Perfect!

47 Não brinque com fogo! (I)


Notas iniciais
Olá flores, olha só quem está conseguindo manter seu calendário de atualizações!! Euzinha! E mai feliz que ganhador da mega sena!! Sabem por que??? Perfect! alcançou os noventa acompanhamentos e vinte favoritos!!!dando pulinhos de alegria aqui!!! Feliz, mega feliz, muito feliz!!! Vocês são demais! São hiper! São mega! E estou surtada!!kkkkkkkkkkk Foco Regina, foco que o tempo urge!!! Vamos ao que interessa: Capítulo fresquinho. Este é o primeiro de uma trilogia focada nas girls da história. A primeira será Laura. Depois Maddie e por ultimo Caitlin. Três situações diferentes. Três vidas entrelaçadas. Três garotas/ mulheres (ou quase) vivendo perto do fogo! Grata por todas as rewiews pasadas....More rewiews, pleasee... Boa leitura...Bjinhos flores. P.S: baladinha romântica e singela para acompanhar porque sou dessas que não nega as raizes, rsrsrsrsrs.

“Alguém pode dizer o que se passa em mim?

Juro nem sei por que é que eu fico assim;

Eu acho que é coisa que vem do coração;

Ai não tem jeito, é paixão!

Meus amigos, já sei, querem me distrair;

Falando demais o que eu não quero ouvir;

Mas entra de um lado e do outro já sai;

Que mais será que eu sou capaz?

Eu Posso Quase Tudo

Sandy & Júnior

Colégio St. Andrew (quinta, 15/10 – 15:30 p.m)

Laura

Três semanas! Três longas semanas desde a última vez em que fiquei a sós com Ethan na estufa sobre o telhado do colégio, local que propusera nos encontrarmos sempre que possível para “nos conhecermos melhor”, o que, por razoes obvias, rejeitei de imediato. Desde então está diferente comigo.

Não que esteja me evitando ou eu a ele, não é isso. Continuávamos a nos falar normalmente, nos cumprimentávamos quando cruzávamos pelos corredores, fizemos dupla na última aula de química, no laboratório, sempre que pegávamos o mesmo ônibus ao final das aulas conversávamos (nessas ocasiões juntamente com os amigos que tínhamos em comum), tudo exatamente como antes de nos beijarmos em sua festa e tudo que aconteceu depois. Exatamente ai residia meu estranhamento.

Depois que recusei sua proposta foi como se perdesse o interesse por mim. Ou talvez estivesse usando essa tática para me fazer voltar atrás e aceita-la (se for, devo admitir, está funcionando!). Ou talvez tenha encontrado alguém mais interessante e menos complicada!

—Vai ver encontrou alguma garota disposta encontrar-se às escondidas na estufa para se conhecerem melhor, quem sabe. Tem sempre alguém disposta a transar com um cara como ele – resmungo baixinho enquanto sigo pelo corredor praticamente vazio aquela hora parando em frente meu armário – Ai Laura, se era para ficar remoendo deveria ter aceito de uma vez e pronto! Agora é tarde pra ficar resmungando pelos cantos, se lamentando. Devia ter assumido que quer ficar com ele tanto quanto ele quer ficar com você....Ou parecia querer já que bastou o primeiro Não mais firme para se afastar. Belo interesse esse seu senhor Ethan! – bufo enquanto digito os números do segredo para abrir a porta de meu armário – No fundo só queria transar e mais nada. E a tonta aqui achando que poderia estar interessado nela. Há! Claro que não iria abrir mão de seu harém por uma única garota. E justo uma com um pai tão complicado e rabugento e que ainda por cima odeia o dele! – suspiro olhando para meus pés, lembrando o verdadeiro surto de raiva que meu pai tivera ao ver uma foto minha entre os irmãos numa revista de fofocas – Eu realmente gostaria de saber o que Thomas Merlyn fez de tão sério contra meu pai para que o odeie tanto. Não pode ser apenas por causa da esposa, até porque na época em que ela o abandonou no altar sequer sonhava conhecer o marido! – reflito, recordando a conversa que escutara, sem querer, entre minha mãe e minha avó assustando-me ao abrir o armário – O quê!?? — interrogo dando um passo para trás quando o envelope cai a meus pés, abaixando-me para pegá-lo.

