Perdidos entre os mortos

2 Extra — Dia -17 (parte 1)


Notas iniciais
Boa leitura.

Desleixadamente sentado no banco traseiro de um carro, Sieghart observava as pessoas andando na rua, com seus sorrisos e caras de frustações, mais exatamente, toda aquela liberdade. As ruas estavam entupidas de carros, todos avançando lentamente atráves o asfalto, numa sinfonia de buzinas, pneus rolando sobre o asfalto, e os roncos dos motores.

Apoiando sua cabeça na janela, enquanto a franja caia-lhe pelos olhos, o moreno só conseguia sentir uma repulsa, por toda aquela demora.

— Ei, você sabe que o pedal direito serve pra acelerar né? — Ele zombava, enquanto inclinava a mão para baixo um pouco. — O que acha de pôr um pouquinho mais de força nele? Seu pé não vai sair voando por causa disso não. — Sieghart não possuía um sorriso no rosto, encarava o motorista de forma séria, pois, não aguentava mais ficar preso naquele carro.

— Recomendo você a abaixar um pouco sua moral ai, delinquente. — O motorista parou o carro na esquina e olhou para trás, com suas orbes inchadas e cheias de desprezo. — Alguém como você devia ficar feliz por estar passeando um pouco, muito em breve vai ficar preso no internato. — Os grossos lábios do motorista gordo, se alargaram em um sorriso torto, que logo acabou em uma gargalhada.

Tomara que ele se engasgue e morra.

O albino estava sentado no banco, sob uma árvore, banhada pelo vento, enquanto suas folhas se moviam lentamente, e algumas caiam sobre ele. Um de seus braços estava por cima do ombro da namorada, enquanto no outro, segurava uma lata de pepsi twist.

Ele estava com a cabeça pendendo para trás no banco, enquanto seus cabelos brancos se moviam lentamente junto com o vento, seus olhos fitavam as folhas calmas acima de si, enquanto sua mente vagava por sabe-se lá onde. A ruiva ao lado dele, aproximara seu rosto por cima do dele, e então lhe dera um selinho na boca.

— Quer acordar, ou vai ficar dormindo que nem um mongol ai Lass? — O albino se obrigou a sorrir. As mechas vermelhas de Elesis desciam pelo rosto dela, e acariciavam de leve o seu rosto, enquanto ele via um sorriso de canto nos lábios dela.

Conhecia Elesis há anos, porém só na ultima semana, fora pedir ela em namoro, estava vivendo o auge de sua vida, mesmo sendo um cara folgado, que não se relaciona muito bem com as pessoas, e não encontrava prazer em muitas coisas, que não fosse simplesmente ficar quieto, nesses ultimos meses sua amizade com Elesis crescera, e a garota, mesmo sendo rude, estava começando a se mostrar mais carinhosa com ele, e logo o rapaz acabou se rendendo.

— Ahhh. — Lass bocejou, enquanto levantava a cabeça. — Sei lá sabe... só estou achando este dia muito calmo. — Ele logo reparou que as sombrancelhas de Elesis se curvaram em duvida, por isso continuou. — Porém eu gosto de dias calmos. — Lass pôs seus braços sobre os ombros de Elesis, fechando as mãos dele na nuca dela, enquanto a puxava mais para perto. — Gosto de estar com você...

E então ele a beijou, enquanto o vento soprava ainda mais forte naquela manhã.

A pequena garota suava, enquanto estava em cima do palco, diante de uma centena de novos alunos. Suas pernas tremiam um pouco, enquanto algumas gotas deslizavam pela palma de suas mãos, que estavam cerradas em volta do microfone.

Ela havia sido convocada, convocada, para a faculdade, aos 14 anos. Seu desempenho no colégio foi excepcional, e a mesma terminou o ensino médio aos 14 anos, e logo foi chamada pela famosa universidade local, a qual pessoas normalmente teriam que prestar um vestibular para entrar, e ainda pagar quando ingressassem, ela simplesmente foi chamada, e ganhou uma bolsa.

