Perdition

1 Capítulo 1 - The Scream


Notas iniciais
Olá a vocês que estão prestes a ler a minha história.
Bom ,essa é a primeira fic que posto,mas por muita insistência das minhas amigas Pietra e Amanda.
Não costumo postar as fics que escrevo por achar que elas não contém nada demais,nem são muito boas.
Espero que comentem,digam o que acharam,critiquem,joguem pedras...ook,não joguem pedras,mas aproveitem ;)
Enjoy

Meu nome é Rachel, Rachel Elizabeth Carter, e tenho 17 anos.

Há um mês, cientistas estavam tentando descobrir a cura para o Câncer, fazendo experiências com células-tronco, artificialmente modificadas para que pudessem substituir as células originais de um ser humano. Mas um acidente ocorreu, e esse vírus foi solto, causando destruição, morte e algo que eu nunca pensei que fosse acontecer, muito menos estava preparada. Ninguém nunca esteve preparado.

Onde eu vivo? Bem, não se pode mais chamar de Terra. Isso definitivamente é o Inferno.

Algumas pessoas chamam de Apocalipse Zumbi, outros de Novo Mundo.

Eu o chamo de: Perdition.

Ottawa – Kansas, 2019

Era um dia normal, como todos os outros naquela pacata cidade que eu vivia. O nome dela era Ottawa, não aquela do Canadá, quem me dera. Esta se encontrava na cidade de Kansas, nos Estados Unidos.

Meu celular despertou pontualmente às 06h00min. Sempre acordava mais cedo que o habitual, não suportava atrasos. Papai sempre me ensinou que os mais bem dispostos, eram os que alcançavam seus objetivos.

Abri os olhos vagarosamente. Um fino raio de luz entrava por uma fresta aberta na cortina da janela.

Eu amava a manhã, havia algo que me fascinava. Eu adorava o som dos passarinhos, o cheiro de café, a brisa gélida de um Outono. Mal eu sabia que iria sentir tanta falta daquela rotina habitual.

Peguei meu celular com um gemido preguiçoso. Embora eu amasse a manhã, sempre tive a sensação de que elas foram feitas para que continuássemos deitados, confortáveis em nossas camas quentes, onde nenhuma preocupação nos irritaria.

Joguei as cobertas para o lado e me sentei, estiquei os braços fazendo um leve alongamento. Fui até o armário e peguei algumas roupas, nada muito complicado: uma calça jeans, uma camiseta de uma banda qualquer, uma blusa de manga comprida. Fazia frio aquele dia, parecia de alguma forma mais triste. Senti uma sensação familiar no estômago, algo como se meu umbigo fosse puxado com um grande alicate. Aquilo me cheirava mal, nem sempre quando tinha essa sensação, as coisas ficavam bem.

Dirigi-me ao banheiro e tomei um banho rápido, me vesti e calcei meus sapatos. Chequei uma última vez minha mochila, não queria ter que voltar pra buscar alguma coisa. Peguei meu celular, meu casaco e minhas chaves.

Desci as escadas e já pude sentir o cheiro habitual de panquecas, ovos e bacon. Aquilo me deu certo enjôo, eu não comia carne, nem nada derivado dos pobres animais, não via sentido em matar os coitadinhos para devorar parte deles no café da manhã. Mas a minha família não pensava assim.

“Bom Dia, Papai. O senhor dormiu bem essa noite?” — Perguntei dando-lhe um abraço, enquanto ele levava sua xícara à boca e abria o Jornal Matinal.

Meu pai não parecia realmente um pai, ele estava mais para aqueles médicos galãs que arrasavam os corações das jovens. Ele era alto, cabelos curtos e pretos, mas com alguns fios brancos que lhe davam um charme galanteador. Seus olhos eram de um castanho escuro, como os meus, e ele tinha um belo sorriso alinhado com sua barba bem aparada, mas que deixava ali, por fazer.

Mamãe teve sorte.

“Ah, Bom Dia Rachel. Não dormi muito bem, cheguei tarde ontem. Essa semana tem sido muito conturbada no laboratório.”

