Perfeito para Você

14 Capítulo 14 - Palavras veladas


Notas iniciais
O capítulo foi inspirado no poema de um dos meus poetas prediletos.

"Falar é completamente fácil,
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá."
Carlos Drummond de Andrade

Espero que gostem!
Bjs
A gente todos os dias arruma os cabelos: por que não o coração? —

“Temos UMA boca e DOIS ouvidos mas jamais nos comportamos proporcionalmente”

Provérbio chinês POV BELLA

Leah nunca foi minha fã. E a expressão “arrancar minha cabeça” não era inteiramente uma figura de linguagem quando se tratava dela. Fiquei ao longe observando sua reação, a maneira como ela olhou para Jacob, havia algo ali, algo que se cogitei preferi ignorar.

Ela correu para trás da casa dos Black e para minha surpresa Jacob foi atrás. Fiquei impaciente a espera da minha resposta, e curiosa para saber o que estava acontecendo ali, resolvi ir atrás ver o que estava acontecendo.

Ela estava furiosa, e não era preciso o uso de palavras para compreender isso, mas porque Jacob se importava? Se me lembro bem, eles não eram muito amigos, Jacob detestava ter que passar um minuto que fosse ao seu lado.

A conversa deles, apesar de estarem próximos, eu não conseguia compreender. Jacob ao notar minha presença, sussurrou algo no ouvido dela, sempre com as mãos em seus braços como se quisesse detê-la; e então veio em minha direção.

A expressão fria, carrancuda, como a que Leah costumava carregar na face. De repente seus olhos foram capturados pelo Mercedes Guardian, que eu tentará inutilmente esconder.

- O que aconteceu com a caminhonete? – perguntou ele, visivelmente incomodado.

Senti o chão abrir debaixo dos meus pés, e então senti minha face pegar fogo.

- Ela quebrou… — murmurei.

- Hum. Tenho certeza que sim… posso até imaginar como.

Não precisava ler os pensamentos de Jacob, para saber que ele achava que aquilo era obra de Edward. Ele ficou em silêncio, olhando para o carro e então prendeu seus olhos – frios – em mim, caminhando em direção a floresta.

Hesitante, Jacob olhou em direção a sua casa, eu quase trombei em seu corpo e então segui seu olhar, Leah havia voltado para a sua casa e Billy nos encarava irritado da varanda. Acompanhei seus passos em silencio, a batalha que travei para chegar aqui foi tão grande que nem tive tempo de pensar no que iria falar com ele. Por que eu vim? Já não havíamos dito tudo… esgotado todas as possibilidades? Porque insisto em torturá-lo?Enquanto caminhávamos, lutei para encontrar as palavras certas a serem ditas, mas nada me ocorreu.

Finalmente chegamos a algum lugar, ele acelerou o passo, me ultrapassando facilmente, e parou e virou-se sério, brequei os passos e então o encarei. Tinha consciência do porque ele estava sendo frio, mas meu coração se apertava com este comportamento distante e arredio de Jake.

- Vamos acabar logo com isso. – disse ele, sua voz rouca e fria me distraiu. – O que você quer?

As palavras me saltaram da mente.

- Não sei. – confessei.

A felicidade em saber de seu retorno tinha me deixado tão feliz, que nem programei o que iria dizer, também não tinha idéia de que seria recebida por ele.

- Veio me fazer o convite pessoalmente?

A pergunta me pegou de surpresa. Levei um tempo para entender onde Jake pretendia chegar.

- Não. Não foi para isso que vim…

Minha resposta não o agradou.

- Qual o motivo então? – Sua voz fria, não me pareceu nenhum pouco curiosa.

- Precisava ver como você estava… — disse em um sussurro, fraco e pouco expressivo.

Jacob levantou os braços em uma resposta silenciosa, e deu meia volta.

- Pare de ser idiota, Jake – gritei, sentindo-me extremamente agredida por suas atitudes.

- Há sempre alguém para me superar… — Ele ergueu sua sobrancelha.

- Por que você está me tratando assim? – Perguntei, tentando fazer com que as palavras não fossem ludibriadas pelo choro, que se formou em minha garganta.

- Por que você está me tratando assim? – Perguntei, tentando fazer com que as palavras não fossem ludibriadas pelo choro, que se formou em minha garganta.