Giro-o de um lado para outro tentando descobrir quem o pusera, através das frestas da porta com certeza, ao mesmo tempo em que ponho os livros que trazia nos braços lá dentro, decidindo se o abria ou não. Da última vez em que achei algo do tipo tive uma desagradável surpresa quando abri: dentro havia uma folha dobrada que quando era aberta exibia a foto de um órgão genital masculino em posição de “sentido”, como a inspetora Vasquez dissera ao vê-lo.

Torço o nariz avaliando o envelope atentamente, cheirando, apalpando. A primeira vista parecia inofensivo.

—O outro também parecia – pondero, batendo com ele na palma de minha mão esquerda – Ah, que seja! O pior que pode acontecer é a senhora Steele ameaçar suspender o engraçadinho que o pôs aqui... Se descobrir quem foi! – exclamo, decidindo abri-lo, encontrando uma folha de papel mais grossa (como da outra vez) começando a me arrepender de tê-lo aberto, tendo a grata surpresa de ver, ao invés de algo impróprio ou de mau gosto, a figura de uma flor se forma trazendo um sorriso a meus lábios.

—Pensei que não iria abrir nunca! – a voz grave de Ethan (bem parecida com a do pai) sobressalta-me e olho de lado vendo-o encostado aos armários alguns passos a minha direita, braços cruzados, um sorriso no rosto (outra coisa em que se parece demais com o pai!).

—Estava pensando em não abrir mesmo. Na verdade, estava quase jogando fora – digo, ficando de frente para ele – Você que fez? – pergunto.

—Não. Não sou tão talentoso assim! – assume, desencostando-se, se aproximando devagar – Maddie e mamãe que fazem. Só pedi uma para presentear uma garota linda que conheço – elogia, parando tão perto que sinto seu perfume – Gostou? – pergunta, apoiando a mão na porta aberta, olhando dentro de meus olhos.

—Sim – respondo, sustentando seu olhar (e a respiração) – Mas por que não pôs seu nome? –quero saber, a resposta me vindo à boca ao mesmo tempo em que ele falava – Meu pai!

—Seu pai! – dizemos juntos, rindo divertidos – Assim não terá que jogar fora ou temer que a rasgue se encontrar – explica, trocando a mão pelo ombro, mantendo-se encostado, me olhando mais intensamente.

—Então... O que tem feito? – pergunto a guisa de puxar conversa e quebrar o silencio que se instalara, sentindo meu rosto esquentar ficando, com toda certeza, vermelho como um pimentão.

—Já disse o quanto fica linda quando está envergonhada? – pergunta, deslizando o dorso dos dedos em meu rosto, causando uma reação química imediata: sinto uma corrente elétrica se espalhar por meu corpo, me causando arrepios– Linda! – sussurra – inclinando a cabeça, aproximando seu rosto do meu – Cheirosa! – elogia, roçando a ponta do nariz em meu pescoço.

Fecho os olhos desfrutando da caricia suave, entreabrindo os lábios num convite mudo aceito por ele, que toma minha boca, a princípio com suavidade, depois com ânsia, seus braços envolvendo minha cintura, me puxando contra seu corpo.

Durante alguns minutos esqueço onde estamos e do risco de sermos vistos por alguém, me entregando ao prazer que seu toque provocava em meu corpo. Não tinha percebido o quanto senti falta de seu beijo, de seu toque, até senti-lo novamente.

O som de risadas ecoando pelo corredor nos sobressalta fazendo-nos afastar rapidamente, ele indo para o lado oposto ao que me encontrava, entrando na sala imediatamente a sua frente enquanto enfio a cabeça dentro do armário rezando para não ser nenhuma de minhas amigas ou pior; a irmã dele.

