Perdidos entre os mortos
6 Ato 1 — Dia 4
Notas iniciais
Bom, antes de tudo, esse cap. vai ser dedicado á Gabi-chan.
Que, recentemente, ao reler o review dela, me lembrei da (maldita) promessa que fiz a esta criaturinha fofa, de fazer esse cap. ç.ç
Bom, então dessa vez se tiverem que agradecer a alguem, agradeçam á ela tá ^^
Boa leitura.
Sieghart continuava sentado em sua cadeira, os olhos semicerrados, com muito sono, porém ainda tentava se manter acordado, enquanto ficava atento ao movimento na rua. Sua franja pesava em seu rosto, o cabelo já oleoso de tanto tempo sem um banho decente.
Os zumbis estavam aos montes na rua, vários deles passavam na frente da loja, e sentiam um cheiro diferente, porém logo desistiam ao ver nada, ou sequer uma entrada para poder confirmar se realmente havia alguém lá dentro.
Por outro lado, Arme já havia se entregado ao sono há muito tempo atrás, junto com o albino, ambos deitados no canto mais isolado da loja. A pequena repousava nos braços de Lass, enquanto ele apenas mantinha os olhos fechados, porém os ouvidos atentos.
As horas iam se passando, até que finalmente amanheceu. E com isso vieram os problemas.
— Pombinhos, comecem a esticar suas asinhas ai. — Apesar de dizer as palavras quase como um sussurro, Lass as ouviu, e acordou Arme com calma.
— Qual é o problema, Sieg? — Disse Lass, enquanto Arme se remexia em seus braços, afundando o seu rosto ainda mais no peito do rapaz, o sono ainda dominando o corpo da pequena.
— Tirando o básico, dos zumbis querendo nos devorar, nenhum. — Sieg apontou para a porta com três dedos, e foi retirando cada um, ao passar dos segundos, e no final, ouviu-se um som estridente, de algo arranhando a madeira da dispensa. — Sabe o nosso plano de esperar ficar de manhã para que Eles voltassem para onde se abrigam, e então agente poder sair? Pois é, apenas não consideramos a possibilidade deles quiserem entrar aqui.
Assim que Arme terminou de ouvir as palavras de Sieg, se levantou de um pulo, indo em direção á entrada, para conferir, os três zumbis que arranhavam furiosamente a madeira, enquanto a carne de seus dedos se desprendiam e se colavam entre as farpas. A garota conteu a náusea que sentiu naquele instante, e logo se pôs a pensar em alguma coisa.
Então seus olhos eventualmente caíram sobre o duto de ventilação.
— Sério mesmo? Os dutos de ventilação? Não tinha nenhuma ideia mais original não, Arme? — Disse Sieghart, assim que notou o olhar da garota.
— Esteja a vontade para me dar uma ideia melhor, Sieg. — Retrucou a pequena.
— Nem vem, eu sou o motorista, você o cérebro, e Lass a bagagem, então pense você. — Lass normalmente daria uma resposta ácida para a brincadeira de Sieg, mas tudo o que fez, foi abaixar a cabeça.
— Sieg! — Arme o encarou de forma furiosa, o que fez o rapaz rir, ao ver o rosto fofo dela ao ficar brava.
Por fim então, Arme se dirigiu ao depósito da loja. A pequena abriu a porta atrás do balcão, e sentiu o fedor que vinha lá de dentro, de coisas podres, e fez uma cara de nojo, porém assim que avistou um objeto metálico, logo se pôs a retirar os objetos da frente, para tentar alcançá-la.
— A-atchim! — Arme sentiu a poeira entrando pelo seu nariz, fazendo-a ter um pequeno ataque de espirros. Porém a baixinha logo recuperou o foco, e estendeu a mão, para a escada.
— Vai insistir nessa ideia de ir pelos dutos, sério mesmo? Eu já estava preparando meu kit Rambo McGuiver pra enfrentar esses caras. — Arme lançou um olhar frio para Sieg, porém se surpreendeu, ao ver que o mesmo havia misturado algumas coisinhas, além de nitroglicerina em um pote de maionese, e pelo jeito pretendia levar a sério a história de explodir alguns Zumbis.
