Perdidos.

5 Só nós dois.


Notas iniciais
[aaaaaaaaaaa] Mas o que foi isso? Não pensei que ganharia uma recomendação com uma fic tão curta *--------* Estou surpresa! Obrigada por recomendar Lets Goo (Leticia) Amei muito!

Ela já estava com a voz gasta e rouca. Seu rosto estava completamente molhado pelas lágrimas quentes. Daniel ainda estava longe dali, enquanto Juliana não via a hora de tê-lo novamente. Não pensou direito antes de se esforçar e tentar se levantar, uma dor insuportável tomou conta de sua perna esquerda, mais precisamente seu tornozelo. A mesma percebeu que estava inchado, mas não pouparia esforços para ir atrás do fantasma.

Juliana não sabia ainda, mas... Jamais mancaria por volta da mata escura pelo Nicolas.

Ela conseguiu se levantar, se apoiando na parede molhada da caverna. A cada pisão que dava, sentia uma dor forte. Mas isso não a fez parar, já estava quase conseguindo sair quando Daniel se materializou na sua frente. — Daniel! — Seu sorriso de alegria não cabia no rosto, rapidamente abraçou o fantasma com força pela nuca. — Onde estava?! — Perguntou ainda agarrada a ele.

Daniel estava surpreso com a atitude da garota. Mas não retribuía pois estava com as mãos ocupadas. — Só fui dar uma volta...

- Oh, nunca mais faça isso comigo. — O abraçou com mais força, afundando seu rosto no pescoço pálido dele. O deixando inteiramente arrepiado. Ele sentiu uma gota quente cair sobre sua blusa. Ela se soltou dele.

- Porque está chorando? — Perguntou.

- Eu pensei que você tinha me deixado. — Disse com um fio de voz.

Daniel queria secar suas lágrimas e abraça-lá com vontade. Mas sabia que não deveria se aproximar e se apegar muito à Julie, pois seu sofrimento seria ainda maior.

Tentou voltar a ser o mesmo Daniel de sempre, frio e imparcial. — Não está mais com frio. — Afirmou, olhando para a sua roupa que estava na menina. Ele puxou seu paletó preto. Julie apenas o encarou séria.

Cruzou os braços, estava com frio, mas sabia que Daniel não devolveria o paletó novamente. Se arrastou e se sentou no lugar de antes. Via Daniel juntar as lenhas. — O que está fazendo?

- Uma fogueira. — Respondeu concentrado. Juntava tronco por tronco. Se sentou no chão e tentou fazer fogo da maneira antiga, esfregando dois pauzinhos.

Julie colocou sua mexa atrás da orelha, sorria, olhando para ele. O brilho da lua batia contra seu corpo, deixando Daniel mais lindo ainda. Parecia um anjo e Juliana percebeu isso. Agora o vento frio entrava no abrigo, fazia os cachos dourados do rapaz ''ganhar vida'' e voar ao ritmo do vento, Julie olhava, ainda sorrindo, estava abobada com a beleza do fantasma, ela nunca tinha notado o quanto era lindo.

'' Seria muito mais lindo se fosse bom comigo... '' — Pensava. Lembrando da personalidade forte de Daniel.

Ela cruzou os braços, se sentiu arrepiada com o vento gelado que batia na sua pele. — Porque está assim? — Daniel se virou para a morena.

- E-estou com muito frio, só isso... — Respondeu ainda de braços cruzados, tentando se aquecer com o próprio corpo.

Ele se levantou, se aproximando da humana, os dois se olharam profundamente, como se fossem completos desconhecidos. Se abaixou, retirando novamente seu paletó, ela sorriu timidamente ao sentir ser envolvida pela roupa. — Obrigada. — Sussurrou e para a surpresa dele, ganhou um beijo no rosto. Os lábios quentes dela ainda estavam encostados na sua bochecha quando Julie o soltou, seus rostos estavam próximos o suficiente para Daniel sentir a respiração da humana. Ela sorriu novamente, levantou sua mão e alisou seus cachos, demonstrava carinho e agradecimento.

Seus olhos se encaravam sem piscar. Daniel sentia aquela vontade forte de beija-lá e sentir seus lábios nos dele.

E então... Ainda focado nos olhos da menina... Desapareceu. E re-surgiu sentado do outro lado do lugar, perto das lenhas. Voltou a tentar fazer o fogo. Estava sério, tentava esconder o forte desejo que sentia por ela. — Você é muito fechado. — Ela concluiu.

Daniel deu uma olhadinha para ela antes de voltar a atenção para a fogueira que montava. — Só acho que não deveria me carinhar assim...

- Qual é o problema de um beijo no rosto?

'' O problema é que eu sempre vou querer mais do que isso... '' — Pensou. — Você tem namorado. — Respondeu.

- Com você é beijo no rosto, e com ele é beijo na boca. Entendeu a diferença?

