Perdidas entre Sonhos
1 Festa do Pijama
Notas iniciais
É tarde da noite, no segundo andar da casa, pela janela entreaberta do quarto através das finas cortinas brancas com detalhes rosa pink é possível ver duas garotas, ambas de pijamas, a loira com os cabelos jogados sobre os ombros usava um babydoll, enquanto a morena de cabelos castanhos escuros, repicados e um tanto compridos usava um conjuntinho rosa com bolinhas. Conversavam animadamente, Fran pegando os cobertores e travesseiros, colocando sobre a sua cama para em seguida pular na cama se sentando, Jana estava em pé observando à amiga, no fundo uma música animada, trilha sonora de Crepúsculo, atrás das meninas uma estante, coberta de livros, uma das paixões que ambas amigas compartilhavam, além é claro de seus comentários e desejos íntimos de fazerem parte dos livros.
- Nossa Jana.. ainda bem que a sua mãe deixou você vir dormir aqui em casa hoje. Estava morrendo de saudades! Como de uma hora pra outra você muda de cidade assim? Mal dá notícias. – Reclamou Fran fazendo beicinho jogando o travesseiro sobre o rosto da amiga.
- Owo, peraí tá? A culpa não é minha, okay? Que culpa eu tenho que minha mãe vive pendurada no telefone? Caramba, to te dizendo parece mais uma extensão do corpo dela! Quando eu pensava em te ligar, lá estava ela, de blábláblá no telefone, preciso tanto de um celular... – Defendeu-se Jana, empurrando o travesseiro com o pé para afofá-lo e jogando-se no colchão improvisado.
Fran e Jana estavam deitadas olhando o teto adornado de estrelas coloridas e florescentes no teto do quarto enquanto jogavam conversa fora.
Apoiada em um de seus cotovelos e segurando seu rosto, Fran falou entusiasmada:
- Você não tem noção Jana, o Elijah foi morto pela Elena enquanto ela se fazia de vitima e coitadinha pra ele acreditar nela. – E bufou. – Faz idéia do drama?
- Pois, falando em drama – Respondeu Jana mexendo-se na cama para ficar em uma posição mais confortável — Você tinha que ter visto o drama que eu tive que fazer pra conseguir “Crescendo” sabe a continuação de “Sussurro”? Minha mãe não queria comprar de jeito nenhum, com a desculpa de que eu estava acreditando em ‘anjos e criaturas noturnas’ mas do que devia, vê se pode? – Comentou gesticulando com as mãos. – Chorei um tico aqui, e acolá, até que acho que a venci no cansaço e ela comprou o exemplar pra mim.
- Que mãe mais pão dura, Jah.. – E caíram na gargalhada.
Um pouco sem fôlego e ainda entre risadas Fran falou.
- Se bem que até eu faria drama, só pra ter mais um tempinho com o Patch. – E se abanou com as mãos, como se dissesse ‘sexy demais’ trocaram um olhar e riram novamente.
- E quem não filhinha, por tu achas que eu dei uma choradinha.
Foi mais um novo motivo para ambas caírem na gargalhada, com tanta algazarra no quarto de Fran, metade da casa acabou acordando. No último quarto da casa ouviram a irmã mais velha de Francine gritar um tanto irritada.
- Ei vocês duas, amanhã terão o dia inteiro para conversar! Então calem a boca e vão dormir!
As duas cúmplices riram ao se entreolharem.
- Tá legal, tá beleza.. – Respondeu Fran – Jana é melhor irmos dormir mesmo, porque senão ninguém vai nos deixar assistir o novo capitulo de Supernatural no PC, e ninguém merece perder preciosos minutos da gostosura de Dean e Sam.
- Sem dúvida alguma! – Falou Jana. – Boa noite! – Falaram em resposta para o restante da casa e baixinho disseram:
- Noite Fran.
- Até amanhã Jana.
Estava sendo impossível para as garotas dormirem, reviravam na cama entre pensamentos, Janaina estava ansiosa para saber como o quinto livro de “Vampire Diaries” iria terminar, Francine inquieta querendo ligar o computador para baixar o novo livro de “House of Night”. Ambas estavam quase adormecendo quando ouviram um som estranho, as arrepiando.
- Fran? — Cochichou Jana apreensiva – Você ouviu isso?
- Humhum.. escutei sim, o que será que é? – Perguntou, se sentando, olhando curiosamente ao seu redor.
- Sei lá, parecia uma espécie de pássaro... Vai você Fran, afinal era pra você fechar a janela e você não fechou.. – Disse Janaina de pé puxando a amiga da cama e a empurrando de encontro à janela. A cortina estava fechada, assim que a abriu Fran se deparou com um corvo gigante parado na soleira da janela, ela deu um grito tropeçando no tapete e caindo de bunda no chão, uma mão indo parar sobre o coração acelerado. Janaina correu até a janela sinalizando para que o pássaro saísse dali.
Em um choramingo Francine perguntou:
- Jana.. ele já foi embora? Tenho pavor desses bichos que voam.
- Já foi sim Fran, sabe que do jeito que você fala, até parece que você não gosta do Patch, ele voa sabia né?
- Putz Jana, o Patch é completamente diferente, ele é tipo sexo andando, gostoso demais, já esse bicho é nojento e pra lá de estranho..
- Falando em estranho.. eu não sabia que a tua mãe tinha comprado um Impala 67.
- Como é que é? — Perguntou Francine, levantando da onde ainda estava sentada e se juntando a amiga que estava literalmente com o rosto grudado na janela, agora já fechada, ambas olhavam o carro estacionado á frente da casa com singela curiosidade. – Mamãe não comprou Impala nenhum, não tem dinheiro nem para um fusca, quem dirá então um Impala 67.
Elas continuaram fitando o carro que não dava sequer um sinal de movimento. Sem falar mais nada, e suspirando Janaina fechou as cortinas, um pequeno ruído ecoando pelo quarto com o movimento, Francine já estava sentada na cama abraçada a um de seus bichinhos de pelúcia favoritos. Jana sentou-se no chão, desejando em seu intimo que nada de mal acontecesse, e que tudo fosse somente uma grande coincidência. Deitou-se no colchão abraçando o travesseiro, suspirou e depois de alguns minutos ouviu a voz da amiga:
- Jana, isso está muito familiar para mim. O corvo, o carro, eu já vi essas coisas antes, sinto como se estivesse tendo uma espécie de déjà vu.
- É.. estou com a mesma sensação, Fran. – Murmurou Janaina. – Acho melhor esquecermos o susto e voltarmos a dormir.
Entreolharam-se por uma última vez, trocando um singelo sorriso, virando cada uma para um lado, cobriram suas cabeças e voltaram a dormir. A noite passou sem mais nenhuma ocorrência estranha, dormiram como se nada houvesse acontecido, sonharam, mas não lembrariam com o quê exatamente pela manhã.
Fale com o autor