Perdição
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Sonho 9: O elevador da SMG é metálico, frio e silencioso. Mas entre o 20º e o 21º andar, o mundo para. Ethan aperta o botão de emergência, não para pedir ajuda, mas para garantir privacidade. Ele me prensa contra o espelho, as mãos grandes circulando minha cintura com uma possessividade que me faz esquecer meu próprio nome. "Você esqueceu algo hoje, Sara?", ele sussurra enquanto sua mão sobe pela minha coxa, descobrindo que não há nenhuma barreira de renda entre ele e o que ele deseja. "Uma falha de segurança imperdoável... que eu terei que punir."

Eu estava vibrante.
Ethan queria cor? Ele ganhou um vestido envelope vermelho-sangue que abraçava cada curva do meu corpo como se tivesse sido costurado na minha pele.
Eu sempre soube que o vermelho era uma escolha perigosa, mas hoje, parecia uma declaração de guerra.
O tecido de seda carmim não apenas vestia meu corpo; ele parecia fundir-se à minha pele negra de tom claro, criando um contraste que beirava o magnético. Sob a luz quente, minha pele ganhava um brilho dourado, como se o vermelho do vestido estivesse puxando para a superfície todo o calor que eu tentava esconder.
Era uma combinação obscena de elegância e luxúria.
Onde o tecido terminava e minhas pernas ou ombros começavam, a cor parecia saltar. O mel da minha pele tornava o vermelho mais profundo, mais vivo, enquanto o vestido devolvia o favor, fazendo meu tom de pele parecer acetinado, impecável e (o que era mais preocupante) absurdamente convidativo ao toque.
Passei a mão pelo quadril, observando como meus dedos, de unhas curtas e limpas, se destacavam contra a seda. Eu parecia uma pintura de cores quentes, um estudo de sombras e luzes onde os olhos castanhos e o cabelo escuro serviam apenas como moldura para aquele embate entre o carmim e o dourado da minha pele.
Eu não era apenas Sara Mason, a funcionária de currículo impecável. Naquele reflexo, eu era a mulher que poderia fazer um homem como Ethan Stern esquecer todos os seus protocolos de conduta.
Eu parecia o tipo de tentação que não se ignora. Eu parecia o tipo de erro que se comete com um sorriso no rosto. Saltos agulha pretos e um batom tão escuro que parecia um aviso de perigo.
E eu não estava usando calcinha.
A sensação do tecido de seda roçando contra a minha intimidade a cada passo era um lembrete constante da minha própria audácia (ou da minha loucura).
Eu estava vivendo o meu próprio roteiro, testando os limites da realidade.
As portas do elevador se abriram. Ele estava lá dentro. Sozinho.
Ethan parecia ter saído de um anúncio da Vogue Hommes. Terno cinza chumbo, camisa preta e nenhum sinal de gravata. Quando ele me viu, seus olhos azuis fizeram um escaneamento lento, partindo dos meus sapatos, subindo pelas minhas pernas, demorando-se no decote em V e parando na minha boca.
As portas começaram a se fechar no instante em que entrei, e por um segundo absurdo tive vontade de apertar o botão de emergência eu mesma e pedir exoneração da minha própria sanidade mental.
— Bom dia, Srta. Mason — disse ele. A voz era tão profunda que jurei sentir o metal sob meus pés vibrar em resposta. — Vejo que levou meu conselho a sério. Vibrante é pouco. Você está... incandescente.
O elevador ainda estava no térreo, mas minha pressão arterial já tinha subido uns quarenta andares. Forcei meus ombros a relaxarem, uma luta perdida contra a gravidade do olhar dele.
— Bom dia, Sr. Stern. Achei que o senhor gostaria de algo mais vibrante.
O canto da boca dele subiu devagar.
— Achei que você não aceitava ordens pessoais minhas.
— Não aceito — respondi, sustentando o olhar mais por teimosia do que por coragem. — Considere uma coincidência estética.
O visor começou a marcar os andares: 5... 8... 12...
— Hm. O perfume cítrico de novo? — ele perguntou. Ele não se virou, mas o som da inspiração profunda dele pareceu roubar todo o oxigênio do espaço.
