Perfect
4 Infinity
Notas iniciais
Down to Earth
Keep 'em falling when I know it hurts
Going faster than a million miles an hour
Trying to catch my breath some way, somehow
Down to Earth
It's like I'm frozen, but the world still turns
Stuck in motion, but the wheels keep spinning 'round
Moving in reverse with no way out
Infinity — One Direction
Lá chegando, bati na porta do escritório, para logo ouvir um "entre" provindo da voz abafada de mamãe.
— Ah é você, querida. Estávamos a sua espera — Disse papai assim que me viu passar pela porta.
Sentei na cadeira em frente sua escrivaninha e mamãe ocupou a cadeira remanescente ao meu lado. Meu pai preferiu ficar em pé, começando a andar de um lado para o outro, coisa que sempre fazia quando ficava pensativo, o que acarretou, como sempre, em mamãe e eu nos entreolharmos.
— Então, qual é o verdadeiro panorama de toda a situação? — Perguntei a ele após alguns minutos.
— Está sob tudo sob controle agora, mas houve alguns desaparecimentos.
— Quem desapareceu?
— Alguns funcionários do palácio. O que nos complica, porque não sabemos se isso é bom ou ruim... Os rebeldes entraram por lugares que somente funcionários têm acesso, o que significa que alguém aqui de dentro os ajudou. Sem falar que também tentaram inviraram locais restritos, onde poucas pessoas além de nós têm acesso — Respondeu papai.
— Quando foram me buscar, disse que acha que os rebeldes poderiam estar atrás de alguma coisa. O que? — Perguntei.
Nesse momento, meus pais se entreolharam.
— O diário de Gregory Illéa — Mamãe respondeu — É onde estão todos os segredos que Gregory utilizou para tomar o poder, e toda a estrutura de seu governo, o que inclui a implantação de castas. E, apesar de termos extinguido o sistema de castas, o diário ainda continua sendo o guia perfeito para alguém que pretenda dar um golpe na monarquia – Explicou minha mãe.
— Ele está em segurança. Seria o último lugar onde eles procurariam. Mas, infelizmente, revirar o castelo não é a única forma deles conseguirem o que querem — Papai continuou.
— Não sabe o quão preocupados ficamos quando você e Kile não apareceram naquele abrigo, meu amor — Falou mamãe.
— E usar um de vocês para conseguir o que querem não seria problema para eles – Completou meu pai.
— Acha mesmo que seriam tão baixos? — Perguntei.
Meus pais se entreolharam mais uma vez, como se memórias e fatos recentes fossem expostos em uma conversa silenciosa.
— Querida, seus avós morreram em um ataque. Sua mãe e eu também quase fomos mortos naquele dia...
— E Aspen nos contou o que aconteceu com você e Kile ontem. Com detalhes — disse mamãe.
Arregalei os olhos ao ouvir tais palavras. “Com detalhes”. Eles sabiam. Mamãe e papai sabiam que quase perdi a vida para protegê-lo.
— Você o ama não é, querida? Encontrou a pessoa certa para você, não foi? Não fazemos isso por alguém a toa. É um verdadeiro e um dos mais bonitos atos de amor que pode se fazer a uma pessoa — Falou mamãe e, embora acariciasse meu rosto, era possível perceber que a última parte se dirigia mais a papai do que a mim, o qual ofereceu-lhe um sorriso tímido, seguida por uma troca de olhares intensa entre os dois.
— Sabem que eu ainda estou aqui, não é? — Perguntei, tentando chamar a atenção do casal.
— Sabemos, meu amor. Mas você e Kile também não pareceram se incomodar com um cômodo cheio quando agiram da mesma maneira hoje no café, ainda mais depois do que deve ter acontecido entre vocês naquele abrigo... — Respondeu papai suprimindo o riso.
Não é difícil de imaginar qual foi a minha reação naquele momento. Meus olhos quase saltaram das órbitas, e tenho certeza que minhas bochechas adquiriram um acentuado tom de vermelho.
— Pai! Eu não acredito que você está insinuando que... — Não consegui nem ao menos completar a frase.
— Não somos tontos, querida. Sabemos que esse tipo de coisa poderia acontecer. Não podemos te culpar de nada, também já fomos jovens — Disse mamãe, rindo.
— O que quer dizer dizer com isso? — Perguntei.
Minha mãe se levantou, dando a volta na mesa, parando ao lado de meu pai e envolveu seu braço no dele, descansando a mão livre também em seu ombro. Ela olhou para ele, como se esperasse que ele concordasse com o que ela estava prestes a dizer. Papai apenas soltou uma risada, indicando que ela poderia continuar.
— Seu pai rasgou meu vestido uma vez, na época da Seleção... E só não aconteceu mais nada porque escutamos alguém no corredor.
— Ela só esqueceu de mencionar que um tempo antes ela tentou me seduzir.
— E você riu da minha cara!
— Foi fofo — Justificou ele, rindo e dando de ombros, o que acabou fazendo-a corar.
Não pude evitar sorrir ao ver aquilo. Era impressionante o quão rápido eles se perdiam um no outro, mesmo após vinte anos de casados. Geralmente, depois de todo esse tempo, a maioria dos casais começa a se desgastar, mas não meus pais. Certo, talvez eles eles não tenham mais o fôlego que um já tiveram quando em minha idade. Não era mais um amor desgovernado e sem freios como claramente um dia fora. Era um amor calmo, o qual os dois já sabiam lidar, porém igualmente intenso e infinito.
Também devo confessar que era um pouco estranho e ainda animador ouvir esse fragmento da história deles da época da Seleção de papai, mesmo porque ainda sabia tão pouco dessa fase.
