Perdidos No Tempo - Interativa

4 IV - Entre Água & Lama


Notas iniciais
E as decisões foram tomadas...

Vamos ver o que aconteceu.

Boa leitura!

Alison viu os dois homens afastarem-se, e ficou só com a outra mulher, a Sarah. Estava muito preocupada, pois o namorado podia não ter tido a mesma sorte que ela. E se já tivesse sido devorado por outro animal daqueles? Foi interrompida de seus pensamentos por Sarah, que parecia energética ao seu lado.

- Vamos, não adianta ficar deprimida. Olha essa cascata! – A mulher começara a tirar a blusa, e quando Alison questionou com os olhos, ela apenas disse – Eles estão longe. Se molharmos estas roupas, não será confortável para andar por aí...

Sarah despiu-se, ficando apenas com a roupa íntima. Pulou na água, dando um pequeno grito pela frieza. Mas logo estava mergulhando, de um lado a outro, e parecia bastante feliz. Alison deu de ombros, retirando as próprias roupas. Não pode deixar de arrepiar-se quando seus pés tocaram a água. Não foi apressada como Sarah, entrou aos poucos, tremendo quando a água alcançou-lhe acima da cintura.

Ouviu um grito de comemoração vir de longe. Provavelmente, os homens estavam tendo sorte com a pescaria. Só a imagem de um pescado assado lhe deu água na boca. Ela percebeu que Sarah se distanciava para o meio da água, como se procurasse por algo. Foi até ela, ignorando que a água parecia ficar cada vez mais fria.

- Ei, Sarah, o que foi? – Perguntou, quando já estava perto da mulher.

Ela virou-se brevemente, apontando em uma direção.

- Parece que tem uma caverna, embaixo da cascata. Eu estava indo checar – Deu de ombros.

Alison não achou boa ideia, afinal, poderiam muito bem encontrar algo grande e feroz. Mesmo que não fosse grande, não gostaria de encontrar um animal venenoso. Mas não teve tempo de dizer nada, pois Sarah afastava-se, então contentou-se em segui-la. Não queria ficar ali sozinha, e os homens estavam muito distantes.

Realmente, havia uma caverna embaixo da cascata. A água foi ficando cada vez mais rasa, até ficarem em pé em uma plataforma de areia, com um jorro de água caindo em sua frente. Sarah simplesmente caminhou e passou por baixo. Não parecia estar forte ali, mas ainda era uma cascata. Alison respirou fundo, e com os olhos fechados passou. Por um momento, o peso sobre sua cabeça foi tão grande que pensou que fosse cair. Mas durou menos de um segundo, e logo ela estava em uma caverna enorme, cujas paredes pareciam brilhar de pedras preciosas. Em sua frente, Sarah parecia muito empolgada.

- Por que ele não mora aqui, em vez de naquela gruta apertada? – Sarah perguntou, sem realmente esperar uma resposta. Afinal, nenhuma delas conhecia bem o misterioso homem. E não era por que ele as tinha salvo, que era confiável.

Alison aproximou-se da parede, passando a mão pela pedra cheia de depressões. Reconheceu logo algumas pedras preciosas ali, pois além de vir de uma família rica, a mãe lidava com joias. Não era difícil reconhecê-las. Se a mãe visse o lugar! Ficou um pouco triste ao pensar nisso, pois nem mesmo sabia se a veria novamente.

- Alison, eu vou explorar o resto da caverna, você vem? – Sarah perguntou.

Alison olhou para frente. Não era escuro, pois era como se nas paredes houvesse uma luz, um pouco azulada, que iluminava. Mesmo assim, se encontrasse algo perigoso... Deu de ombros, e seguiu Sarah.

- Esse lugar é muito bonito – Disse Alison ao olhar ao redor. A cada vez que avançavam, parecia que a beleza, o brilho, e as pedras preciosas, aumentavam. Inclusive no teto era possível vê-las.

- Se eu pudesse levar de volta algumas das riquezas desse lugar, poderia viver o resto de minha vida de pernas para o ar – Sarah disse, olhando ao redor – Mas quem iria querer viver de pernas pro ar?

Quem não iria? Pensou Alison, mas não disse nada. Sabia que todos queriam uma vida fácil como a dela. Caminharam um pouco mais, e Alison sentiu algo mover embaixo dos pés. Olhou para baixo, para notar diversos sapinhos coloridos. Deu alguns pulos, tentando afastar-se. Sarah parecia ter o mesmo problema.

