Perdidos.

11 Nos apaixonamos


Notas iniciais
Eu ia postar só amanhã, mas como já estou escrevendo o proximo capitulo decidi postar logo hoje. Por favor leitoras fantasmas, comentem !

Julie estava deitada na sua cama, abraçava o travesseiro em forma de coração que Nicolas tinha lhe dado no primeiro mês de namoro, abraçava o travesseiro em lágrimas. Ainda pensando e se torturando com as palavras de Daniel. Julie jamais pensou que choraria pelo Daniel, já brigaram tantas vezes, se odiavam mais do que tudo. Mas naquele momento, só de lembrar do seu rosto as lágrimas escapavam involuntariamente.

– Filha? — Seu pai abriu a porta do quarto, a viu em prantos e se aproximou. — O que houve?!

– Nada pai. — Disse secando as lágrimas e percebeu que seu rosto estava ensopado delas. — Só estou com dor no tornozelo, não é nada de mais. Não se preocupe.

Seu pai lhe deu remédio e saiu, ela continuou deitada ali, ainda chorando, percebeu que abraçava o travesseiro de coração. Lembrou que foi o Nicolas que lhe deu, jogou o travesseiro longe e agarrou a coberta.

As cenas de Daniel a carregando pela mata... A abraçando e a carinhando não saia da sua mente. '' Porque? Porque isso está acontecendo comigo? Porque penso de mais no Daniel e não consigo focar meus pensamentos no Nicolas? '' — Fechou os olhos com força, no fundo ela sabia a verdade, só não queria encarar isso. '' Não... Não pode ser. A única coisa que preciso para esquece-lo é uma boa noite de sono. '' — Lembrou que não dormiu muito bem no acampamento, e incutiu na cabeça que isso iria afastar seus loucos pensamentos.

Se ajeitou na cama e não demorou muito para dormir.

Teve um sono demorado, e um pesadelo terrível. Via cenas na sua cabeça. Cenas estranhas e embaçadas, mas dava muito bem para distingui-las.

Era ela e Nicolas, Nicolas beijava seu pescoço, puxando sua blusa para cima e levando suas mãos para seus seios. Julie estava com uma expressão de que não gostava. Mas que não poderia fazer nada...

Lhe veio em mente outra cena. Julie abria o armário do seu banheiro e pegava uma lâmina afiada. Se olhava no espelho e respirava fundo antes de começar a se cortar. Enquanto cortava seus pulsos, gritava loucamente. '' Vou ser como você agora! É isso que eu quero! Quero ser como você! ''

Julie acordou suada, sua respiração estava acelerada, assim como seus batimentos cardíacos. Passou a mão por seu rosto, mais pelos olhos, onde sentia uma leve irritação. '' Eu chorei antes de dormir, foi por isso que tive esses sonhos. '' — Pensou, relembrando que sua mãe sempre dizia que não deveria dormir depois de chorar ou de comer. Olhou para as horas, era um pouco mais de três horas. Pensou em ligar para Beatriz mas deixou para lá. Estava atordoada, não sabia o que fazer. Uma hora queria ligar para a amiga e contar sobre os pesadelos, outra hora queria ligar a TV e assistir qualquer coisa.

Resolveu descer, já não aguentava ficar no quarto. Desceu com as muletas e se deitou no sofá, ainda pensativa sobre o sonho e sobre todas as outras coisas que tinham acontecido com ela.

Apenas dois dias foram o suficiente para esvaziar seus pensamentos do Nicolas. Agora pensava em Daniel mais do que nunca. Mau acordou, porém, já lembrava do que Daniel havia dito na edicula. Não conseguia tirar aquelas palavras da sua mente, também não conseguia controlar as lágrimas que começaram a encher seus olhos.

Agora tinha certeza, não queria mais fugir da realidade. '' Me apaixonei por ele. '' — Sorriu fraco com aquilo. Continuava pensando, pensava nos dois juntos e sentia borboletas no estômago, porém, sabia que tinha algo muito importante que com certeza poderia atrapalhar o relacionamento dos dois, algo bem maior que o orgulho de Daniel.

– Ele é um fantasma. — Disse em um tom de voz alto, sem saber que o mesmo estava na sala, invisível para ela. Ele pensava em aparecer e pedir desculpas pelo que disse na edicula, pensava em pedir para que ela voltasse para a banda. Mas acabou escutando aquilo e desmoronou. Sentia que ela falava dele.

'' Ela deve me abominar... '' — Suspirou com os pensamentos. Se sentiu mau em ouvir ela dizer que ele era um fantasma.

Mas decidiu aparecer. Julie o viu e sorriu, sentiu seu coração acelerar naquele instante. — S-senta aqui. — Pediu alisando o sofá e se ajeitando ali. Daniel só assentiu, ainda chateado com tudo. Porém, resolveu se sentar ao seu lado.

Os dois não tinham assunto. Ambos pensavam nos momentos que viveram juntos naquele acampamento. — E então, como está o tornozelo? — Daniel perguntou por preocupação e para quebrar o gelo.

Ela sorriu com o interesse do rapaz. — Ainda está muito dolorido. — Pausou. — Mas... Me sinto tão entediada aqui em casa, não consigo fazer nada aqui... Preciso ir para a escola, pelo menos lá iria me distrair mais. — Ela sabia que se passasse mais tempo aqui pensaria de mais no Daniel, e nas suas duras palavras na edicula.

– Eu entendo. — Disse. — Sei que quer passar mais tempo com o namorado, por isso quer ir a escola.

Ela fechou os olhos com a provocação, imaginou o rosto de Nicolas dentro do seu sub consciente. Não sorriu abobada e nem sentiu cócegas na barriga como antes. Apenas olhou para Daniel, observou seu rosto e seu corpo pálido. Seu sorriso torto e os olhos escuros como a noite.