—Tchau Laura – uma das garotas me cumprimenta e volto o rosto em direção ao grupo acenando, respondendo um “tchau” fraco, agradecendo por estarem tão envolvidas na conversa que tratavam que não notam nada.

Olho ao redor respirando aliviada ao notar o corredor vazio mais uma vez, deixando meu corpo, ainda tremulo, chocar-se contra os armários de olhos fechados, minhas mãos sobre o abdômen enquanto tento controlar minha respiração, assustando-me ao sentir meus lábios pressionados novamente num beijo rápido.

—Tchau Laura! – ouço Ethan dizer imitando a voz da garota que me cumprimentara, andando de costas pelo corredor, mandando-me beijos com a mão.

—Doido! – digo, rindo divertida, “agarrando” os beijos no ar, pondo-os junto ao coração, vendo-o sorrir de volta até sumir de meu campo de visão.

—É não tem jeito: está perdida! – a observação feita as minhas costas causa novo susto e me volto de um salto.

—Ai Alexa, quer me matar de susto! – reclamo, levando uma mão ao peito, encarando-a.

—Eu não, mas seu pai com certeza se desconfiar que esteja se envolvendo com Ethan Merlyn! – exclama, recostando-se na parede – Se bem que o risco vale muito a pena né miga!? – diz, piscando para mim, abaixando-se para pegar o presente que ele me dera – Ouwnnn, que fofo!! –suspira, piscando repetidamente.

—É sim, muito fofo – anuo, pegando-o de volta, prendendo-o no pequeno quadro dentro de meu armário – Alexa... – começo dizer, ela me cortando.

—Relaxe Laura. Não serei eu a te entregar para seu pai – garante, piscando novamente– Mas deveriam ter mais cuidado. Se fosse a Andrezza e não eu a ter visto aquele beijão, que as cheeleaders quase flagraram, diga-se, não seria tão boazinha já que ela arrasta um trem pelo Ethan e certamente iria adorar ter uma concorrente a menos – revela, revirando os olhos.

—Já notei isso – admito, fechando meu armário – Está saindo? – pergunto, pendurando minha bolsa no ombro, o livro de literatura em uma mão.

—Uhum. Meu último horário é vago. E você? – devolve, nós duas começando a caminhar pelo corredor rumo a saída.

—Também – revelo – O que acha de tomarmos um sorvete? Ainda tenho um tempinho antes de pegar lá no maternal – convido.

—Topo – aceita, abrindo a porta, dando um pulo para trás ao dar de cara com Kelly – Ai, garoto! Tá querendo me matar de susto por acaso? – reclama levando uma mão ao peito, rindo ao ser abraçada por ele.

—Nunca que iria matar minha linda namorada! – declara, lhe dando um beijo estalado na bochecha, só então me dando atenção – Oi Laura, tudo bem? – pergunta não me dando chance de responder – O que houve entre você e meu primo? Brigaram? Ou desistiram de tentar namorar escondido? – questiona descendo as escadas conosco, as mãos sobre os ombros de Alexa.

—Não. Nós apenas....Não decidimos o que fazer – titubeio mordendo meu lábio inferior ao vê-lo jogando bola no gramado em frente à entrada do colégio junto com Nick, Didier, Sebastian e Connor, Maddie, Camille e Mariana sentadas sob a sombra de uma arvore conversando tranqüilas – Todo mundo ficou sem o último período? – questiono, pegando meu celular que começara vibrar com aviso de mensagem.

—A maioria das turmas pelo menos – Kelly confirma – Tudo bem? – pergunta a me ver fazer uma careta.

—Tudo. É só a senhora Greene, secretária do maternal, avisando que não preciso ir hoje nem amanhã porque a senhorita Mills está doente e não dará aula – explico, assustando-me ao sentir algo acertar minhas pernas.

