Perdidos No Tempo - Interativa
3 III - Manhã e... fome!
Notas iniciais
Colocarei, a partir deste capítulo, decisões que vocês podem escolher para seu personagem tomar, tornando assim mais "interativa".
Boa leitura!
Cameron abriu lentamente os olhos, piscando perante a claridade. Levantou-se, alongando-se e ouvindo os ossos do corpo estalar. É, já tivera noites melhores. Olhou em volta, respirando fundo o ar. Não, como temera, aquilo não era apenas um sonho. Apenas lembrava-se de estar no museu, para fazer uma entrega, pois o seu funcionário estava doente. Cameron era jovem, mas já possuía uma empresa – não muito famosa – de celulares. Pretendia fazê-la chegar ao topo, mas agora nem mesmo sabia onde estava.
Depois de chegar ao lugar estranho, procurara abrigo para a noite. Temeu encontrar outro dinossauro, e acabou passando a noite embaixo de uma pedra, que fora lascada por algum tipo de animal, dando um abrigo perfeito. Não tão perfeito assim, constatou ao sentir todos os ossos do corpo doer. Antes que começasse a caminhar, seu estômago roncou. Estava faminto. Lembrou-se da entrega, e pegou a mochila, onde continha o celular e alguns objetos. Ligou o aparelho, pensando que aquilo podia ser uma pegadinha, mas estava sem sinal. Procurou na mochila por algo comestível, sem sucesso. Até encontrar, em um compartimento, uma barra de chocolate. Talvez o funcionário não tivesse ficado doente à toa, pois tinha diabetes, e encontrar aquele chocolate apenas aumentou a suspeita. Mas agora não era hora de pensar sobre a imprudência dos funcionários.
Colocou a mochila nas costas, e caminhou enquanto abria o chocolate. Abriu a boca para mordê-lo, quando ouviu um som alto, como um rugido ou algo do tipo. Paralisou-se por alguns momentos, mas continuou, meio escondido pelos grandes arbustos – tudo ali parecia ser feito na medida para gigantes – até ver algo que não notara antes. Um grande rio, que continuava até onde os olhos podiam ver. Aproximou-se um pouco mais, e percebeu de onde vinham os sons. Na beira do lago, onde havia um grande espaço sem vegetação, estavam vários dinossauros de várias espécies diferentes. Cameron olhava abismado, pensando se aquilo era mesmo real, ou se estava ficando maluco, quando ouviu passos atrás de si.
Virou-se de uma vez, assustado, principalmente pela visão que acabara de ter. Mas eram apenas pessoas, um rapaz com cabelos castanhos e curtos, um pouco arrepiados, e olhos azuis. Seu rosto estava sujo, e parecia ter esfregado a cara no chão. Um pouco atrás dele estava uma garota de cabelos lisos e um tom próximo do caramelo, com uma expressão assustada.
– Ei, cara, calma! – Ele disse, levantando as mãos como que para mostrar que não ia feri-lo. Só então Cameron percebeu que segurava uma pedra do tamanho do seu punho em uma mão. Quando a tinha pego? Jogou a pedra no chão, um pouco envergonhado.
– Fala baixo – Cameron sussurrou, apontando para a direção em que olhava. Curioso, o rapaz foi até lá. E logo a garota o seguiu. Os gigantes estavam a uma distância segura, e se algum deles os notasse, seria fácil fugir. Apesar disso, pelo que Cameron constatou com facilidade, eram herbívoros, e só os atacariam se sentissem-se ameaçados.
A garota virou-se.
– Onde estão meus modos? Oi, sou Alicia – Ela disse, oferecendo uma das mãos. Mas Cameron não pode deixar de perceber que ela apenas fitava o chocolate, intocado, em sua mão.
– Cameron. Você está com fome? – Ele disse, partindo o chocolate ao meio. Logo o outro garoto viu, e Cameron sentiu-se culpado em não dividir. Desde modo, ficou um pedaço miseravelmente pequeno para cada um.
