Perdoe minha inocência
1 A princesa que usa azul
29 de Janeiro, 1892
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DAISY
Dia nublado, não muito diferente dos demais, afinal, a Inglaterra é conhecida pelos seus tristes dias, sem sol, parecendo que os céus estão magoados com as pessoas; bem, se ele visualiza todas as atrocidades desse país, não é de surpreender que ficasse chateado e horrorizado.
Abraço-me e dou algumas esfregadas por conta do frio; minha respiração estava dificultada por conta desse clima tão maravilhoso, que nos obriga a vestir um milhão de camadas de roupas e ainda sentir-se congelando.
Tenho vontade de ir para um local mais quentinho, com uma brisa do mar levantando meus cabelos. Mas não irei fugir para lugar algum, por mais que ninguém acredite, penso sim no bem da nação; não irei abandonar meu posto tão facilmente.
Joseph — meu mordomo — deixou-me em frente à Mansão Phamtomhive, a meu pedido, óbvio, se dependesse do mesmo, iria me seguir até o infinito, o que não me agrada. Entendo que o trabalho dele é esse, e que devido aos ocorridos, certamente teria de ser mais cuidadoso, entretanto, ainda consigo me virar sozinha.
De alguma forma, veio-me à mente uma história que ouvi hoje de manhã de uma criada, quando ajeitava meu espartilho, ela dizia que o herdeiro dos Phamtomhive, quando mais jovem, era uma criança mimada e birrenta querendo ser adulto. Meu noivo também não comentou coisas muito agradáveis a respeito do Conde, todavia, resolvi não confiar muito nesses boatos, afinal, Earl não é a pessoa mais amigável do mundo, embora seu sorriso fosse extremamente simpático.
Earl saiu em missão em outro país, Noruega, às ordens da Rainha. Prometeu-me escrever uma carta assim que chegasse, e eu retornarei. Espero que não fique muito tempo fora, senão, irei ficar bastante sentimental.
A grama do jardim da propriedade parece haver sido podada milimetricamene. Pergunto-me se há flores. Caso sim, devem ser exuberantes e cheirosas.
Não preciso nem bater à porta gigante de madeira pinheiro, o proprietário e seus criados já me esperavam na escadaria. Nitidamente percebo os olhos interessados em mim, o dono desse olhar curioso é um garoto loiro, com duas presilha no cabelo.
Particularmente, catálogo o garoto não tendo mais de vinte anos, talvez um pouco mais velho que o Conde, porém, nada tão exagerado, afinal, seu rosto tinha traços jovens e delicados, mesmo para um menino. É bonito, uma beleza um tanto comum, entretanto, não deixa de chamar atenção.
Ao lado do garoto, uma criada com óculos grandes demais para o seu rosto, cabelos ruivos presos em um coque, típico de empregada. De algum jeito, exalava simpatia e meiguice.
Mais adiante, um adulto loiro com avental de cozinheiro com algumas manchas, que pareciam ter sido esfregadas para sair, mas eram mais fortes que qualquer sabão. Parecia morder um cigarro apagado. Tinha um ar de durão.
Um senhor idoso, com um porte físico muito bom em comparação com sua idade. Cabelos brancos e óculos dando-lhe uma aparência fina. Seu olhar confessava experiência, o modo como me observava andar não mostrava qualquer surpresa em relação aos outros. Um sorriso em seus lábios indicava gentileza.
Um rapaz, não muito velho, nem muito novo com rosto melancólico, algumas cicatrizes em seu rostos e olhos perigosos, semelhantes a de uma cobra, olhos amendoados. Cabelos brancos bagunçados. Tinha uma beleza própria dele. Seus lábios estavam entreabertos, curiosos, embora seu rosto fosse apático à minha chegada.
Outro homem com estética de tirar o fôlego de qualquer dama, cabelos negros e lisos despenteados, pele pálida, olhos castanhos-avermelhados, bastante apaixonantes. Quantas mulheres já devem ter deitado em sua cama? Mesmo cega consigo ver seu sorriso falso.
E, por fim, o dono da propriedade, o herdeiro dos Phamtomhive, Ciel. Já tinha o visto em uma notícia de jornal, contudo, foi há tempos. A criança de quem murmuravam contra se tornou um homem elegante, olhos azuis-petróleos penetrantes. O sorriso revelava interesse sobre mim, e admito que gostei. A marquesa deve cair de amores perante ele.