—E não você não trabalha com a professora substituta? – Alexa interroga.

—Na verdade a senhorita Mills já é professora substituta. A titular está de licença maternidade – explico, retendo o ar nos pulmões ao ver Ethan se aproximando.

—Quer dizer que não vai precisar trabalhar nem hoje nem amanhã? – Kelly faz questão de repetir, olhando de mim para o primo.

—Não – respondo, apertando meu celular na mão.

—Legal. Agora temos dois times – Ethan comemora girando a bola nas mãos e franzo o cenho, confusa – Desafiei as meninas a nos enfrentarem, mas fugiram da raia com a desculpa de estarem em menor número – provoca – E já que você não tem que ir embora agora, pode ficar e completar o time feminino e jogar contra nós – conclui, sorridente.

—Ethan sabe contar? Temos seis meninos e cinco meninas – Alexa chama sua atenção.

—E?? – pergunta, nos olhando desafiadoramente.

—E que se preparem para levar uma surra! – minha amiga rebate erguendo o queixo.

—Só pra constar: esportes não são exatamente meu forte – aviso, olhando de um para outro.

Se não soubesse que ela estava realmente a fim do Kelly ficaria enciumada pela forma como os dois se encaravam.

—Sem problema, nós vamos ganhar mesmo – Ethan assegura, convencido.

—Veremos Ethan, veremos – diz minha amiga, indo ao encontro de Maddie e as demais.

—Ethan, só pra que saiba, não é uma boa desafiar minha namorada. Ela é mega competitiva – Kelly avisa, saindo atrás dela.

—Sozinhos novamente – Ethan diz, piscando para mim.

—Sozinhos? Os outros ficaram invisíveis ou fomos nós? – provoco-o fazendo rir gostoso.

—Seria legal poder ficar invisível de vez em quando, só assim poderia ficar pertinho de você sem me preocupar em disfarçar ou controlar essa vontade de te beijar – declara aproximando o rosto do meu.

—Ethan, não – peço, recuando um passo, olhando a volta, percebendo não apenas Maddie nos observando como também um grupo a nossa esquerda do qual Andezza fazia parte – Estamos começando a chamar atenção, especialmente de sua irmã – informo, ele respirando fundo antes de responder.

—Maddie não é contra nos vermos. Ela só me pediu para ter certeza do que sinto por você – revela, pondo a bola debaixo do braço, me encarando sério – Senti sua falta – declara.

—Temos nos visto todos os dias – rebato, fingindo não entender o sentido de sua fala – Até fizemos dupla na aula de laboratório – lembro, corando ao lembrar de sua brincadeiras e tiradas que por pouco não nos fizeram tomar uma advertência da senhora Lewis.

—Sabe a que me refiro – diz, vencendo a distancia que nos separava rapidamente, envolvendo um braço em minha cintura – Mas se quiser posso exemplificar! – me provoca e retenho o ar nos pulmões ante a possibilidade de um novo beijo.

—Vamos jogar ou não? – a voz de Maddie as suas costas funciona como um balde de água fria e nos afastamos rapidamente.

—Agora toparam o desafio maninha?- Ethan pergunta, se voltando para a irmã.

—Evidente! Só estávamos esperando o time ficar completo – avisa, indicando as demais garotas alguns passos atrás.

Não consigo disfarçar meu mal estar ao ver Andrezza entre elas.

—Então vamos a partida. Espero que esteja pronta para perder – Ethan desafia-a, rindo enquanto se volta indo ao encontro dos garotos no lado oposto ao que as meninas estavam.

