Perfeitos um para o outro... Ou quase isso

50 Não vou deixar você escapar!


Capítulo 50: Não vou deixar você escapar!


Tinha acabado de chegar de uma missão e estava exausto, ignorei os três que treinavam no "quintal" e fui direto para o meu quarto. Durante os três últimos dias eu estava sozinho em uma missão, então Eren ficou treinando os outros dois, que melhoravam a cada dia.

Descansei alguns minutos, sozinho e em silêncio, depois fui tomar um banho. Sabia que devido ao fato de Eren não ter subido para me receber era porque ele estava bravo, tinha sido assim naquele último mês, já que não tive mais tempo para sequer fazer uma refeição ao seu lado ou para namorar.

Quando saí do banho, ele ainda não estava no quarto, não consegui evitar um suspiro triste. Mesmo cansado, preferia ter um pouco da sua companhia. Já vestido, preparei a cama para descansar um pouco, mesmo ainda sendo dia.

Parecendo ler meus pensamentos, ele entrou e fechou a porta. Seu olhar não encontrou o meu, mas eu sabia que havia algo de errado no momento em que ele trancou a porta. Não trancar a porta do meu quarto era essencial quando haviam tantas vidas que dependiam de proteção ao nosso redor.

— Eren — chamei-lhe mais não houve resposta. Ele andou até a mesa perto da parede e começou a tirar o seu equipamento. Ele estava exalando uma aura perigosa. Fiquei preocupado, mas mais que isso, estava curioso. Então, esperei para ver o que ele estava fazendo.

Quando ele terminou e olhou para mim, vi em seus olhos, aquele dourado que vi muitas vezes no campo de batalha e ao mesmo tempo, vi muitas vezes em nossa cama. Olhando-o nos olhos, lembrei da explicação que ele me deu momentos antes da nossa primeira vez, sobre a intensidade das suas emoções e que seus olhos podiam assumir aquela cor devido ao desejo.

— Levi... Já faz um mês — disse em tom sério, caminhando até mim e para a minha surpresa, derrubando-me na cama. Exatamente, ele não me "deitou" ou me "empurrou"... Ele me "derrubou" dando-me uma rasteira e jogando-me na cama.

Tentei levantar, mas ele sentou sobre meu corpo e suas mãos prenderam meus pulsos sobre a cabeça. Naquele momento eu estava completamente preso por ele e sua força não estava no nível normal.

— Não posso esperar... Quero você — disse pouco antes de tomar a minha boca com a sua. Tentei me soltar, realmente tentei, mas naquele momento, o pirralho estava três vezes mais forte que eu.

— Por que não coloca esse empenho todo no treino, hein?! — disse fuzilando-o com um olhar acusador, mas ele apenas sorriu e voltou a me beijar. Se afastando alguns minutos depois.

— Eu estou cansado, Eren. Me deixe dormir— pedi em tom baixo.

— Não — Sua reposta foi rápida e sem hesitação, antes dele direcionar seus lábios ao meu pescoço e beijar uma de minhas áreas mais sensíveis, fazendo com que meu corpo despertasse.

— Me solta, Eren — disse em tom calmo. Apesar de naquele momento ele ser meu marido e não meu recruta, o seu respeito por mim era imenso e eu sabia que ele era um bom garoto. Como o esperado, ele soltou meus pulsos, mas ainda se manteve sobre mim e com seu rosto agora em frente ao meu.

— Levi, por favor... só uma vez, eu vou enlouquecer se ficar mais tempo sem você — disse enquanto esfregava seu corpo contra o meu, fazendo sua ereção ser sentida. — Levi! — choramingou fazendo aquela bico adorável.

Que fofo!! Como ele podia ser tão fofo em um momento tão adulto?! — Não me olhe assim pirralho, não vou conseguir resistir — disse fechando os olhos e ouvindo seu riso, no fundo ele sabia que já tinha vencido aquela batalha... Quando? ... No momento em que decidi descansar na minha base. Quando fiz essa decisão, entrei em uma batalha perdida.

— Maldito pirralho... Você merece uma punição por atacar um superior — disse com um sorriso malicioso, abrindo os olhos e vendo seu sorriso tão malicioso quanto o meu, enquanto já invadia suas roupas com minhas mãos. Puxei-o para um beijo e decidi mandar meu cansaço para longe, enquanto aproveitava aquele momento pelo qual estive ansiando durante todo aquele último mês.

Obviamente que não fizemos só uma vez, pois "uma vez" não existia no dicionário daquele pirralho insaciável. Quase três horas depois, ainda estávamos na cama e em vez de cansado e exausto, eu estava praticamente morto. Quanto ao Eren, bom, seja por ser adolescente ou por ser meio besta, sua energia era muito maior do que a minha, então mesmo estando "satisfeito", ele exibia um grande sorriso no rosto e parecia pronto para entrar em uma batalha a qualquer momento.

