Perfeita - Shortfic

2 Fogos de artifício.


— Yoona?- o sussurro de Namjoon a faz congelar. Cogita a ideia de ficar parada, imóvel, invisível.- Tudo bem?

Se vira lentamente, voltando o rosto para o pequeno corredor do seu quarto, ele esta saindo do banheiro. Caramba. Tão bonito. A camisa regata que usa a deixa com vontade de segurar seus bíceps, como se segurasse um troféu.

— O que faz aqui?- evita olhar para ele, encara a porta do quarto de Suga, como se fosse mais interessante do que ele.

— Eu estava com Jimin e Hoseok, acabei pegando no sono.- responde baixo e ele cruza os braços aparentando desconforto, mas evidenciando seus músculos. Yoona não deixa de agradecer a pessoa que criou os aparelhos de malhação que fizeram ele ficar com esses braços. Engole em seco, os pensamentos embaralhados.- Mas estou indo, boa noite.

Antes que consiga dar dois passos sente os dedos do rapaz lhe prendendo o pulso esquerdo e a puxando, sem saber como reagir se deixa ser levada.

— O que está fazendo?- indaga assim que o vê fechando a porta do quarto e dando uma volta na chave, se esforçando em não fazer barulho. A iluminação do quarto vem de um abajur ao lado da cama, a luz amarela deixa o ambiente aconchegante e escuro.

— Hm... eu queria falar com você.

Estar sob seu olhar faz com que o coração de Yoona dispare, sua língua cola no céu da boca e seu corpo todo parece vibrar.

— Eu tenho que ir.- sussurra e se movimenta para a porta, mas ele estica o braço até a parede, bloqueando o caminho.

— Espera, por favor.- recolhe o braço assim que ela para.

— Namjoon, por favor, eu...

— O que você disse era verdade?- pergunta sem rodeios. Namjoon pensou muito sobre o assunto, e agradeceu pelo tempo que ela lhe deu para organizar os sentimentos, mesmo sabendo que talvez tenha sido confuso para ela. Ele não se orgulha da maneira que a deixou lá, sem explicações, mas o medo tomou conta e não soube o que fazer além de fugir.

— O que eu disse?- a noite vergonhosa lhe volta a mente.

— Naquela noite, você estava bêbada.- ele inclina a cabeça, parecendo solidário.

— Ai, que droga.- seu equilíbrio falha e se apoia na parede, desejando ser sugada por ela para não ter que ouvir de novo a sua recusa.

— Você disse que eu estava te machucando... por não poder estarmos juntos.- Yoona não faz ideia do que se passa pela cabeça dele e o desespero toma conta.

— Namjoon, me desculpe, eu não queri...

— É verdade o que você disse?- ele interrompe, e se aproxima, querendo resposta.

Se ela levantar a mão pode tocar seu rosto. Tão perto, mas tão distante. Suas respirações estão irregulares.

— Yoona, só me diz se é verdade, se não foi apenas o álcool ou carência, ou qualquer outra coisa da qual você se arrepende.- seu tom suplicante a surpreende, ele está mais perto agora e é possível examinar seus olhos, ele parece... esperançoso.

— Sim.- sussurra em resposta.

Prende a respiração quando sente a mão dele tocar sua bochecha. Ele a observa, e a garota não consegue não fazer o mesmo.

— Também me machuca não poder ficar com você.- confessa num sussurro e encosta sua testa na dela. Ele tem cheiro de banho tomado.- Me deixa ficar com você agora.

Antes que ela consiga entender, sua mão desce da bochecha para a nuca da garota e ele a puxa, juntando os lábios. E tudo explode como fogos de artifício, não de uma maneira piegas. Yoona tem segurado e escondido tantas coisas e sentir seus lábios é como uma explosão, como uma forma de expressão. Ele respira em sua pele, e ela sente a dele, sutilmente puxa o lábio inferior para ele, e ela se delicia sentindo sua maciez. A necessidade de senti-lo mais perto faz Yoona agarrar firme sua cintura e o puxar para ela, aproveitando a deixa ele finalmente sente o corpo da garota ao se colar a ela e a sensação é melhor do que ele imaginava quando se permitia fantasiar sobre aquele tão desejado corpo.

