Notas iniciais
Olá!
Eu estou escrevendo essa história há mais de um ano, tudo começou com o faceapp do yoongi que ficou simplesmente linda.
A história da gêmea dele nasceu com a mescla do que sinto por ele com oque eu sou... Então espero que gostem!

Min Yoonhye pendurou seu diploma no seu quadro de conquistas acima da escrivaninha enquanto esperava seu irmão retornar para a chamada.

— Hye? Voltei. – Ouviu a voz de seu irmão soar e voltou a se sentar na frente do computador.

— Conseguiu consertar seja lá o que foi?

— Ah, sim... Não foi nada, o Joonie tinha só desencaixado o abajur. – Min Yoongi esfregou seus olhos e se afastou da tela. – Mas eu tenho que confessar uma coisa, não assisti sua apresentação inteira, sei que deve ter sido muito importante, mas pulei umas partes chatas.

— Yahh! – Hye exclamou rindo. – Não foi você que implorou para a Bora gravar dizendo que não podia perder esse momento tão importante da sua Noona (irmã mais velha)?

— Dez minutos não te fazem minha Noona (mais velha) – Revirou os olhos. – Mas eu realmente não podia perder, era importante... só que também era chato. Mas gostei dos seus pulinhos no final quando aprovaram o trabalho.— Falou dando um sorrisinho

— E isso nem foi a melhor parte! Lembra a vaga de estágio que eu e minha sunbai (orientadora) estávamos tentando conseguir para mim? – Ela viu o outro concordar. – Eu fui selecionada!

— Óbvio que conseguiu, só tem gênio nessa família.— Ele deu um sorriso presunçoso ficando logo em seguida sério. – Já se decidiu então? Contou para os nossos pais?

Yoonhye ficou subitamente quieta. Era um assunto delicado e ela não tinha se permitido pensar nisso ainda, só pensaria amanhã. Mas Yoongi trouxe à tona e ela não tinha ideia do que fazer e de como contar a seus pais.

— Pelo visto não.— Escutou ele falar resignado, fazendo a mulher voltar sua atenção para ele. – Não vou te pressionar com isso Hye, descansa que hoje foi um dia cheio... Mas não deixa pra decidir em cima da hora, qualquer coisa me manda uma mensagem e quando der eu respondo. As coisas vão ficar um pouco mais calmas por aqui, sem apresentações ou eventos.

— Que bom que vai ter um tempo para descansar. – Ela sorriu fugindo do tópico problemático e fazendo o outro revirar os olhos. – Então eu tô indo, amanhã eu penso nisso e quando decidir te falo. Boa noite saeng (maninho)!

Ela se jogou na cama após seu irmão se despedir e desligar a chamada. Não estava em seus planos ter esta preocupação agora, Yoongi sabia ser inconveniente quando queria, ele a conhecia e devia ter certeza que ela procrastinaria esse assunto o máximo que pudesse. Irritada, Hye decidiu tomar um banho e dormir antes que isso tomasse conta de sua mente e a impedisse de ter uma noite de sono razoável.

No dia seguinte foi acordada por batidas na porta de seu quarto e a voz distante de sua mãe a chamando para alguma coisa. Ela não precisou de muito tempo para entender: café da manhã da família Min em finais de semana. Sua mãe apreciava a ideia da família unida (bom... quase totalmente unida) e como o restaurante ocupava as tardes e noites, só sobrava o café da manhã. Estes momentos já foram completamente familiares, quando Yoongi ainda estava aqui, algumas vezes quando ele tira férias e volta para casa ainda conseguia sentir essa sensação.

Talvez ela devesse falar com seus pais calmamente, não deu muito certo com seu irmão, mas seus pais já aprenderam a lição... Quando Yoongi percebeu que não teria sua aprovação para seguir seus sonhos e após juntar um dinheiro com sua arte, fez audições escondidas. Ele conseguiu se impor aos pais e se está onde está agora é por coragem e mérito próprio. Talvez ela devesse ter essa coragem e conversar abertamente com seus pais, afinal eles já sabem de sua inclinação pelo mundo literário; graduação e mestrado não são feitos por hobby. Mas, ainda assim, Hye não queria (ou mesmo conseguiria) abandonar sua mãe. O sonho da senhora Min era que o restaurante, que ela tanto lutou para abrir e prosperar, ultrapassasse gerações. Quando Yoongi saiu de casa e seguiu o rumo da música, a senhora Min depositou todas as suas esperanças na Yoonhye. E Hye só queria chorar quando pensava que suas aspirações iriam magoar sua mãe.