Daniel revirou os olhos. — Combinamos que você não falaria dele.

- Foi você que tocou no assunto. — Retrucou. — Porque não gosta quando eu falo do Nicolas?

- Porque prefiro não saber da intimidade de vocês.

- Para com isso... Daniel... — Pausou. — Eu posso carinhar você. — Abaixou a cabeça. — Eu sei que não ando dando muita atenção aos meus três fantasmas, e admito que é por causa do Nicolas...

- Vai me dizer que nunca traiu o Nicolas com o ''Bonitinho do colégio'' ? — Perguntou.

Juliana o encarou boquiaberta, estava em choque.

Ela e Beatriz sempre fofocavam de um tal rapaz do colégio, ele era lindo, mas era um grande galinha. As duas babavam secretamente por ele, só pela beleza, claro.

Mas... Era um grande segredo delas, era mais o segredo de Bia pois Julie não se interessava tanto nele. — Como sabe do bonitinho? — Perguntou, intrigada. As duas nunca contaram a ninguém.

Daniel apenas deu aquele sorriso de lado, ainda tentando fazer fogo. Juliana chegou a seguinte conclusão. — QUANDO A MINHA PRIVACIDADE VAI SER RESPEITADA?! — Ele virou o rosto para ela, calado. — Q-quer dizer... Vo-cê... Me se-gue... ess-e tem-po todo?

- Pensei que soubesse...

- Me segue para todos os lugares. — Pausou, pensativa. — N-não me segue qu-ando eu vou tom-ar banho né?

- Até que não é uma má ideia. — Julie corou com a sua resposta. — Mas fique tranquila. Só te sigo mesmo para o colégio. — Garantiu. Agora um pouco calado. Juliana também ficou, estava pensativa. Lembrou das vezes que caminhou pelo colégio de mãos dadas com o namorado, e... Daniel observava, a seguindo. Lembrou das vezes que carinhou e beijou Nicolas, sem saber que Daniel presenciava tudo.

E se Daniel realmente gostasse da Julie? Como ele se sentiria?

Ela olhou para o fantasma, que agora se distraia com o lugar. '' Sei como deve se sentir... '' — Pensou, afinal, ela já presenciou vários beijos entre o Nicolas e a Thalita. Ficou por longos minutos encarando Daniel, enquanto o mesmo tentava fazer o fogo. Não conseguia parar de pensar que no fundo, ele tinha sentimentos.

- Sou foda! — Daniel gritou, despertando os pensamentos da humana. Julie viu o fogo crescer e crescer, se sentiu aquecida. E sorriu. — Ai Julie, pode dizer, eu sou o cara mais foda !

Ela apenas riu. Daniel olhava todo orgulhoso para a sua ''criação''. — Vem, senta aqui. — Disse Juliana, batendo no chão. Ela sentia uma grande necessidade de ter o Daniel ao seu lado, ali. Ele re-surgiu bem ao seu lado. Ela sorriu, pegou o braço dele e envolveu em seu ombro. Não entendiam o porque, mas ambos queriam estar perto um do outro. Talvez por carência, ou por medo de realmente passarem dias e dias ali. Sabiam que deveria ser legais um com o outro. — O fodão se machucou foi? — Julie brincou, segurando a mão esquerda de Daniel. Ele acabou se cortando no dedo polegar.

- Eu sei que você não conseguiria fazer fogo. — Daniel nunca dava o braço à torcer.

- Pelo menos eu não iria me machucar. — Retrucou, ainda segurando sua mão gelada, olhou bem para o corte. Franziu a testa. — Porque não está sangrando?

Ele se soltou, um pouco grosso, respondeu. — Porque eu não sangro mais.

- Como assim não sangra mais? — Não entendeu. — Todo mundo sangra.

O rapaz balançou a cabeça negativamente, muito calado. Juliana foi entendendo. — Somos tão diferentes. — Sussurrou Daniel, angustiado, deprimido. Era como se sentia desde que Julie escolheu o Nicolas. Às vezes sentia que ela tinha feito essa escolha justamente por ele ser um fantasma.

- Daniel, porque pensa assim? Porque pensa que somos diferentes? — Perguntou a menina, intrigada. Ela tinha um pensamento totalmente diferente dele, assim como todas as outras coisas.

- Porque essa é a verdade, nós somos diferentes e vai ser assim até você... Você morrer.

- Então logo logo seremos iguais porque estou morrendo de fome aqui! — Brincou. Mas viu o rapaz sério, estava em outro mundo, um mundo onde só existia ele e seus pensamentos. As vezes achava que era melhor esquece-lá, outras vezes pensava que o certo era engolir o orgulho e assumir seus sentimentos, quebrar as regras e tentar conquista-lá. Mas se sentia incapaz de fazer isso. — Eu sei que já te perguntei isso uma vez mas... — Juliana o encarou. — Já se apaixonou quando era vivo?