Aquele "hm" deveria ser considerado assédio psicológico.
— É o meu favorito — minha voz saiu um pouco mais rouca do que eu pretendia.
— É marcante. Fixa na pele. É difícil de esquecer — ele comentou, finalmente voltando os olhos azuis para mim. — Assim como certas... histórias.
Meu coração deu um solavanco. 16.. 17... 18...
Não pensa nisso.
Não pensa nisso.
NÃO pensa nisso.
Ethan deu um passo na minha direção. Somente um. Mas, naquele espaço reduzido, foi o suficiente para o cheiro de sândalo e poder invadir meus pulmões, expulsando qualquer resquício de racionalidade.
— Você parece nervosa hoje, Sara.
O uso do meu primeiro nome dentro daquela caixa metálica deveria ser ilegal em pelo menos quinze estados americanos e punível com prisão perpétua em outros cinco.
— Talvez eu esteja apenas preparada para mais uma crítica construtiva sobre o café, a tipografia ou a minha existência em geral — respondi, tentando manter a voz firme enquanto meu corpo protestava pela proximidade dele.
Ele soltou uma risada baixa pelo nariz. Foi um som curto, quente e carregado de uma masculinidade que parecia vibrar contra as paredes de metal.
— Sua existência não está em discussão hoje, Sara.
— Que alívio.
— Embora... — ele continuou. Seus olhos não deixaram meu reflexo no espelho, um contato visual indireto que parecia ainda mais íntimo. — Esse vestido esteja tornando extremamente difícil manter qualquer conversa profissional antes das oito da manhã.
Meu coração não apenas tropeçou; ele capotou violentamente.
Ethan Stern estava flertando. Não era uma provocação intelectual ou uma implicância de rotina. Era flerte. Puro, direto e descarado. Em plena luz corporativa do dia, dentro do território onde ele era o deus absoluto.
Meu estômago virou.
Não seja maluca.
Elevadores travam.
Elevadores normais.
Todo dia.
Não significa que o universo leu seu diário.
Não significa—
O visor marcou o 20º andar.
Ethan olhou para o painel por um segundo longo demais.
Então, sem desviar os olhos do meu reflexo no espelho, ele ergueu a mão e pressionou calmamente o botão vermelho de parada de emergência.
O elevador deu um tranco seco.
Meu corpo foi lançado contra o peito dele quando a cabine parou abruptamente entre os andares. As luzes principais se apagaram por um instante antes da iluminação âmbar de emergência assumir o espaço, tingindo o metal ao redor de nós com um brilho quente e perigoso.
Ficamos em silêncio. Eu podia ouvir a batida acelerada do meu coração.
Não.
Não.
NÃO.
Lentamente, muito lentamente, virei o rosto na direção do painel.
Entre o 20º e o 21º andar.
Exatamente.
Entre.
O.
20º.
E.
O.
21º.
Meu sangue gelou tão rápido que achei que fosse desmaiar. Não foi uma falha. Não foi o destino. Foi ele.
Muito devagar, Ethan tirou o dedo do botão e inclinou a cabeça na minha direção, observando cada reação no meu rosto como um homem admirando o efeito de um veneno raro.
— Agora temos privacidade.
Minha respiração falhou.
— Ethan... o que você fez?
O canto da boca dele subiu devagar. Não era um sorriso gentil. Era o sorriso de um homem que acabara de tomar uma decisão da qual não pretendia voltar atrás.
— O que eu queria fazer desde que você entrou nesse elevador usando esse vestido.
— O que você está fazendo? — perguntei. Minha voz falhou, saindo mais como um segredo do que como uma acusação.
— Garantindo que ninguém nos interrompa, Sara. — Ele se virou para mim. O espaço parecia ter encolhido. — Você parece nervosa. Onde está aquela confiança que o vermelho deveria te dar?
Ele deu um passo à frente. Eu recuei até que minhas costas batessem no espelho frio.
— É só o susto — menti.
— Ou talvez seja a expectativa.