Diante toda aquela sensação desejada a garota se sente rendida, os lábios macios dele, a sensação poderosa de seus braços a cercando, o corpo largo e aconchegante dele, seu próprio coração batendo descompassado, suas pernas fraquejam e ele com toda satisfação a ampara em seus braços. Lentamente a puxa para trás, a guiando até sua cama, ele se encosta na cabeceira e ela se encaixa em seu colo, sente seu corpo todo esquentar e formigar.

— Não vamos fazer nada que você não queira.- seu hálito bate no rosto da garota e ela se segura para não sugar todo aquele ar. Mal sabe ele que ela quer muito, tudo.

Com um sim ansioso ela os junta de novo, devorando os lábios dele, sugando seu cheiro, sentindo seu gosto, ele responde com igual necessidade, guardando na memória toda aquela sensação, memorizando seu sabor e o calor que o corpo da garota emanava o fazia queimar, pulsar. Enrolando as mãos em seu cabelo comprido ele o puxa dando espaço para que explore o pescoço dela, ele sente o vibrar de sua garganta quando um gemido lhe escapa, ele quer mais daquilo. Ao sentir sua rigidez instintivamente a garota se pressiona nele, conseguindo lhe tirar o mesmo som, Yoona sente o corpo tenso em necessidade, ela separa o beijo.

Eles apenas se encaram, palavras não são necessárias, Yoona entende agora o que significa os olhos serem a janela da alma, e ela espera que ele esteja vendo o mesmo que ela vê agora, naqueles olhos sempre gentis.

Ele os junta de novo, com ainda mais necessidade, ambos viciados no sabor, no cheiro e nos sons que provocam um no outro. Namjoon examina lentamente cada parte do corpo dela com suas mãos, deixando um rastro de formigamento por onde passa, suas mãos vão para debaixo da camisa que ela usa e para no fecho de seu sutiã, ele corre os dedos longos por ele, até a frente, e então para.

— Espera.- ele se retrai, juntando todas as suas forças para a afastar o suficiente para que possa olha-la nos olhos.- Eu não estou sendo justo, eu não quero ficar com você apenas essa noite, estou me aproveitando do momento, mas preciso esclarecer algumas coisas.

— O que?- pergunta ofegante, ele a deixou sem ar. O coração pesa no peito de preocupação pelo que virá a seguir.

— Eu não posso ser aquele que você pode abraçar sempre que quiser, não posso ser quem virá até você sempre que precisar. Eu queria ser, você não é capaz de imaginar o quanto, mas é o que eu posso oferecer no momento, algumas partes de mim. Eu queria ter certeza de ser o cara certo para você, mas eu não tenho essa garantia. Então preciso saber se você tem certeza do que procura.

Yoona quer jogar tudo pro alto, apenas dizer que sim e voltar a beijar o rapaz a sua frente. Mas sabe que Namjoon não merece isso. Os segundos passando fazem o estômago do rapaz revirar e ele quer desmentir tudo o que acabou de dizer e apenas tomá-la em seus braços de novo, mas seu senso de justiça não permite e ele apenas aguarda ansioso pela resposta.

— Eu entendo sua preocupação, eu vi uma pequena, muita pequena, parte do seu mundo nesse tempo e eu entendo suas responsabilidades.- a mão dela acaricia a bochecha dele de modo terno.- E eu quero muito ter nem que sejam pequenas partes de você, do que não ter nada.- ao ouvir isso ele a puxa para um abraço apertado.- E eu posso gostar de ter pequenos encontros secretos.

— Isso seria perfeito.- ele ri em seu pescoço, sugando seu cheiro.- Você vai gostar de ir à lugares que não sabemos nem pronunciar. E espero que um dia se acostume com flashes toda vez que tivermos de sair.

— Eu posso aprender.- ela ri e deposita um beijo delicado em seus lábios grossos.

— Você é perfeita.- ele sorri, e pondera se diz o que está pensando.- E eu posso ser... o cara certo pra você... essa noite.

A voz profunda e melodiosa de Namjoon faz Yoona se sentir dolorida, quente e pronta.

— Isso seria perfeito.- o repete e segura uma arfada quando num movimento rápido ele a gira na cama e sente o corpo ser pressionado por ele.- Mas eu tenho que sair antes do sol nascer.- ele ri ao ouvir isso.

— Você é perfeita.

Entre risos e beijos a noite caminha em direção ao êxtase.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem o que gostaram e o que eu posso melhorar como escritora. Até uma próxima fic.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!