Perdidos no inferno
4 Episódio 1: Gritos - Capítulo 1C
Notas iniciais
Ricardo Silveira
O tempo se esgotava rápido, eu esperei por uns segundos, que pareciam séculos, para Mariana se levantar. Mas antes que ela pudesse, um paciente pardo á agarra e morde ela no pescoço. O grito dela fez meus ouvidos doerem, mas mesmo assim eu corri para socorrer ela. Eu chutei na cara do paciente, só serviu para atrasar ele, mas mesmo assim consegui levantar a Mariana dali. Eu dei um pisão na cabeça do mesmo paciente antes que ele pudesse levantar, colocando ele no sono eterno, depois olhei para Mariana.
– Você está bem? — Eu pergunto desesperado.
– Eu estou, mas eles não. — Ela responde apontando para um monte de pacientes.
Era incrível, eu lembrava que era só 10 pacientes, mas tinha no minimo 15 pacientes aparecendo. O pescoço de Mariana sangrava muito, eu tinha que fazer alguma coisa.
– Vamos sair daqui! O mais rápido possível. — Eu ordeno.
Eu começo a correr até meu Corsa, Mariana me segue, eu pego minha chave e aperto o botão de abrir.
– Ricardo! Espera! — Eu ouço Mariana chamar.
Eu estava preste a abrir a porta quando ouço o grito dela, um grito bem histérico de terror. Eu olho para trás e vejo ela sendo devorada por três pacientes.
– Não! — Eu grito por Mariana.
Mas já é tarde demais, cada vez mais paciente chega nela e começa a devorar seus intestinos, ela continuava gritando, não tinha mais como salvar ela. Parei de olhar aquela cena horrível e entrei dentro do carro. Coloquei a chave na ignição e girei, nada. Eu repeti isso umas 5 vezes.
– Vamos! — Eu gritei pra mim mesmo.
Tentei ainda mais vezes, mas ainda assim não funcionava. Olhei pela janela, Mariana ainda estava sendo devorada, mas eu já não ouvia mais seus gritos. Alguns dos mortos pararam de devorar Mariana e olharam na minha direção. Eu já sabia o que iria acontecer, eu precisava ligar o carro logo. Girei a chave ainda mais vezes, mas ainda não pegou.
– Merda, merda, merda, merda! — Murmurei pra mim mesmo.
Desisti de tentar ligar o carro, eu não sabia o que estava acontecendo, o carro estava funcionando bem e agora não quer pegar (estupida hora). Procurei por alguma coisa pontiaguda no porta-luvas e nos bancos.
– Bingo! — Eu murmuro para mim mesmo.
Eu pego o pequeno extintor de incêndio, era a melhor coisa que tinha. Segurei o extintor com as minhas pernas e tentei mais alguma vezes ligar o carro. Eu olho para o lado, um morto está tentando desesperadamente quebrar o vidro, sujando o vidro de sangue, eu abro a janela um pouco, o suficiente para sua cabeça entrar e não me alcançar, e depois eu acerto ele com a base do extintor, mas ele só foi jogado para trás, logo se levantou. Eu dei outro giro na chave e o motor finalmente roncou direito. Dei um último acerto com o extintor na cara do morto e comecei a dar ré. Eu conseguia ouvir o barulho dos mortos sendo esmagado, mas logo se levantavam.
– Valeu! — Eu agradeço para o carro silenciosamente.
Dei a ré o suficiente para entrar na pista e comecei a dirigir até a saída. Olhei pelo retrovisor e vi vários médicos e pacientes correndo, a maioria mordidos e também vi dezenas daqueles mortos aparecendo de todos os cantos, o alerta soava bem alto e eu apenas continuei em frente.
– Socorro! — Um médico aparece do outro lado de um amontoado de carros.
Eu penso em parar o carro, mas antes que eu pudesse, ele foi pego por meia duzia de mortos. Eu continuei em frente ignorando os pedidos de socorro, a saída estava bem perto, eu acelerei e dei contra o portão, derrubando ele facilmente. Vários gritos, gemidos e pedidos de socorro eu conseguia ouvir, mas eu não podia fazer nada, apenas seguir em frente.
Henrique Paolo
Cheguei em casa com uma dor de cabeça terrível, eu sentia minha cabeça ardendo que nem forno (que dia, fui mordido por um idiota e agora estou com febre alta, bem no dia que vai ter um baita show).
– Oi filho, o que aconteceu? — Minha mãe pergunta, olhando para o meu braço.
– Fui mordido por um idiota enquanto eu passava na rua. — Eu respondo.
Depois de responder, eu vou direto para o quarto, mas vejo minha mãe com cara de preocupada. Eu deito na minha cama e fico olhando para o teto, onde um ventilador está lá parado (droga, esqueci de ligar ele). Minha mãe logo aparece na porta.
– O que foi mãe? Isso foi só uma mordida, nem é tão ruim assim. — Eu aviso.
Eu olho para o meu braço direito, o que era antes uma mordida, agora parece que alguém tentou tirar uma parte do meu braço. Minha mãe coloca a mão dela na minha testa, o calor aumenta ainda mais.
– Eu vou chamar um médico.
Ela sai do quarto apressada, ainda mais preocupada. Eu continuei olhando para o teto, esperando que o ventilador se ligasse sozinho, mas infelizmente era impossível, eu tive que aguentar o calor do cão. Pouco tempo depois, peguei no sono.
…
Algum tempo depois, eu comecei a ter ilusões. Primeiro apareceu a foto de quando eu fui mordido, um homem perto da terceira idade corre até eu.
– O que aconteceu com você? — Eu pergunto pra ele.
Mas ele não respondeu, apenas continuou se aproximando até cravar uma mordida no meu braço direito. Eu rapidamente dou um soco na cara dele e o empurro contra o chão.
– Você está doido, cara? — Eu pergunto pra ele.
Ele tenta levantar, mas eu dou outro pisão nele.
– Você é doido, cara. — Eu aviso antes de sair correndo dali.
Depois apareceu uma foto de um homem sangrento comendo o intestino de um outro, parecia nojento, mas me deu vontade de comer carne. Mais imagens como essa foi aparecendo na minha mente, gritos histéricos de dor, muito sangue e imagens fortes. Eu tentei de tudo para acordar, mas eu não conseguia, a mente continuava brincando comigo. Depois de muitas imagens, eu abro os olhos, tudo está embaçado, mas eu sentia alguma coisa mexendo por mim, eu levanto da cama. Mesmo com a visão embaçada, eu reconheço minha mãe, ela estava ali perto espantada.
– Henrique! — Ela grita.
Mesmo assim eu avanço nela e sem perceber eu já estava devorando seu estomago, eu não conseguia gritar, parar, nada, apenas devorar minha mãe, até eu perder o controle da mente.
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