Perdidos Em Nova Iorque
29 Podemos tentar?
Notas iniciais
O porteiro havia lhe avisado que ele estava subindo, o que a deixou absolutamente inquieta e exasperada. Não sabia o que faria quando ele chegasse a seu apartamento. Caminhava de um lado a outro da sala quando a campainha tocou o que acabou assustando-a.
Respirou fundo e encaminhou-se até a porta, segurou a maçaneta e sentiu o coração acelerando quando a girou. Encontrou-o com seus cabelos ruivos um pouco molhados, estava com uma das mãos próxima a soleira da porta apoiando-se nela com o corpo tombado. Assim que a viu endireitou-se, ele parecia sem ar assim como ela.
Tomada pela euforia do momento que lhe invadiu ela abandonou a maçaneta e pulou no pescoço do ruivo, dando-lhe um forte abraço. Ele a correspondeu suspendendo-a encaminhou-se para dentro do apartamento com ela nos braços e fechou a porta. Lembrando-os de antigos costumem que tinham quando ainda eram um casal.
Rony a colocara de volta no chão e segurara seu rosto, forçando-a a olhá-lo, e antes mesmo de fixar seus olhos nos dela ele a beijou. Furiosa e apaixonadamente, tirando-a do chão outra vez. Assim que o beijo cessara outros inúmeros iniciaram-se, e eles ficaram ali longos minutos apenas beijando-se.
— Eu senti sua falta! — Rony declarou entre um beijo e outro.
— Eu também senti a sua. — ela disse quando ele rumou os beijos para seu pescoço.
— Você disse que queria conversar, não disse? — ele roubou mais um beijo dela e ela assentiu.
— Vem aqui, vamos nos sentar. — ela o puxou pela mão guiando-o até o sofá onde os dois se acomodaram.
Tanto Hermione quanto Rony sabiam que já não estavam mais brigados. Eram assim as reconciliações dos dois: beijos, beijos e mais beijos. Acreditavam que eles diziam muito mais do que qualquer palavra. Mas daquela vez os beijos não seriam suficientes, teriam que conversar.
— O que você quer falar? — Rony perguntara com os lábios ainda avermelhados dos beijos que acabaram de trocar.
— Muita coisa!
— Tudo bem, pode falar.
— Eu nem sei por onde começar... — estava nervosa.
— Que tal pelo começo? — brincou.
— Seu bobo! — o empurrou.
— Fica tranquila, quando estiver pronta pode começar. — ele segurou a mão dela.
— Ok... Obviamente eu quero falar sobre nós dois.
— É, isso realmente já estava óbvio pra mim.
— Então... É que estou um pouco confusa e receosa, entende?
— Hum... Não.
— Ai, Ron! — disse impaciente — Vai me dizer que você está super-bem, não tem nada te angustiando?
— Na verdade até tinha, mas as angústias ficaram lá fora. Quando entrei aqui e te beijei, passou. — ele disse a abraçando de lado, beijando-lhe o ombro.
— Mas comigo as coisas não são assim, você bem sabe disso.
— Claro que sei, senhorita complicação.
— Será que dá pra me levar a sério, por favor? — ela disse afastando o braço dele de sua cintura, sentando-se de frente a ele.
— Tudo bem, estou levando.
— Ok. Ron, nós estamos realmente preparados pra isso?
— Isso o quê?
— Um relacionamento.
— Sim, é claro que sim! Eu estou! Você não está?
— Se você está, acho que também estou.
— E qual é o problema?
— Eu não quero ter que passar por tudo aquilo de novo, entende?
— Sim, eu entendo. E quero que saiba que eu não mais aquele Rony idiota e egoísta, ok? Eu mudei, por sua causa! Estou disposto a aprender e também a errar ao seu lado, mas principalmente crescer. Crescer junto contigo! Sei que já é uma pessoa infinitamente grandiosa, e é por isso que quero estar ao seu lado. Pra poder ver você alcançar todos os seus sonhos sem te atrapalhar como fiz antes...