Meu pai trabalhava como cientista em uma das maiores agências do mundo, a Orbis (que significa Mundo, no Latim). Ele era Cientista Chefe do Setor 1,onde se reuniam cientistas de todos os lugares do mundo,para descobrir cura para doenças indecifráveis.

Papai me explicou que lá eles faziam de tudo, experiências, mutações genéticas. Mas que ultimamente eles vêm tendo idéias altamente perigosas, a qual ele não aprovava.

“Você não aprovou outro Projeto, Pa-...” — Mas vi que ele não prestava atenção no que eu dizia, estava concentrado em algumas contas em uma folha que eu não tinha visto. Havia algumas tabelas, e pelo que eu entendia, alguma coisa estava bastante errada. Papai estava com suas sobrancelhas juntas, e parecia bastante preocupado com os cálculos que fazia. De repente ele deu um grito chamando mamãe, o que me fez pular no meu lugar.

“ELIZABETH, LIZA!” – Mamãe veio apressada, com meus irmãos em seu encalço. Eu tinha três irmãos: James, de 14 anos. Parecia muito com papai, um rosto sério, alto para a idade dele, olhos castanhos e cabelos pretos.

Lewis, de 12 anos. Era uma mistura e se parecia muito comigo, olhos castanhos, rosto fino, mas um nariz um pouco maior, cabelos castanhos mais claros e um enorme sorriso. Estava quase da minha altura.

E tinha Annabeth, minha pequena princesa de seis anos. Ela era a cópia perfeita da mamãe: Cabelos castanhos, quase loiros, olhos verdes e um rosto mais fino, delicado. Ela era linda, e tinha sido a única a sair com olhos claros.

“Você me mata de susto assim Joel! Por que grita tanto?” — Ela perguntou séria, como uma bronca.

“Não tenho tempo para sermões, Elizabeth. As coisas estão muito complicadas. O que eu temia aconteceu Liza, as coisas saíram de controle, estamos à beira de uma catástrofe.” – Papai dizia aquilo como se estivéssemos à beira de uma tragédia. E estávamos. Naquele momento eu não entendia muita coisa, e olhava de um para o outro procurando respostas.

“Não pode ser Joel. Mas... Como?” – Mamãe parecia que ia desmaiar a qualquer momento. James também percebeu e se posicionou perto, para que pudesse pega-lá a tempo.

Um tenso silêncio se apoderou da sala, onde apenas o barulho da televisão e de Beth cantando eram ouvidos. Papai estava absorto em seus pensamentos, enquanto mamãe parecia que ia chorar.

“Liza, não saia de casa. Eu preciso passar no trabalho. Não leve as crianças para a escola. Eu te ligo.” – E saiu, deixando uma avalanche de questionamentos sobre aquele momento aterrorizador na cozinha.

Mamãe se sentou na cadeira, com a mão no peito. Estava mais branca que o normal, e era perceptível seu nervosismo. Lembrei-me então,que já deveria estar a caminho da escola. Recolhi meus pertences e ia saindo quando minha mãe me gritou.

“Onde você está indo Rachel? Você ouviu seu pai! Ficamos em casa!”

Dei um giro sobre os tornozelos e encarei minha mãe.

“Mas mamãe, eu tenho que ir à escola.”

“Não tem não!”

Eu não poderia faltar, não queria ter que ficar copiando matéria atrasada. Precisava de uma desculpa, e nisso eu era boa.

“Olha, eu tenho prova de álgebra hoje, e eu não sou muito boa. Preciso fazer essa prova ou o Sr.Jackson me mata.”

“Eu posso conversar com ele...”

“NÃO! Quer dizer... ele é meio cabeça dura mamãe. Eu vou, faço a prova, e depois venho embora, falo que não estou me sentindo bem.”

Ela parecia relutante em me deixar ir. Por fim ela bufou e balançou a cabeça em concordância. Apenas pegou as chaves do carro e me entregou.

“Por Deus Rachel, você é exatamente como seu pai! Esteja em casa antes que ele volte.”

“Eu vou mamãe. Eu te amo” E dei um beijo nela. Mal eu sabia que essa séria a última vez que eu a veria em meses.

Dei um beijo em cada um dos meus irmãos e saí para pegar o carro. Tinha tirado minha carteira a pouco, quando papai me convenceu de que seria uma responsabilidade enorme para a minha vida. Eles queriam me dar um carro,mas eu disse que só o aceitaria quando começasse a faculdade.

