Capítulo 05: Meu trabalho — Eren

Narração do ponto de vista do Eren.

Pensei que fosse ser tranquilo treinar sem ele, afinal, eu poderia cair quantas vezes quisesse ou precisasse, sem passar vergonha na frente da pessoa que admiro, mas não saiu como o planejado.

As quedas continuaram, isso era evidente, mas ao treinar sozinho, eu estava com medo. Aquele equipamento de locomoção era perigoso e eu sentia como se aquela arma fosse viva, como se ao fazer um movimento errado, eu fosse me machucar.

No primeiro dia consegui me virar, enquanto testava uma ideia maluca que tive, amarrando uma corda em uma árvore e usando para fazer movimentos de desvio. Deu certo, mas eu não conseguia imaginar como eu poderia colocar aquilo no meu equipamento e usar em combate.

No segundo dia de treino, ainda pela manhã, sofri um acidente. Eu caí novamente no lago, depois de ter batido num galho baixo de uma árvore, ferindo meu braço no processo. Eu não sabia se devia continuar o treino ou não, mas levando em consideração que o Capitão sempre perguntava se eu havia me ferido, antes de me mandar continuar, deduzi que não deveria treinar estando machucado.

Assim, passei a tarde limpando o quarto e aproveitando também para limpar o salão de refeições e a cozinha. Ao anoitecer, ouvi batidas na porta. Estava tomando o meu chá e não me movi, um minuto se passou e uma nova batida.

Me aproximei da porta e abri apenas uma fresta para que pudesse ver quem era e para a minha surpresa, era o comandante, Erwin Smith. Me encontrei em um grande dilema, assim que ele perguntou se podia entrar e falar comigo.

— D-Desculpe S-Senhor — pedi abrindo a porta e ficando em sua frente enquanto fazia uma reverência em um pedido de desculpas, pelo que viria a seguir. — O Capitão Rivaille me disse para não falar com ninguém em sua ausência, então não posso permitir sua entrada! — expliquei tremendo de medo por recusar um pedido do comandante.

O silêncio que se seguiu parecia me estrangular, enquanto eu pensava que minha vida estava acabada e que o comandante iria me colocar para fora do exército.

— Tudo bem. Eu volto outro dia — disse se retirando sem acrescentar mais nada. Em choque, era pouco para nomear o meu estado. Depois de conseguir respirar normalmente, levei alguns minutos para entender que eu realmente tinha ido contra o comandante, devido a uma ordem dele.

— Eu devo estar louco — suspirei fechando a porta e, depois de terminar o chá, regressar ao quarto. Deitei-me na cama, olhando o meu equipamento na cadeira, todo sujo, molhado e cheio de arranhões. Suspirei novamente, dessa vez de tristeza, por não estar conseguindo me adaptar àquela maldita arma.

Enquanto estava deitado em minha cama, olhando para o teto, deixei meus pensamentos viajarem e sorri. Eu estava junto com Rivaille, o homem que sempre admirei. Parecia ser um sonho, mesmo com aquele treinamento insano.

Ele era exatamente como os boatos diziam... Não, ele era muito melhor. Ao vê-lo fugir de mim, não conseguia imaginar ele perdendo uma luta. Seus movimentos eram refinados e precisos, ninguém teria chance contra ele, seja uma besta ou um humano.

Ainda não conseguia acreditar que ele me encolheu em meio a todos aqueles recrutas e mesmo que eu não saiba o motivo, o sorriso no meu rosto era a prova de que não me importava, pois eu estava ali e isso era o bastante.

Ao pensar no Capitão e no nosso treino, me lembrei da minha queda no lago, não a mais recente, e sim, a primeira... na qual ele caiu sobre mim. A visão do seu corpo ainda estava em minha mente, suas roupas molhadas e coladas ao corpo, ressaltavam seus músculos e por alguns segundos, lembro-me de ter pensado: "Que lindo"

— Deus... Eu realmente devo estar enlouquecendo! — repreendi a mim mesmo, colocando o braço cruzado sobre o rosto e tentandodo esconder a vergonha por trás daqueles pensamentos, mesmo que ninguém estivesse ali para ver.

