade, não é realmente seguro. E entre lutar contra bestas e contra humanos, me dou muito melhor contra as bestas. Além de quê, seria uma boa ocasião para testar minhas habilidades e minha capacidade de cuidar da segurança, sem que você esteja presente — respondeu Eren.
— Se eu fosse ficar sozinha, preferiria ficar dentro da outra base, mas com o Eren aqui, eu não tenho medo. E se algo nos atacar e não conseguirmos vencer, sempre podemos fugir, quando se trata de montaria eu sou ótima! — lembrou a pequena com um sorriso.
— Se é isso o que querem fazer, estou de acordo. Mas quero que me prometam, que se perceberem estar em perigo, devem regressar para a barreira dos grandes muros das três cidades. Deixarei o guarda do portão avisado e com a permissão para a entrada de vocês — expliquei, vendo-os acenar em concordância.
Conversa encerrada e assunto resolvido, pedi ao Eren para voltar aos treinos, enquanto eu ia preparar meu equipamento e algumas roupas para a viagem. Erwin não deu detalhes, mas se era preciso uma escolta, a cidade não deveria ficar muito perto. Era provável que eu tivesse que me ausentar por alguns dias e talvez, semanas.
— Eu não gosto disso.
— Não gosta de quê? — perguntou ao entrar no quarto, vir até mim e me abraçar pela cintura, apoiando seu queixo em meu ombro.
— Volte ao treine — ordenei sem responder. — Sim Senhor — acatou, dando um beijo em meu pescoço e voltando pelo caminho que fez para chegar ali. Olhei pela janela e vi ele chegar ao pátio, começando a treinar logo em seguida. Enquanto olhava-o, lembrava que como iria sair no dia seguinte, naquela noite lhe daria o documento para assinar e aproveitaria sua companhia antes da partida.
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