— Bom, se quiser pode levar esses... troços ai, mas vamos pelo duto. — Arme estava decidida a continuar com o plano dela, enquanto já subia os degraus para desparafusar a entrada do duto.
— Ok, façamos uma votação, quem quer ir pelo plano de Arme, levante as pernas, quem quiser ir pelo meu, levante os braços. — Arme chegou a levantar uma de suas pernas, mesmo estando na escada, porém Lass obviamente ficou de fora, apesar de seus esforços para tentar também. — Ok, temos um empate, mas como eu sou mais velho e o motorista, eu decido, então nós vamos pelo meu estilo, explodindo eles. São só três, o que temos a arriscar? — Assim que acabou a frase, Todas as outras dispensas começaram a produzir os mesmos sons da primeira, e logo Sieg se dirigiu até onde Lass estava deitado, agarrando-o pela mão, e então o jogando por cima de suas costas. — Vamos então pelo estilo Hamster.
Arme começou a subir as escadas então primeiro, e assim que adentrou nos tubos, puxou Lass pelos braços, e então, o som de madeira se partindo invadiu a loja, e o primeiro zumbi atirou os braços para frente, derrubando as escadas, e fazendo Sieg segurar com força na borda dos dutos, dando chutes para baixo nas mãos que tentavam puxá-lo desesperadamente em direção ás bocas famintas.
Sieg então puxou-se para cima, ou som de um braço se partindo. O moreno era puxado para cima pela única mão de Arme, que ao menos o ajudava suficientemente para poder escalar até o duto, se enfiando lá dentro.
— Os zumbi pira no Sieghart. — Disse Sieg, descontraído. — Não posso fazer nada se sou um filé, provavelmente mignon. — Arme e Lass se entreolharam, com o mesmo pensamento a respeito da loucura do moreno.
Sieg então, acendeu um fosfóro que havia em seu bolso, atirando em direção aos explosivos no chão da loja. A explosão fora mediana, porém jogou para todos os lados, os corpos mutilados dos zumbis, e além de pintar de vermelho todas as paredes do estabelecimento, entretanto também pôs o mesmo em chamas.
Sieg se virou então, para encontrar os dois pares de olhos incrédulos, na estupidez que ele tinha feito.
— É o quê? Vocês não acharam que eu ia desperdiçar não só aquele explosivo, mas de ver tripas e membros dos cadávares ambulantes voando? Por favor né, agora vamos logo. — Sieg começou a empurrar de leve Lass e Arme no duto, para irem logo, até ouvir então o som de metal rangindo.
Os dutos estavam cedendo de tanto peso.
— Ótimo Sieg, agora nos condenou, nada melhor do que cair daqui dos dutos direto no fogo. — Arme dizia com raiva, enquanto já se botava a andar.
— Estamos fritos, literalmente. — Lass soltou sua típica piada escrota, porém o mesmo deu um riso forçado, enquanto se arrastava na frente de Arme.
O metal rangia cada vez mais, e os tubos balançavam de um lado para o outro, enquanto os jovens iam percorrendo ele. O calor lá dentro estava começando a ficar insuportável, e para piorar, Lass é quem liderava, lentamente o trio que rastejada em direção ao próximo tubo, que era vertical.
Assim que Lass chegou, o mesmo forçou seus braços contra os lados, e foi subindo lentamente, equanto pegava impulso com a perna que lhe restara. O rapaz estava se saindo muito bem, devido a força que tinha nos braços.
Algo que Arme não tinha.
Assim que Lass se pôs em uma altura considerável, o tubo já estava numa temperatura infernal, e Arme já havia retirado o resto de sua blusa completamente rasgada, ficando apenas de sutiã. Sieg deu um sonoro assobio, e apesar de Arme já estar vermelha de calor, conseguiu corar mais ainda com o gracejo do moreno.
— Pa-para com isso seu tarado... — A garota desferia leves chutes na direção do moreno, que bloqueava eles rindo, até que então seu mundo virou, literalmente, após um dos lados do tubo que ele e Arme estavam, ceder, jogando ambos para o lado.