—Também não gosto dela por perto – ouço Maddie dizer e me volto para ela – Uma de minhas brigas com Connor foi culpa dela. Me fez acreditar que eles tinham transado – conta me deixando boquiaberta – Portanto, não leve a sério as provocações que certamente irá lhe fazer quando estivermos jogando. Ela já tentou se aproximar de meu irmão diversas vezes. Até conseguiu ficar com ele em alguma festa, mas Ethan nunca quis nada sério com ela – informa, voltando-se para ele, faço o mesmo – Na verdade, ele nunca quis nada sério com ninguém até hoje – acrescenta, suspirando, me encarando mais uma vez – Laura, tenha cuidado. Não quero que se machuque por causa dele. Meu irmão não faz por mal. Ele só não se apaixonou de verdade. Ainda – frisa, piscando e tenho certeza que fiquei vermelha – Conversei um pouco com ele sobre vocês, sobre o que está sentindo e tinha-lhe pedido que desse um tempo, que te desse espaço e fizesse o mesmo – revela – Acho que respeitou meu pedido o máximo que pôde o que é um bom sinal. Mesmo assim, vá devagar – recomenda – Sei que não é fácil resistir quando queremos ficar com alguém. Tenho experimentado isto principalmente neste ultimo ano e meio, quando as coisas entre mim e Connor começaram a esquentar- afirma, corando.

—Maddie...- começo a falar mas sou interrompida de uma forma nada delicada: uma bolada no braço!

—Vão jogar ou ficar de papo?? – Ethan pergunta ao mesmo tempo em que desvia-se do tênis atirado por Connor contra ele – Ou já estão com medo de perder? – desafia e é a vez de Alexa tentar acertá-lo com um chute, errando feio, caindo de forma nada graciosa no chão provocando uma crise de riso quase geral: Kelly conteve-se indo em seu auxilio imediatamente, ajudando-a levantar.

—Vamos baixar a crista desse convencido – Maddie convida – Depois que ganharmos, terão que nos pagar um belo e reforçado lanche no Big Belly!

—Opa, proposta aceita. Mas vale para os dois lados – Connor sugere.

—Aceito! – Maddie concorda, apertando sua mão – Vamos lá meninas, hoje vamos lanchar por conta dos cavalheiros aqui – provoca, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo.

—Cavalheiros ou cavaleiros? – Andrezza questiona, insinuando-se para Ethan e respiro fundo a fim de controlar a raiva.

—Descobrirão no decorrer da partida – devolve ele, afastando-se discretamente – Vamos nessa!

—Esperem, quem vai ser o juiz? – Mariana prgunta.

—Linda, não precisamos de juiz – Nick responde, enlaçando-a pela cintura, derrubando-a suavemente no chão – Isto é falta – diz, roubando-lhe um beijo – Isto não! – exclama, os demais garotos batendo palmas.

—Sinto cheiro de trapaça no ar! – Camille alerta pondo o indicador no queixo.

—Pode até ser. Mas é bom lembrar que o vento que venta lá....- Maddie insinua, beijando os ombros – Vamos jogar! – chama, tomando a bola das mãos de Ethan.

Durantes os quarenta minutos seguintes nos empenhamos na disputa com os garotos conseguindo, para minha surpresa, competir de igual para igual com eles. Bem, quase de igual para igual. A verdade era que Maddie e Alexa jogavam muito bem, Camille era mediana enquanto Mariana e eu apenas esforçadas. Já Andrezza, como havia suposto, aproveitava toda oportunidade que tinha para agarrar Ethan com a desculpa de está fazendo marcação home a homem (seja lá o que isso signifique!).

Tudo que sei é que ao final desses quarenta minutos estava com a chance de desempatar a partida a nosso favor quando fui impedida por Ethan, que me agarra pela cintura, suspendendo-me no ar enquanto Kelly roubava a bola e fazia o gol.

—Isso foi trapaça! – Maddie reclama, estapeando o namorado, que ria sem parar – Deviam ficar envergonhados – ralha, cruzando os braços de cara amarrada.

—Tem razão meu amor! Nós perdemos – Connor declara, abraçando-a e beijando seu pescoço, arrancando um sorriso.

—Perdemos nada! Não tem como saber se Laura faria o gol – Ethan protesta, ainda me segurando em seus braços.