A garota cospia as palavras de sua boca, desajeitadamente, enquanto sentia todos aqueles olhares em cima dela, e mal esperava por se ver livre disso, não que ela estivesse desgostando do reconhecimento, era apenas... vergonhoso para ela, por ser muito tímida. Ela conseguia ver os olhares de admiração sobre ela, porém mesmo assim, não se sentia bem. Ela lia o papel que estava em sua frente, sobre a plataforma, até que, uma rajada de vento entrou pela porta, subitamente aberta no canto da sala, desajeitadamente, se abaixou para pegá-lo, até ouvir o grito vindo do canto do salão.

O moreno notou que o trânsito cada vez mais ficava mais lento, enquanto uma multidão vinha na direção contrária, do lugar para qual ele se dirigia. Vez ou outra ele notava pessoas atendendo o telefone, desesperadas, e logo, sua barriga começou a revirar por dentro, não imaginava o por que de tais acontecimentos.

— Ei, você sabe o que é que está acontecendo ali nas ruas? — Inclinou a cabeça para a parte da frente do carro, enquanto cutucava o largo ombro do motorista.

— Pfff. — O gordo deu uma pequena risada de desaprovação. — Nada de mais, sem dúvidas, e outra, estamos seguros aqui no carro, relaxa a tanga ai moleque. — Com o braço direito, empurrou Sieghart para trás, para logo em seguida abaixar o freio de mão e dar partida no carro.

Sieg não estava gostando nem um pouco do que estava acontecendo por ali, alguma coisa cheirava mal, muito mal mesmo. Voltou a observar pelas janelas, porém, nada fazia sentido agora.

Um homem estava debruçado sobre uma mulher, e apesar dos gritos dela, nimguém tentava impedir ele, Sieg foi tentar abrir a porta do carro, apenas para encontrar ela fexada, e levar um olhar de desaprovação do motorista, logo voltou a observar a cena. O cara sobre a mulher, tentava chegar para beijá-la? Ele não estava entendendo isso, a mulher tinha as duas mãos no ombro dele, tentando afastá-lo, porém o mesmo persistia, e cada vez se aproximava mais dela.

Sieghart abafou um grito ao ver a próxima cena.

Seus olhos estavam vidrados, na boca do... ele não sabia como chamar ele, em sua mandíbulas, estavam dois dedos da mulher, que tentara parar ele apenas alguns instantes atrás. Sangue escorria pela barba dele, e pingava pela ponta do queixo, quando ele cuspiu, ambos dedos, e abocanhou vorazmente o ombro da mulher.

O sangue jorrou de lá como Sieg jamais pudera imaginar. Como ele têm tanta força na boca assim?!

*Crack*

Seus olhos seguiram o barulho de vidro se quebrando, e seus olhos logo viram, mas se recusavam a acreditar na cena. Duas crianças se debruçavam sobre a janela, uma delas não possuia o olho esquerdo, e Sieg teve de prender o vômito em sua barriga.

Mas não por muito tempo.

Assim que uma das crianças, puxou violentamente a perna do motorista para cima, seu joelho partira-se nas dobras, enquanto um esguicho de sangue saiu de lá. Rapidamente as duas crianças puseram a boca, e mordiam todo o pedaço de tripas, carne, enquanto seus cabelos e roupas ficavam ensopados pelo líquido negro que saia do corpo do motorista . Sieghart não suportou a cena, e quebrou a porta do carro, fazendo força na hora de abrir ela.

Olhou para os lados, e a essa altura o caos já tinha tomado a cidade, suspirou, e se dirigiu então para o parque em sua frente.

Notas finais
Sim, decidi escrever um cap. sobre o que aconteceu, e como eles foram parar onde estão.
O próximo também será, só não sei dizer quando sai infelizmente x.x
Espero que gostem, e se possível, mandem reviews, me gusta recebê-los.
Thx & Cya.