— Bom trabalho, pequena stripper, agora vá logo antes que mate a nós dois. — Arme corou ainda mais com as palavras do moreno, e antes de se dirigir até o tubo vertical, deu um chute forte no moreno, que ficou esfregando as bochechas ardidas.
Assim que a garota pôs os braços se apoiando um em cada lado do tubo, e as pernas da mesma forma, a pequena com pouca força, foi subindo, mesmo com o calor a fazendo arfar enlouquecidamente. Porém assim que chegou a um metro de altura, ela sentiu um peso maior em seu braço cuja mão havia sido amputada, e então seus músculos cederam, e enquanto ela via a pequena queda que tinha pela frente, ela gritou, sabendo o que ia acontecer, e Lass que já havia passado pela abertura para o primeiro andar do edíficio, berrou junto.
O baque do pequeno corpo contra o metal, produzira um ruído enorme, o ruído de algo se rompendo, e desabando. Arme observou aflita, o corpo de Sieghart escorregar continuamente em direção as chamas, até que, os própios olhos do moreno brilharam com um fogo, e ele pôs as duas mãos nas paredes do tubo, enquanto seus dedos se arrastavam pelo metal, queimando ainda mais pela próximidade ao fogo.
Arme viu o moreno morder o lábio inferior contendo um grito, e então como um tigre que se parte para cima de sua presa, o rapaz começou a se movimentar com velocidade dentro do tubo, enquanto seus dedos já lacerados, deixavam marcas vermelhas de sangue onde quer que ele tocasse. Assim que o rapaz se aproximou de Arme, ele a pegou em seus braços, apertando-a em direção ao seu corpo, e só então, Arme pode sentir os músculos que o rapaz escondia por baixo do terno estudantil que ele usava. A pequena corou, enquanto afagava seu rosto no peito dele, ainda que no fundo gostasse da próximidade, e de se sentir sendo salva pelo herói gostosão.
Sieg então, com a garota no colo, foi escalando o tubo vertical, bem a tempo de ver o que restava do que estava anteriormente, se desprender e cair no chão, como uma frigideira lançada ao fogo. O rapaz desviou o olhar de baixou, inspirou, procurando forças, e então começou a subir com velocidade, enquanto uma parte dele sentia um prazer em estar sendo algum tipo de heroí que salva as mocinhas em perigo. Sieg mesmo estava gostando do contato com Arme, cujos seios cobertos apenas pelo sutiã, e completamente suados, lhe tocavam o corpo. O rapaz corou um pouco, porém continuou subindo, até seus dedos alcaçarem a borda do primeiro andar, e então após atirar Arme por cima dele, o mesmo subiu.
E então contemplou a cena, de Arme beijando o albino nos lábios, e sentiu uma pontada de ciúme.
— Eu salvo a mocinha, e que ganha o prêmio é ele? — Arme interrompeu o beijo, corada, e se aproximou de Sieg para lhe dar um beijinho no rosto.
— Obrigada, seu tarado. — O rapaz devolveu um sorriso á ela, que logo voltou para os braços de Lass.
Sieg então olhou para suas mãos, completamente encharcardas de sangue. E a medida que a adrenalina ia se esvaziando, uma dor lacinante ia tomando o seu lugar, e então desesperado Sieg se pôs a procurar alguma forma de tratar da mão, até seus olhou caírem sobre uma boneca de pano no canto do quarto onde estavam. Sieg a pegou, rasgando-a por completo, e ultilizando de seu pano para improvisar uma luva para cada mãos, cujas tiras de tecido iam tomando uma coloração vermelha enquanto ele enrolava em seus dedos.
— Ok, temos de dar o fora daqui. — Disse Sieg, enquanto olhava para o casal no canto da sala.
— Bom mais acabamos de... — Dizia Arme, até ser cortada por Sieg.