—Faria sim, sabe que eu faria! – rebato, tentando me libertar, um misto de raiva e desejo me tomando, fazendo minha voz sair mais alta do que gostaria – Quer fazer o favor de me soltar – peço.

—Acho que não faria o gol não – diz, ignorando meu pedido, me apertando mais junto a seu corpo.

—Deixa ela chuta e saberemos – Alexa desafia, escapando da tentativa de Kelly em agarrá-la.

—De acordo, deixa ela chutar primo – Nick sugere, abraçado a Mariana.

—Ok, vocês venceram – rende-se, me soltando tão rápido que por pouco não caio.

Me viro para ele pronta para xingá-lo, mas duas coisas me fazem silenciar: a expressão de Andrezza e o brilho de desafio no olhar dele. Instintivamente ergo o queixo, tomando a bola das mãos de Alexa, caminhando decidida até o gol.

—Tem que chutar da posição onde estava – Ethan avisa, passando por mim, marcando o local com um tênis – Bem aqui – indica, me olhando ainda mais intensamente.

—Por mim tanto faz – digo, pondo a bola no local marcado, ele abaixando-se comigo.

—Se fizer ganha um beijo — diz, levantando antes de mim.

Cachorro!, xingo-o mentalmente, erguendo-me, encarando-o por um segundo antes de chutar, as meninas pulando sobre mim quando a bola cruza a linha – Me deve um beijo senhor Merlyn! – cobro baixinho ao passar por ele.

—Não se preocupe, vamos pagar a aposta senhorita Palmer – responde, dando duplo sentido a frase e o encaro sorrindo – Sempre pago minhas promessas – assegura, pegando sua bolsa.

Após todos no recompormos, seguimos para o ponto de ônibus mais perto, seguindo para o Big Belly onde os garotos nos deixam escolher o que quiséssemos, pagando sem reclamar.

Confesso: durante todo tempo em que comemos e conversarmos, tudo que conseguia pensar era se ele realmente pretendia pagar sua “divida”, a oportunidade surgindo quando já começava a desistir.

Acabara de sair do banheiro quando me sinto ser puxada por ele, que me faz sair por uma das entradas laterais sem que os demais nos vissem fazê-lo, me conduzindo até um canto mais escondido no estacionamento. Como começava a escurecer, não seriamos vistos a menos que se aproximassem.

—O que estamos fazendo aqui Ethan? – pergunto, mordendo meu lábio inferior.

—Pagando minha divida – declara, tomando meus lábios com avidez.

Não há suavidade muito menos leveza no beijo. Só sede, desejo, ânsia. O toque de seus lábios nos meus dera inicio a um incêndio que queimava cada vez mais, aumentando de intensidade a cada segundo que passava. Quanto mais exigente o beijo se tornava, mais eu correspondia. Abro minha boca permitindo que sua língua a invadisse, explorando, instigando. Minhas mãos exploravam seu corpo sem medo ou vergonha, entrando por baixo da camisa em busca da pele quente, fazendo-o gemer quando cravo as unhas em sua cintura, deixando marcas vermelhas ao retirá-las, subindo por cima da roupa até alcançar sua nuca, enroscando os dedos nos fios curtos, massageando.

Não consigo conter um gemido rouco quando o sinto me tocar por sobre o jeans, pressionando minha intimidade, àquela altura úmida e pulsante.

—Ethan! – sussurro em seu ouvido quando interrompe o beijo, arfando a medida em que seus lábios deslizam por meu pescoço detendo-se no decote da blusa, beijando, mordiscando a pele – Aceito – sopro fazendo-o parar erguendo a cabeça confuso – Aceito nos encontrarmos na estufa – completo vendo um sorriso iluminar seu rosto.

— Não vamos fazer nada que não queira, prometo – diz, me beijando novamente, descendo os lábios mais uma vez até meu decote.

—Esse é o problema! – murmuro baixinho, afagando seus cabelos, o som de vozes distantes me pondo em alerta – Ethan, vem vindo alguém – alerto, e nos afastamos com relutância, aguardando o grupo passar.