- O Ian não disse algo sobre veneno? – Lembrou Alison.

As duas conseguiram chegar até uma plataforma mais alta. Estavam descalças, e logo checaram os pés. Felizmente, não havia nada errado. Ao menos não ainda.

Logo viram um estranho animal, que não se parecia com um dinossauro. Media cerca de um metro de altura, mas era comprido. Sua pele era dura, e os olhos totalmente pretos e pequenos. Provavelmente, era cego, o que explicava ele andar com a cabeça no chão. Era largo, e as pernas curtas, grossas. Era como se se arrastasse no chão. Ele passou pelo local, abrindo a enorme bocarra, com poucos dentes. Os vários sapos tentaram fugir, mas alguns acabavam caindo na própria boca do animal, que a fechava. Alison estremeceu quando ele virou a cabeça na direção delas. Comia sapos, certo? Pensando bem, ela não queria arriscar.

- Olha, tem duas entradas, aqui – Sarah disse, apontando para um lugar próximo de onde estavam, onde duas entradas quase iguais se mostravam, uma ao lado da outra. – Provavelmente, a caverna acaba do outro lado da montanha. O que acha de continuarmos?

[Escolhas: (Caso as duas tomem decisões diferentes, podem se separar ou entrar em um consenso, as donas decidem)1 – Entrada da direita; 2 – Entrada da esquerda; 3 – Voltar para trás, passando pelo enorme dinossauro; 4 – Seguir a outra personagem.]

Jason caminhava, sozinho, não sabendo ao certo por onde começar. Os outros haviam decidido que procurariam por comida, mas Jason não poderia fazer isso enquanto imaginava os perigos que Alison estaria passando. Era uma garota da cidade, não conseguiria sobreviver sozinha por muito tempo. Se arrependeu de ter escolhido o museu como o encontro, mas acabou decidindo que não fora culpa sua. Aquilo era algo impossível, e ninguém nunca imaginaria que tal coisa pudesse acontecer.

Caminhava, sem rumo certo, ao notar pegadas humanas. Com certeza, aquilo era humano. Abaixou-se, analisando as pegadas, que provavelmente foram deixados por tênis. Se fosse pensar, não se lembrava ao certo se Alison usava ou não tênis.

Começou a seguir as pegadas, com muito cuidado para não perdê-las, quando ouviu sons horríveis, como gritos. Mas não eram humanos. E vinham justamente de onde iam as pegadas. Respirou, e passou a aproximar-se, furtivamente, com muito cuidado para não fazer barulho. Por sorte, não seria notado facilmente. Em uma clareira, no meio da floresta, vários dinossauros com cerca de quatro metros de comprimento, e um e meio de altura, atacavam outro maior, que Jason não pôde ver ao certo pela enorme quantidade de sangue, dinossauros e gritos. Tudo bem, talvez a visão de tudo aquilo tornara-se pior em sua mente, pois imaginava o estrago que seria caso aqueles pequenos dinossauros encontrassem ele ou Alison.

De qualquer modo, não poderia continuar seguindo as pegadas, pois iam diretamente para o lugar onde estavam os dinossauros. Decidiu, então, dar a volta, e se tivesse sorte toparia novamente com as mesmas pegadas. Mas enquanto saia, ouviu um som, como de alerta, e ao olhar para trás percebeu que um dos dinossauros – que não conseguia se alimentar, pela enorme concorrência – olhava-o diretamente, nem um pouco amistoso. Jason respirou fundo, e antes que pudesse pensar em qualquer coisa, correu.

Não, ele não era veloz o suficiente para aquele dinossauro. E isso o fez, em uma atitude quase desesperada, tentar escalar a primeira árvore que apareceu. Agarrou o galho mais baixo com ambas as mãos, quando sentiu uma dor no pé esquerdo, como se fosse rasgado. Olhou para baixo, e chutou a cabeça do dinossauro com o outro pé, dando um tempo para subir na árvore. Com um dos pés muito ferido, não conseguiu ir muito alto, e parou em um dos galhos. Tirou o sapato, e puxou um pouco a barra da calça, revelando cortes profundos no tornozelo pelas afiadas presas do bicho. Arrancou a camiseta pela cabeça, fazendo um torniquete improvisado. Olhou para baixo, vendo que o pequeno dinossauro rodeava a árvore, a cauda chicoteando de um lado ao outro. Depois de um tempo, onde Jason só conseguia sentir a dor no pé, o dinossauro pareceu ir embora. Mas ele não sabia ao certo, afinal, ele poderia apenas ter se afastado um pouco.