— Acabamos de fazer muito barulho, do tipo que chama atenção, atenção de cadavéres famintos querendo um pedacinho da sua carne. — Sieg se levantou então, aproveitando para pegar uma vassoura no quarto, partindo-a no meio para deixar a ponta dela como uma estaca. — Lass, me dê seu bastão de cricket, e Arme, melhor pegar logo a sua pequena faca de cozinha. Eu levo Lass nas minhas costas. — Sieg não esperou os dois concordarem, apenas pegou da mão de Lass que lhe estendia o bastão, e então o pôs em suas costas, enquanto Arme olhava para o facão que ela havia pego há duas noites atrás, quando Lass perdeu a perna.
— Então Sieghart, qual seu brilhante plano mesmo? — Disse Lass, enquanto uma de suas mãos segurava o ombro de Sieghart se apoiando, e a outra se dirigia á sua cintura, para pegar o revolvér que ele havia recebido de Sieg.
— Felizmente, a moto está no estacionamento desse prédio, só vamos precisar correr pelas escadas até o segundo andar dele, entrar no estacionamento, ir até a moto, e depois descer as rampas em direção á rua e voilá, liberdade. — Sieg falou como se tudo fosse simples, enquanto se movimentava pelo apartamento que estavam, desviando de coisas como o controle remoto no chão, ou alguns carrinhos de brinquedo.
— Haviam crianças por aqui... — Disse Arme, em tom depressivo. Entretanto assim que pronunciou isso, um choro abafado pode ser ouvido de dentro do ármario da cozinha, bem a tempo de interromper Sieg de abrir a porta.
Os três se entreolharam, porém Arme não esperou, e correu para cozinha, ao som dos protestos de Sieghart e Lass. A garota se aproximou da maçaneta da dispensa, enquanto seus passos eram curtos e abafados. Ela então, estendeu a mão, girando a maçaneta e encontrou então o que produzia o ruído.
Um pequeno rapaz, de uns cinco anos de idade, estava chorando enquanto abraçava a sua irmã, que devia ser mais nova do que ele. Os dois estavam vestidos com roupas limpas, o que assegurava que nenhum deles era algum tipo de zumbi, e assim que Arme olhou para os dois, naquele instante, seu coração caiu aos pedaços.
— Não ouse dizer "Agente tem que levar eles." — Disse Sieg, enquanto fazia uma voz feminina na última frase.
— Como você pode ser tão insensível, Sieghart?! — Gritou Arme, assustando as duas crianças.
— Como você pode ser tão idiota, pirralha? Qual o seu brilhante plano? Botar aquelas duas crianças na moto com a gente, e sair por ai levando elas pra passear no grande parque de diversões que o mundo virou? BELO PLANO SUA IDIOTA. — Berrou o moreno, enquanto suas sombrancelhas se arquevam de forma raivosa.
— Ou elas vão com agente, ou vocês vão sem mim. — Assim que Arme pronunciou isso, Sieg estendeu a mão para abrir a porta, até ser segurado por força por Lass, que se inclinou para trás.
— Calma ai... — Disse o albino, enquanto era quase atirado ao chão pelo moreno. — Sieg... eu carrego as duas ali atrás no skate comigo, até que possamos deixar elas em algum lugar seguro, e com comida, eu também não estou muito afim de levar elas ok, mas faça um esforço, por um instante, pra lembrar que você é humano ainda, Sieghart.
O moreno encarou o albino com fúria nos olhos, que logo foi passando para uma leve compreensão.
— Pirralha, você é responsável por elas até chegarmos na moto. — E assim dito, Sieghart abriu a porta saindo em direção ás escadas. Logo acompanhado por Arme que em uma mão brandia sua lâmina, e na outra segurava a mão do garotinho que por sua vez puxava a irmãzinha dele.
O pequeno grupo se deslocava no corredor, com velocidade, apesar das pequenas pernas dos mais novos ali. E assim que o moreno atingiu a porta que dava para as escadas, Arme ainda estava metros atrás dele, sendo atrasada pelos dois pequenos. Até que o estrondo foi ouvido do fim do corredor, assim que uma das portas de madeira se partiram, e de lá um casal saiu.
Seria conveniente, se ambos os adultos, não estivessem com a pele já verde e podre, coberta de furúnculos vermelhos, e a cereja que faltava, era apenas o sangue que escorria dos olhos dos dois. E então, ambos tomaram um impulso enorme, enquanto corriam na direção dos dois pequenos.