—Melhor voltarmos para a lanchonete – me surpreende, respirando fundo, encostando-se a parede a meu lado, nossas mãos entrelaçadas, ele acariciando o dorso com o dedo – Pronta? – pergunta após alguns minutos.

—Sim –respondo, não reconhecendo minha própria voz, que soa calma e serena.

—Você entra primeiro, depois eu vou – sugere, desencostando-se, me olhando intensamente antes de erguer minha mão, beijando-a – Vai – comanda e obedeço com um sorriso bobo.

Lá dentro, sigo para os banheiros novamente, arrumando minha roupa, cabelo e maquiagem (o que sobrara dela), limpando o batom.

—Nossa Laura, quer nos matar de susto! – Alexa declara ao entrar de supetão junto com Maddie e Camille, me assustando.

—Digo o mesmo! O que houve? – pergunto, encarando-as através do espelho.

—Como assim o que houve? Fazem mais de vinte minutos que entrou aqui criatura! Já estávamos pensando se havia passado mal e desmaiado ou coisa assim – Camille exagera e riro.

—Desculpem mas acho que algo me fez mal mesmo – minto, acalmando-as em seguida – Nada demais, só um pequeno desarranjo intestinal – digo, fazendo uma careta sem graça – Desculpa –peço novamente só então me voltando para elas.

—Tudo bem. Está melhor? – Maddie preocupa-se, seu olhar me dizendo que não estava acreditando completamente no que dizia.

—Estou sim – garanto, enxugando meu rosto – Vamos? – chamo, elas acenando afirmativamente.

Retornamos a mesa ao mesmo tempo em que Ethan voltava, celular nas mãos.

—Chamei o Uber para nós – avisa, tomando seu lugar – Cadê a Andrezza? – pergunta.

—Você não lhe deu atenção ela se mandou – Kelly informa – Um Uber é suficiente? – questiona.

—Minha mãe vai passar por aqui e nos pegar – Maddie avisa, recostando-se em Connor – Vai conosco amor?

—Vou sim – Connor confirma, acariciando seus braços.

—Beleza então. Já pagamos agora é só esperarmos o transporte – Nick declara, abraçando e beijando Mariana.

—O que acha de vendermos umas cocadas Laura? Assim lucramos algo aqui! – Ethan provoca.

—E evitamos queimar as mãos segurando vela – acrescento fazendo-o gargalhar.

—Vou fingir que acredito! – Connor revida, olhando de mim para ele, nossa atenção sendo chamada pelo bip no celular de Ethan.

—O Uber chegou – avisa, levantando, olhando para fora – E a mãe também.

—Nossa, carros sincronizados!! – Kelly brinca nos fazendo rir.

Saímos juntos do Belly, nos despedimos com abraços e apertos de mãos, cumprimentamos a senhora Merlyn e os bebês, cada um seguindo para seu lado.

Chego em casa antes de minha mãe encontrando minha avó preparando o jantar enquanto vovô assiste a reprise de algum jogo na televisão.

Falo com os dois avisando vovó que subiria para tomar um banho e depois viria ajudá-la.

Em meu quarto, tiro a roupa apressadamente entrando embaixo do chuveiro sem me importar em mudar a chave de temperatura, deixando a água fria acalmar meu corpo, ainda em chamas por conta dos momentos vividos nos braços de Ethan.

—Está brincando com fogo Laura – murmuro, suspirando – E quem brinca com fogo acaba se queimando!

“...Posso fugir, mas não me esconder;

Posso querer disfarçar;

Posso mentir, falar que estou bem;

Mas esse é o sintoma de amar;

Posso gritar, mas quem vai responder?

Um mau começo é o fim!

Posso lutar e nunca vencer;

Acho que é por isso que eu to assim;

Posso quase tudo menos fingir;

Ter você pra mim!

Notas finais
Nos vemos em quinze dias. Bjinhos flores.