Fechei a porta de casa e me dirigi a passos lentos para o carro. A manhã continuava fria e lenta, muito quieta por sinal. Aquilo não me agradava nem um pouco. Outra vez tive a sensação do alicate puxando meu umbigo. Era muito estranho sentir aquilo, duas vezes, em um intervalo de uma hora.

Dei partida no carro e liguei o som, coloquei em uma estação qualquer. Música me acalmava, e eu gostava de quase todo o tipo.

Dirigi devagar até a escola, adentrei o estacionamento já cheio. A àquela hora da manhã já tinha nerds sendo jogados na caçamba de lixo por abutres que se denominavam valentões, uma mistura de Jogadores, Bad Boys e Maus feitores de todos os tipos na escola.

Era engraçado o jeito que eles me lembravam gorilas muito grandes, que tinham cérebro de ervilha, e se batiam quando não entendiam o que deveria ser feito. Resolvi deixá-los para lá.

Mais a frente se encontrava as líderes de torcida, as Cheerios. Eu simplesmente as odiava, elas tinham um talento nato para me tirar do sério. Eu era o alvo que elas mais gostavam, principalmente da líder delas, Zoe.Ela era o tipo de garota que implicava com quem entrasse em sua frente,fazendo da vida da pessoa um completo inferno.

Zoe era um pouco mais alta que eu, tinha por volta de 1,63 de altura, cabelos ruivos que me lembravam labaredas de fogo quando soltos. Seu corpo era escultural e totalmente definido, um dos vários privilégios de ser uma Cheerleader.Mas o que mais me intrigava eram seus olhos,azuis como o céu,mas que carregavam uma frieza implacável ,como se a qualquer instante fossem soltar faíscas e atingir a primeira pessoa que estivesse em seu caminho.

Ela adorava implicar comigo, me ofendendo de todas as maneiras possíveis. Ela já tinha feito de tudo pra me atingir, mas a pior de todas foi quando ela falou do meu pai. Ela o chamou de esquisito, disse que ele dissecava mortos em seu laboratório e levava a carne para que seus filhotes pudessem comer. E, é claro, tentei bater nela, e como resultado, fomos para diretoria e eu fui marcada.

Estacionei o mais longe possível, mas ela parecia que tinha o dom de sentir minha presença. Eu fechei a porta do carro e me preparei para o pior.
“Olha quem está aqui, Rachel Esquisita Carter. Que prazer eu tenho em vê-la.” Ela disse com certa cara de desprezo, enquanto o seu clã ria atrás. Percebi que tinham alguns jogadores de futebol no meio das garotas.

“Zoe! Não tinha te visto. Agora você recebe as pessoas na chegada?” Eu sibilei a encarando com um ódio mortal, e ela me retribuía na mesma intensidade. Estava parada na sua melhor pose bitch: Braços cruzados, pernas retas e aquele sorriso sínico que eu tanto odiava o mesmo sorriso de um serial killer. Aquilo me deu certo arrepio.

“Só da pessoa que merece...”

“Você não devia estar no treino” Eu só queria me livrar dela e entrar para a escola.

“Escuta aqu-...” Ela já ia vir pra cima de mim, mas alguém a interrompeu.

“Acho que você já está atrasada, não Zoe?” Eu me virei e dei de cara com uma garota, um pouco mais alta que eu, cabelos loiros e compridos, olhos verdes-amendoados. Ela tinha a mesma postura que Zoe, mas parecia muito mais firme e muito mais perigosa. Estava vestida com uma calça jeans escura, tênis, uma camisa branca por baixo da blusa xadrez vermelha, que estava abotoada. Usava uma jaqueta jeans por cima e uma touca nos cabelos, que estavam soltos.

“Você não foi chamada aqui Hanna, fique longe da conversa, ou-...” Ela não chegou a terminar a frase e a tal garota já a tinha interrompido.

“Ou o que Zoe? Vai mandar um dos seus “capangas” me baterem?” Ela fez os gestos com as mãos, indicando as aspas. Era incrível como ela enfrentava Zoe, sem nenhum medo.

