Por Sophia ~

\"\" Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.

Clarice Lispector

Eu o amava muito, muito mais do que jamais poderia imaginar. Aqueles últimos dias junto dele foram maravilhosos, os melhores de minha vida, eu jamais esquecerei. Mas... Tudo não parecia ter chegado ao fim. Erick estava por perto, eu de alguma forma conseguia sentir. Talvez seja pelo fato de que eu jamais poderia esquecê-lo.
Aproveitei a oportunidade quando a padaria estava vazia, e fui até o lado de fora. Olhei ao redor.
Erick? — Sussurrei.
Estou aqui, meu amor... — Ouvi uma voz ao longe. Meu coração acelerou instantaneamente. De tanto que eu o amava, eu podia ouví-lo.
Comecei a procurar, balançando meus braços no vazio. Eu não podia tocá-lo, infelizmente. Ele passou a sussurrar coisas em meu ouvido, enquanto eu o escutava atentamente. Meu coração quase saltava para fora de meu peito. Eu estava muito emocionada em poder ouví-lo.

Continuamos conversando durante vários dias, os quais ele me acompanhava no trabalho. Sempre me ajudava no que podia e no que eu precisasse. Sempre foi um grande amigo. Em horas vagas eu caminhava com ele pela rua, a conversar. Muitos assuntos passavam a surgir quando eu começava a me sentir sozinha. Apenas conversar com Erick e ter a certeza de que ele estava por perto não era suficiente para mim. Eu queria mais.
Não consigo mais viver assim. Preciso me sentir mais próxima de você...
E como pretende fazer isto? — Suspirou Erick.
Sentei-me na calçada, e fiquei ali alguns instantes, pensando. A única maneira, seria eu me tornando o mesmo ser do que Erick. Acredito que não será difícil. Porém Erick não gostou muito. Achou a idéia absurda e queria impedir-me. Porém ele sabia que qualquer esforço que ele fizesse seria em vão. Eu já havia tomado a minha decisão.
Voltei para casa, fui até meu quarto enquanto meu pai estava ocupado e arrumei uma mochila, apenas com as coisas realmente necessárias. Imprimi um mapa da região e saí escondida. Se meu pai soubesse o que eu pretendia fazer, jamais me deixaria partir.
Eu sabia exatamente onde deveria ir: Até a feiticeira, onde Erick esteve há alguns dias atrás. Ela seria a única pessoa que acho que pode me ajudar neste momento. Demorei quase dois dias até encontrar a casa onde ela residia. No começo Erick ainda não queria que eu fizesse tal coisa, porém quando passou a concordar resolveu colaborar e ajudar-me a encontrar a moradia dela.

Logo ao chegar, bati duas vezes na porta e já ouvi um resmungo vindo de dentro da casa.
O QUÊ? EU NÃO ACREDITO QUE ELE ESTÁ DENOVO AQUI E... — Gritou ela, vindo na direção da porta e abrindo-a — Ah, é só uma criança. O que foi agora?
Lhe expliquei superficialmente o ocorrido, enquanto ela me olhava, sem alterar sua expressão facial.
Geralmente eu não faria tal coisa que você pede... — Suspirou ela — Mas, nesse caso, eu realmente estou precisando de um corpo humano.
Ela caminhou até uma prateleira dentro da casa, e me chamou para entrar. Pegou um frasco e me disse para beber tudo. Segurei e depois de observá-lo por uns instantes, bebi tudo. Senti dores fortes em meu peito, e comecei a ficar tonta. Ouvi a respiração acelerada de Erick e pude perceber que ele estava ficando apreensivo. Depois de muito esforço em me manter acordada, acabei caindo no chão e fiquei inconsciente.
Acordei nos braços de Erick, em um gramado verde e extenso. Enquanto eu estava adormecida ele havia me levado pelos céus até um bosque em Brightvalle. Conversei um pouco com ele, tentando compreender o que havia acontecido. Eu estava muito feliz em poder vê-lo novamente e Erick estava sorridente em me ter em seus braços. Um forte abraço me fez esquecer por tudo de ruim que passamos, e um último beijo me fez lembrar de como o nosso amor era forte e que éramos inseparáveis.