Ethan colocou as duas mãos na minha cintura. Seus dedos apertaram o cetim vermelho com uma precisão assustadora, exatamente no ponto onde eu tinha escrito que ele me seguraria. Ele me puxou para mais perto, eliminando qualquer vestígio de ar entre nós.
— Sabe, eu tive um pensamento estranho agora há pouco — ele murmurou.
— Pensamentos... podem ser perigosos — sussurrei. O calor do corpo dele era como uma febre contra o meu vestido.
— Muito perigosos. — Ele se inclinou. O nariz dele roçou a pele sensível do meu pescoço, e o cheiro de sândalo e pele limpa nublou meu raciocínio. — Eu pensei: será que a Srta. Mason é tão cuidadosa com os detalhes da sua vestimenta quanto é com os seus roteiros? Ou será que, na pressa de ser vibrante, ela acabou esquecendo... de alguma peça fundamental?
Minha respiração parou.
O mundo parou.
Ele sabia.
Não era mais uma suspeita, era uma execução.
A mão dele deslizou da minha cintura para a minha coxa. O toque dele era firme, deliberado, subindo lentamente pelo cetim carmim com a confiança de quem já conhece o caminho por tê-lo lido mil vezes.
— Ethan... — O nome dele saiu como um gemido de súplica.
— Diga-me, Sara — ele sussurrou contra a curva do meu pescoço, a respiração quente enviando choques elétricos por toda a minha espinha. A mão dele parou ali, a milímetros da borda do meu segredo, exercendo uma pressão que era puro domínio. — O que acontece na sua cabeça quando as luzes se apagam e você fica sozinha com seus desejos? É algo parecido com isso?
Meu cérebro simplesmente desistiu de lutar. A lógica foi incinerada. Porque aquilo não era mais uma coincidência cósmica; era uma emboscada.
Cada palavra dele.
Cada movimento.
Cada maldito detalhe.
Era o Sonho 9 ganhando carne, osso e um perfume de absurdamente caro.
A mão de Ethan permaneceu ancorada na minha coxa, o calor atravessando o cetim fino como se o tecido nem existisse. Ele não subia. Não descia. Apenas mantinha aquele toque firme e possessivo como um homem perfeitamente consciente do estrago que estava causando.
E o pior: ele estava saboreando a minha reação. Seus olhos azuis, agora escuros como o oceano antes de uma tempestade, ergueram-se lentamente até os meus.
— Você não respondeu, Sara — ele insistiu. A voz era um sussurro rouco, rente ao meu ouvido, fazendo meu corpo inteiro vibrar.
Eu estava em chamas.
Se o elevador voltasse a funcionar agora, eu cairia no chão, porque minhas pernas tinham a consistência de gelatina derretida.
Eu queria responder alguma coisa inteligente, ácida e mordaz. Em vez disso, minha voz saiu pequena.
— Você está brincando com fogo.
O canto da boca dele subiu.
— Não. — O polegar dele pressionou minha cintura, um movimento lento e circular que me fez arquear as costas contra o espelho. — Acho que o fogo entrou neste elevador usando vermelho.
MEU DEUS.
A tensão entre nós ficou tão densa que parecia ocupar oxigênio físico. O elevador inteiro estava quente demais. Pequeno demais. Ethan Stern perto demais.
Ele inclinou a cabeça com uma lentidão calculada, observando as reações do meu rosto com uma atenção que beirava a crueldade. Ele estava a um centímetro de destruir o que restava da minha sanidade.
— Tem uma coisa que vem me deixando curioso há dias — confessou ele.
Perigo.
Perigo absoluto.
— Curioso é uma palavra perigosa saindo da sua boca.
— E você continua aqui, Sara. Mesmo sabendo disso.
Porque minhas pernas pararam de responder ao meu cérebro no momento em que você entrou no elevador, seu demônio corporativo.
Ele soltou um suspiro baixo, um som quase divertido que vibrou contra a minha pele antes de ele aproximar o rosto ainda mais. O nariz dele roçou levemente na minha bochecha, um contato tão casto e, ao mesmo tempo, tão devastador que senti cada poro do meu corpo se arrepiar em protesto e desejo.
