Perdidos.

15 Invisível.


Notas iniciais
Tá acabando! .-.

Nicolas fechou a porta deixando Julie sentada na cama, a mesma estava com medo do olhar de Nicolas, ele a olhava intensamente, como se ela estivesse nua. Ela engoliu em seco ao ver que Nicolas se aproximava, o mesmo se sentou no colchão, pegou sua mão e começou a beijar seu braço, subindo os beijos até o pescoço.

Julie fechou os olhos e na sua mente lhe veio uma cena: Uma cena dela e de Daniel.

– Preciso de repelente. — Julie disse abrindo a mochila, procurou mas lembrou que acabou esquecendo na cama do seu quarto. — Droga de mosquitos. — Reclamou coçando seu braço. — Olha só! — Mostrou o braço totalmente vermelho para Daniel.

– Não. — Ele segurou o braço de Juliana. — Não coça para não piorar. — Julie gostava do jeito como Daniel se preocupava com ela, Juliana jamais pensou que ele seria assim.

Ele sorriu torto, ainda segurando o braço avermelhado da humana. Beijou carinhosamente sua mão. Ela riu com aquilo. Foi subindo os beijos, chegando no braço, beijava lentamente, causando cocegas na sua barriga. — Para Dan. — Disse risonha. Ele continuou subindo os beijos até que chegou no pescoço. Julie parou de rir e ficou séria, quase fechando os olhos com os beijos. Sentiu um frio passar pelo seu corpo como uma corrente elétrica. Levantou mais a cabeça, se recostando na parede do abrigo, Daniel beijava seu pescoço com vontade. Ele até tentou parar, sabia que não deveria mostrar tanto carinho assim pois sentia que acabaria se magoando. Mas não conseguia, beijava sua pele, ele queria isso à muito tempo.

Apesar de tudo, Juliana estava gostando daquilo. Segurou os cabelos cacheados do rapaz, ele parou de beijar seu pescoço e se encararam. Ele queria sentir seus lábios novamente. Ela sorriu e desceu a mão de seus cabelos para o seu rosto, onde alisou sua bochecha pálida. Daniel sorriu torto, sem tirar os olhos dos lábios carnudos da garota. Se aproximou, encostando seus narizes, na hora a respiração de Juliana pesou. Sentia adrenalina e tensão ao mesmo tempo.

Era tudo tão diferente com Daniel, Julie sentia emoções boas, sentia algo sobrenatural dentro dela. Já com Nicolas, mesmo ele carinhando da mesma forma de Daniel, sentiu medo. Era isso que sentia. Muito medo. Quando abriu os olhos novamente viu que as mãos de Nicolas levantavam sua blusa. Lembrou do sonho que teve, era exatamente assim. Nicolas levantava sua blusa enquanto Julie estava com uma expressão de que não gostava.

Ela precisava tomar uma decisão. Não poderia fazer amor com alguém que não amava. — Para! — Pediu o empurrando.

– O que?

– Para Nicolas, já disse. E-eu não quero.

– COMO NÃO QUER? — Gritou, ela encolheu os ombros, assustada. — Eu disse que iriamos fazer no aniversário de quatro meses.

– Tá... — Suspirou. — M-mas eu estou com muita dor no tornozelo. Não consigo assim.

Sua desculpa mau pensada deu certo. Nicolas parou de agarra-lá. — Está certa. — Disse balançando a cabeça, a olhou. — Mas... Posso dormir contigo?

– Nicolas...

– Só dormir, só isso, já dormimos juntos outras vezes.

– Dormimos juntos só uma vez. — Afirmou.

– É, mas eu não fiz nada com você.

– Tá, tá bom. — Só aceitou porque seu pai não estava em casa.

Nicolas sorriu e se deitou ao seu lado, ela se sentia desconfortável com o abraço do rapaz. Porém, fechou os olhos e desejou que essa noite terminasse logo.

