Perdidos.

12 Preciso mostrar que você está errado.


Notas iniciais
A fic já está quase no fim! Então preciso me inspirar, deixem review leitoras fantasmas! Estou um pouco ocupada, então mais tarde respondo os comentários, amei de mais todos eles! :33

Continuaram focados um nos olhos do outro, a poucos minutos os dois começavam a se entender, mas o tudo voltou a estaca zero, a estaca... Menos um. Pois agora os dois se deram conta que esse relacionamento seria uma loucura, o pai da Julie achou que ela estava louca só de vê-lá carinhando o ''nada''. O que vão pensar as pessoas que não a conhecem? Se os dois passassem na rua conversando, ou até mesmo de mãos dadas. As pessoas iriam estranhar.

Juliana seria falada na escola. E as zoações? Todos iriam rir da sua cara, ou então... Teriam medo, achariam estranha.

Daniel sempre pensou em tudo isso, ele a amava tanto que preferia continuar só, mas vê-lá feliz.

Pai de Julie subiu as escadas, ainda virou o rosto e olhou para a filha com um olhar de preocupação. Ela suspirou e esperou seu pai se afastar totalmente para cochichar. — Desculpe. Eu não devia ter te beijado.

– Porque me beijou?

Ela respirou fundo, queria ocultar a verdade, por enquanto. — Eu não sei... Estou confusa. — Respondeu. Até que isso não era totalmente uma mentira, Juliana ainda se sentia confusa com tudo o que aconteceu, porém, já tinha certeza de seu sentimento por Daniel.

– Acho que deve ser muito estranho para os outros... Verem nós dois juntos.

– É, u-um pouco.

– O meu pai deve querer me internar depois do que viu. — Ela riu fraco, mas Daniel continuou cabisbaixo. — Você está bem? — Perguntou.

– Não. — Respondeu. — Eu não sei... Acho que preciso ficar um tempo sozinho. Ou... Então com você. — Falou a olhando.

Julie sorriu com aquilo, ela sentia uma grande necessidade de passar mais tempo com o Daniel.

Ela esticou seus braços. — Me carrega para o quarto? — Pediu.

Daniel lhe lançou um olhar de reprovação, porém, Julie continuou de braços esticados até que o rapaz se levantou, agora sorria torto. Na verdade Daniel queria tê-lá em seus braços, só não iria admitir isso.

Agarrou suas costas com delicadeza, passando sua outra mão para as pernas da menina. Julie sorriu e abraçou sua nuca, deitando a cabeça no peito dele. Fechou os olhos quando sentiu o perfume amadeirado de Daniel. Quando os abriu viu que o mesmo já subia as escadas. Ela abriu a porta do seu quarto rapidamente, não queria que seu pai a visse ''flutuar''. Daniel entrou no quarto com ela e a pôs deitada na cama, Julie se ajeitou, agarrando o travesseiro de coração.

Daniel abaixou a cabeça quando viu Juliana com o presente que seu namorado deu. '' Ela ainda gosta dele. '' — Pensava, mas o que não sabia é que ela abraçou o travesseiro apenas por acaso. E que na última vez que lembrou que Nicolas havia lhe dado de presente, Julie jogou no chão.

– Vai ficar aqui ou vai dar uma volta para espairecer?

– Quer que eu vá? — Daniel perguntou.

– Quero que fique.

Ele assentiu e se sentou na cama. — Entende agora como me sinto? — Daniel perguntou, lembrando da reação do pai da Julie. — As pessoas não me enxergam. — Balançou a cabeça. — Mesmo depois de trinta anos, ainda não me acostumei com isso.

– Porque se importa tanto com isso?

Ele riu pelo nariz. — Porque me importo? Você não aguentaria isso nem por um dia. Ser invisível para todos. Para todas as pessoas! As pessoas que odeia. — Abaixou a cabeça. — As pessoas que ama...

Julie ficou quieta, sabia que isso era uma verdade pois já passou por isso, na época que se sentia invisível para o Nicolas, e qualquer coisa que fizesse para chamar a atenção dele, não adiantaria de nada. Pois era como se ele não a enxergasse. Mau sabe ela que Daniel passa por esse mesmo problema, porém, é com a Julie. Mesmo se materializando para ela, mesmo aparecendo, se sente completamente invisível. Era invisível até hoje, pois agora Julie o enxergava até mais do que deveria. Estava apaixonada.

– Você... Me perguntou se um relacionamento entre uma viva e um fantasma daria certo. — Ele começou. — Você já deve saber a resposta, não é?

– A-ainda não sei.

– Claro que sabe, o que o seu pai falou não foi o suficiente? Julie... — Pegou sua mão. — Não sei o que deve estar pensando sobre nós dois. — Tentava explicar. — Eu sei que aconteceu muita coisa nesse fim de semana, nos perdemos, nos aproximamos, acho que nos tornamos mais amigos.

– Nos beijamos. — Ela interrompeu com um sorriso.

Daniel tocou no seu rosto, lembrando dos problemas que esses beijos lhe causaram. — Não devíamos ter feito isso.

– Daniel... — Tento falar, mas ele tocou nos seus lábios com o dedo indicador.

– Sch, não me interrompa. — Pausou. — Disse que estava confusa, e eu sei que não está.

Ela queria protestar, mas ele não deixou. — Eu sei que não está porque não é a primeira vez que isso acontece. Me lembro da vez em que nos aproximamos também quando a Bia começou a sair com o Téo. Eu... E você... — Sorriu com as lembranças. — Andamos juntos de bicicleta, tomamos sorvete. Passeamos na praça... E no final você começou a andar com o Nicolas de novo...

– Disse que não sentia nada por mim. — Ela se defendeu. — Por isso voltei a andar com ele.

– Não. Não é verdade. Você não foi embora quando o Nicolas chegou na lanchonete. Te pedi para ir mas você não foi, você ficou com ele!

– Admite que sentiu ciúmes!

– Não posso admitir algo que não é verdade! — Revidou, porém, os dois foram se acalmando ao encararem os olhos um do outro. — A questão é que... Você não está confusa, só está com saudades do Nicolas, está carente... Por isso... Me beijou, Julie. É apenas isso. Carência. Sei que é só isso. — Estava triste com suas próprias palavras. — Quando voltar a vê-lo vai perceber que eu estou certo. — Pausou. — E eu... Jamais poderei te fazer feliz, sou um fantasma.

'' Vou provar para você que está completamente errado Daniel, mesmo não sabendo exatamente o que você sente por mim, vou te provar isso. '' — Ela pensava, já com um plano em mente.

– Dan? — O chamou, o rapaz levantou seu rosto e a encarou. — Me faz um favor?

– Qual?

Ela pegou um papel e escreveu.

'' Precisamos conversar.

Ass. Julie ''

Dobrou cuidadosamente e jogou um pouco de perfume. — Vai lá na escola, acho que a minha turma ainda está lá. — Lembrou que todos ficariam até mais tarde para terminarem o trabalho de biologia. — Coloca esse bilhete na mochila do Nicolas.

Ele revirou os olhos. — Porque você não faz isso?!

– Porque estou com o tornozelo machucado. — Esticou o braço com o papel. — Daniel, por favor, vai lá.

Ele continuou com a cara fechada. — Só colocar na mochila dele?

– Só isso. — Garantiu.

Daniel bufou e pegou o papel. — Tudo bem, eu vou lá...

Notas finais
O que será que a Julie quer falar com o Nicolas?