Perdidas entre Sonhos
3 Eu disse que não era uma boa idéia!!
Notas iniciais
- Oi, está tudo bem? – Perguntou Francine já próxima aos meninos. Eles a mediram dos pés a cabeça, cobiçando-as. O musculosozinho tirou a mão da boca e fez uma pose, em vão tentando parecer sexy. A atenção dos quatro voltou para a portinhola que havia acabado de ser aberta novamente, sendo expelidos quatro convites no chão.
- Quatro? – Perguntou o magrelo, pegando os ingressos do chão. – Lucas, quanto você deu a ele?
- 10 dólares, o resto está aqui no bolso. – O suposto Lucas enfiou a mão no bolso da frete não encontrou nada apalpou a jaqueta e o bolso de trás e por fim constatou que não havia nada, nem uma moedinha pra contar história.
- Foi mal, acho que dei todo o dinheiro. — E bufou irritado, o amigo ao seu lado revirou os olhos, incomodado pela burrice do amigo.
- Olha, se vocês quiserem, compramos o ingresso de vocês. – Ofereceu Janaina sorrindo amigavelmente apesar da timidez. – Aí, desculpa eu ir me intrometendo assim sem nem ao menos me apresentar, meu nome é Janaina e essa aqui é a Francine.
- Meu nome é Darren, e essa mula aqui do meu lado é o Lucas. Estão indo para o circo também?
- Muito prazer. Estamos indo sim, só que nosso tio foi estacionar o carro e estamos aguardando ele para comprar os ingressos. Então é sério, se quiserem, compramos de vocês os ingressos. – Disse Janaina já tirando o dinheiro do bolso.
- Nossa! Muito obrigado Jana, posso te chamar assim né? – Perguntou Darren enrubescendo.
Enquanto Darren e Janaina discutiam animadamente sobre os ingressos, Francine observava, ou melhor, literalmente secava o Lucas com os olhos devido ao fato de que sua aparência lhe intrigava mais do que deveria, na realidade podia jurar ter visto o garoto antes. Mas, aonde? Lucas começou a encará-la com a intenção de descobrir o que tanto ela fitava.
- Algum problema com a sua amiga? – Falou Darren apontando para Fran.
- Fran? Ôoo Fran?! Francine? – Gritou Janaina, chamando a atenção da amiga.
- O que foi?! – Disse Fran dando umas piscadelas, voltando a si e fitando a amiga que agora estava a sua frente.
- Dá pra parar de babar pelo moleque? Ele vai ter uma má impressão de você. – Falou Jana, brincando com a amiga.
- Sem pro... – Lucas começou a falar, mais parou quando viu a figura do homem atrás das meninas.
- Ah tio John, com toda essa demora achei que você tivesse batido o carro ou algo assim. – Falou Francine brincalhona passando o braço em volta do tio. – Vejo vocês lá dentro meninos, foi um prazer te conhecer Lucas. – Deu uma piscada para ele que retribuiu com um sorriso sexy.
John já tinha seu ingresso, portanto seguiram teatro adentro, o local estava completamente vazio, subiram as escadas encontrando uma porta entreaberta. Transpassaram-na para encontrar do outro lado um homem gigante, seu olhar penetrante e assustador.
- Ai minha nossa senhora da compadecida!! – Falou Janaina escondendo-se atrás de John agarrando sua camisa com uma das mãos. – Fran... – murmurou — Pressentimentos ruins amiga, muito ruins. A voz gutural do gigante invadiu seus ouvidos:
- Vocês três já são maiores? Já têm 21 anos? – Perguntou o homem. – Digam sim.
- Sim. – Disseram John e Francine, somente Janaina murmurou um “não”, com isso Francine deu uma cotovelada nela, fazendo ela se encolher e reprimir um gritinho. – Sim nós temos. – Afirmaram novamente,
- Maravilha. Nenhuma tendência a pânico, ataque cardíaco ou de ansiedade? Têm? Digam não. – Enfatizou o homenzarrão.
- Não. – Disseram juntos.
- Fran... – Choramingou Janaina, de novo puxando a manga da Francine.