Deitou a cabeça sobre o tronco, pensando no que faria.

[Escolhas: 1 – Descer da árvore, e ir para longe; 2 – Continuar na árvore, para ter certeza de que o dinossauro foi embora; 3 – Subir mais alto na árvore, observar ao redor por um lugar seguro, e só então descer.]

Calleb viu a garota ir em outra direção, dizendo que procuraria um modo de abrir a fruta. Decidiu, então, ele mesmo ir atrás das vozes, e Ruffus foi junto com ele. Afinal, se encontrasse mais pessoas, talvez pudessem ajudar um ao outro.

Seguiu o som que ouvira, mas era como se houvesse desaparecido, ou tornado-se distante. Mesmo assim, continuou pelo caminho que achava ser o certo. Ouviu um som de água, o que despertou-lhe instantaneamente a sede. Talvez as vozes viessem de lá. Caminhou, seguindo agora a água. Enquanto caminhava, escorregou em algo que o fez deslizar, pois era como se estivesse descendo. Torceu para não ser fezes de animais enquanto era arrastado à força cada vez mais para baixo, e quando notou em sua frente um precipício, tentou agarrar qualquer coisa a sua volta. A alguns centímetros da queda mortal, conseguiu segurar um galho verde de uma árvore jovem, e parou com as pernas suspensas no ar. Por um momento, ficou paralisado, sem saber ao certo o que fazer. Com medo de sequer se mover, e que isso provocasse sua queda inevitável.

Depois de algum tempo, ouviu uma voz familiar.

- Call? Você ‘tá bem? – Ruffus perguntava, ao mesmo tempo em que descia até lá, mantendo uma distância segura ao notar o enorme precipício.

- Estou bem – Calleb respondeu, forçando-se para cima através do galho. Um crec o fez estremecer, mas pouco depois estava de volta. Respirou fundo, sacudindo as roupas, sendo que suas costas ainda estavam cobertas pela coisa molenga e escorregadia. Olhou para o precipício, notando que em baixo corria as águas de um rio. Talvez fosse aquilo que ouvira. E talvez as vozes tenham sido trazidas pelo eco.

Suspirou, voltando. Já estava pensando em caminhar de volta, quando ouviu novamente as vozes. Dessa vez, pareciam mais claras, embora não viesse propriamente do precipício. Parou por alguns segundos, apenas escutando. Então, com muito cuidado para não escorregar novamente, chamou Ruffus e ambos começaram a caminhar pela encosta. Logo, havia uma pequena descida, e as vozes tornavam-se mais claras.

- Eu disse que era má ideia me juntar a você, viu o que fez? – Uma das vozes dizia, parecendo bastante zangada. Provavelmente um rapaz.

Calleb aproximou-se mais, e só então percebeu a cena. Havia uma estranha piscina de lama, e um garoto estava dentro dela, coberto dos pés a cabeça por lama. Parecia furioso, mas a cada vez que tentava sair, escorregava e caia de volta, o que provocava várias gargalhadas a uma garota, que parecia bem jovem, com no máximo treze ou quatorze anos.

Só então notaram Calleb e Ruffus, e o garoto menor já tentava se segurar para não rir também, tendo pouco sucesso. A “plateia” apenas deixou o garoto mais bravo.

- Vão me deixar aqui, ou vão me ajudar a sair? – Ele disse, um tanto ríspido.

Depois de tirarem o garoto de lá, a menina explicou o que acontecera. Aparentemente, ela ouvira um barulho e se assustara, e “acidentalmente” esbarrara nele, fazendo-o escorregar para o buraco. No início Calleb pensou que o garoto moreno com cabelos castanhos, e a menina com os cabelos negros trançados e olhos castanhos, eram irmãos. Depois descobriu mais sobre eles. Não muito sobre o garoto, já que ele parecia relutante em falar sobre sua vida, mas a garota estava em uma excursão da escola. Aparentemente, se separara da professora para ver os fósseis, quando tudo aconteceu. Parecia pensar que tudo ainda era uma brincadeira.

- Tem um rio que corre aqui por baixo, podemos descer e você se lava lá – Calleb sugeriu ao rapaz, que se chamava Alan Campbell.