– Obrigado – Agradeceu o rapaz, que se apresentou como Jason.
– Mas isso não serviu de muita coisa, ainda tenho fome – Completou Alicia – Precisamos encontrar algo para comer...
Cameron concordou, mas notou que Jason tinha uma expressão estranha, como se não fosse aquilo que queria fazer.
(Decisões para seus personagens tomarem: (cada dono do personagem me mandará por MP, pois não quero dar spoilers.
[1 — Procurar por comida; 2 — Procurar abrigo; 3 — Procurar por outros sobreviventes; 4 — Seguir outro personagem (especifique o personagem que quer seguir, ou seja, fazer a mesma escolha que ele)]
[Para Jason há uma escolha extra: 5 — Procurar pela namorada;])
Lydia estava acordada antes mesmo de o sol nascer. Observou os outros, que dormiam. Calleb, estirado em seu tronco, com um braço e uma perna perigosamente suspensos. Parecia dormir pesado. O garotinho mais novo, Ruffus, estava dormindo, mas acordou subitamente, afastando-se e encolhendo-se mais próximo do tronco, assustado.
Lydia saltou para o galho de baixo, e deslizou habilmente pelo tronco.
– Onde vai? – O garotinho perguntou, hesitante.
– Estou faminta, vou procurar algo para comer. – Olhando a expressão do garoto, acrescentou – Se quiser, pode vir junto.
Ele sorriu, mas seu olhar passou para o homem que dormia, como se decidisse se seria ou não boa ideia acordá-lo. Mas não foi preciso muita coisa. Com o barulho que Ruffy fez ao descer, desequilibrando-se e caindo – por sorte, de uma altura baixa – e rasgando os joelhos das calças. Levantou-se, sacudindo a sujeira das roupas, agora encardidas.
Calleb desceu em seguida, com facilidade, por sua altura e agilidade.
– E então, qual é o plano? – Calleb disse, alongando o corpo.
– Eu vou procurar algo para comer – Lydia disse com uma careta, ouvindo o estômago roncar – Não sei quanto a vocês.
Lydia continuou o caminho, vendo os outros a seguirem. Devem ter percebido que ela tinha alguma experiência naquilo. Lydia nascera no México, na beira do rio, e sabia muito de natureza. Quando a casa em que morava pegou fogo, foi obrigada a ir para a cidade, tentar a sorte por lá, com o que sobrara da família. Depois de muitas dificuldades – e até ser vendida pelo próprio pai para um inglês – foi adotada por uma mulher, e logo, por ser muito estudiosa, conseguiu uma bolsa para Havard, paga por um antropólogo que viu algo na menina arisca. Agora, com vinte e dois anos, já havia completado a faculdade de antropologia, e fora visitar o museu, coisa que gostava de fazer.
Até acontecer aquilo.
Lydia não sabia se era uma maldição ou uma benção, mas agora estava ali, em meio à florestas inexploradas e dinossauros. Eram tantos os riscos, que ela não podia deixar de pensar: Iriam mesmo sobreviver? Vira com os próprios olhos algumas pessoas serem devoradas, e aquilo despertara-lhe uma sensação de que podia morrer a qualquer momento. Por hora, tentaria sobreviver.
– Olha, amoras! – Ruffus exclamou, tirando Lydia de seus devaneios. Ela seguiu-o, juntamente a Calleb, até uma espécie de moita repleta de frutinhas arroxeadas. Ruffus estendeu a mão para pegar uma, mas Lydia o parou.
– Espera, não sabemos se são venenosas – A garota disse, aproximando-se.
– Tem razão. Mas como podemos... – Calleb parou no meio da frase, parecendo ouvir algo. Lydia fez alguns gestos para que a seguisse, e todos encolheram-se atrás de uma moita, que ficava ao lado de uma árvore. Ficaram imóveis, parecendo nem mesmo respirar.