“Vamos embora...” E Zoe se retirou, com o seu clã logo atrás, como uma muralha de uniformes vermelho e dourado.

“Olha eu não pedi sua ajuda. Eu poderia ter cuidado da situação sozinha” – Eu disse levemente irritada por aquela garota ter me defendido. Eu não precisava de ajuda, eu sabia me cuidar.

Ela começou a rir o que me deixou com mais raiva ainda. Ela estava debochando de mim? Aquela garota apareceu do nada, me defendendo e ainda se achava no direito de rir aos meus custos. Quanta hipocrisia!

Ela se apoiava no joelho enquanto recuperava o fôlego. Quando levantou, tinha lágrimas eu seus olhos. Ela os enxugou e disse:

“Jura que você ia conseguir fazer alguma coisa? Ela iria te pisar e te faria em pedacinhos. Olha só pra você, é apenas uma garota frágil. E eu não quis te ajudar, só gosto de implicar com Zoe às vezes.”

“Mas eu pens-...”

“Pensou errado. Tchau!”

“Espera, é Hanna não é?”

“É. Hanna.”

“Oi, eu sou a Rachel” Estendi a mão, ela olhou, mas não aceitou.

“Oi Rachel. Tchau Rachel.”

E saiu andando, mas por algum impulso eu decidi segui – lá. Algo nela me chamava à atenção, não sabia o que era, mas parecia algo magnético.

“Ei,espera.” Tive que correr para alcançá-la,dois passos dela eram 4 meus. “Você é Hanna Mason,não é ? Já ouvi seu nome,acho que era alguma coisa importante aqui.” Ela continuava a caminhar,como se não tivesse me visto antes.Então eu tentei chamar sua atenção e notei que ela estava com o fone.Puxei-os e recebi um “Oww” em resposta.

“Você. Hanna Mason. Foi alguém importante aqui, não é?” Ela me encarava como se procurasse algum defeito em mim. Parecia que tinha repulsa a minha presença, e nossas distancias não favoreciam. Dei um passo para trás e ela soltou um suspiro de alívio.

“Pra que você quer saber? E por que está me seguindo? Não seja estranha garota. Não precisa virar meu capacho só por que eu “defendi” você de Zoe.” Ela novamente fez as aspas, e continuou andando.

“Por que você tem alguma coisa diferente que está me incomodando.” Ela deu de ombros como se dissesse: Você é completamente maluca!

Eu me empenhei em segui-la, ela virou o corredor e eu conhecia muito bem aquele caminho, tinha sido meu refúgio para escapar de Zoe durante muito tempo.

Adentramos o auditório, ela na frente e eu atrás, sem denunciar minha presença. Sentei-me mais ao fundo, onde não se dava para enxergar, por causa das luzes. Ela foi para o palco, onde havia apenas um grande piano de cauda, preto. Enfiou a mão na mochila e retirou alguns papéis, posicionou-os em frente à estante embutida no piano, alongou os braços e estalou os dedos. Colocou as mãos sobre o piano, e eu tive que prender a respiração quando os primeiros acordes foram tocados.

Aquilo me tirou todo o ar, a sincronia em que suas mãos trabalhavam com a melodia e as notas. O jeito delicado em que escovava as teclas com seus dedos, longos e finos. Era a imagem mais perfeita que eu havia visto, parecia um anjo divino.

Eu conhecia a melodia, era alguma música da Celine Dion, uma das minhas cantoras prediletas. Eu a observava, ela tinha os olhos fechados, e parecia se derreter com a música, mas sem perder a postura. Eu estava ficando sem ar com aquela sincronia perfeita. Meu coração de um salto, ao mesmo tempo em que a sensação do alicate veio mais forte que nunca no meu estômago.

Foi aí que escutamos algo que congelou a minha espinha e fez meus cabelos da nunca ficarem em pé. No mesmo momento o som cessou.

Um grito.

Notas finais
Então pessoal,é isso aí.Estou escrevendo os próximos capítulos,se puderem deixar críticas construtivas(não percam seu tempo humilhando essa pobre "escritora" que tenta compartilhar suas histórias),se elogiarem também eu agradeço.Não se acanhem,venham seus lindos(as).
Beijos e até o próximo.