— Você sempre reage assim quando eu chego perto? — disse ele, com um sorriso de canto que era puramente predatório. — Ou hoje é uma ocasião especial?
Meu coração martelava contra as costelas com uma força que eu tinha certeza de que ele podia sentir através do paletó cinza. Eu provavelmente já poderia ser estudada pela NASA como um fenômeno de combustão humana espontânea.
— Talvez você esteja se achando importante demais.
— Talvez você esteja tremendo demais para sustentar essa mentira.
Filho da puta.
Ethan se afastou apenas o suficiente para me prender com o olhar. O azul das íris dele havia escurecido tanto que parecia uma tempestade à meia-noite, profunda e engolidora. Ele não hesitou mais.
O choque térmico entre a palma quente dele e a minha pele gelada pelo pânico me fez arquear as costas violentamente contra o espelho frio. O contraste era um curto-circuito sensorial.
Fechei os olhos por um segundo. Erro fatal. No escuro das minhas pálpebras, o toque dele tornou-se a única coisa real no universo. Senti a respiração dele, pesada e quente, contra a curva do meu pescoço.
— Não faz isso — ele murmurou, a voz vibrando diretamente nos meus nervos.
— O quê? — Minha voz não passava de um sopro ruidoso que preenchia o silêncio do elevador.
— Não feche os olhos como se estivesse imaginando alguma coisa que eu ainda não fiz.
Minha pulsação tropeçou violentamente.
Ele sabia.
Ele sabia.
ELE SABIA.
Abri os olhos rápido demais, o pânico quebrando o transe, e encontrei Ethan me observando com uma intensidade quase silenciosa. Não havia deboche ali agora. Nem sarcasmo. Aquilo era infinitamente pior. Aquilo era fome pura
— Ethan, alguém pode... o interfone... — tentei articular, as palavras morrendo na minha boca.
— Eu sou o dono deste prédio, Sara. Ninguém entra aqui sem a minha permissão.
Ele puxou meu corpo contra o dele com uma força bruta, eliminando qualquer vestígio de ar ou espaço entre nós. O impacto me fez arfar. O volume da ereção dele pressionando firmemente contra o meu ventre era a prova definitiva de que aquilo não era um jogo de poder corporativo; ele estava sofrendo tanto quanto eu. Ele me desejava na mesma proporção caótica em que eu o desejava.
Ele não pediu permissão. Com a urgência de quem vinha se controlando há semanas, Ethan puxou a barra do meu vestido vermelho para cima. O tecido de cetim subiu pela minha coxa como um sussurro apressado, acumulando-se na minha cintura.
— Sara... — ele roçou o nome contra o meu pescoço, a voz mais rouca do que eu achei ser humanamente possível.
Ele se inclinou, a boca predatória descendo em direção à minha com uma urgência que me fez prender a respiração. Eu já estava pronta para o impacto, pronta para esquecer o mundo, quando ele travou a milímetros dos meus lábios.
Os olhos azuis dele desceram para a minha boca, fixando-se no vermelho-sangue impecável do meu batom, e um sorriso puramente sombrio e predatório subiu no canto de seus lábios. Ele soltou uma risada baixa, quente contra a minha pele, e se afastou o suficiente apenas para me olhar nos olhos.
— Não — ele sussurrou, a voz vibrando de forma perigosa. — Nós estamos no elevador da minha empresa, Mason. E eu não vou borrar esse batom perfeito. Quero que você saia daqui com a boca intacta, para que todo mundo olhe para o seu rosto e ninguém consiga adivinhar o que eu fiz com o resto do seu corpo.
Meu coração capotou. O nível de sadismo corporativo daquele homem deveria ser estudado.
— Ethan... — meu protesto morreu em um sopro ruidoso quando ele voltou a afundar o rosto no meu pescoço.
— O batom fica, Sara. Mas o resto... o resto é meu.
Ele deslizou os dedos para o topo da minha coxa, buscando a barreira de tecido de uma lingerie que simplesmente não existia. A mão dele travou por um milésimo de segundo ao encontrar apenas a minha pele nua, quente e absurdamente molhada.