— Mamãe e papai... — Disse a pequena criança, soltando a mão do seu irmãozinho e estendendo os braços na direção dos pais, esperando seu pega no colo.
O irmão gritou, sabendo que os pais já haviam sido mortos, porém mesmo com lágrimas nos olhos, Arme teve que puxar ele para longe dali, ela sabia que não tinha esperanças de salvar a garota. E assim que virou o rosto para conferir, a mãe-zumbi havia chegado nela, e os dois bracinhos que estavam antes estendidos para aguardar o abraço, agora estavam nas mãos da mulher, que os puxou para fora numa força sobre-humana, o sangue então jorrou dos dois buracos que estavam em cada lado da garota, pintando a parede em volta dela de vermelho, enquanto a pequena berrava e chorava.
Mas então Arme notou, que o pai não havia parado para dar atenção a filhinha, e estava indo em direção dela, e do garotinho.
Ela então tentou correr mais, porém o zumbi se aproximava de forma voraz, faminto pela carne, e então, num impulso, Arme ergueu o facão na direção dele, entretanto errando o golpe, e apenas tirando parte de cima da cabeça do zumbi, cujo cérebro agora escorregava pela borda dela, numa coloração negra.
Arme tentou segurar o vômito, porém, o que ela não pode segurar, foi o rapaz que estava em seus braços, que logo foi atacado pelo pai. O pequeno estava debaixo do corpo do zumbi, enquanto Arme desferia continuos golpes na cabeça e no corpo do pai, porém, todos eles após a mordida que ele já havia dado no garoto.
Ás lágrimas escorriam pelo rosto de Arme, enquanto ela descontava a raiva no pai, e somente após finalizar ele, a garota virou seu rosto para a mãe, que agora enterrava a mão na barriga da filha, e a cada vez que fazia isso, puxava junto parte do estômago e carne da garota que um dia ela já amara. Arme correu na direção da zumbi, e com apenas um movimento, lhe decepou a cabeça.
Arme continuou a descontar sua fúria na mãe até sentir então uma mão em seu ombro.
— Já está bom, pirralhinha, você fez o quê pode, agora nós é que temos de nos salvar. — A voz de Sieg tomou um tom calmo, e por um instante, Arme pensou se era o Sieghart ali mesmo, porém, logo voltou a sí, e então decidiu ir atrás do moreno, que já caminhava em direção ás escadas.
O resto do caminho foi calmo, o grupo subiu as escadas, saltando os degrais com velocidade, apesar de Sieg quase tropeçar pelo peso extra que carregava.
— Pensa pelo lado positivo Sieg, você têm uma perna a menos de peso pra carregar. — Lass lançou um sorriso para o moreno, que teve de rir, não pela piada, mas por ver que o rapaz já estava começando a superar o própio problema, a ponto de fazer piadas escrotas com ele.
O trio então percorreu o último corredor, para então adentrar no estacionamento. que estava vazio, se não fosse pela moto improvisada deles. Eles correram até ela então, e Sieg depositou Lass no assento de skate dele, antes de então montar no seu lugar, e sentir os braços de Arme lhe envolvendo.
— Muito bem, hora de sair desse inferno... — Sieg então deu a partida nela, produzindo o ruído alto que ecoava pelos andares da garagem, e no mesmo instante, se pôs a acelerar, para não correr nenhum risco.
O moreno manejava a moto com destreza, até a rampa que descia para o primeiro andar da garagem, quando então aconteceu. De ambos os lados do primeiro andar, zumbis estavam posicionados, vários deles. Não seria um problema, se eles não estivessem tão próximos... ao ponto de que quando se deu conta, mesmo com a velocidade que estava, sentiu um peso extra, e ao olhar para trás, seu coração foi aos pulos.
— Lass! — Arme gritou, enquanto sacava seu facão da cintura. Dois zumbis agora estavam se segurando, em ambas as cordas de segurança que Arme havia posto para dar mais estabilidade ao skate, e eles estavam fazendo um peso extra que não iria ajudar muito, pois a velocidade ia diminuindo, bem em meio ao primeiro andar, que estava completamene lotado de zumbis.
