Perdidos Em Nova Iorque
15 Central Park
Notas iniciais
Rony estava atento à tela de seu computador quando percebeu a presença de certa pessoa. Ela parecia estar em um conflito interno, indo e voltando o tempo todo. Então ele resolveu chamar a atenção dela para si.
— Mione? — ele disse tirando-a de seu transe e ela finalmente se aproximou dele definitivamente.
— Oi, Ron. — disse corando.
— Você quer falar comigo?
— Ah, não, não, não! — apressou-se a dizer — Estava só passando por aqui...
— Tudo bem então. — ele disse voltando sua atenção para a tela do computador.
Hermione virou-se de costas e deu apenas dois passos para longe dele, mas reuniu toda a sua coragem para voltar atrás e fazer o que realmente queria.
— Quer ir almoçar comigo? — ela perguntou e ele passou a fitá-la por cima de seus óculos.
— Quero. — ele respondeu e ela soltou todo ar que percebeu ter prendido.
— Ótimo! Eu saio a uma e você?
— Eu também.
— Então eu te espero lá embaixo, ok?
— Ok. — ele disse e retribuiu o sorriso que ela lhe ofereceu antes de sair.
Rony ficou um tanto surpreso com o convite repentino de Hermione, mas não perdeu a oportunidade para sair com ela e logo aceitou a proposta.
Depois que ela saiu, os minutos pareciam se arrastarem por conta de sua ansiedade. Queria saber se os amigos iriam almoçar com eles também, mas a alegria que preencheu seu peito o compensou quando a viu lhe esperando sozinha.
— Sempre pontual. — ele disse pra ela ao se aproximar.
— Queria poder dizer o mesmo pra você! — ela brincou.
— Engraçadinha! Onde vamos almoçar?
— Ah... Bem... Eu não tinha pensado nisso.
— Você me chamou pra almoçar, mas não sabe aonde quer ir?
— Desculpe, eu devia ter me preparado quanto a isso. — disse envergonhada.
— Não tem problema. Você sabe o que fazer quando estamos em dúvida sobre o que comer, não sabe? — assim que ele terminou de dizer eles trocaram um sorriso cúmplice.
— Sorte nossa que não faltam redes de fast-food em Nova Iorque!
— Quer que eu carregue pra você? — se ofereceu indo pegar a sacola que ela carregava nas mãos.
— Não precisa, pode deixar que eu levo.
— Tudo bem.
(...)
Hermione havia insistido para que comesse rapidamente, pois queria passar em outro lugar antes de voltaram para o término do expediente. Comer rapidamente não era um problema para o ruivo, já que desde sempre ele levava em conta o fato de que se comesse rápido, teria mais chances de repetir a comida.
Então os dois caminharam até o destino que a morena tinha preparado para os dois. Eles estavam num parque! Da sacola que ela carregava ela tirou uma grande toalha e a estendeu no chão embaixo de uma árvore para que os dois se sentassem.
— O que estamos fazendo aqui? — perguntou.
— O que a maioria das pessoas vem fazer aqui essa hora.
— E o que a maioria das pessoas fazem?
— Descansam Ron! Você nunca veio aqui, não?
— Não.
— Como não? — perguntou indignada — Já faz meses que você está em Nova Iorque e ainda não veio conhecer o Central Park?
— Esse é o Central Park?
— Você é definitivamente a pessoa mais avoada que eu conheço!
— Não sou tão avoado...
— É sim, com certeza é! — ela disse tirando duas almofadinhas de sua sacola.
Hermione entregou uma para ele e deitou-se colocando a sua abaixo da cabeça. Ela fechou os olhos e ele ficou sentado apenas observando-a até que ela começasse a falar.
— Nunca veio aqui mesmo? — ela perguntou.
— Não.
— Eu venho aqui várias vezes.
— Sozinha?
— Nem sempre. Vítor costuma vir comigo quando peço.
— E os outros?
— Eles costumam pedir pra vir comigo quando querem desabafar ou algo do tipo.
— Desabafar?
— É, deve ser porque aqui é um lugar aconchegante com esse solzinho.
— Ou porque gostam dos seus conselhos.
— Será mesmo? Por que é que gostariam dos meus conselhos?
— Você é inteligente, sabe aconselhar as pessoas.
— Nem sempre. Ultimamente não estou conseguindo nem me auto-aconselhar...
— E desde quando Hermione Granger precisa de conselhos? — ele disse colocando sua almofada ao lado da dela e deitando-se de barriga para cima.
— Eu não sei. Esse é o problema, ultimamente não estou sabendo mais nada. — ela deitou-se de lado e colocou suas mãos uma sobre a outra, prendendo-as entre a almofada e sua cabeça, de modo que ficasse encarando-o.
— Impossível, você sempre sabe tudo sobre tudo.
— Tudo sobre tudo até a página dois.
— O que está te aborrecendo? Pode me dizer que eu dou um jeito nisso pra você! — ele disse e ela riu fracamente, fazia muito tempo que ele não dizia aquilo pra ela. Geralmente aquela leve ameaça fazia-a ficar melhor, ou pelo menos lhe roubava um sorriso, assim como roubara agora.