No terceiro dia, treinei apenas na parte da manhã, pois meu braço estava doendo e não quiz forçar. A tarde dei uma volta pela propriedade. Estava no celeiro alimentando o cavalo, quando ouvi sua voz me chamar: — Eren!

Corri até a porta de entrada, onde pude encontrado. Quando cheguei perto dele, percebi uma expressão muito irritada e tentei parar, mas já era tarde demais. Quando me aproximei o suficiente para que ele pudesse me alcançar, recebi uma rasteira e caí de costas no chão.

Com sua habilidade, segundos depois eu fui virado no chão e ele estava me prendendo com um joelho nas costas, enquanto virava meu braço e prendia-o com seu aperto firme.

— Eu fui claro em dizer para arrumar seu quarto, então, porque tem poeira e lama para todo lado? Você devia ter limpado-o — repreendeu em tom sério.

— Eu limpei, é só quê... ai, ai! — Ele puxou meu braço com mais força, fazendo meu ombro doer com sua força. Estava claro que ele não eceitaria qualquer desculpa, mesmo que eu tivesse limpado e sujado de novo.

— Me desculpe, isso não vai acontecer de novo! — garanti sentindo meu braço ser solto e me permitindo respirar ser ser prensado contra o chão.

— Acho bom que isso realmente aconteça. Levante-se e entre — ordenou seguindo para dentro.

Senti como se fosse morrer e entendi que não deveria contestar suas palavras ou sofreria as consequências. Além disso, descobri uma parte dele que ainda não conhecia... parece que limpeza é um assunto sério para o meu Capitão.

Após levantar e espalmar a terra de minhas roupas, entrei e sentei na cadeira que ele colocou em sua frente. Vendo-o abrir uma caixinha com remédios, levantar a manga da minha camisa e refazer o meu curativo, com cuidado e atenção.

Fiquei tão surpreso que não disse nada, mesmo quando ele terminou. Nem sequer fui capaz de agradecer.

— Erwin me disse que teve aqui e qual foi sua reação ao respondê-lo. Fiquei satisfeito por ter seguido minha ordem. E por perceber que estava machucado, peguei leve na sua repreensão. Mas se relaxar na limpeza do seu quarto, não vou ser tão bonzinho — avisou pouco antes de subir as escadas e ir ao segundo andar.

Minha expressão estava incrédula e minha boca talvez até estivesse aberta... "Bonzinho"... "Pegou leve"... Aquelas informações giravam em minha mente, enquanto eu lembrava de quase ter perdido o braço minutos atrás. Se aquilo era um castigo pequeno, eu deveria garantir que nunca receberia um grande castigo. Ou morreria!!

No dia seguinte, ele avaliou meu equipamento, enquanto eu rezava para que não precissasse ser repreendido por nada. Quando fui questionado sobre como iria querer complementar meu equipamento para melhor movimentação, expliquei-lhe sobre a minha ideia das cordas, mas que não sabia como assimilar tal ideia com a arma.

— Eu consigo pensar em algo que pode substituir a corda e ter o mesmo efeito — explicou para a minha felicidade. — Vou falar com Hange para que ela aprimore o seu equipamento — explicou saindo do meu quarto e seguindo em direção ao seu, que ficava ao lado.

Após pegar a sua jaqueta que tinha o símbolo da Tropa de Exploração e colocá-la, que junto com a calça completava o uniforme militar, ele seguiu na direção das escadas. Segui atrás dele e ousei perguntar — Como foi sua missão?

Ao chegar no primeiro andar, ele parou de andar e se virou para me encarar, sem dizer nada. — Desculpe... Eu não devia perguntar essas coisas, não é? — disse sorrindo desconfortável, desviando os olhos do seu olhar penetrante.

— Foi normal. Apenas mais uma escolta de um bando de idiotas— respondeu pouco antes de se virar e seguir em direção a porta, pela qual saiu logo em seguida.

Ao ficar sozinho, um sorriso abriu-se em meu rosto, enquanto eu não conseguia evitar me sentir mais perto dele, sempre que pequenos momentos como aquele aconteciam.

Notas finais
Até mais. :-)