Lass dava cotoveladas na cabeça dos morto-vivos quando eles tentavam se aproximar, porém ele tinha noção que não ia durar muito tempo, porém então,ele viu o zumbi a direita se desprender, e rolar seu corpo no chão de forma grotesca se quebrando todo, e o mesmo acontecer com o de seu lado esquerdo.
Estaria tudo bem, se não fosse por um detalhe, o skate agora estava mais distante da moto.
— Segura firme ai, Lass, agente já vai te tirar daí! — Gritava Arme, a responsável por cortar as duas cordas que ela havia posto, e então estender a distância, já que agora a única coisa que o ligava á moto era a corrente.
Sieg então desceu a última rampa do prédio, fazendo Lass voar e se segurar firmemente nos apoios do skate, para então, o trio se ver nas ruas novamente, o que não era nada bom.
— Puta merda... — Pronunciou Sieg, enquanto fazia a curva.
As ruas, mesmo de manhã, estavam lotadas dos cadáveres famintos. O barulho que eles haviam feito mais cedo realmente atraíra todos os moradores da cidade praticamente, e os concentrara ali no mesmo bairro. Sieg acelerou a moto, fazendo ainda mais barulho, e chamando a atenção de todos os zumbis que estavam na calçadas e no meio da rua.
Sieg estava numa velocidade boa, porém, sabia que com a quantidade que tinha ali na rua, ele teria que ser mais rápido ainda, caso contrário eles ficariam presos entre todos eles, e então, estariam condenados. O moreno ia fazendo as curvas com velocidade, obrigando Lass a se segurar e estabilizar o skate constantemente, já que a cada virada ele era arremessado de um lado para o outro devido ás correntes que o prendiam.
O moreno estava indo muito bem, apesar de ter andado pouco naquela cidade, porém, em pouco tempo, encontrou a rodovia principal, que ia tirar eles da cidade, e seu coração então se acalmou, até ver toda esperança se partir.
De todas as ruas que davam na rodovia, zumbis vinham correndo na direção do trio. Ele sabia que na velocidade atual, eles iam dificilmente pegar eles, mas ele temia uma coisa...
— Sieg, cuidado! — Gritou Arme, apenas confirmando as suspeitas de Sieghart. Um dos mortos vivos, se atirou na frente da moto, obrigando o moreno e a garota a se abaixarem, porém, mesmo que o corpo do zumbi tenha se partido ao meio de encontro ao veículo, jogando suas tripas pela rua, o maior problema foi a velocidade, que diminuiu.
O suficiente para fuder de vez.
Assim que Sieghart voltou a acelerar, dessa vez mais feroz que nunca, ele sentiu um baque o segurando, e assim que olhou para trás, viu então os zumbis novamente. Dessa vez, um deles se segurava na beirada do skate de Lass, que já havia encolhido a perna, e então o mantinha afastado, com a sola de seu tênis na cabeça dele.
Seria apenas uma conveniência, se outros zumbis não se atirassem na direção do que se agarrava, se amontoando ainda mais, e diminuindo a velocidade da moto.
Lass então sacou o revolvér, desesperado, e disparou em direção aos zumbis que se amontoavam sobre o que estava preso na moto, cinco tiros, e então, o grito.
— Lass! O revolver só têm seis balas, não desperdice todas caralho! — Sieg, mesmo concentrado, desviando dos carros na rua, e dos zumbis que insistiam em se atirar na direção da moto, teve tempo de contar os disparos, e alertar então o albino.
A situação não estava boa, de forma alguma.
Os zumbis continuavam saindo das ruas, e a rodovia que antes parecia segura, ficava cada vez mais estreita, a medida que eles iam se amontoando, e Sieg sabia que em breve, não ia ter mais para onde ir.
— Relaxa ai, Sieghart, eu consigo dar conta de todos eles com só uma bala, quer apostar? — Lass pronunciou, e no mesmo instante Sieghart riu, da brincadeira do albino.
