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Annabeth rebolava ao som de Going to Hell na festa dos Stolls. A loira já ouvira falar das festas dos gêmeos -que não eram realmente gêmeos mas agiam como tais- mas nunca fora em nenhuma, apesar de todas ela receber pessoalmente os convites.

A verdade era que Annabeth não curtia muito festas e também bem lá no fundo, não queria encontrar ele, mas sua amiga (melhor amiga) ameaçou pintar seu cabelo de azul-celeste se ela não fosse. Sendo assim teve que ir, já que aprendeu a nunca duvidar da Punk.

Voltando à festa... A loira sentia pessoas tocar-lhe, mas não deu atenção ao assunto e continuou dançando enquanto mexia os quadris, fazendo vários garotos irem à loucura. Entre eles havia o mais improvável (ou nem tanto): Percy Jackson.

Moreno de olhos tão verdes que parecem duas esmeraldas, olhos estes que causam arrepios a qualquer um que se atreva a olhá-los diretamente. Cabelos pretos como piche, corpo definido por causa da natação que faz desde os 12 anos. E sempre usando preto, dos tênis às cuecas.

Ninguém além de seus amigos -os mais íntimos- sabia algo sobre seu passado, no qual ele odiava falar. Percy e Annabeth nunca mais se falaram depois que ambos passaram o verão juntos em uma praia em Cancun com seus pais quando tinham 15 anos, o que é estranho já que fazem parte do mesmo grupo de amigos e que os dois eram melhores amigos, o porquê, ninguém sabia. Mas eles sabiam.

O moreno olhava intensamente a loira dançando, desta vez, a musica era Factory Girl. Os cabelos loiros estavam soltos, vestia uma simples blusa preta caída nos ombros com os dizerem Help, She’s Bitch, um short curto com tachinhas e lavagem clara, e para finalizar uma sapatilha com strass da mesma cor que a blusa. Assim, simples, sem maquiagem alguma. A loira poderia ser facilmente considerada a mais bonita da festa, deixando no chinelo essas patricinhas de salto e maquiagem que mais poderiam ser confundidas com o carnaval no Rio de Janeiro, ou até mesmo, essas vadias que usam blusas extremamente decotadas e sem um pingo de vergonha na cara.

Annabeth sentiu que estava sendo observada, e não, não eram os garotos em sua volta que a fazia sentir isso, ela olhou para os lados e olhou para um canto mais escuro do lugar, e viu ele, ali a observando, como se fosse um caçador louco para prender sua presa. Ela deveria estar com medo, mas não estava, tanto que teve a coragem de se dirigir a ele, olhando fixamente em seus olhos esmeraldinos.

E então, estavam frente a frente, e parecia que a festa não estava bombando à sua volta, parecia que o espaço não existia, parecia que o espaço era de mais. Verde no cinza, cinza no verde.

Nenhum moveu algum músculo para falar algo, e parecia que não falariam, por isso, seus corpos manifestaram-se por si.

Seus lábios se encontraram, e o mundo explodiu. O beijo não foi calmo e muito menos carinhoso, era quente, era urgente, era selvagem, parecia que estavam lutando de um jeito muito sensual. Quando finalmente lembraram de que tinham um pulmão, pararam o beijo.

— A gente tinha só 15 anos, já faz cinco anos que isso aconteceu. – Percy foi o primeiro a se manifestar, após dois longos minutos apenas encarando-se. A garota olhou nos seus olhos, ela podia ver o quão desesperado ele estava.

— Você sabia que eu era apaixonada por você, e mesmo assim fez o que fez. – Ela falou com amargura na voz, tentou se afastar, mas o garoto não deixou e a segurou mais forte pela cintura.

— Era? – ele perguntou com um sorriso torto. –Pois ainda sou... Apaixonado por você é claro. Veja ela, — ele apontou para a garota ruiva que dançava com dois garotos, parecia que eles transariam ali mesmo. – se humilhando. Se você soubesse o quão arrependido eu estou por ter te abandonado para ficar com aquilo. — Ele disse a ultima palavra com nojo na voz.

— Como você disse, tínhamos 15 anos, faz cinco anos, por isso... – Ela não terminou a frase, pois o moreno capturou seus lábios antes disso.

— Já temos 20 agora, somos adultos, e ficar nesse olha e desvia não dá. Eu sou completamente louco por você, e preciso te ter comigo. Eu errei isso eu sei então eu peço que perdoe... Por favor Annie... – Percy, Percy Jackson o cara mais fechado e gélido de toda a universidade Yale, estava fazendo a coisa que ele sempre jurou de pé junto nunca fazer: Implorar para uma garota.

Mas esta não é “uma garota” ela é “a garota”, a garota que ele foi burro o bastante para magoar.

Annabeth sabia que ele estava falando a verdade, e também sabia que se negasse mais uma vez, quem saíria machucada era ela. Seu coração iria sair machucado, sua alma, e sua vida.

Ela não podia deixar o cara que ela mais amou sair de sua vida, agora definitivamente, ela tinha que fazer algo, ela tinha que falar algo, ela não podia ficar ali parada olhando para ele.

Mas tem outro lado nisso: ela já foi magoada por ele uma vez, e tem medo que isso aconteça novamente, ela conseguiu sair do buraco em que esteve depois daquele verão, e não queria entrar nele novamente. Annabeth sabia a dor que sentiu e não queria sentir novamente.

Percy esperava ela falar algo, seu rosto estava duro, como se estive pronto para qualquer coisa ruim que ela diria.

Ele sabia que ela o amava, mas sabia também que ela tinha medo... Medo de se machucar novamente.