Ao chegar menos de cinco metros de distância, o Conde resolveu se pronunciar:
— Princesa Victoria, que honra vê-la — ele faz uma reverência e volta com um sorriso cortês. Todos os criados também se reverenciam — Devo confessar minha preocupação com tua vinda à minha casa. Não é todo dia que princesas vem me visitar. — ironiza.
— Conde, não precisas de tanta formalidade e cortesia — subo os degraus até alcançá-lo — E não me chames de Victoria. Parece que estás se dirigindo à minha mãe.
Ele parece ofendido.
— Nunca ousei usar uma linguagem tão íntima com a Rainha — defende e ignoro seu comentário — Então... Princesa, o que a traz aqui?
Analiso-o de cima a baixo, sem me preocupar em disfarçar meu desgosto. É diferente de quem eu imaginava, mesmo tendo visto uma fotografia sua antes, iludia-me criando a imagem de um homem que expirava maldade, porém, Ciel era só um jovem comum. O modo como agia tranquilo, sem nada o incomodando, fez-me querer arranhá-lo de tanta raiva; como ainda não posso realizar tal desejo, contento-me em apenas o provocar.
— Tu és mesmo o cachorrinho da mamãe?
— E a senhorita é mesmo a filha esquecida da Rainha? — rebate.
Isso dá preocupação a todos, ninguém teria coragem de tocar nesse ponto. Devo tê-lo irritado muito ao dizer sua alcunha.
A filha esquecida da Rainha. Pois bem, essa sou eu. Aquela que nunca é mencionada nos jornais, aquela de quem todos acham estranha, aquela de quem todos esquecem. Nem mesmo a própria mãe fala.
Essa sou eu. A ovelha negra da família Real.
x-x
CIEL
Recebi uma carta, não muito tempo atrás falando sobre a vinda da filha da Rainha. Foi entregue pelo próprio John Brown, secretário da Rainha. Nela estava escrito com a caligrafia da Princesa que iria me fazer uma visita dia 23 de dezembro. Estranhei isso no momento em que meus olhos percorreram o "Ansiosamente, Daisy", que tipo de princesa faz isso?
Desde então, Sebastian treinou todos para estarem à altura de receber uma visita tão especial. Até mesmo eu fui treinado; meu mordomo me fez rever todas as normas da etiqueta e formalidades.
Uma parte de mim estava ansiosa pela vinda da Princesa, visto que, nunca tínhamos sido apresentados e só a vi em uma fotografia em péssimo estado, aproximadamente uns três anos atrás, mostrada pelo seu noivo.
Elizabeth havia inventado uma festa de páscoa aqui na Mansão, com várias pessoas — a maioria nem haviam sido convidadas -, depois de todo o alvoroço pela caça ao ovo, estávamos sentados conversando.
" — Ciel, é a primeira que vejo tua noiva, não é? — indaga Gray, mesmo já sabendo da resposta.
— É sim! — responde Lizzy animada- O Conde também tens uma noiva, a filha da rainha. Como era mesmo o nome dela? — e põe a mão no queixo e levanta os olhos pensativa — Hm... — parece ter se lembrando e bate uma palma - Victoria II!
— É Daisy. Ela não gosta quando a chamem de Victoria — diz e dá um sorriso, porém, este era diferente dos demais, era bobo, como se estivesse encantado à simples menção de seu nome. Enfeitiçado. — A mais bela, a mais ousada, a mais esperta de todas as damas. Agradeço tanto à Rainha por dar-me a honra de ter a mão de Daisy.
— Oh! Tu pareces tão apaixonado por ela. — Lizzy dá um sorrisinho compreensivo.
— E sou — emenda Gray — Sou louco de amores por Daisy.
Os dois ficam conversando um bom tempo. Finalmente Elizabeth havia encontrado alguém romântico o suficiente para terem uma conversa. Pondero se posso ou não confiar nos elogios de Gray, nunca vi a filha da Rainha. Que estranho. Parando para pensar, ela nunca vai aos bailes, nunca é noticiada, nem mesmo a Rainha a menina em suas cartas.
Nunca vi sua face.
— Tens uma foto dela para me mostrar? — pergunto a Gray.
