Perfeitos um para o outro... Ou quase isso
28 Uma missão qualquer - Parte 02
Capítulo 28: Uma missão qualquer — Parte 02
A noite chegou e com ela o fim do treinamento de Eren para aquele dia. Ele subiu ao quarto e tomou um banho, enquanto eu ajudava Mya a servir o jantar. Deixei-os comerem e fui tomar meu próprio banho, voltando minutos depois e me juntando a eles na mesa.
Depois de comer, Mya se retirou e nós ficamos para o chá, desfrutando de um pedaço de bolo deixado pela pequena, que mostrou-se ser uma excelente cozinheira. De acordo com as conversas que ouvia entre os dois, cozinhar era algo que ela gostava muito de fazer e queria fazer disso o seu trabalho, no futuro no qual ela esperava ainda estar viva para desfrutar.
O pirralho terminou a sua parte rapidamente, como uma criança que gosta muito de açúcar. Eu comi calmamente, não só por não apreciar tanto algo doce, mas também por gostar de aproveitar a refeição. Seus olhos encaravam-me como se pedisse um pedaço e não resisti em provocá-lo.
— Quer um pedaço? — perguntei erguendo o talher com um pedaço do bolo coberto de creme. Ele sorriu e se levantou da cadeira, apoiando as mãos na mesa e aproximando sua boca do pedaço de doce que ansiava, mas antes que ele pudesse comer, puxei o garfo e coloquei o alimento em minha própria boca.
Ao olhar para ele, vi seus olhos caídos em tristeza e um bico infantil, de quem foi enganado. Ao ver tal cena, engasguei-me com o bolo, enquanto abaixava a cabeça para que ele não visse meu rosto.
— Capitão! Tudo bem? — perguntou preocupado, quando comecei a tossir. Servindo-me mais uma xícara de chá e me incentivando a tomá-la para melhorar. Tomei o chá que me foi servido e depois olhei novamente para o seu rosto.
Aquela expressão que lembrava uma criança que estava sendo judiada, não estava mais ali, mas eu me lembrava claramente dela. Era uma fofura!! Por um momento, esqueci que ele era o homem com quem estava fazendo sexo.
— Desculpe por antes. Aqui, pode comer o resto — ofereci após colocar o talher em cima do bolo e oferecer a ele o pequeno prato. Com um sorriso no rosto, parecendo se esquecer completamente da minha brincadeira, ele aceitou e comeu com deleite.
Quando terminou subimos os dois ao quarto e ele foi ao seu, dizendo que iria trocar de roupa. Voltou minutos depois e me encontrou dentro do quarto. Eu estava esperando por ele com as folhas na mão e assim que chegou, lhe entreguei.
Durante a hora seguinte, o pirralho leu o documento cuidadosamente e depois o assinou, entregando-me com um sorriso. Guardei-o na gaveta, ao lado do lubrificante e das camisinhas que tinha comprado em minha última viagem de compras na cidade.
— Rivaille, se importa se eu trouxer minhas coisas para o seu quarto? Acho desnecessário deixar as minhas coisas em um quarto diferente, já que não tenho muitos pertences — pediu se deitando no seu lado da cama.
— Faça o que quiser. Pode aproveitar esses dias em que eu estarei fora, se quiser fazer a mudança — respondi, sentando na cama e depois me deitando, ficando de frente para ele. Sem dizer nada, Eren se aproximou de mim e ficamos de frente um para o outro. Senti sua mão em minha cintura e seu rosto se aproximar do meu, me beijando enquanto era retribuído.
Nós fazíamos aquilo quase todas as noites, era uma maneira de controlar o desejo que apenas crescia. Segurei ao lado do seu rosto com uma das mãos e com a outra, apoiei-me na cama, enquanto deitava seu corpo de costas e ficava em cima dele.
Suas mãos em minha cintura, tocaram-me por dentro da camisa, enquanto eu continuava a beijar seus lábios e fazer um leve carinho em sua bochecha. Apoiando o meu corpo no outro antebraço, ergui-me por alguns centímetros para que pudesse parar de beijá-lo e então, falar.
— Nesse tempo em que estarei fora, não deve treinar. Foque sua atenção em manter a sua segurança e a de Mya. Quando eu voltar, não quero encontrar seu corpo — disse seriamente.
Ele sorriu carinhosamente e respondeu: — Não é assim tão fácil matar o recruta treinado pelo Capitão Rivaille. Você se preocupa demais — disse enquanto abraçava a minha cintura e me puxava para mais perto, erguendo seu rosto e tocando seus lábios nos meus em um pequeno selar.
— Se algo acontecer, se eu ficar em apuros e não conseguir fugir. Vou fazer o que faço de melhor... sobreviver. Então, quando eu tiver em apuros venha me salvar, pois estarei esperando por você — avisou com um sorriso divertido.