— Não tem nada me aborrecendo... Quer dizer, só tem coisa demais na minha cabeça. Está tudo acontecendo ao mesmo tempo, acho que é só cansaço mesmo.
— Tem certeza? — a pressionou com o olhar. A conhecia bem o suficiente para saber que tinha algo que ela estava ocultando naquela história. E ela sabia que tentar esconder algo dele era impossível.
— Não quero ficar falando disso... — ela desviou o olhar dos olhos dele.
— Você nunca escondeu nada de mim.
— Só estou um pouco confusa.
— Confusa com o quê?
— Não é nada demais, só as preocupações com o casamento.
— Ah, o casamento. — lembrou-se um tanto enojado — Vítor está sendo muito exigente e te dando dor de cabeça?
— Não, claro que não. Muito pelo contrário, ele é sempre compreensível e me deixa escolher tudo o que quero. Não tem exigências, só o meu gosto.
— Não estão planejando o casamento juntos?
— Não. É sempre assim: eu é que escolho tudo. Não tem briga pra decidir nada, nunca tem.
— Nunca? — perguntou surpreso, quando ele e Hermione estavam juntos não faltavam brigas pelas opiniões divergentes dos dois.
— Nunca.
— Então vocês são o que chamam de casal perfeito?
— Acho que sim... Isso é algo bom, não é?
— Acho que sim... Ou pelo menos deve ser.
— Não me parece tão bom quando todas as exigências caem todas em cima da noiva. Mas, se for olhar pelo lado bom... Eu terei o casamento dos meus sonhos!
— Mas você não vai casar sozinha. Devia ser o casamento dos sonhos dos dois, não só do seu.
— Vítor confia em mim.
— E você, confia nele?
— É claro que sim! Por que não confiaria?
— Não sei, foi só uma pergunta! Mas, por que está confusa então?
— Nem sei direito se estou confusa, às vezes acho que só estou assustada.
— Assustada com o quê?
— Com tudo. Fico pensando... Acha que estamos preparados pra isso? Vítor e eu?
— Você o ama?
— Eu gosto dele... — disse vacilante e respirou fundo para cumprir a sentença — Sim. Nós dois nos amamos.
— Então eu acho que estão. São adultos, os dois trabalham, os dois se amam...
— É, você tem razão. É que... Não sei, às vezes acho que tudo está indo rápido demais. Faz pouco mais de um ano que estamos juntos e já vamos nos casar!
— Se vocês se amam não tem por que esperar.
— Eu sei. Acho que toda essa preparação está me deixando um pouco insegura.
— Insegura como?
— Já sentiu alguma incerteza em estar com alguém?
— Não. — declarou.
A verdade era que Rony nunca tivera nada sério com ninguém além de Hermione, e ele nunca teve incerteza nenhuma ao lado dela. Muito pelo contrário, uma das certezas que tinha era que queria passar o resto de sua vida ao lado dela, mas o destino não permitiu que aquilo fosse possível e agora ele estava ao lado dela lhe aconselhando a ficar ao lado de outro.
— Então você não vai entender... Sabe, eu o amo, mas alguma coisa aqui dentro me faz sentir medo às vezes. — ela disse colocando a mão sobre seu próprio coração.
— Esse amor tinha que ser o suficiente para se sobressair sobre esse medo, não acha?
— Se não for, terá que bastar.
— Você nunca foi uma mulher de meios-termos, sempre foi decidida porque é inteligente. — disse indo colocar uma mecha do cabelo de Hermione atrás da orelha dela — Então tenha certeza antes de tomar uma decisão que vai mudar a sua vida.
— Às vezes eu só queria poder voltar no tempo. — declarou fechando os olhos ao senti-lo acariciando seu rosto.
— Eu também.
— Você vai ao casamento, não vai?
— Vou. — respondeu depois de suspirar desapontado e afastar sua mão do rosto da morena.
— Ótimo. Sua presença é importante.
— Por que minha presença é importante? — ele perguntou irritado, sentindo uma onda de raiva tomar conta de seu corpo.
— Porque você é importante pra mim.
"Hermione realmente não tem noção do que diz!" ele pensou. Ela parecia querer contribuir para que a confusão de sentimentos que tinha dentro de si aumentasse, e o pior, ele não queria que ela parasse.
Aquela conversa tinha significado muita coisa pra ele, e infelizmente ele não conseguia nomear nada daquilo. Deixando-o exatamente como ela: cada vez mais confuso. Dúvidas e mais dúvidas rondavam em sua mente, inclusive uma que se relacionava com uma das coisas que ela acabara de dizer.
Queria poder voltar no tempo, ter a vida que tinha ao lado dela de volta. Mas assim que pensava naquilo a dúvida surgia em sua mente: se realmente pudesse voltar ao passado para tê-la de volta, teria ele feito tudo de uma maneira diferente ou não?
Fale com o autor