Perfeitamente Imperfeitos

2 Tem que certeza que não é gay?


Notas iniciais
E então, gostando?

Minha mãe e o Andrei foram para a lua de mel pela manhã no dia seguinte a festa de casamento e eu ainda estava dormindo quando eles foram para o aeroporto. Os dois haviam se despedido de nós três quando chegamos da festa e deixaram uma lista de recomendações, telefones de emergência, senha dos cartões de crédito e mais recomendações, as que eu não prestei atenção por estar morrendo de sono. Então quando acordei e sai do quarto, não tinha ninguém em parte alguma.

Fui ao quarto da Penny que era o mais iluminado da casa por conta das suas muitas janelas e da porta da varanda. As cortinas não ajudavam muito já que todas eram de cetim branco, o que ficava lindo com o papel de parede rosa claro com lacinhos coloridos. Abri todas as janelas e a porta da varanda, fui até o berço e ela estava com os olhos azuis esverdeados brilhando, o cabelo preto bagunçado e tentando levar o pé a cabeça, ela sorriu quando me viu e levantou os braços para mim.

– Oi bolinha – sorri e a peguei.

– Mel! — Sorriu.

Penny tem três anos, quase quatro e é uma bolinha de cabelos pretos e olhos azuis esverdeados perfeitos. Ela ri de tudo e é linda.

Desci as escadas e fui para sala, coloquei-a no sofá e liguei a TV na Nickelodeon onde estava passando Bob Esponja o que a Penny adora. Fui para cozinha e encontrei a lista das comidas que a Penny pode comer; coloquei cereal com leite e fiz suco de laranja.

Voltei para sala com a comida em uma bandeja, coloquei a Penny no meu colo e a bandeja na mesa de centro. Fiz ela comer tudo sem fazer birra e quando terminou me ignorou totalmente e continuou a assistir o desenho e rir com cada coisa que eles falavam. Eu não estava com fome então comi apenas uma barra de cereal de morango e fiquei assistindo com a Penny, rindo da risada dela que contagiava. Pouco antes das três da tarde o Pietro apareceu no topo da escada com o seu cabelo castanho bagunçado, os olhos azuis meio perdidos e sem camisa mostrando o seu peito e braços musculosos e definidos.

– Olha, a bela adormecida resolveu acordar – falei.

– Eu precisava do beijo de uma princesa, mas nenhuma foi me socorrer – suspira dramaticamente. — Bom dia para você também.

– Bom dia? São quase três da tarde. – revirei os olhos.

– Diferença de poucas horas, boa tarde então. – ele abriu um sorriso lindo e sentou ao meu lado – Oi gatinha. – Ele falou com a Penny que deu uma risada e foi do meu colo para o colo dele.

– Enquanto você tá aqui, eu vou tomar banho. – falei, levantando.

– Belo pijama. – ele me olhou de cima abaixo e riu.

Meu pijama era do Pokémon, amarelo e tinha um capuz com as orelhas e o rosto dele, atrás tinha um rabinho e duas listras pretas, eu tinha ganhado de presente da Livie, mas parecia uma barraca de tão grande e é por isso que eu adoro e não me importo de usar.

– Eu sei! – mostrei a língua. – Você é um pé no saco, Martins.

– E você é um amor, Devito. – ele me deu uma piscada.

Revirei os olhos e fui para o meu quarto. Estava uma bagunça, completamente escuro, o ar-condicionado ainda ligado, o vestido de ontem jogado no chão, os saltos caídos na porta do meu banheiro e o meu edredom todo enroscado no pé da cama. Suspirei e fui até o banheiro, tirei a roupa e entrei no chuveiro quente.

Terminei o banho e voltei para o quarto, procurando pelo meu celular. Encontrei-o na minha escrivaninha e tinha cinco mensagens e duas ligações perdidas do Nick, duas mensagens da Soph e uma ligação da Livie.

Olhei primeiro as mensagens do Nick:

“Linda, acabei de chegar, como está a festa?” “Ei amor, já acordou?” “Cinema mais tarde?” “Soph e Kaio também vão” “Ainda está brava por eu não ter ido ao casamento? Sinto muito linda, eu estava cansado quando cheguei. Desculpa”.

A mensagem de voz dele dizia a mesma coisa das SMS. As da Soph perguntava que filme eu queria assistir e a Livie não deixou recado, então ligo para ela depois. Respondi as mensagens do Nick e falei que iria, perguntei que horas e depois respondi a da Soph dizendo que qualquer filme que ela escolhesse estava bom.

Coloquei um short jeans, uma regata branca, cardigã vermelho, sapatilha preta de lacinho e uma bolsa tiracolo. Sequei meus longos cabelos castanhos e deixe-os natural. Só então percebi as olheiras em voltas dos meus olhos castanhos. Eu não sabia se era pela noite mal dormida por causa dos pesadelos que voltaram ou era apenas a longa festa que havia me deixado com aparência de morta.

Olhei-me no espelho novamente e o rosto que antes estava levemente corado, agora estava pálido. Suspirei e fechei os olhos. Ele não pode machucar você Melanie, ele está longe, ele não pode fazer nada, ele não vai te machucar. Ele não sabe onde você está. Você está segura agora. Nick vai te proteger, Andrei vai te proteger, nada vai acontecer.