- Ótimo – Disse o homem estendendo a mão para eles, foi quando cada um colocou seus ingressos entre os dedos do homem. — Podem entrar o show já vai começar.
Eles entraram, e se posicionaram lá na frente, bem perto do palco. Quando eles se sentaram, Janaina ficou fitando a Francine, até que ela se incomodou e falou.
— O que foi agora Jana?
- O que foi? Não to reconhecendo você, ficar babando pelo moleque, coitadinho, vai achar que você é louca, e qual foi aquele lance de prazer em conhecer e a piscadela, hein?
- Nossa ta com ciúmes filhinha, pode ficar com ele pra você. Só dei em cima dele, pois ele me lembra muito o Josh. Você não percebeu? Ele é muito idêntico ao Josh, se eu não tivesse assistido Zatura, um milhão de vezes, eu juraria que era ele.
- Eu não o quero, mais é verdade, eu sabia que já tinha visto ele em algum lugar. E o seu tio? Tenho certeza que já o vi ele em algum lugar, só não tenho certeza disso.
- A sei lá, eu via ele desde sempre, então não sei, é bem raro ele vir pra cá, lembro de que era sempre eu que ia pra lá.
- Olá novamente meninas. – Disse Lucas sentando do lado de Janaina. – Fran, tem uma pessoinha que perguntou se você pode sentar perto dele. – Disse apontando para o Darren, que estava olhando para o outro lado do palco fascinado, com as decorações do lugar.
- O que? Oi? Lucas, o que você ta falando ai? – Disse Darren ficando todo vermelhinho.
- Tá eu sento. Pode ficar assim, o Darren, eu, a Jana e você Lucas, o que você acha? — Sugeriu Francine dando um sorriso encantado.
- Lógico. Mas seu tio não vai achar ruim? – Perguntou Lucas todo preocupado, procurando John.
- Vai nada, se ele se importasse, não estaria falo do outro lado, xavecando aquela mulher loira. – Terminando de falar Francine deu um risinho sarcástico se sentando do lado de Darren.
Umas buzinas estranhas começaram a tocar, quando todos já estavam em seus devidos lugares. Uma luz meio esverdeada se acendeu, mostrando o meu homem gigante que acabou de nos atender na porta.
- Sejam Bem vindos ao Circo dos Horrores. O mais antigo show de horrores do hemisfério ocidental. Estamos em turnê há 500 anos, trazendo o bizarro para gerações e gerações. Quero apresentar do homem lobo.
Fumaça pra todos os lados, as luzes foram apagar e apenas suas luzes, foram voltadas para o fundo no palco. Um bicho horrendo, aterrorizante começou a uivar, o eco penetrava a cabeça de todos que estavam lá dentro.
- Não façam barulho. – Disse o homem, fazendo com que o homem lobo, saísse de do palco e vagasse por entre os públicos.
O bicho passou por toda a primeira fileira, se coçando, fazendo com que os mosquitos e o cheiro terrível fossem ate a platéia.
- Nojento esse bicho se coçando. — disse o Lucas, falando na orelha da Janaina, fazendo a tremer com a proximidade.
O bicho parou na frente do John, com a suposta loira que ele tava dando em cima. Com um simples movimento do homem gigante, o homem lobo, foi pra cima da pobre mulher, mordendo-a e arranhando seu braço.
- Fran, vamos sair daqui! Ele vai nos morder. – Gritou Janaina, já se levantando pra sair correndo.
- Calma Jana, algo me diz que é só encenação. – Disse Francine colocando a amiga de volta pra cadeira.
- Chamem uma ambulância. – Gritou John, com um doido.
- Tudo bem, isso não será necessário. – Disse o homem fazendo pouco caso da mulher. – Muito bom. – falou diretamente para o homem lobo. – Quietinho.
Uma música mais animadinha começou a tocar, e a mulher ferida, se levantou e começou a acenar com seu braço machucado, e começou a se regenerar na frente de todos.