As pessoas a sua volta, devagar começavam a notar o que acontecia, estavam todos olhando para eles, afinal... A última vez que os dois foram vistos conversando, foi á cinco anos. Tirando o fato que eram os reis da “monarquia” universitária, é realmente algo importante e notável.

Os dois sentiram-se desconfortáveis e saíram da festa, precisavam de silêncio para resolverem seus assuntos, pois em uma festa com adolescentes bêbados não seria o lugar mais apropriado. Caminharam o bastante até chegar à praia, em canto mais isolado do barulho, o lugar em que a mente deles estaria livre o suficiente para pensar.

O pedido do Jackson ainda pairava no ar, esperando para ser respondido, esperando para dar o próximo passo, ou ficaria ou iria de uma vez... Mesmo não tendo certeza se conseguiria fazer a segunda opção.

Não mudaria em nada, a resposta que a Chase daria, o sentimento seria o mesmo, para sempre. Nada naquele verão a fez sentir menos do que sentia, talvez, só talvez, raiva. Mas os dias passaram-se, semanas, meses... E aí foram cinco anos, ela já não nutria a raiva somente a saudade e a magoa.

Durante todos esses anos, ela o via ali, frente a frente dela, conseguia a ver a dor em seus olhos, mas se negava a acreditar que fosse por ela até porque, ele não pensou duas vezes antes de traí-la apenas uma semana depois de pedi-la em namoro. Ele não pensou na dor que a causaria... Ele não pensou em nada, a não ser em satisfazer o seu estúpido e egoísta desejo carnal.

—Naquele verão Perseus, você tirou meu céu, mas eu aprendi a voar, você quebrou meu coração, mas eu esculpi outro no gelo mais forte e resistente, naquele verão você me fez chorar rios, mas eu superei e sorri mares... Mas vocêvtambém me fez feliz desde que me conheço por gente, me fez me sentir a pessoa mais especial do planeta mesmo que fosse por uns instantes, e isso eu quero te agradecer, não só a você, mas a ela também, pois vocês me fizeram amadurecer e fortalecer minha armadura, eu fiquei forte depois que vocês me quebraram... Eu cresci depois que vocês me fizeram ficar tão pequena... Por vocês eu encontrei outro caminho fora do meu mundinho colorido, e esse caminho foi o melhor para mim porque ele me levou para onde eu deveria ir, ele me levou para mim mesma.

Percy não sabia o que falar, não sabia o que fazer. Ele sentia-se envergonhado, sentia-se tão pequeno... Ele não tinha ideia que havia feito tanto mal a ela, quer dizer, talvez ele soubesse... Ele sabia do que se passava consigo, durante todo o tempo. Ele viu sua alma ser tirada de si quando ela simplesmente viu a cena e falou “espero que tenha valido a pena”, ele achou que se ela tivesse batido com uma barra de ferro nele seria menos doloroso do que o olhar duro, triste e decepcionado que ela o lançou... Ele se torturou lembrando-se de todos os anos de amizade deles, do sorriso dela, dos conselhos que ela lhe dava, do jeito que ela ficava concentrada quando estava lendo, do primeiro beijo deles... Ele ficou no chão, teve ódio de si mesmo por ter sido tão idiota a ponto de cair nas mãos de uma perdida, teve ódio de si mesmo por acabar com algo que poderia ter sido lindo... Ódio de acabar com algo que seria com ela.

Ele era obrigado a ver o sorriso dela todos os dias, ver os olhos que ele tanto amava lhes dizerem “Eu passei por cima” e realmente ele achou justo ela sorrir com se não se importasse , achou justo ela o ignorar como se ele fosse um nada. Na verdade ele merecia tudo, e muito mais.

—Me desculpe, Annie de verdade. –Incrível a capacidade que aquele Cabeça de Algas tinha para piorar as coisas, ela não queria suas desculpas já havia ouvido todas e decorado-as não era necessário mais uma para a coleção. Por que ele simplesmente não poderia ter falado o que sentia? Era isso que ela queria, não a porra das suas desculpas.

— Eu acho melhor nós pararmos aqui, como vamos recomeçar algo se você não consegue ao menos dizer o que sente por mim.- Annabeth não elevou a voz em momento algum, mas nela havia dor, ressentimento e lágrimas que não eram derramadas, a dor de um amor e umas das mais insuportáveis, até o momento que já não é mais lembrada. A Chase ansiava por esse momento de esquecimento por cinco anos...

O pouco de esperança que havia na garota ia se esvaindo, saindo de sua alma, a deixando sozinha apenas com a dor. Percy olhava desolado, talvez ela estivesse certa, não, talvez não, ela está completamente certa. A covardia o impediu de dizer antes o que sentia, mas não iria deixar se dominar novamente, não iria deixar o seu coração quebrar novamente por sua própria estupidez.

Em um fôlego, juntando todos os anos de coragem que havia armazenada em seu ser, mas que jamais havia sido usada, ele disse:

— Eu te amo.

Foi suave, foi bruto; foi fraco, foi forte; foi alto, foi ensurdecedor... Foi uma mistura de tudo ouvir aquelas três palavras, que inconscientemente fizeram o coração bater tão rápido e forte que por um momento, Annabeth achou que seu peito fosse rasgar. Aquilo estava sendo tão mágico... que era quase como surreal.

O moreno ficou aflito, o silêncio não estava sendo agradável para ele, era quase como uma tortura, tortura lenta e dolorosa. Ele sentia que perdendo-a novamente, sentia ela o deixando, como ele havia feito anos atrás, ele sabia, não poderia cobrar nada dela.

Mas então, quando seu coração se apagou, seus olhos molharam, e sua esperança e coragem haviam dissípado, o que tanto era necessário para ele aconteceu.

— Fica comigo, Percy.

Fim.

Notas finais
O que acharam? =)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!