Perfeicão Inexistente
10 Bomba .
Notas iniciais
Primeiro dia do mês , dia da caça. Nós só caçamos de mês em mês e sobrevivemos numa boa. Sempre saimos a noite, mas, como desde ontem a cidade estava vazia, saimos de manhã mesmo. Eu estava meio sem sede e pedi para irem na frente. Fitei a rua, vi uma pessoa andando calma na calçada.
- Er, olá.
- Sim?
- Sabe dizer por que quase ninguém mais anda pela cidade?
- Eita, guria... Tu num tem televisão em casa não?
- Er ...- parei um pouco envergonhada, nós não assistíamos televisão a não ser, que fosse um filme.
- Não tudo bem. Eu explico. Saiu uma nota no jornal local , de que você jogar uma bomba aqui na cidade e tá todo mundo se mudando , ou indo \"passar férias\" com a família.
- Mas, você acha que isso é verdade ?
- Sim.
- E por que anda tão calmamente assim ?
- Não entre em pânico, guria.
- Por que? Não tem medo de morrer ?
- Não.
Me encantei com a coragem do menino e com o jeito que ele tinha de falar das coisas. Me despedi dele , e fui ao encontro de todos.
- Pedro ....
- Sim, Angel?
- Bombas matam vampiros ?
- Se forem jogadas muito perto deles... Sim, por que ?
- É que eu acabei de descobrir que vão jogar \"algumas\" na cidade.
- QUE? — gritaram os outros em uníssono.
- Pois é.
- Angel, precisamos sair daqui rápido.
- Tudo bem , Pedro, mas, antes tenho que fazer duas coisas.
- Pois faça, nós vamos pra casa arrumar nossas coisas.
- Ok.
Cuidei de sair rápido do beco escuro, e me certificar que Carlos já tinha saído da cidade. Rastreei o cheiro dele até a saída da cidade, ele estava a salvo. Agora precisava encontrar o garoto que eu havia conhecido de manhã. Sentei no asfalto, a fim de lembrar do seu cheiro. Por fim, no meio da tarde eu lembrei. Procurei ele por toda cidade, adivinhem aonde eu o encontrei? Naquele beco escuro de sempre, mas, o cheiro do seu sangue emanava mais ainda de seu corpo — ele estava ferido. Me abaixei do seu lado e perguntei:
- O que houve?
- Descobriram...
- O que ?
- Que eu te contei da bomba...
- Qual o problema disso ?
- Ninguém devia saber... Ninguém devia...
- Você estava envolvido?
- S-sim ...
- Ainda tem medo de morrer ?
- Nã-não... Por que? — a voz dele começou a falhar .
- Pois bem... Morra .
Mordi seu pescoço, e lambi todas as suas feridas, se eu me alimentasse do sangue que restava no corpo dele, ele não viraria vampiro. Levei-o para casa e todos estavam praticamente de saída. Me esperando sentados no sofá. Mandei todos levantarem, deitei ele no sofá, e fui arrumar minhas coisas. Quando voltei , ele já estava bem \"vivo\" , se é que posso dizer assim.
- Disse que eu morresse.
- Mas, você está morto .
- Então por que ainda, falo, e ando, e me mexo?
- Porque agora, tu é um vampiro.
- Mas, guria... Não é bem estar morto.
- Ar ... — suspirei. — Se não gostou... Tudo bem, me desculpe.
- Não é que não gostei, guria... É só que é estranho. Mas, tudo bem.
- Sério ?
- Sim.
Ele me abraçou a saímos de casa. Corremos até a saída da cidade. Olhamos mais uma vez pra trás e de repente aconteceu , tudo começou a passar em câmera lenta, todos correndo, Paul um pouco mais atrás, eu gritando para ele correr, e bomba acertando ele em cheio nas costas. Meu coração entristeceu , e eu corri ao encontro dos outros, eu \"chorava\" , e me sentia mal por não tê-lo salvo. Paul agora estava morto, devia estar feliz, enfrentou a morte e perdeu. Agora ele podia dizer que estava bem e em paz. Estava morto, eu ainda podia ver os pedaços do corpo dele espalhados pelo asfalto. Corri, juntei-os e os enterrei na saída da cidade. Escrevi na terra \"Fica em paz, guri\" . E saí, ainda chorando, com o coração pesado, mas, a alma limpa, por ter ao menos enterrado seu corpo.
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