Abri os olhos e me dei mais uma olhada. A cor tinha voltado no meu rosto, meus lábios estavam rosados novamente, assim como as bochechas.

Desci as escadas me segurando no corrimão e vi o Pietro jogando a Penellopy no ar e a pegando quando ela caía. A bolinha ria horrores e eu sorri com a cena. Ele podia ser um chato de galocha, mas era bom para fazê-la rir.

– Oi. – sorri para eles.

– Olá, baby. – Pietro me olhou com um sorriso. – Você tá bonita, vai levar a Penny pra sair?

– Ah, não! Eu vou sair com o meu namorado. – falei.

– Eu vou ficar com ela sozinho? – Arregalou os olhos. – Não posso fazer isso.

– Sim, pode sim. Olha você só precisa dar banho nela, fazer alguma coisa da lista que a minha mãe deixou para ela comer e ficar com ela até ela ficar com sono, então ela dorme sozinha, você liga o abajur do quarto dela, fecha as janelas e coloca-a no berço. Só isso.

– Eu não sei dar banho em um bebê. – ele faz careta.

– Blincar, Pietro. – Penny reclama no colo dele.

– Você só precisa encher a banheira dela com água morna e não deixar sabão cair nos olhos dela. – Falo. – É simples.

– Ok. Posso fazer isso! Que horas você volta? – ele pergunta. — Sua mãe me mandou estipular seus horários.

– Não sei. – Fiz careta. – Não muito tarde.

– Antes das onze ou então eu te deduro. — Piscou.

– Eu quelo Blincar! – Penny reclamou de novo e dessa vez puxou o cabelo dele.

Eu ri enquanto ele resmungava e voltava a jogar ela para o ar de novo.

– Então... Quem é o seu namorado? Sempre vi sua mãe e meu pai falando dele, mas nunca vi quem ele era. – Pietro pergunta, mantendo o olhar na Penny que ria descontroladamente.

– Bom, talvez ele vá passar aqui quando a gente voltar do cinema, então você vai poder ver ele. E você tem namorada?

– Não. Nunca me interessei por uma garota a ponto de querer namorar ela. – ele diz relaxado.

– Você nos seus vinte e um anos, nunca teve uma namorada? – arregalo os olhos.

– Tive uma, mas não durou muito mais que dois meses. Não sou homem de uma mulher só.

– Talvez você seja gay. – O olho com um sorriso sarcástico no rosto.

Ele desata a rir e coloca a Penny no sofá quando começa Os Pinguins de Madagascar.

–Não, não acho que isso seja provável. – Ele diz ainda rindo e senta ao meu lado.

...

Quando saí do cinema do shopping eu e a Soph arrastamos o Nick e o Kaio para comprar coisas para a viagem de amanhã. A viagem que eu não havia dito para o Nick que não iria. Entramos na loja da Victoria’s Secret e a Soph foi atrás de biquínis com o Kaio atrás mostrando os que ela devia comprar.

– Empolgada para a viagem? – Nick passou o braço por minha cintura e beijou meu rosto.

– A gente precisa falar sobre isso... – mordo o lábio.

– O que foi? – ele franze a testa.

– É que não vai dar para viajar com vocês amanhã. — disse.

– O quê? Por quê? – Ele faz careta.

– Minha mãe e Andrei vão passar duas semanas em lua de mel e eu tenho que cuidar da Penny. – suspiro. – Acredite, eu queria ir.

– Você tem que ir, Mel! Não pode deixar a Penny com alguém da família? – choraminga.

– A única pessoa que eu posso deixar a Penny é o filho do Andrei e ele não sabe nem dar banho nela. Não fica bravo, a gente ainda tem a semana que vem. – Acaricio o seu rosto.

– Não é a mesma coisa. – diz seco.

Reviro os olhos.

– Claro que é.

– Eu vou ter que ver Kaio e Sophie se agarrando o tempo todo.

– A Livie também vai. – sorri e passei os braços em volta do pescoço dele.

– Não é como se ela fosse uma boa companhia. Ela é irritante. Queria que você fosse. – ele passou os braços em volta da minha cintura e me puxou mais para perto.

– Eu também, mas não posso. – beijei seu rosto. – Vai ser legal.

– Não, não vai. É melhor eu ficar, eu te ajudo a cuidar da Penny e nós ficamos juntos.

– Não! Você não vai estragar suas férias para ficar comigo cuidando da Penny e você nem mesmo sabe brincar com uma criança. – reviro os olhos. – Pode ir.

– Não vai ser a mesma coisa.

– Sério que você prefere ficar comigo cuidando de um bebê do que ir para uma casa na praia, andar de Jet Ski, ir para festas e passar duas semanas sem seus pais? – arqueio uma sobrancelha.

Ele fica quieto e sei que ele prefere ir a ficar aqui e a parte mais romântica de mim que é a maior parte do meu corpo, a parte que queria que ele dissesse que prefere ficar comigo enquanto eu troco fraldas, mas ele não diz e essa parte de mim se encolhe até virar um pequeno embrulho.