Um pequeno dinossauro, que media cerca de um metro e meio, surgiu, desconfiado. Levantou a pequena cabeça, parecendo checar. Suas pernas eram longas e ágeis, e seus braços curtos, com cinco dedos em cada mão. Caminhou com as pernas compridas até uma árvore ali perto, subindo-a com imensa agilidade. Pouco tempo depois, a árvore balançou-se, e algumas frutas grandes, de cor amarelada, que lembravam levemente uma jaca, caíram. O animal desceu, rasgando com os dentes a casca, mas pareceu percebê-los. Aproximou-se da moita em que estavam, lentamente, quando Lydia levantou e disse “Bu!”. O pequeno correu dali, e Lydia dirigiu-se a fruta que ele estava comendo.
– Isso sim é comestível. – Ela sorriu.
– Você... – Calleb começou, sem saber ao certo o que diria.
Mas Lydia já estava escalando a árvore.
– Era um ornitópode, provavelmente. São herbívoros, e ele não nos atacaria se não estivesse acuado – Lydia deu de ombros perante a pergunta muda – Esperem aí, vou tentar pegar algumas.
Os homens, sem escolhas, ficaram ali, esperando. Ruffus gritou um “Ai”, retirando de seu tornozelo um inseto que parecia bastante com uma formiga, exceto pelo fato de ser maior. E de a picada doer mais. Ruffus esfregava o tornozelo, vermelho e dolorido, quando Lydia gritou algo e uma fruta caiu perigosamente próxima da cabeça de Calleb. Sim, aquele lugar era uma armadilha mortal.
– Desculpa! – Lydia gritou do alto.
Algum tempo depois, ela desceu, segurando uma mísera fruta nos braços e sorrindo triunfante.
– As outras estavam verdes – Deu de ombros.
Agora, precisavam abri-la. Mas como? Qualquer pancada transformaria a fruta em um monte de gosma amarelada, o que comprovaram com a que caiu, e que já não era comestível – exceto se alguém estivesse disposto a pegar do chão, com terra e insetos.
– Alguém aí tem uma faca? – Brincou Calleb. Quem levaria uma faca para um museu?
Lydia tentou tirar a casca com as mãos, mas era demasiada dura. Mas por que se espatifara tão facilmente? Simples, caíra de uma altura muito grande. Já sem paciência, Lydia levantou a fruta, pronta para batê-la contra uma rocha cinzenta.
– Espera – Calleb chamou – Acho que ouvi vozes por ali.
Todos ficaram silenciosos, e Lydia notou que sim, realmente, eram vozes. Será que traziam consigo um canivete ou faca? Mas ela tivera tanto trabalho para pegar aquela coisa! Teria que dividir com todos.
(Decisões para seus personagens tomarem: (cada dono do personagem me mandará por MP, pois não quero dar spoilers.
[1 — Procurar algo cortante para abrir a fruta; 2 — Procurar abrigo; 3 — Investigar as vozes; 4 — Seguir outro personagem (especifique o personagem que quer seguir, ou seja, fazer a mesma escolha que ele); 5 — Procurar por água;])
Sarah abriu os olhos na meia-escuridão da caverna, tossindo com a poeira. Levantou-se, e o corpo todo doía, mas ela estava acostumada com isso. Como professora de ginástica olímpica, dores musculares eram algo muito comum. Alongou os músculos, e saiu pela entrada da caverna, para respirar um pouco de ar puro. Lá dentro, Alison dormia, mas nenhum dos homens era visto.
Assim que saiu, sentiu a diferença da atmosfera. Respirou fundo o ar frio e puro, sentindo uma onda de energia percorrer seu corpo. Deu alguns pulinhos para se aquecer, pois estava acostumada a longas corridas pela manhã, para manter a forma. Procurou os homens com os olhos, mas não os viu. Já ia procurá-los quando Alison surgiu pela abertura da caverna, esfregando os olhos, com expressão sonolenta.
– Onde estão os outros? – Ela disse com um bocejo.
– Estava indo procurá-los agora. Se quiser pode vir junto.
A garota pareceu pensar um pouco.