— Quando tiver algum tempo sobrando, vou revidar esse ataque e farei com que nem consiga se mexer no dia seguinte — avisei deitado na cama, tendo dificuldade para mexer qualquer que fosse a parte de meu corpo.

Ele riu, provavelmente gostando da ideia. Depois de mais algumas piadas, resolvi realmente dormir um pouco, embora só tivesse mais umas duas horas para descansar. Mais tarde, deixei novamente a base e voltei para o quartel em Shina, onde tinha uma reunião marcada com o comandante.

Ao chegar lá, encontrei-o me esperando em sua sala, para que fôssemos juntos ao lugar da reunião. Durante o trajeto, ele não deixou de mencionar:

— Por que está tão cansado? Pensei que tinha ido dormir para descansar?

— Eu fui atacado.

— Bestas atacaram sua base? — perguntou com um toque de preocupação, rindo depois quando lhe expliquei que o ataque veio dentro de casa e era uma "meio-besta".

A reunião para a minha surpresa, tinha como pauta, eu mesmo, aparentemente eles finalmente perceberam que meu relacionamento com Eren aparentava ser mais do que apenas um capitão e seu subordinado... Ao escutar suas acusações, quase ri ao perceber quanto tempo eles demoraram para perceber.

Felizmente, foi para um momento como aquele que Erwin tinha nos feito assinar aquele documento. Com um contrato de casamento, de acordo com a lei, eu não podia ser acusado de estar me aproveitando do garoto, usando a minha patente no exército para forçá-lo a me servir sexualmente.

Claro que outras questões foram levantadas, mas todas elas foram explicadas e dissolvidas pelo meu amigo que já havia se preparado para um momento como aquele desde muito tempo atrás.

O fato de Eren ser de menor, foi contestado, mas como ele tem idade para entrar no exército e não possui pais para proibirem, era um argumento difícil de ser usado, mesmo que as pessoas considerassem contra as leis, ainda podia revidar com outros pontos, como com o fato de nosso casamento ser oficializado e até mesmo a comunhão de bens ser feita legalmente.

Apesar deles não saberem quais eram os meus bens, isso não mudava a validade da questão, além disso, o contrato tinha sido assinado há bastante tempo o que provava que não era uma tática apenas para fugir da acusação.

O debate continuou em sua maioria em torno da idade de Eren, que parecia ser o ponto chave. Depois de muita conversa, conseguimos convencer alguns dos presentes que independentemente da idade dele, Eren não deveria ser impedido de amar, mesmo levando em consideração que a outra pessoa era um homem e seu superior.

As poucas mulheres que ocupavam altos cargos, consideravam que a opinião do meu recruta deveria ser levada em consideração, antes que eu fosse "condenado" por qualquer ação. Muitos discordaram, mas em um caso como o meu, todos precisavam chegar a um acordo, pois mesmo com meus erros, eu ainda possuía muitos méritos, tantos, que uma punição deveria devia ser aplicada com cautela.. afinal, tudo que se referia a mim estava sendo transmitido aos cidadãos.

No fim, depois de horas discutindo, todos eles chegaram a uma conclusão. Sem "ver" a nossa relação, nem uma decisão podia ser considerada justa. Era preciso saber se tudo que eu falei era verdade. Decidido isso, eles tomaram a decisão de montar um acampamento de treino, no qual eu seria o "professor" e ficaria responsável por ensinar outros soldados em diferentes áreas.

Seria como o treinamento conjunto que os recrutas precisavam fazer, com a diferença de que não seriam recrutas que viriam até mim, seriam soldados de altos cargos e até condecorados. Eles iriam treinar com um colega muito mais experiência em batalha e também iriam me vigiar por alguns dias. Depois desse tempo, uma decisão seria tomada de forma definitiva.

Com isso decidido, voltei para a base na cidade abandonada e comuniquei Eren e os demais sobre a situação, pois no dia seguinte iríamos todos para a base na cidade Maria, pois seria lá que o treinamento iria acontecer. O pessoal não gostou muito da ideia de ter que conviver alguns dias com diferentes soldados, mas surpreendentemente, Eren parecia feliz.

Quando soube das notícias ele esboçou um sorriso travesso em seus lábios que quase me fez ter um enfarte. Depois daquele ataque em meu quarto, temia que minha sanidade fosse sofrer com o que quer que estivesse causando aquele sorriso, de uma criança que está prestes a pregar uma peça em um adulto.