- O que você quer de mim, Bella? – ele levou as mãos ao céu – Porque quando tudo parece se encaixar você aparece… Eu já esperava por sua grosseria, mas não consegui ficar indiferente, as lágrimas rolaram por meus olhos sem aviso, sem permissão. Ele respirou fundo, e quase bufando disse:

- Desculpa – Seu semblante ficou menos severo – Acho que estou passando dos limites.

Ele pareceu ter finalmente baixado a guarda. E recostando em uma arvore, cruzou os braços a espera que me manifestasse novamente. Procurei algo para dizer, temendo que a qualquer instante ele pudesse me dar as costas e encerrar aquele momento.

- Você e Leah agora são amigos? – perguntei desejando ardentemente receber uma negativa como resposta.

Não era bem o que eu queria dizer, mas no momento era o que meus pensamentos queriam, saciar a curiosidade irracional que estava por me deixar louca.

- Isto te incomoda? – perguntou ele.

Era obvio que está história não me agradava nenhum pouco. E pensar nisso não me deixava confortável, muito menos feliz. Meu interior ardia em chamas, só de cogitar a possibilidade de Jake ter algo com ela. Mesmo sabendo que não tinha direito de desejar isso, sabendo que era merecedor de toda a felicidade, não conseguia imaginar alguém sendo dona de seu sorriso, de seu abraço, de seu beijo…

Jake sorriu, mas o sorriso não iluminou seus olhos – como o de costume, quando notou meu silencio.

- O mundo é uma caixinha de surpresas… — repeti para mim mesma, quando percebi que aquele sorriso era tudo que receberia como resposta.

- Só queria ter certeza de que está tudo bem entre nós – Os olhos de Jake passearam pelo chão até finalmente se erguerem para me encarar. – Quer dizer… você está de volta, achei que ainda poderíamos nos ver. Ele pensou por um breve momento, mas foi o suficiente para me deixar aflita. Esperançosa por sua resposta…

- Não… Como eu disse naquele dia, manteria uma amizade à distância. – Seu olhar intenso, só retificou tudo o que foi dito – É mais saudável mantermos as coisas como estão.

- Por quê? – murmurei, decepcionada.

- Cansei de tentar lutar, Bella. Já fiz o que tinha que fazer, tudo o que esteve ao meu alcance eu fiz… e no entanto você escolheu o de sempre… sua obsessão.

Sei que já havia feito minha escolha, mas de alguma forma, tu me fazia lembrar Jake. Esses dias em que ele esteve longe não consegui me concentrar em nada. Tudo era sem graça, sem motivo… o mundo parecia ter perdido o brilho, a cor…

Ele começou a andar novamente o acompanhei com o olhar, meus olhos debulhados em lágrimas, o coração na mão. Porque eu insistia em voltar para ele? Era Edward a minha escolha, mas porque não me parecia suficiente?

- Fique… — murmurei.

Ele parou, analisou meu rosto, a testa levemente franzida. Seus olhos percorreram ao longe, por entre as arvores, sua respiração voltou a ficar bruta, pesada.

- Eu sempre estive aqui, Bella. Você é que insisti em partir…

O desejo dentro de mim era de ter seus braços em volta do meu corpo, me asfixiando em seu abraço de urso, mas eu não podia. - Jacob?

Ouvimos alguém chamando por ele. Não reparei que meus olhos estavam fechados quando os abri, Jake – que agora estava próximo de mim – deixou suas mãos caírem ao lado do corpo. Ele ia me abraçar, mas o abraço foi interrompido.

- Tenho que ir.

Meu tempo havia terminado, não tinha como mantê-lo ali por um segundo que fosse, me rendi. Voltamos em silencio, risos e passos barulhentos ecoavam pela floresta.

- Ah, Cara. Vai ser ótimo! Iremos nos divertir muito… Jake merece isso, distrair um pouco, quem sabe ele não encontra uma gatinha!?

- Pode ser que sim. As meninas da tribo vizinha receberam o convite…

Não reconheci de imediato, aquelas vozes, mas logo seus donos puderam ser “contemplados” quando saímos da floresta. Aquela conversa deles, me deixou irritada. Não pude ver a expressão de Jake, ele estava em minha frente.

- Jacob, você esta ai cara!?!

Eles vieram sorridentes em direção a ele, mas o sorriso desapareceu ao me ver. Eles também não eram meus maiores fãs, e a coisa piorou depois que Jacob sumiu este tempo todo.

O clima ficou estranho, mais ainda quando Charlie estacionou a viatura, ele saiu do carro trazendo nas mãos alguns refrigerantes.