— Enfim, eu acho que você entendeu onde queríamos chegar, meu amor — Disse mamãe, voltando os olhos para mim.
— Então Kile e eu não estamos com problemas? — Perguntei. Afinal, o que iria adiantar esconder o que eles certamente já sabiam?
— Querida — Falou papai, dando a volta em sua mesa e agachando-se ao lado de minha cadeira — Me responda uma coisa. Com sinceridade, tudo bem?
Eu apenas acenei com a cabeça, à espera do que viria.
— Você o ama? De verdade? — Questionou olhando bem em meus olhos.
— Nunca pensei que isso fosse acontecer, ainda mais com o Kile — Ri comigo mesma — Mas sim, eu o amo. Mais que tudo.
Meu pai sorriu — E ele retribui?
— Kile recusou a oportunidade de ir estudar arquitetura e de, consequentemente, sair do palácio — Papai acenou com a cabeça, sorrindo. Não era segredo para nenhum de nós o quanto Kile queria uma oportunidade como essa, de viver seu sonho. Saber deste gesto, sem dúvida, era a maior prova que qualquer um de nós poderia ter.
— Então, meu amor. Não há nada de errado com o que vocês fizeram — Respondeu papai, enquanto acariciava meu rosto — Só tenham consciência de que não é a melhor hora para nos dar netinhos, certo?
— Pai! — Exclamei, e desta vez, nenhum de nós fora capaz de conter o riso — Uma vez que estamos falando da Seleção, o que acham que devo fazer? — Finalmente perguntei.
— Pelo o que percebemos, já temos um vencedor. Você poderia encerrar quando quisesse, entretanto, talvez seja exatamente isso que estejam esperando, fora que mandá-los embora agora poderia ser perigoso — Argumentou mamãe.
— A Seleção de vocês não foi em meio à ataques? — Perguntei.
— Sim querida, porém não sabemos o tamanho da força desses novos rebeldes. Um ataque assim não acontecia há anos. Nós já sabíamos de sua existência, mas não do tamanho de sua extensão ou de sua força, e é importante ter em mente que desta vez eles contam com o apoio de antigos Dois os quais ainda são contra a abolição das casta — Rebateu minha mãe mais uma vez.
— Sua mãe está certa. Mesmo naquela época mandávamos guardas para proteger as famílias... Sem falar que já temos apenas cinco garotos. Cortar quatro de uma vez seria brusco, e você se lembra de como todos reagiram da última vez que fez um corte grande — Disse meu pai.
— Sim... Mas acha que seria uma boa ideia? Digo, colocar guardas para proteger as famílias? — Perguntei.
— Creio que sim, mas de uma forma discreta... Acredito que seria uma boa ideia falar com Aspen a respeito disso tudo – Papai respondeu.
E foi bem nesse momento que duas fortes batidas soaram a porta.
— Falando nele... — Disse mamãe.
— Está aberta, Aspen — Completou meu pai.
— Majestades, Alteza — Cumprimentou o general assim que abriu a porta.
— Bom que está aqui. Estávamos prestes a te chamar... Como está tudo? — continuou o rei.
— Por agora está tudo em perfeita ordem. Todos os abrigos foram esvaziados e temos poucos feridos. Eles definitivamente não vieram para machucar ninguém, mas não significa que não o fariam se tivessem a chance — Constatou, voltando o discretamente olhar para mim.
— Então eles podem mesmo estar atrás dos diários? — Perguntei.
— Não haveria outra razão para eles invadirem o palácio — Respondeu Aspen — Eles querem o poder, todavia, pretendem fazer isso da maneira mais inteligente possível.
— Vocês tem algo em mente? — Perguntei.
— Acredito que seria uma boa ideia contatar nossos aliados, como a Itália e a França. Comunicar August também seria uma boa ideia. — Continuou General Leger
— Não creio que Daphne gostaria de se envolver em algo assim — Argumentou Papai.
— Aspen está certo, pai. Ahren é o próximo príncipe consorte. Negar ajuda seria deslealdade – Disse.
— Eadlyn tem razão. Ela não faria isso — Concordou a rainha.
— Como faríamos isso? Quer dizer, não é uma coisa que se possa conversar por telefone – Constatei.
— Faremos uma festa. Estamos no meio da Seleção e não temos um baile há algum tempo. Seria a desculpa perfeita — Concluiu minha mãe.
— Quando? — Perguntei.
— O mais rápido possível, de preferência — Suspirou meu pai.
— Ah, pai. O que faremos a respeito dos selecionados? — Perguntei
— Aspen, acha que seria proveitoso mandar alguns guardas para ficar de olho na família dos meninos? — Perguntou papai voltando a atenção para o General.
— Sim, no entanto é melhor que sejamos cautelosos... — Respondeu.
— Certo. O melhor é que nem mesmo eles saibam... — Concordou papai.
— Então eles irão à paisana... Quando pode organizar isso, Aspen? -Completou mamãe.
— Quando você, Maxon e Eadlyn acharem necessário – Disse.
— Poderia providenciar isso agora? Por favor? Não quero ninguém se machucando por conta de toda essa confusão – Respondi.
— Tudo bem... Passarei por aqui mais tarde caso tenha mais informações. Majestades, Alteza — Despediu-se, saindo da sala.
— O que faremos agora? — Perguntei para meus pais.
— Agora nós contatamos nossos aliados... E tentaremos voltamos para nossa rotina — Concluiu papai.
— Então eu acho que vou para o meu escritório e começar de onde eu parei ontem. Vejo vocês mais tarde! — Falei, já seguindo até a porta.
— Até, querida — Soaram as vozes de ambos um pouco antes da porta se fechar.
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