Enquanto isso Daniel perambulava pelas ruas, não conseguia parar de pensar que Juliana estava com Nicolas. A raiva e o ciúme pela garota só aumentava. Lembrou que Juliana ficou chateada com ele por ter batido no Nicolas, mas o que ela não sabia é que ele só bateu no Nicolas para defende-lá. Essa injustiça deixava o fantasma furioso. '' Como ela pode continuar com um cara desse e achar que eu estou errado? '' — Pensava. E resolveu voltar para a edicula. Assim que pisou no quintal de Juliana olhou para a janela do seu quarto, viu a luz apagada. Imaginou que os dois ainda estavam lá.

Não se atreveu a espia-los invisível. '' não iria gostar de ver aquela cena... '' — Pensou e foi para a edícula.

[...]

– Nicolas, acorda. — Julie o sacudiu, Nicolas abriu os olhos aos poucos. — Já amanheceu, vá embora antes que o meu pai chegue.

– Huh. — Ele esfregou os olhos e se despreguiçou. — Dormimos agarradinhos. — Sorriu.

– É... É... — Ela disse sem paciência. — Vai logo!

– Tá. — Colocou os pés no chão, porém, rapidamente agarrou a garota, a colocando em seu colo, começou a beija-lá loucamente, era um beijo violento, um beijo que Juliana não retribuía.

– Para! Para! — Lhe deu um tapa forte, ele a soltou. — Vá embora! — Gritou. E finalmente Nicolas se foi.

Ela ficou sentada na cama por um tempo, não acreditava que dormiu com Nicolas, mesmo sem ter feito nada, sentia um peso na consciência. Respirou fundo, conseguia sentir o cheiro do Nicolas impregnado na sua pele. Aquele cheiro lhe causou enjoo...

Pegou sua toalha e foi tomar um banho, um banho demorado. Esfregava o sabonete na sua pele com força, deixando suas pernas e braços vermelhos. Saiu do banho se sentindo melhor. Pegou uma calcinha e um sutiã e começou a se vestir. Assim que colocou suas peças intimas Daniel apareceu.

Ele resolveu aparecer pois viu Nicolas sair do quarto de Julie.

A mesma corou e pegou o lençol, cobrindo seu corpo semi-nu. Daniel interpretou mau aquela cena. — Então aconteceu.

– O que?

– Como o que?! Acha que eu não vi o Nicolas te levar pro quarto ontem?!

Ela o encarou boquiaberta. — Você andou me espiando!

– Não deveria estar surpresa com isso. — Sussurrou cruzando os braços, virou o rosto, tentando não olhar para Julie. — Cama desarrumada, você... Quase nua...

– Daniel, não é o que você está pensando.

Ele riu pelo nariz. — Não é o que eu estou pensando? Eu vi ele ir embora hoje! Hoje! Então passaram a noite juntos.

– É, nós passamos sim mas... — Viu que ele já não estava ali. — Daniel? — Olhou para os lados. — Daniel! — Em um pulo se levantou da cama, se vestiu, ainda chamando por seu nome... Mesmo não obtendo resposta, Daniel estava no seu lado. Mas para ele aquilo foi a gota d'água então resolveu não aparecer.

Ela calçou seus chinelos e desceu as escadas tropeçando nos próprios pés, estava desesperada e sabia que Daniel estava com raiva. Ele nem deu chance para ela se explicar!

Julie abriu a porta da edicula controlava a respiração acelerada quando olhou para o lugar. Só encontrou Martim e Félix. — Julie? O que houve? — Félix logo perguntou.

– Mas como o Daniel é cabeça dura! — Ela disse puxando seus cabelos. Respirou fundo. — Vocês dois viram ele? — Perguntou olhando para Martim e Félix. Os dois se entreolharam, conseguiam enxergar Daniel ao lado da garota. — Respondam! — Pediu, mas Daniel balançou a cabeça. Martim e Félix se calaram. — Vocês não sabem onde ele foi?

– Ele não foi... — Martim sussurrou coçando a cabeça, mas Juliana não ouviu.

– Gente! Vocês viram o Daniel ou não?! — Estava ficando nervosa, porém, ficou paralizada quando ouviu a voz quente de Daniel sussurrar no seu ouvido:

'' Esqueça Julie, não vou mais aparecer. ''

Notas finais
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