Um vislumbre de surpresa misturada a um triunfo quase cruel cruzou os olhos dele. Eu tinha saído de casa sem calcinha para provocá-lo, e ele tinha acabado de descobrir.
— Você é uma caixinha de surpresas deliciosa, Sara — ele roçou os lábios na linha da minha mandíbula, sem tocar minha boca, enquanto seus dedos longos e firmes se afundavam de vez na minha intimidade.
Puta. Que. Pariu.
O choque térmico me fez arquear as costas violentamente contra o espelho frio. Tentei segurar o grito que subiu pela minha garganta, mordendo o próprio lábio inferior para não borrar a maldita maquiagem. Como não havia o abafador de um beijo, o cubículo de metal foi preenchido pelos meus suspiros agudos, curtos e desesperados.
Ethan moveu os dedos com uma precisão cirúrgica, ditando um ritmo rápido, possessivo, que me fez perder completamente o chão.
— Olha para mim — ele comandou entre dentes. — Quero ver o seu rosto.
Abri os olhos, a visão já embaçada pelas lágrimas de puro prazer. O reflexo de nós dois nos espelhos era obsceno: o homem intocável de Nova York, com a postura firme e os lábios limpos, me destruindo por baixo do cetim carmim enquanto meu tom de pele brilhava sob a luz âmbar. Meus quadris se moviam contra a mão dele de forma involuntária, buscando mais, implorando pelo fim daquela tortura.
— Você está tão molhada pra mim.
— Ethan... por favor...
Meu corpo inteiro ardia de desejo; eu sentia o rosto quente, a pele ruborizada, quase febril. A outra mão dele acariciando meus seios lentamente, tornando cada toque uma tortura deliciosa de tão sensíveis que estavam.
— Quero ver o que você vai escrever no diário hoje — ele sussurrou, aumentando a pressão exatamente onde importava.
A menção ao caderno foi o estopim. Meu corpo contraiu inteiro em um orgasmo violento, uma onda de choque que me fez tremer dos pés à cabeça. Soltei um gemido abafado contra o ombro dele enquanto desabava por completo, mantendo-me de pé apenas porque a mão livre de Ethan me segurava pela cintura com a força de um guindaste.
Eu ainda estava processando os espasmos, com o peito subindo e descendo de forma caótica, quando o elevador deu um tranco violento.
Mas, no auge do colapso, quando eu já estava pronta para me desfazer por completo nos braços do meu pior pesadelo, o elevador deu um tranco violento.
As luzes brancas e frias voltaram com força total, cegando minha visão por um segundo. O painel eletrônico apitou, um som estridente que quebrou a bolha.
Bip. 21º andar.
Ethan se afastou com a velocidade de um raio, mas sua expressão não era de susto. Era de um controle assustador.
Ele ajeitou o terno com um movimento seco, enquanto eu tentava, desesperadamente recuperar a dignidade que tinha ficado espalhada pelo chão metálico.
Ele estava ao meu lado pleno, como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse acabado de quase arrancar minha alma do corpo entre o vigésimo e o vigésimo primeiro andar.
Eu ainda estava encostada no espelho tentando lembrar como respirar.
Ethan ajeitou calmamente o punho da camisa, recuperando a postura impecável de CEO milionário sociopata em menos de três segundos.
Eu continuei estática, as costas coladas no vidro, tentando lembrar como funcionava o mecanismo mecânico de respirar.
Senti um ódio profundo vibrar no meu peito. Ódio daquela capacidade de quase destruir uma mulher psicologicamente e, no segundo seguinte, agir como se estivesse apenas avaliando as oscilações da Bolsa de Valores.
Quando as portas finalmente se abriram no andar da diretoria, eele olhou para mim uma última vez.
Calmo, controlado e perfeitamente alinhado. A única pista do crime que acabara de acontecer ali dentro era a ferocidade sombria que ainda restava no fundo dos seus olhos azuis.
William estava parado logo em frente, segurando o tablet de sempre e conversando com a Amanda.