— Você não me atrapalhou, Rony. Acredito que esse tempo que estivemos separados foi importante justamente pra isso: pra crescermos. Durante muito tempo eu vivi em função de você, e nos separarmos foi bom para que eu me priorizasse sabe? Colocasse minha carreira em foco e aprendesse a viver um pouco sem você. Essa última foi a pior parte, mas não foi uma experiência de todo ruim...
— E eu aprendi uma coisa que devia ter aprendido há muito tempo atrás: dar valor a você. Eu tenho muito que agradecer por te ter na minha vida, e sei que não quero mais vivê-la sem você. Mas também aprendi a ser independente, a não priorizar só a minha carreira. E principalmente aprendi a tomar decisões, sem serem precipitadas.
— Está vendo só? Nós crescemos.
— Sim. Nós namoramos desde os catorze, Mione. É uma vida inteira juntos!
— E nós precisávamos aprender a viver um sem o outro também, adquirir novas experiências e novas sensações.
— Mas esse tempo sem mim foi bom pra você?
— Ficar sem você foi a pior parte de tudo. — ela declarou timidamente e ele voltou a abraçá-la de lado, dessa vez beijando-lhe a bochecha.
— Já disse que senti sua falta? — ele perguntou, mas não deu tempo para que ela o respondesse, pois havia beijado-a. Dessa vez calma e serenamente, diferente dos beijos que trocaram na porta.
— Nós somos outras pessoas agora, Ron. Muita coisa mudou. — ela disse ainda com o rosto próximo ao dele.
— E desde quando mudanças são ruins?
— Você tem razão! — ela concluiu suspirando, abraçando-o pelo pescoço.
— O essencial não mudou, e é isso o que importa!
— E o que é essencial? — ela perguntou confusa.
— Eu ainda sou perdidamente apaixonado por você!
— Depois de todo esse tempo ainda usa essas declarações pra me deixar toda derretida, né? — ela tentou bronqueá-lo, mas como a mesma havia dito estava derretida. E mesmo tentando, não conseguiu depositar nem um pingo de grosseria em seu tom de voz.
— É, parece que nem tudo mudou. — ele a puxou para seu colo, aumentando ainda mais a proximidade entre os dois — Assim como você que continua se derretendo pra cima de mim. Parece até que está apaixonada por mim! — brincou.
— E algum dia eu deixei de ser? — então ele quebrou a barreira entre os dois, tomando os lábios dela para si.
Dessa vez ele retomara o ritmo fervoroso dos beijos da porta, apertando-a e trazendo-a para si cada vez mais enquanto ela bagunçava seus cabelos. A antiga mania de bagunçar seus fios ruivos...
— Ron... — ela disse interrompendo o beijo.
— O que foi?
— Sobre você e a Lilá...
— Vamos fazer o seguinte: deixaremos esse assunto de lado, ok? Eu te contei aquilo porque não quero esconder nada de você, nunca escondemos e assim vai continuar sendo ok? Mas vamos deixar isso pra lá, tá bem?
— Está bem. — ela concordou envergonhada.
— Não vamos falar dela nem daquele babaca do Vítor! Só de pensar que ele ia casar com...
— Shiu! — disse colocando os dedos nos lábios do ruivo — Não vamos mais falar sobre isso, ok? Está decidido.
— Obrigado.
— Só quero pedir pra irmos com calma, tá? — ela saiu do colo dele, sentando-se ao seu lado.
— Tudo bem, vamos com calma. Como você preferir. — ele empertigou-se no sofá.
— Nós vamos começar do zero, não vamos?
— Pode ser.
— É um recomeço então. Vamos com calma!
— O que você desejar estará bom pra mim, desde que estejamos juntos! — ele disse oferecendo sua mão.
Hermione soltou um suspiro apaixonado e entrelaçou seus dedos nos dele, fitando brevemente como sua mão pequenina encaixava-se perfeitamente nas mãos largas e grandes de Rony. Levantou o olhar para o rosto do ruivo que a fitava com aquele velho sorriso de canto. O mais sedutor na opinião dela, sedutor e cínico. O seu sorriso favorito no mundo! E aproveitou-se do momento para beijar-lhe mais uma vez.
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