Notas iniciais
Olá, leitores *--* Boa leitura!

Depois de finalmente me soltar dele foi que a ficha caiu. Jeremy estava na minha casa. O encarei, pronta para brigar, e quase me distraí pois ele era tão lindo, com aquelas roupas do século XVIII, a postura elegante e o sorriso bobo no rosto.... Foco, Meredith!

— Jeremy Declair! O que você está fazendo aqui? – Ditei num tom bravo.

— E-eu – ele ficou desnorteado por um segundo e acrescentou num tom murcho: – vim ficar com você.

— Como pode deixar seus pais? Você não tinha o direito de abandoná-los! – Dei dois tapas em seu braço e ele riu.

— É com isso que está preocupada? – E continuou a rir. Ok, me senti excluída da piada. – Por um segundo, – disse entre risos – deixa para lá. – Ele respirou fundo e pronunciou sério. – Meredith, eu não poderia estar num lugar onde você não está. Meus pais entendem isso e eu espero que você também entenda.

Eu estava fora de mim – Jeremy me deixava assim –, pois ao ouvir suas palavras quase soltei um 'ownt' e comecei a mordê-lo de tão fofo. Não fiz nenhuma das duas coisas.

— Eu entendo. – Sorri abertamente e pulei em seu colo, fiel que ele me pegaria. E ele pegou. – Desculpe pelo pequeno surto... Eu realmente não esperava te ver tão cedo. – Disse por fim, selando nossos lábios. – Mas isso é muito bom!

Já havia passado um tempo desde que Jeremy chegou do século XVIII e devo confessar que era engraçado vê-lo interagindo com as coisas do século 21. Julgo que a primeira vez com a privada foi inesquecível. Enquanto explorava a casa, ele se deparou com aquele objeto branco e me perguntou inocentemente:

— Quem esculpiu essa bela obra?

Quando comecei a gargalhar, Jeremy franziu a testa, levemente irritado. Desde quando vaso sanitário é obra de arte? Tentei explicar sem rir, mas foi impossível. Claro que Jeremy a princípio estranhou a ideia de fazer suas necessidades na 'bela obra', mas se acostumou e depois de entender como funcionava o sistema de esgoto, achou genial.

O vaso sanitário foi o primeiro. A partir daí qualquer coisa incomum Jere tinha que entender como funcionava. Parecia uma criança eufórica com brinquedos novos. A verdade é que ele se encaixava muito bem aqui.


Deixar o Jeremy ocupado era bom. Principalmente agora que a primeira loja física da Charm & Beauty iria inaugurar. Eu estava uma pilha de nervos com os preparativos, bem como Riddick. Ele até mais do que eu. Eram muitas as vezes que eu tinha que falar para ele se acalmar ou sucumbiria.

Eu estava em meu escritório na fábrica da C&B checando os últimos detalhes da inauguração (no sábado), quando minha assistente – sim, eu tinha uma assistente – entrou meu esbaforida e apreensiva. Eu havia deixado bem claro que não queria que ninguém, principalmente o Riddick com suas neuras, me incomodasse, e eu era uma chefe-carrasco, portanto eu não devia ver os olhos verdes de Alice até o momento em que eu pedisse meu almoço para ela.

— Senhorita Snigler... – Me chamou nervosamente. – Eu não queria incomodar, mas tem um homem aqui que insiste em vê-la e disse que não sairá daqui sem falar contigo.

— Alice, eu já falei que não quero ver ninguém, tenho mil e dois problemas para resolver hoje. Anote nome, telefone, diga que não posso e que ligarei quando puder. Me lembre de ligar na semana que vem, ok?

Assim que a garota fechou a porta, meu telefone tocou. Era Riddick.

— Desembucha logo, porque estou sem tempo. – Ditei rapidamente.

— Adoro seu bom humor, darling. Você viu os layouts que mandei? Preciso de sua aprovação para ontem.