Ele negou com a cabeça. — Nunca.

- E... depois que virou fantasma... Já?

- Já. — Suspirou.

Os olhos da menina brilharam. — Quem?

Daniel olhou profundamente para ela antes de pensar em alguma história. — Era uma garota da minha cidade, v-você não conhece.

- E o que aconteceu?

- Nada, ela não gostava de mim. Gostava de um outro garoto. E eu... Eu não quero falar sobre isso.

- Huh, tá. — Julie estava incomodada com aquele história. Sentiu uma dor no coração, uma dor tão forte quanto seu tornozelo. — E você ainda gosta dela? Q-quer dizer... Sei lá... Gosta?

- Gosto muito. — Respondeu olhando intensamente para a humana.

[...]

Enquanto os dois conversavam e tentavam se entender, Martim, Félix e Bia estavam mais do que preocupados, Beatriz se desesperou quando perguntou à Nicolas onde estava sua amiga e ele disse que não sabia. — Como não sabe, Nicolas?! Ela estava com você!

- É! Mas de repente correu para longe e eu não vi mais ela. — Respondeu olhando para o longe, avistou a linda loira caminhando com o grupo de meninas: Thalita passava olhando para todos os cantos, com medo de qualquer bicho ou inseto. Nicolas sorriu ao vê-lá. Continuava com o sorriso bobo até que levou um tapa de Bia. — O que é?!

- Porque não está preocupado com a Julie?!

- Porque ela sabe se virar sozinha! Talvez... Esteja tirando foto, ou sei lá... — Não mostrava nenhum interesse pelo sumiço misterioso da ''garota de seus sonhos''. — Tchau.

Ele bagunçou os cabelos de Beatriz, a mesma o olhou com uma cara feia e pensou:''A Julie precisa saber disso, precisa saber que o Nicolas prefere babar pela Thalita do que tentar encontrar a namorada.'' Foi andando.

Era quase oito horas da noite. Daniel ajeitava a fogueira para que o fogo não se apagasse. Ajeitou com o pé mesmo, não queria se levantar dali. Jamais tinha tido Juliana tão perto...

Ela estava quase deitada em seu colo. Daniel estranhava o jeito quieto da garota. — Julie. — A chamou. Começou a se preocupar quando viu seu rosto pálido. — Julie?! — Deu um tapinha na sua bochecha.

A febre já tinha passado, ela soava, mas não parecia bem. — Julie!

- Huh?

- O que você tem?

- E-eu... — Sorriu fraco. — Estou com muita, muita, muita fome.

Daniel lembrou que já estavam ali à horas, e que a última refeição dela foi o café da manhã, as cinco da manhã, quando ainda estava em casa. Juliana estava fraca, quase desmaiando. — Eu vou tentar encontrar comida. — Tentou se levantar.

- N-não, e-está chovendo... Vai... V-vai... — Fechou os olhos. — Se molhar todo. — Pausou, abrindo os olhos. Estava um pouco mais acordada. — Você não sairia nessa chuva só para procurar algo para eu comer. — Disse desconfiada, estava com medo de Daniel fugir...

- É claro que eu vou sair, você está quase morrendo!

- Não seja tão dramático. Você nem se importa comigo.

- Quem disse que eu não me importo?

Os dois se olharam. — É claro que eu me importo com você. — Completou. — Me importo muito. Muito. — Ela sorriu com a resposta, ainda atordoada, tocou no rosto frio do fantasma. Não pensava direito, não agia direito. Apenas se sentia completa ao seu lado.

Ela lhe deu um beijinho na bochecha, bem perto dos lábios. Daniel ficou um pouco paralizado com a atitude da humana, não esperava aquilo. Os dois se encararam, ainda próximos um do outro. '' Como deve ser beijar um fantasma? '' Julie tinha vários pensamentos loucos em mente, não muito diferente de Daniel, que se fazia quase a mesma pergunta.

Mas seus pensamentos foram calados quando ambos avançaram ao mesmo tempo e seus lábios se encontraram. Sentiram um grande colapso. Era um beijo diferente, um beijo que nenhum dos dois haviam experimentado antes. Mesmo sendo uma simples junção de lábios, nada de língua, apenas um beijo. Um beijo de um fantasma com uma humana. Algo não muito... Normal. Porém, completamente prazeroso para eles.

Juliana fechou os olhos, sentindo os lábios frios de Daniel se mexeram junto aos dela. Daniel estava de olhos bem abertos, ainda não acreditava que aquilo estava acontecendo.

Ambos acabaram com o selinho depois de cinco segundos. Não se atreveram a se encarar. Daniel se levantou e foi buscar comida.

Notas finais
Julie anda agindo estranho né? Abraça o Daniel, não discute tanto com ele, está mais carinhosa, sem contar com esse beijo dos dois. O que será que houve com ela? o.O