- Bells, o que está fazendo aqui? Pensei que tinha compromisso. – ele disse entregando os refrigerantes a Jacob.

- Já estou de partida. – disse me direcionando até o carro.

- Tem certeza de que não quer ficar? – Charlie perguntou.

Olhei para Jacob, mas ele não disse nada. Os meninos pegaram os refrigerantes das mãos de Jake e então foram em direção a casa dos Black. - Tenho sim…

Menti, não havia muito tempo que deixei a casa dos Cullen e Edward passaria a tarde toda fora, eu estaria sozinha em casa, fazendo algo o qual ainda não tinha planejado.

- Bella? – Ouvi alguém me chamar me virei e dei de cara com Seth.

Ele me abraçou me enterrei em seus braços sentindo meu coração se contorcer. Sempre imaginei Seth como sendo a moldura de Jacob quando mais novo. Seus braços, apesar de franzinos, eram fortes como os dele. Não era o seu abraço, aquele capaz de me tirar o fôlego e me levar até as nuvens, mas ao menos era um abraço.

- Que bom vê-la. Sinto sua falta… — ele disse me soltando – E ai, está sabendo da festa que iremos dar para Jacob hoje?

- Mais ou menos… — respondi desejando sair dali.

- Ah! Então… iremos fazer uma festa para comemorar o regresso do nosso amigão aqui, você vem, não vem? – Ele me olhava sorridente.

O sorriso parecia com o do Jacob, mas não era o dele. Eu fiquei perdida em seus olhos, com medo de encarar aquele que meus olhos realmente queriam contemplar. A felicidade de Seth era sincera, e eles estava tão contente em me ver que creio nem ter notado no que acabará de fazer.

- Acho que não… - Ah. Qual é Bella?! Vem, vai ser muito divertido. – ele insistiu.

- Deixe Bella em paz, Seth. Ela deve ter compromisso melhores… — A voz de Jacob fez meu coração oscilar derrotado de vez.

- Poxa. – seu olhar era a mais pura decepção — Estarei à espera, caso você mude de idéia. – Seth respondeu e me abraçou novamente.

Seus braços me deixaram, senti meu corpo vacilar, eu estava sozinha ali. Seth era o único que realmente queria a minha presença ali. O pior de tudo, pior do que sentir desprezada era saber que a culpa era toda minha.

Entrei no carro, sem vontade de olhar para trás, me despedi de leve tentando não olhar no rosto de Jacob e sentir ainda mais a marca do desprezo. O único que realmente doía e fazia a diferença. O nó na minha garganta estava quase me sufocando. Não foi difícil dar a partida, difícil foi conter a velocidade permitida. As lagrimas já anunciavam a chegada da dor, e eu não queria desvendá-la na frente de Jacob.

Cheguei em casa, como por um milagre, nas condições em que me encontrava, era muita irresponsabilidade continuar no volante. As chaves, para completar, pareciam não querer colaborar, quando finalmente abri a porta senti meu mundo desabar. O choro ganhou proporções que me impediram até mesmo de caminhar.

Fiquei jogada no chão, encostada na porta odiando o dia em que nasci, ou o dia em que comecei a tomar minhas próprias decisões. Eu não deveria tomá-las já que além de confusas as minhas decisões, se faziam impossíveis de serem encaradas. Tentei encerrar o choro, meus pensamentos vagavam sofridos por todas as minhas decisões. O que estava acontecendo? Esta não deveria ser a melhor parte de ser adulta? Poder tomar suas decisões sozinhas, e encará-las, com maturidade? Mostrar que você era capaz de dar um rumo a sua vida, o qual achava ser certo, sem cobranças, sem explicações? Se for certo então porque eu estava aqui, jogada no chão chorando feito uma louca? Se era o que eu realmente queria, então porque a imagem de Edward não altar a minha espera já não fazia mais sentido, porque seu rosto mudava e outro sorriso aparecia junto com outra face?

Demorou, mas o choro finalmente havia cessado, não sei por quanto tempo fiquei ali, mas quando o telefone – que insistentemente tocava há horas – deu a trégua, resolvi me levantar.

Subi as escadas, estava sem fome, e não tinha cabeça para preparar nada. Fui direto para o banho, onde mais lagrimas rolaram, desta vez contidas. Coloquei uma roupa, não queria que Edward me visse assim quando voltasse, e então me joguei na cama. Desejando que a dor logo partisse, e que ao ver Edward já estivesse restaurada.

Notas finais
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