Perfect Harmony
6 Capitulo 5
Notas iniciais
“As coisas que enxergamos nem sempre são verdadeiras. O quanto devo de esforçar para enxergar a verdade escondida?” – Taiga.
Ficamos por quase uma hora sentados analisando o caso e tentando imaginar qual o próximo passo a ser dado, realmente este sequestro estava indo de mal a pior, e eu não sei se estou ajudando, na verdade acho que estou atrapalhando tudo, porque não consigo achar nada que possamos fazer, quatro crianças foram rápidas e em breve será mais uma, o pior é que temos quinze possíveis vitimas, mas como colocar os pais em alerta sem causar pânico generalizado?
Hotche, Morgan, Kate e Rossi estavam de volta, logo depois que Spencer, Jeniffer e eu não conseguimos pensar em nada. Sentei-me novamente em um canto da sala, sozinha, pensei que assim conseguiria respostas, mas não funcionou, nem sei quantas vezes li e reli os arquivos do caso, mas a impressão de que estávamos deixando passar algo me deixava maluca, talvez fosse coisa da minha cabeça, mas agora não tenho tanta certeza.
Spencer também lia e relia cada pagina, além de repetir as fitas varias e varias vezes. Na verdade todos nós estávamos procurando algo, mas creio que não estávamos encontrando, isso é que estava me deixando mais apavorada, pois se outra criança for sequestrada, é provável que nunca mais iremos encontra-las, tentei afastar aquele pensamento da minha cabeça, pois fazia meu estomago dar voltas. Respirei fundo e percebi que precisava de ar fresco para pensar melhor, sai de fininho da sala de reunião, por sorte ninguém percebeu.
Ao sair da delegacia senti uma onda de desespero tomar conta do meu corpo, sentei-me em um dos bancos que ficavam logo em frente, em baixo de uma arvore, e respirei fundo. Olhando para a delegacia, deixei meus pensamentos viajarem, sabíamos muitas coisas, mas ao mesmo tempo não sabíamos de nada, o próximo passo era um mistério para todos nós, gostaria de encontrar uma resposta, qualquer uma.
–Se continuar assim vai acabar ficando louca – assustou-me Lizie, sentando-se ao meu lado, com dois copos de café.
–Obrigada – agradeci, enquanto pegava meu copo.
–Se não te conhecesse, diria que esta tentando resolver o caso sozinha – comentou sorrindo – Ah é verdade, você esta fazendo exatamente isso – não disse nada, apenas respirei fundo, olhando fixamente para meu café — Olha só, se você continuar assim eu vou te bater.
–É complicado Lizie, são crianças – respondi sentindo meu nervosismo crescer cada vez mais.
–Med, você está ao lado das melhores mentes dos Estados Unidos, não precisa resolver tudo sozinha, nada disso é culpa sua.
–Mas vai ser, se por acaso eu não conseguir salvar a próxima criança Lizie, preciso salvá-las – respondi com uma mistura de tristeza, raiva e frustração.
–Tudo bem, todos na delegacia estamos fazendo nosso melhor, mas não é assim que a banda toca é? – repreendeu-me – Você sabe mais que qualquer um, que um caso como esse, envolve muitas coisas, e na maioria das vezes quase não temos pistas, vocês pelo menos sabem quem sequestrou aquelas crianças.
–Ela é uma possível suspeita, o pior de tudo, é que não temos certeza de nada.
–Mas já é um passo, vocês tem uma suspeita.
–Que está sumida – retruquei.
–Para de discordar com o que eu digo – esbravejou Lizie, em tom de brincadeira.
–Não estou discordando.
–Então o que esta fazendo?
–Dizendo-lhe a verdade.
–Só não fique em cima desse caso, como se você fosse a culpada, sei que esta fazendo o máximo que pode.
–Tudo bem – respirei fundo
–Otimo — ficamos em silencio por um tempinho, até que ela retoma a palavra novamente – Posso lhe fazer uma pergunta?
–Na verdade você acabou de fazer – brinquei, tentando descontrair um pouquinho.
–Essa não vale – retrucou mostrando-me a língua.
–O que foi?
–Aquele cara que estava com você na sala de reunião o... – olhou-me pensativa – Como é o nome dele mesmo?
–Spencer – completei.
–Isso – gritou Lizie, o que fez um polical que estava entrando na delegacia se assustar – Desculpe – gritou ela novamente.
–Fala mais baixo – reprendi, bati em seu braço – Mas o que tem ele? – essa pergunta era idiota, tinha plena consciência do que ela iria me perguntar, mas fingi-me de desentendida.
–O que esta rolando entre vocês dois? – questionou com um sorriso sarcástico.
–Não esta rolando nada – respondi indiferente, enquanto tomava meu café.
–Ta mais estava rolando alguma coisa quando entrei, senti o clima.
–Que clima? O do ar condicionado né? Também senti, tava muito frio, acho melhor regular quando voltar – comentei, nervosa de mais.
–Haha muito engraçado senhorita Tisdale – diga-me o que esta rolando entre vocês dois.
–Nada já respondi, claro já nos conhecíamos, mas só isso – comentei – Que mania você tem de ver maldade em tudo.
–Não é maldade, é realidade ou melhor romance – retrucou – Sei quando tem romance no ar.
–Otimo, por que não me avisou que John era apaixonado por mim? – questionei.
–Porque isso era dever dele falar, não meu.
–Então você sabia? – perguntei perplexa.
–Eu e todos da delegacia, com exceção é claro de você.
–Como eu não pude perceber isso? – era uma pergunta retórica, mas ela fez questão de responder.
–Porque quando se trata da sua vida pessoal, você se fecha, e não deixa ninguém entrar e só vê o que quer ver.
–Como assim, o que isso tem haver?
–Quando você esta na delegacia, você se entrega de corpo e alma, faz de tudo para resgatar ou prender uma pessoa, mas o caso muda de figura quando você precisa arrumar um namorado, você não percebe que um cara gosta de você, a não ser que ele diga isso com todas as letras – fiquei calada analisando, será que realmente sou assim? Nunca percebi – E agora você vai deixar escapar aquele gostoso do Spencer.
–Ei – exclamei sem querer.
–Mas ele é mesmo, se você não quiser eu quero.
–Somos só amigos – retruquei baixinho.
–Ta bom, mas só mais uma pergunta – comentou levantando-se, ela parecia nervosa – Você esta tentado me convencer ou a você mesma disso? – não respondi, apenas observei-a – Se permita ser uma pessoa normal, pelo menos uma vez na sua vida, para de ter medo, arrisque-se – dizendo isso, voltou para a delegacia.
Fiquei sentada no banco por um tempo, hoje não era meu dia, muita coisa para pensar e só um cérebro para dar conta de tudo isso. E uma pergunta que não quer calar é: o que é que eu vou fazer?
“Diga sempre tudo que precisa dizer, arrisque mais, para não se arrepender” – Pitty
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