— Beleza, vamos apostar o quê então? — Perguntou o moreno, desviando ainda mais dos zumbis.
— Simples, se eu não der conta dos zumbis, quando nós pararmos para lutar contra eles, eu deixo você com meu bastão de cricket, e eu fico com a vassoura. — Pronunciou o albino, enquanto forçava sua única perna sobre a face do morto-vivo que se aproximava cada vez mais dele.
— Gostei, mas e se você der conta? — Perguntou então o moreno.
— Você só tem que me prometer que vai cuidar de Arme.
Bang.
Assim que o albino pronunciou isso, tudo aconteceu ao mesmo tempo. O som do disparo, as correntes se partindo com a bala, a moto arrancando, e empinando a frente pelo peso que havia se livrado, o coração de Sieghart gelando e parando, enquanto ele fechava os olhos para absorver o último pedido do amigo, e o grito de Arme.
— Lass! — A garota se virou para trás, a tempo de ver o skate sendo coberto pelos corpos dos zumbis, fazendo o garoto desaparecer em baixo deles. — Sieg, você tem que voltar, dê a volta agora e vá lá salvar ele! SIEG! — A garota voltava a dar socos nas costas do moreno, enquanto suas lágrimas caíam. — Sieg... — A pequena então, desistiu, abraçando o moreno, e enterrando seu rosto das costas dele.
Enquanto o rapaz acelerava concentrado, Arme pode sentir seus braços na frente que envolviam o garoto ficando úmidos.
Sieghart estava chorando também.
A garota então se calou enquanto ambos finalmente saíam da cidade.
O moreno seguia na estrada, até então o sol estar próximo de sumir, seus raios já diziam adeus no horizonte longíquo da estrada. O rapaz então, começou a prestar atenção ao redor, procurando algum lugar para passar a noite, porém, até onde sua visão permitia, não havia qualquer tipo de edíficio, ou casa.
Eles teriam que passar a noite no campo aberto mesmo.
Conformado, o moreno foi desacelerando a moto, enquanto a jogava para o canto da estrada, e parando em frente a uma pequena clareira. O mato crescia em um círculo, em volta das pedras que ali haviam, e então, ele posicionou a moto exatamente na abertura que dava para a estrada, fechando perfeitamente o lugar de forma segura.
Ele pretendia acordar Arme, porém a pequena desceu em direção ao lugar silenciosamente, de cabeça baixa.
Ele também não tinha muito o que dizer, e se esforçava para não pensar no amigo que havia se sacrificado, porém ele tinha noção que uma hora ou outra o assunto viria á tona, porém preferia deixar quieto por enquanto.
O moreno então desceu, acompanhando a pequena até uma pedra mais alta no canto do círculo onde estavam, e sentando ao lado dela.
Ambos ficaram ali, quietos, durante horas, apenas sentados, talvez pensando no amigo, ou apenas com o sentimento de vazio, da vontade de desistir.
Arme então, foi a primeira a ceder, deitando-se sobre a relva, porém sem fechar seus olhos cansados.
— Sieg, será que você... — As bochechas da pequena coraram, porém Sieg entendeu, e antes dela terminar,o mesmo se deitou atrás dela, não sem antes retirar seu blazer, entregar para a pequena. — Obrigada...
A garota então, após vestir o blazer, apenas se acomodou no chão, e assim que sentiu os braços do moreno a envolvendo, se aninhou ainda mais de encontro á ele, ambos os corpos se aquecendo naquela noite fria e morta.
Notas finais
Eu tinha vários desfechos possíveis para esse cap. , mas nenhum era feliz.
Eu particulamente me sinto triste por ter de matar um dos caras mais legais (só tem 2) da fic, mas... sério, foi preciso.
Como podem ver, cada vez mais o psícologico dos personagens está sendo afetado (Arme e Sieg apenas, Lass era um exemplo de auto-controle e de como sobreviver sem enlouquecer, mesmo sem a perna como puderam ver.)
Bom galera, é isso ai.
Favor comentar, esse cap. deu um puta trabalho pra fazer, mas o fiz com carinho para vocês leitores, por favor me compensem apenas comentando.
Thx & Cya.
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