- Senhoras e senhores, a encantadora rainha reciclável, Carmem Limbs, e agora nosso faquir honorário, Alexandre Costela. – Quando terminou de falar, um homem negro entrou dando um escorregão poderoso de joelhos. Nisso que ele levantou se, tirou a blusa e ficou exibindo sua barriga sem nenhum pedaço de pele, apenas sua costela, que juntava as duas partes.
- Ai que horror. – Exclamaram todos, quando viram, o estado do Alexandre Costela.
— Vocês já viram coisas, parecidas com essa. Oh, o que é isso? É uma espiga de milho. – Disse o Alexandre, na frente da Janaina.
- Fran, isso é nojento, fala pra ele sair daqui. – Disse ela escondendo o rosto, do ombro da Francine.
- Como se eu mandasse no espetáculo né, Jana. – Disse rançando a amiga e segurando seu rosto com as duas mãos. – Menina, tu já viu coisa pior encara o negão de volta.
- Com vocês, Diana dentada. – Uma mulher desceu pendurada pela boca, em uma corda no meio do palco. – E Sanxu das panças.
- To aqui, e agora? – Sanxu fez uns troços muito bizarros, e logo saio em uma bicicletinha estranha.
- E ae? Gostei da bike. – gritou Lucas pra o Sanxu. – Meu irmão isso é incrível. – Disse atravessando as duas e falando direto para o Darren.
- E agora, Ophidio o garoto cobra. – Um garoto muito estranho, tão estranho, que chegava a ser verde, começou a dançar uma dança mais estranha ainda, junto com a sua cobra Bipaul.
No lugar de gritos de horror, agora todos estavam rindo de Ophidio. Pois sua cobra fazia coisas que não estavam programadas.
- Ophidio, conversamos depois. — O gigante fez um sinal com que ele saísse do palco. – E agora a exuberante, a exótica, a misteriosa Madame Truska.
Uma mulher muito bela entrou no palco deitada em um divã, trajada com um vestido comprido e vermelho.
- Alguém na platéia tem coragem de ser meu assistente? – Disse passando por todos que começaram a gritar “Me escolher, me escolhe”.
Janaina escondeu o rosto de novo na Francine, ela sempre tinha o azar de ser sempre chamada para se expor.
- Me escolhe. – Gritou Lucas mais alto que os outros, fazendo com que atenção de Truska voltasse para as direções deles.
- Você! – Exclamou ela, indo até Janaina, puxando-a para o palco.
- Fran. – Choramingou Janaina, olhando pra trás, enquanto a Francine fazia sinal para que ela continuasse.
Janaina foi colocada no divã, a atenção de todos estava voltada para elas. Madame Truska pegou a mão de Janaina e a colocou em seu rosto. Com o simples toque uma enorme barba começou a nascer sem sua face.
O olhar de Madame Truska estava longe como se ela se colocasse no lugar de Janaina, vendo seu presente e seu futuro, seu olhar mudou para um de preocupação e desespero.
- Quem é você? – Perguntou curiosa.
- Sou... Jana... Janaina- Gaguejou ao falar.
Tentando disfarça Truska voltou, a sua apresentação. Terminado com uma bela dançinha e cortando toda sua barba.
- Vocês querem mais, Sr. Crepsley e Madame Ócta.
O palco ficou um tempo escuro, Janaina sentou-se a tempo das luzes voltarem a ser acesas e trazendo consigo um homem, que fez com que a espinha de Janaina e de Francine, desse um alerta de perigo. Mas foi mais a aparência dele que fez Janaina ficar com medo, ele estava mais para um palhaço do que um domador de uma aranha.
- Fran, palhaços! – Disse Janaina cutucando a amiga.
- Obrigado senhoras e senhores, é emocionante em uma cidadezinha esquecidas que já teve seus dias de glória, mais que agora não passa de um subúrbio, sem graça, cheio de lojas e cercada de Favelas. É mesmo um prazer estar aqui, eu considero uma honra, e blábláblá, e tudo mais e etc... tal, infelizmente eu tenho notícias lastimáveis pra vocês, eu gostaria de apresentar meu ato de sempre, mais minha aranha madame Octa, parece ter escapado da gaiola, esta desaparecida.
