Perdido

1 Capítulo 1


Perdido

Já era noite, um forte vento frio me queimava a face, e como quem conta um segredo, fez o vento, que me contava sobre tantas e tantas razões pra não me manter esperançoso. Já era madrugada quando havia digerido toda aquela carga de significado que eu optei apenas por escutar, ouvir eu já ouço todo dia, ouço coisas que prefiro repelir, mas não aquele dia, jamais a voz do vento. Eu já vivo a noite como se fosse o dia, a insônia me consome e eu sinto isso em meu espírito vagante. Às vezes eu me sinto cansado, meu cansaço me tira o sono, e meu sono me deixa desligado de tudo o que eu posso ver ou tocar, eu preciso falar, eu preciso gritar, eu preciso sentir, eu preciso chorar. Talvez os nós das nossas vidas, os nós nas nossas gargantas, existam por falta dos gritos quando nosso coração se sente diluído.

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