— ...e então precisamos confirmar os dados da Fir... — William interrompeu a si mesmo, olhando para nós dois saindo do cubículo. — Ah, bom dia, Ethan. Sara. Problemas com o elevador? Ouvimos um estalo estranho aqui de fora.
— Um pequeno contratempo técnico, William — Ethan respondeu. A voz dele saiu perfeitamente estável, aveludada e executiva, sem o menor vestígio do registro rouco que tinha quase me desmontado segundos atrás. — Mas a Srta. Mason foi muito eficiente. O problema já foi... resolvido.
Meu estômago deu uma volta completa com o subtexto daquela frase. Dei um passo à frente, sentindo o tecido do vestido carmim roçar na minha pele nua, um lembrete constante de que eu estava andando pela diretoria sem calcinha.
Seguimos juntos em um silêncio sufocante pelo corredor. Quando cheguei à minha mesa e ameacei me sentar, a voz dele me travou no lugar.
— Ah, Sara?
Minha garganta secou instantaneamente. Virei-me devagar, segurando a borda da mesa para manter o equilíbrio.
— Sim, Sr. Stern?
O olhar dele desceu lentamente pelo meu corpo, mapeando o caimento do vestido vermelho uma última vez com uma lentidão insultuosa, antes de voltar ao meu rosto.
— Da próxima vez que decidir testar protocolos de segurança... — ele começou, dando um passo curto e calculado na minha direção, baixando o tom para que apenas eu ouvisse. — Escolha uma cor menos provocativa. Vermelho definitivamente compromete minha capacidade de pensar direito.
ntão, ele se virou e saiu marchando em direção à diretoria, com a postura impecável de quem não tinha acabado de estraçalhar completamente o meu sistema nervoso central.
E eu? Eu fiquei parada ali por uns bons cinco segundos, tentando entender em que momento exato a minha vida profissional havia virado um thriller erótico de alta voltagem.
Ethan entrou em sua sala e fechou a porta. O clique da fechadura deixou o silêncio do corredor pesar sobre os meus ombros como uma tonelada de chumbo. William ainda me olhava de soslaio, visivelmente tentando decifrar por que eu parecia ter acabado de sobreviver a uma queda de avião enquanto ele apenas aguardava o início de uma reunião.
— Sara? Tudo bem? Você está... — Ele gesticulou para o meu rosto. — ...muito corada. O ar-condicionado parou lá dentro?
— É. — Minha voz saiu um oitavo acima do normal, um som tenso que me apressei em tossir para disfarçar. — Parou. Tudo parou lá dentro, William.
Caminhei até a minha mesa sentindo o atrito da seda carmim contra a minha pele nua. Cada passo dado com aqueles saltos agulha era um lembrete físico e doloroso do que quase havia acontecido. Do que ele tinha feito acontecer.
Liguei o computador com as mãos trêmulas. O monitor brilhou, mas as letras e números das planilhas pareciam dançar na tela, completamente desprovidos de sentido. Eu não conseguia focar em nada que não fosse o peso residual da mão dele na minha coxa e o eco daquela voz rouca perguntando sobre a falta de uma peça fundamental.
Abri a gaveta devagar, o coração voltando a errar o passo.
O caderno de capa preta estava lá. Quieto. Escondido sob uma pasta de relatórios, como o cúmplice silencioso de um crime que ainda estava no meio da execução. Puxei o caderno para o meu colo e, num impulso movido a pura adrenalina, abri na página do Sonho 9.
Meus olhos escanearam as linhas que eu mesma tinha escrito noites atrás, sozinha no meu apartamento, entre goles de vinho e fantasias que eu jurava estarem seguras na minha cabeça.
"...descobrindo que não há nenhuma barreira de renda entre ele e o que ele deseja."
Fechei o caderno com um estalo seco, sentindo um calafrio violento subir pela espinha.
Ele não tinha apenas lido. Ele tinha decorado o texto. Ethan Stern estava usando os meus próprios desejos como uma arma de cerco contra a minha resistência, e a pior parte de toda essa equação terrível... era saber que a defesa da minha fortaleza estava prestes a desmoronar.
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