– Mas e se nos perdermos, e não encontrarmos este lugar novamente? – Questionou.
Sarah deu de ombros. Realmente, não pensara por este ângulo. Mas não queria ficar parada, esperando.
– Então fique aqui, e se eles aparecerem, diga que fui procurá-los. – Sarah respondeu. Mas não foi preciso. Logo, chegaram Ian e Hugh, carregando uma cesta trançada com vários tipos de frutas e raízes. Ian trazia um grande jarro de argila com água, e sorriu ao vê-las.
– Vejo que as moças estão de pé. Venham, está na hora do café da manhã – Ele disse, sorrindo. Até Hugh parecia estar com menos mau humor. Mas com uma paisagem tão linda como aquela, como ficar de mau humor?
Sentaram-se em um semicírculo na relva macia, ainda molhada pelo orvalho da manhã. Abocanhou uma fruta estranha, com um sabor azedo, e sumo vermelho escorreu-lhe pelo queixo, parecendo-se com sangue. Viu a blusa manchar-se, mas não se importou. Sentia-se tão livre ali, o que era contraditório, levando em conta o perigo que estava passando.
– Vou ensinar o Hugh a caçar, se quiserem vir junto, poderão aprender mais – Ian comentou, mordiscando uma raiz que tinha sabor próximo do palmito.
– Ahm, eu... preciso encontrar meu namorado – Alison disse, um pouco sem jeito.
Ian coçou a cabeça, preocupado.
– Não poderei protegê-la, então. Mas vamos conosco até a cachoeira, vocês poderão nadar e eu posso ensinar-lhes a pescar. – Disse o homem.
Alison concordou, e assim que eles terminaram o “café da manhã”, Ian levantou-se e foi seguido pelos outros. Sarah não parava de olhar ao redor, notando a beleza do lugar. As folhas pareciam mais verdes, as cores, mais bonitas e vibrantes, e até o ar parecia mais puro. Havia alguns pequenos animais e insetos por todas as partes, e flores de diferentes cores. Ela também não pode deixar de notar as pegadas, pequenas e grandes, que seguiam para diferentes direções. Algo lhe dizia que ainda não tinha visto nada de tudo o que aquele novo mundo tinha a oferecer.
Andaram por bastante tempo, mas a Sarah não pareceu tanto assim. Ainda sentia-se energética, e sua vontade de fazer algo só aumentava. Mesmo antes de chegarem ao cachoeira ouviram o som de água. Ao redor dela, enormes rochas escorregadias, e uma cascata caía de tão alto que o sol não permitia ver, e a impressão era de que a água caía do céu. Próximo às rochas, havia piscinas profundas, mas também havia águas rasas por onde dava para ver o fundo, de tão cristalina era. Sarah tirou os tênis esportivos, colocando os pés nus na água gelada. Um arrepio percorreu seu corpo.
– Podem aproveitar, o lugar é bastante tranquilo. Apenas não toquem em nada muito colorido ou brilhante, pois pode ser venenoso. E olhem por onde pisam – Ian deu as instruções, enquanto afastava-se com Hugh para ensiná-lo a pescar com as lanças.
O dia apenas começara, e havia muito que Sarah queria fazer. Só esperava que esta empolgação não acabasse muito rápido.
(Decisões para seus personagens tomarem: (cada dono do personagem me mandará por MP, pois não quero dar spoilers.
Nota: Apenas Alison e Sarah escolherão;
[1 — Aprender a pescar com Ian; 2 — Explorar o lugar; 3 — Procurar por outros sobreviventes; 4 — Tomar um banho na cascata; 5 — Seguir outro personagem (especifique o personagem que quer seguir, ou seja, fazer a mesma escolha que ele)]
Para Alison: 6 — Procurar pelo namorado;)
Notas finais
Os personagens aceitos e que não apareceram nesse: Alan Campbell;
Para Isamu Dracon, se quiser saber por que seu personagem não foi aceito, me mande uma MP, okay?
Espero por seus reviews.
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