- Jana, aranha! – Disse Francine cutucando a amiga.
- Tenham cuidado a pegar seus pertences de baixo de seus acentos. Ela é muito venenosa! Mais não se preocupem hoje eu vou apresentar a vocês ilusões impressionantes primeiro, um coelho na cartola. – Nisso que Crepsley tirou sua cartola e estendeu à mão, a suposta aranha Octa saiu de lá de dentro. – É madame Octa, uma curiosidade uma mordida dessa aranha é a morte certa. Mais relaxem, enquanto eu me mantiver calmo.
- Ela é linda. – Disse Darren, Francine olhou-o abismada ‘como ele pode acha esse bicho horrível lindo’ pensou ela.
- Se eu achar a minha flauta, que geralmente esta... – Foi interrompido, pois a aranha começou a pular por todo seu corpo, jogando ela no chão ele pegou sua flauta e começou a encantá-la.
- Gente o nome dele não é Lord Crespley, é Dur Horsten, ele é um vampiro, eu vi uma gravura dele em um dos meus livros, é ele sim, esta com as mesmas cicatrizes e o mesmo cabelo, tá tudo igualzinho. – Disse Lucas se colocando quase em cima de Janaina, tentando falar o mais baixou possível.
- Lucas, você acha mesmo que ele é um vampiro. – Falou Francine se virando para ele.
Com sua distração Francine não viu madame Octa sendo jogada em sua direção, e caindo diretamente em seu colo. Todos se afastaram dela, quando ela viu a aranha, ela não começou a gritar como o restante da sala estava fazendo, ela ficou paralisada apenas olhando os fundos dos olhos de Octa.
- Pode devolver minha aranha? Por favor! Bons garotos e garotas, é claro. Vampiros não existem, mais se um existisse e achasse que alguém sabia, ele o sufocaria durante o sono. – Ameaçou eles.
— Já chega, o show acabou. – Gritou da porta da entrada do teatro.
- Vamos embora. – Falou Darren puxando Francine junto com ele, e Lucas puxou Janaina, só que para outro lado.
Francine foi levada para dentro do camarim, e Janaina já estava quase lá fora, quando sentiu falta da amiga.
- Lucas, a Fran e Darren, eles ainda estão lá dentro. – Falou puxando ele, que o vacilar e quase cair, só não caiu, pois ela o segurou, os dois se olharam por um longe instante ate que ela falou novamente. – Vamos atrás deles.
Os dois voltaram correndo para dentro do teatro. Enquanto Francine e Darren procuravam uma saída dos fundos. Eles passaram por todos os camarins, irmãs siamesas, mulher barbada, e Crepsley e octa, Darren parou de frente a porta.
- Vamos dar apenas uma olhada, ta legal? – Disse Darren puxando Francine para dentro do camarim, o cômodo estava vazio, havia apenas um caixão, um armário e uma poltrona, Darren vasculhou tudo atrás da Octa e a acho perto da poltrona.
- Olha Octa.
- Darren. – Disse Francine, puxando Darren para junto do seu corpo, os dois ficaram entrelaçados ali, olhando uma para dentro os olhos do outro, seus lábios cada vez mais próximo um do outro, prontos para se encontrarem em um beijo.
- Fran. – E a porta se abriu, fazendo com que os dois se afastassem um do outro. – Eles estão vindo aí, vamos embora, John já esta no carro.
- Tchau Darren. – Falou Francine, se afastando dele e passando pela porta entreaberta.
As meninas estavam super assustadas com tudo, no meio da confusão Janaina tinha se perdido do Lucas. Foram direto pro carro sem dizer uma só palavra, John realmente já estava no carro. John deixou as meninas na casa da Francine, e foi embora, era apenas quatro da tarde. E o céu já estava escuro, pronta pra trazer uma tempestade, junto com aquele momento terrível.
- EU DISSE QUE NÃO ERA UMA BOA IDÉIA! EU DISSE! – Gritava Janaina entrando pela porta da casa de Francine.
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