Alan pareceu pensar um pouco, olhando a própria situação, quando a garota, Susan, ou Sue, interveio.

- Você precisa ir, está fedendo. – Ela colocou a mão sobre o nariz para dar ênfase.

- E eu estou com sede – Ruffy acrescentou, timidamente.

Aparentemente, a decisão era unânime.

[Escolhas: 1 – Descer até o rio; 2 – Procurar por comida; 3 – Seguir outro personagem (especifique); 4 — Procurar abrigo;]

Lydia caminhava, em busca de algo. Não sabia bem o que, apenas precisava ser... afiado, completou mentalmente, ao ver um enorme esqueleto de dinossauro. Pelo tamanho, e mandíbulas, provavelmente seria um terópode. Mais especificamente, poderia ser um tiranossauro, ou um carnotauro, ou outro animal de grande porte. E carnívoro, pelas presas afiadas.

Aproximou-se do esqueleto, indo direto a boca do animal. Provavelmente morrera em uma briga, pois possuía ossos quebrados, embora a carne já tivesse sumido. Já não possuía cheiro forte, e provavelmente estava a algum tempo ali. Com a ajuda de uma pedra, conseguiu arrancar um canino sem danificá-lo. Arrancou o outro, por precaução, e sentou-se ali perto. Mas decidiu não abrir a fruta agora. Precisava de água para lavar os dentes. Imagina que tipo de germes havia neles? Poderia pegar alguma doença.

Colocou, cuidadosamente, a fruta em cima de uma pedra, e escalou a árvore mais próxima. Era bastante alta, e quando chegou no topo, conseguiu ver bastante em volta. Avistou, a alguns quilômetros dali, uma mancha azul. Água. Preparou-se para descer, mas ouviu passos. Junto com eles, vozes. Desceu o mais rápido que podia, ralando os braços e pernas, e pulou exatamente na frente das pessoas.

- Eu disse que uma a comida não iria aparecer como mágica – Uma garota, com cabelos em um tom escuro de louro, disse para o rapaz ao seu lado.

- Você fala nossa língua? – Perguntou o garoto, gesticulando exageradamente. Lydia fitou-o em dúvida, e só depois percebeu. Suas roupas estavam um trapo, rasgadas e cobertas de terra. Ela estava muito suja, e os cabelos escuros haviam virado uma juba de leão. Provavelmente, por mais estranho que parecesse, ele pensava que ela era uma selvagem ou coisa assim.

- É claro que falo – Lydia respondeu, pegando na pedra sua grande fruta, que parecia estar ótima, e os dentes de dinossauro, que davam a impressão de serem pequenos punhais.

- Whoa, então você não é uma selvagem? – Ele pareceu embaraçado – Você parece saber lidar bem com isso. – Ele disse, fazendo um gesto com as mãos, mostrando o redor. Se referia ao ambiente em que estavam.

- Talvez – Lydia respondeu – Mas agora preciso ir.

A garota adiantou-se.

- Espera, para onde vai? Podíamos nos juntar a você. – Disse, com um grande sorriso.

Lydia pensou em dizer “sem chance”, mas talvez um grupo não fosse de todo ruim. Ao menos até chegar à água.

- Tudo bem, estou indo até o rio que vi – Ela apontou, e os dois fizeram uma careta.

- Acabamos de voltar de lá – Disseram, em uníssono, com expressões desanimadas.

- Está cheio de dinossauros – A garota disse.

Lydia deu de ombros. Precisava ir, de qualquer jeito.

- Os dinossauros são iguais? – Perguntou, deixando os dois confusos. Depois de um tempo, o rapaz acenou negativamente. – Então não há problemas.

Ela começou o caminho, pouco se importando se iriam ou não com ela.

- Espera, eu vou contigo! – O rapaz disse, seguindo-a – A propósito, sou Cameron.

A garota apareceu subitamente ao seu lado.

- E eu sou Alicia.

Lydia suspirou. Não gostava muito de companhia.

[Escolhas (depois de chegar ao rio): 1 – Procurar por mais comida; 2 – Procurar por outras pessoas; 3 – Tomar um banho no rio; 4 – Procurar abrigo para a noite; 5 – Seguir outro personagem (especifique qual).]

Notas finais
E aí, o que acharam?
Não teve muita ação ainda, mas eu quis deixar o clima de "suspense".

A personagem, Susan (Sue) foi criada por mim, pois não haviam muitas garotas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.