— OH! CIEL, POR QUE QUERES VER A FOTOGRAFIA DE OUTRA MULHER?! — explode Lizzy, com ciúmes exagerados, atraindo a atenção de todos no salão, inclusive de seu irmão que me lança um fulminante.
— Acalme-te, Lizzy — coloco a mão na boca dela, forçando a ficar calada. Ela ainda tenta dizer mais coisas, contudo, só ouvimos "hum". — Só tive curiosidade, afinal, nunca a vi.
— Aqui — diz Gray estendendo uma foto dobrada várias vezes para caber no bolso de seu paletó. Seu olhar era vazio, como se não ligasse em mostrar a noiva para outros. — Não a danifique, ou eu te matarei.
Quis dizer que era impossível danificar mais do que aquele estado, mas me contive.
Deixo a Lady de mão e pego a fotografia, examinando todos os aspectos dela. Papel ainda branco, isso significa que é recente. Mostrava uma garota com longos cabelos presos em duas tranças, sorriso enorme. Estava na frente de um jardim com lindas flores, trajava um vestido simples, que, na foto, parecia de tom claro.
É bonita até mesmo em preto e branco.
Devolvi a foto e agi normalmente. Todavia, ninguém nunca soube que sonhei com Victoria II aquela noite, a conheci na minha imaginação.
Vislumbrei seus cabelos azuis ao longe quando caminha sobre o chão, caminhava não, flutuava sobre ele. Essa seria uma melhor descrição de seu movimento. Parecia um anjo que anunciaria que o arrebatamento estava próximo, vestido esvoaçante enquanto flutuava, azul escuro. As mechas de sua franja estavam prendidas em um coque com trança na parte de trás de sua cabeça, com algumas menores caindo-lhe sobre o rosto, dando um charme a mais.
A Princesa chamava atenção de longe. Certeza de que sempre arrancava olhares de todos, mesmo sem querer. Sua excentricidade a denunciaria mesmo a centenas de quilômetros. Seus olhos também azuis claros, lembravam-me a brisa do verão, a maresia do final da tarde. A suavidade de um dia feliz.
A voz era delicada e esperta, sempre sabendo sobre o que está falando. Enganando todos, pois falava como se conhecesse nossos segredos mais profundos e vergonhos, gargalhando deles.
Seu sorriso demonstra ser a única coisa que mudou da fotografia de anos atrás para agora. Ainda parece ser o mesmo riso inocente; seu sorriso parecia conter todos os momentos esquecidos de felicidade e revela-se todos naqueles dentes alvos.
— Sou essa mesma — diz sorrindo, como se acabasse de lhe contar uma piada. Ela deve ter algum parentesco com o Undertaker. — Confesso que sempre tive curiosidade em conhecer o cão de guarda que a Scotland Yard tanto fala.
— Falam maldosamente. Eles me odeiam. — defendo.
— Tu limpas a sujeira da mamãe, resolvendo casos como Jack, o estripador. Ou aquele do circo — consigo ouvir Snake batendo o pé. Era a "família" dele aquele circo, e todos foram mortos, a meu comando — A Rainha não tem te dado nenhum dever novo?
Devo respondê-la? As ordens que a Rainha me pede para fazer são devem ser guardadas em sigilo. Erradicar, é isso o que faço, o trabalho sujo da mãe da nação.
— Nenhuma nesses últimos meses — decido responder, algo na voz da Princesa me faz ter uma certa confiança nela, embora tudo a seu respeito seja duvidoso. E era verdade. A Rainha não me pedia nada há meses, aproximadamente uns três ou quatro. Já estava entediado de minhas atividades diárias.
— A causa disso tudo sou eu — seu sorriso aumenta de uma forma espantosa, quase de orelha a orelha — Homens maus fizeram coisas más comigo. E você me ajudará a causar um sumiço das almas deles dessa vida.
Notas finais
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AVISO:
??’Não possuo Kuroshitsuji, apenas brinco com os personagens e enredo;
??’Dou toda autoria ao criador;
??’Essa história irei usar personagens do MANGÁ, sim. Como o Earl Charles, personagem que encontrei no MANGÁ. Não terminei de assistir o anime, só li o MANGÁ.
??’Imaginem Daisy como preferirem. Particularmente eu sempre a imagino como a Hatsune Miku.
Até mais :)
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