Só agora percebeu o quanto Daniel era lindo.

O silêncio voltou a tomar conta da sala novamente, ele olhava para TV. Tentando distrair seus pensamentos mas não parava de pensar no que ouviu de Juliana a alguns minutos atrás. — Me desculpe. — Ele disse, Julie o encarou sem entender. — Eu... Não queria falar aquilo para você na edícula.

Ela torceu os lábios. — Era só a verdade. — Respondeu ainda chateada. — Não precisa se desculpar, Daniel. — Deu um sorrisinho triste.

– Não. — Ele balançou a cabeça. — Não era a verdade, eu não queria te deixar triste. — Afirmou. — A verdade é que a sua voz é incrível e... Sem você a banda seria um fracasso total. — Riu fraco. — Imagine uma banda formada por três fantasmas? Nunca conseguiríamos sucesso.

– Mas você tem uma voz mais potente que a minha, uma voz melhor.

– Pode até ser. — Abaixou a cabeça, agora lembrando no que Julie disse para si mesma, sem saber que ele estava por perto. — Mas... Eu sou um fantasma, Julie. — Disse fraco.

Ela o encarou tristemente, sabia que essa era uma realidade. Mas sabia também que estava apaixonada por ele, por um... Fantasma.

– E daí? — Disse pegando sua mão fria. Ele a encarou calado.

'' Como pode ser tão falsa? '' — Ele pensou, ainda com as palavras da humana na sua mente. Com certeza imaginava que Julie estava mentindo só por interesse. — E daí? — Tentava se controlar com a ''falsidade'' da garota. — Eu sou um fantasma, fantasma!

Ele só não percebia que Julie não enxergava isso, talvez tenha enxergado na hora que ele chegou, mas sabia que o fato de Daniel ser o que é não afetaria no novo sentimento que nascia em seu coração.

Ela tocou no seu rosto, deixando o rapaz um pouco mais calmo. — Eu convivo com fantasmas, para mim vocês são... Normais. — Sorriu.

Daniel retirou sua mão do seu rosto, Julie entrelaçou seus dedos e os dois se aproximaram mais. Seus olhos se encararam, focando um no outro, era como se ambos quisessem ler a alma do outro. Julie não escondia o sorriso ao ter Daniel tão perto, porém, o rapaz ainda estava desconfiado da atitude da menina, ainda achava que Juliana mentia sobre o que ela pensava só para ele se sentir bem.

Os dois continuaram calados, ela virou o rosto e sorriu ao ver o filme Crepúsculo. Pensou em usar o filme para se declarar indiretamente para ele, pelo menos para conseguir demonstrar um pouco do seus sentimentos e assim amolecer o coração dele.

– Daniel. — Ela o chamou, ainda com os dedos entrelaçados, Juliana alisava a mão pálida do rapaz com o polegar. — Gosta desse filme? — Perguntou sorrindo.

– Desse tal de Crepúsculo? Claro que não. Eles estragaram toda a história dos verdadeiros vampiros. Os vampiros de verdade sugavam sangue sem dó, encontravam suas vitimas e se alimentavam dela.

– Tudo bem. — Interrompeu, já que Julie não se interessava pelo filme também. Só queria introduzir o filme para conseguir perguntar. — E você acha que um relacionamento entre... Dois seres diferentes daria certo?

Daniel logo imaginou esses dois seres diferentes sendo ela e ele. Porém, também usou o filme como exemplo. — Um vampiro e uma humana? Não... Não sei se ia dar certo. — Respondeu torcendo o nariz. — Isso é coisa de filme, Julie. — Pausou. — Não conhece nenhum vampiro não é?

Ela riu. — Não. Seu bobo.

– Ah, é claro. Você não se apaixonaria por ninguém que não fosse o Nicolas.

Os dois se calaram novamente, se encarando. '' Se soubesse que está completamente enganado... Daniel... '' — Ela pensava. — E entre outros seres. — Disse corando. — Tipo... Fantasmas...

– E humanos? — Perguntou. — Humanas. — Corrigiu.

– É. — Julie foi se aproximando, Daniel também.

Ambos sentiam uma necessidade muito grande de engolirem o orgulho e se amarem como são.

Os dois encostaram seus lábios com um selinho. Ficaram no selinho por alguns minutos, Julie agarrou sua nuca, a posição que estava machucava ainda mais seu tornozelo, mas ela não se importava, só queria aproveitar aquele momento. Daniel e Julie sorriam entre o beijo, eles sentiam aquela coisa ''sobrenatural'' com o toque de lábios. Foram se afastando, mas os narizes ainda estavam colados um no outro. Juliana alisava lentamente seu rosto enquanto os olhos de Daniel brilhavam.

– Julie? — Seu pai apareceu na porta. — Você... Está beijando o nada? — Estava assustado com o comportamento da filha. — Ficou maluca!

Ela logo pensou em uma desculpa. — Ah pai, n-não é nada disso. — Foi se soltando dele, nervosa. — É que eu... — Olhou para Daniel, tentando encontrar uma saída para aquele momento embaraçoso, porém, ele também não tinha pensado em uma desculpa para convencer Sr Raul.

– Eu não quero saber. — Sr Raul disse balançando os ombros, apenas passou por sua filha e tocou na sua testa, imaginando que ela estivesse com febre. — Huh, você anda muito estranha, acho que é por causa desses remédios. — Disse e foi andando.

Julie e Daniel se encararam tristes, esperaram Sr Raul se afastar totalmente. Eles sabiam que essa seria a reação natural de qualquer pessoa que os vissem juntos.

Notas finais
Julie percebeu que está apaixonada, parece que ela quer demonstrar para ele né! :D
E aqueles pesadelos? Huh...
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