Avistou na cozinha a cena já conhecida: seu pai arrumando a mesa enquanto cantarolava uma de suas músicas preferidas e sua mãe preparava o kimchi. A julgar pelos ingredientes separados no balcão, Hye sabia que hoje era o dia de seu pai preparar o café. Se juntou a eles e em pouco tempo estava servido: omelete de legumes, tofu com molho de soja temperado, arroz cozido com feijão vermelho e preto, kimchi de rabanete (kaktugi) e salada de repolho coreana.

— Bom apetite! – Sr. Min falou antes de começar a comer, sendo seguido logo depois.

Hye se sentia um pouco estranha e nervosa comendo em silêncio, algo relativamente anormal porque geralmente as refeições são sempre muito falantes nessa família. Debatia internamente se isso era um presságio sobre seu futuro; só não sabia se significava que ela devia conversar sobre seus sonhos ou se manter calada... Os presságios deviam ser um pouco mais claros...

— Seu pai e eu conversamos ontem... – Começou a Sra. Min. – E percebemos que talvez não estejamos mostrando o quão orgulhosos estamos e postergando essa conversa sobre o seu e nosso futuro por tempo demais.

— Eu estava pensando exatamente o mesmo omma (mãe). – Hye ia explodir de felicidade, tanto tempo remoendo em segredo (ou talvez não) para no fim não ser necessário, pois seus próprios pais perceberam e iam lhe ajudar com seus sonhos. – Omma, Appa... os senhores não sabem como eu fico feliz por estarem comigo nesse sonh...

— E decidimos que já está na hora de concretizá-los. – O Sr. Min retirou um papel que estava em seu colo e o colocou defronte a Yoonhye, em cima da mesa. Ela olhou confusa para o papel e ia abrir a boca para perguntar quando seu pai falou. – É só assinar que o restaurante passará para seu nome!

— Não é incrível filha! Finalmente chegamos à segunda geração do restaurante. Faremos um menu especial para...

Mas Hye não conseguia acompanhar a fala da mãe... Como era possível que seu sonho fosse tão mal interpretado... Era muito possível para falar a verdade. Ela nunca jamais intencionou os pais sobre seguir na área literária, para eles era só um hobby. Bem diferente da dedicação e o amor que eles a viam empregar ao restaurante desde pequena.

O presságio estava claro: se todos estão calados, continue calada. Assentiu em silêncio para todos os planos sobre aposentadoria e mudança de cardápio e até mesmo reforma que sua mãe tagarelava entusiasmada. Só se concentrava em se resignar... Sabia que seria isso no fim das contas... Ela nunca tinha coragem de contrariar as expectativas de seus pais.

O almoço no restaurante pareceu passar em câmera lenta. Hye costumava trabalhar com a administração do mesmo, raramente frequentando a cozinha (embora cozinhasse maravilhosamente), mas foi assim que os pais organizaram desde sempre: Yoongi auxiliando o pai na cozinha e Yoonhye ajudando a mãe com a parte social e burocrática. Contudo, hoje ela não conseguiria sorrir carismática para os clientes ou mesmo ter a cabeça livre para consultar as finanças... Não, hoje ela precisava se manter ocupada no automático, ela precisava cozinhar. Assim, a tarde passou com ela se sentindo fora de seu próprio corpo, no piloto automático até que se queimou fritando Dakgangjeong (frango frito crocante).

Foi ao banheiro passar um tempo com água corrente em sua mão. Já estava perto da pausa para se preparar para o jantar.

Yoonhye suspirou decidindo que iria assinar o contrato de posse quando chegasse em casa, não havia muito o que fazer. Não poderia deixar que o sonho de sua mãe morresse com ela, não poderia impedir seus pais de terem uma aposentadoria feliz sabendo que seu nosso restaurante estaria bem cuidado e prosperando.

— Filha? – Ouviu a voz de sua mãe um pouco antes da porta ser aberta pela mesma. – Seu pai me disse que se queimou... – A Sra. Min estendeu para a filha uma pomada caseira e se sentou ao seu lado.