Sorri com o canto da boca e disse-lhe: — Você está muito folgado recruta. Não dependa da proteção do seu Capitão ou será repreendido — disse sem seriedade alguma, apenas brincando.
— Eu não tenho culpa se meu Capitão é tão confiável, habilidoso e incrível — disse sorrindo abertamente, me abaixei completamente e beijei-lhe, sentindo suas mãos alisarem minhas costas em uma tentativa de aumentar o contato entre nós.
Mantive-me parado, apenas mexendo minha cabeça e minha boca na sua. Alguns minutos depois, me afastei. — Pare de me bajular, não vamos fazer sexo hoje — decretei pouco antes de sair de cima de si e voltar ao meu lugar na cama.
— Sabe o que dizem... Não custa tentar — disse rindo, fazendo um sorriso aparecer em meu rosto.
— Vamos dormir, pirralho. Amanhã eu tenho que trabalhar — avisei, me virando para o lado e sentindo-o me abraçar quase imediatamente. Ele não tentou mais nada e apenas se concentrou em dormir. Assim como havia me prometido, ele ainda me obedecia, assim como um soldado deveria obedecer ao seu Capitão.
Enquanto o sono não era forte o suficiente para me fazer dormir, tendo-o tão perto, pensei em nossa relação e no quanto havia evoluído, sem que nenhum de nós estivesse tentando fazer aquilo propositalmente.
Assim como ele me chamava de "Rivaille" quando estávamos sozinhos, ou o fato de sexo e beijos ter se tornado algo natural. Até mesmo meus toques se tornaram mais gentis e suas palavras menos tímidas ou inseguras... Tudo aquilo aconteceu sem premeditação, era algo que eu nunca sequer sonhei que pudesse ter. Uma relação amorosa.
Eren me deu o que eu sempre quis, uma vida, um amor e uma companhia. O que eu poderia dar a ele além de inimigos, problemas e minha proteção? As vezes sentia que não o merecia, mas ao mesmo tempo, não conseguia me afastar dele.
A noite enfim passou, a manhã chegou e com ela o dia da missão. Saí um pouco mais cedo do que o anoitecer e fui até o portão falar com o guarda sobre a possibilidade de Eren e Mya precisarem passar por ele. O guarda, que já nos conhecia, garantiu que deixaria que passassem em caso de necessidade, acrescentando que o comandante já havia lhe feito um pedido parecido.
Depois segui até o ponto de encontro, enquanto meu coração batia forte ao lembrar dos dois que deixei na base. Durante o restante do caminho até o portão principal, disse a mim mesmo que aquilo era melhor. Eu já estava apegado demais ao garoto e precisava lembrar a mim e a ele que éramos soldados.
Ocasiões nas quais nossas vidas correriam algum risco, podiam acontecer a qualquer minuto e não podíamos deixar que nossa relação nos atrapalhasse. Seria melhor superar aquele obstáculo o quanto antes, pois no futuro, essa fraqueza poderia ser usada contra nós.
Ao chegar no ponto de encontro, para a minha surpresa, encontrei o Major Theo Becker e dentre os de seu grupo estavam os amigos de Eren. O outro grupo era de outro Major, que para a minha sorte, era apenas um qualquer que nada tinha contra mim e nem era meu aliado. Me surpreendi com a escolha dos esquadrões.
— Pensei que os dois esquadrões escolhidos, fossem de pessoas não acostumadas a lutar em campo aberta. Mas o Major Becker não se encaixa nesse padrão. Tem algo a me relatar? — perguntei seriamente e sendo formal.
— Houve uma mudança de planos. Alguns acreditam que o Capitão Rivaille não é o bastante para proteger todo o grupo, então estamos aqui para ajudá-lo se precisar — explicou, apontando para os soldados atrás de si, incluindo os dois jovens.
— A equipe do Major Solaren é o responsável pela pesquisa na cidade, nosso trabalho é auxiliar a proteção deles, caso peça por nossa ajuda — terminou com um sorriso gentil. Aquele sorriso cheio de gentileza falsa.
— Não se esqueça das palavras que acabou de dizer — avisei ainda seriamente, deixando-o surpreso. — O seu trabalho é me auxiliar se eu pedir ajuda, então, se eu não lhe der permissão, não atrapalhe o meu trabalho — terminei vendo-o trincar os dentes em raiva e sorrir, enquanto imaginava o jeito mais doloroso de me matar... eu tinha certeza, era o que estava pensando.
Por fora eu era o mesmo de sempre, mas o sorriso discreto em meus lábios, entregava a minha diversão. Talvez fosse influência do garoto, mas senti prazer em provocar o Becker. Ver seu orgulho ferido era incrivelmente prazeroso. Afinal, eu ainda era o melhor e ele ainda era o segundo melhor, assim como tem sido durante aquela década em que estive no exército.
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