— Obrigada Omma. – Não pode pegar a pomada, pois sua mãe já tinha se adiantado e estava passando na queimadura.

— Você será tão grande meu amor... Eu vejo a dedicação e o esforço que faz por esse lugar. Ele será muito próspero quando passar para suas mãos, mesmo que estejam queimadinhas – A Sra. Min deu um sorrisinho acompanhada da filha. – Mas vá com calma. Eu sei que passamos para você, mas não precisa assumir tudo sozinha ainda. Podemos e vamos lhe ajudar como sempre e você terá tempo para se preparar. – Deu um beijo na testa da filha e saiu.

Preparar. Preparar. Preparar. Sua mãe com certeza queria que ela fizesse alguma especialização, que contratasse novos chefs... que se comprometesse em fazer o negócio crescer... ou ao menos ter sua própria cara.

Ela não podia aguentar.

Pegou seu telefone e ligou para Bora torcendo para que a mesma estivesse disponível.

— Acho que seja importante, só tenho mais dez minutos de folga antes que decidam que precisam de algo mais “clássico” que não gere dúvidas no consumidor. — Ouviu a voz irônica de sua melhor amiga.

— Acho que sim. Meus pais resolveram passar o restaurante para mim.

— Hajima! Não faça isso Hye, aigooo.. Você não pode viver pelos seus pais!

— Não é questão de poder ou não Boh, eu sempre soube que um dia iria assumir... Só que foi tudo tão rápido. Eu pensei que poderia ter mais tempo antes de ser A Dona e ter que me responsabilizar por tudo aquilo...

— Unnie, você tem que fazer suas próprias escolhas. Seu irmão fez e veja onde está! Não é justo que só você carregue esse peso.

— Mas também não é justo com meus pais! Aquele restaurante é o trabalho de uma vida. Não posso deixar que morra com eles. – Falou resignada enquanto aumentava a vazão da água da torneira.

— Sim, mas... Você ta no banheiro? Diz que esse som não é...- Bora interrompeu-se parecendo indignada.

— É da pia tá! Eu me queimei e to colocando água corrente. – Riu.

— Enfim Hye, faz o que quiser. Mas escuta tá: faz o que VOCÊ quiser.

— Eu não quero decepcionar meus pais. – Sentiu os olhos lacrimejarem e percebeu que já tinha decidido o que fazer. – Vou desligar ta. Boa sorte com os clientes!

Saiu do banheiro e se dirigiu ao escritório, se iria seguir esse rumo precisava se preparar.

A noite segue rápida e ao final toda a família Min estava exausta, um grupo de universitários tinha decidido fazer uma confraternização e tumultuou a noite. Ninguém teve tempo de conversar ou festejar a posse de Hye, nem ao menos de assinar... cada um foi direto para o quarto.

No dia seguinte acordou antes dos pais como sempre, embora não precisasse mais acordar cedo nos dias de semana, e apressou-se em fazer a mesa; precisava conversar com os pais. Logo os mesmos chegaram animados com uma caneta e papel na mão estendendo para Hye, para que pudesse assinar e assumir o restaurante.

— Não posso. – Sentiu seu corpo tremer e não conseguiu sustentar os olhares chocados de seus pais.

— Filha..? – Seu pai ia começar a falar, mas algo foi mais forte nela e o impediu.

— Não posso agora. – Apressou-se em dizer com o coração batendo forte. – Não posso assumir sem estar preparada. – Olhou para mãe que assentiu com um sorriso. – Irei para Seul fazer um curso de administração renomado e quando voltar assumirei o restaurante.

— Eu não esperaria nada menos da minha garotinha de ouro – A Sra. Min falou abraçando-a. – Já sabe onde vai ficar?

Yoonhye assentiu lembrando dos dois e-mails e uma única mensagem que tinha mandado ontem a noite:

“Para especializaçõesemnegocios

Segue em anexo os documentos e o comprovante de pagamento necessários para o curso de especialização em administração de restaurantes.”

“Para Editora Yeon Deung Hoe (Flor de lótus)

Segue em anexo os documentos necessários para o estágio em edição editorial"

“Gi? Maninho? Quais as chances de me abrigar e acobertar por três meses?”

Notas finais
Finalmente consegui postar! Me sinto realizada por decidir postar esta história.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.