— Vi, sim. Daqui a pouco mandarei uma resposta com as alterações que quero que sejam feitas. – Ouvi meu gerente soltar um gemido e ri malevolamente por dentro. – Relaxa que não é nada demais, poucas coisas. – Isso era uma mentira, havia muitas coisas para mudar, mas para quê desesperar o coitado? – Agora, tchau.

— Ok, aguardarei então. Tchau, tchau, rainha ruiva. – Disse por fim e desligou.

Tão logo coloquei o telefone no gancho, minha porta se abriu novamente. Alice. Quando ela me encarou e não pronunciou uma palavra sequer, arqueei as sobrancelhas em questionamento.

— Senhorita, ele insiste muito. Pediu para eu informá-la que é Jeremy Declair.

Ai, senhor, Jeremy. Que estabanado, já falei para ele me ligar quando quisesse me ver.

— Mande entrar. – Minha assistente me olhou como se eu fosse louca. Talvez eu fosse, mas não era da conta dela. – Agora, Alice.

Alguns segundos depois um Jeremy bem tímido passou pela porta. Ele usava uma calça jeans azul marinho e um suéter preto. Dava vontade de arrancar a roupa dele e jogá-lo na minha mesa. Mas ia deixar para fazer isso em casa.

— Jeremy, como chegou até aqui? – Perguntei preocupada.

— Vim de táxi. – Respondeu naturalmente, se sentando na cadeira em frente minha mesa. – Caramba, – pronunciou olhando em volta – não acredito que estou aqui há três semanas e não tinha vindo aqui ainda.

— Jere, sabe que eu não gosto que saia sozinho, tenho medo que se perca por aí. – Cortei antes que ele mudasse de assunto.

— Mere, eu não sou um garoto indefeso, posso me virar sozinho. Você tem que parar de ser neurótica com essas coisas. – Ele disse sério.

Soltei um suspiro pesado.

— É que tem tanta coisa na minha cabeça que eu... – Fechei os olhos e pressionei as têmporas. Senti suas mãos afastarem meus cabelos do pescoço e leves beijos serem depositados ali. Foi instantâneo, meus corpo relaxou.

— Você tem que dar um tempo, ou não vai aguentar até sábado. – Jeremy parou o carinho e girou minha cadeira, deixando meus olhos na mesma altura dos seus. – Eu quero te ajudar. O que eu posso fazer por você?

— Por hora, nada. – Ele me encarou um pouco decepcionado, abrindo logo em seguida um sorriso que me derreteu por dentro.

— Vamos almoçar então.

Não pude dizer não. Em menos de 10 minutos estávamos sentados numa lanchonete perto da C&B.

— Acho que sua assistente tem medo de você. – Foi a primeira coisa que Jeremy falou após pegar o cardápio. Soltei uma risada com suas palavras e recebi um olhar indignado.

— Eu sei que ela tem. É melhor assim, sem intimidade nenhuma. Além disso, é divertido como ela e muitos outros ficam nervosos e gaguejando para se dirigir a mim.

— Estou começando a achar que você é um pouco sádica. – Declarou por fim, voltando a encarar o cardápio. – Vou querer o peixe. – Disse se direcionando ao garçom que aguardava pacientemente.

— E eu o mesmo que ele.

Depois de fazer o pedido, Jeremy colocou em tópico o principal motivo de querer almoçar.

— Mere, eu quero trabalhar com você. – Quase engasguei com o suco que tomava. – Nossa, não esperava essa reação. Calma, respira! – Fiz o que ele pediu.

— Como assim você quer trabalhar comigo? – Perguntei devagar.

— Eu estou cansado de ficar em casa. Já li todos os livros do Alan, já terminei todos os programas que comecei no Netflix e até o apartamento limpei hoje. Não gosto de ficar parado. Por favor. – Pediu.

— Limpou? – Perguntei surpresa, nem eu fazia essas coisas quando estava entediada.

— Você sabe que eu auxiliava meu pai com os negócios e, mesmo que em ramos diferentes, eu acho que posso ser útil de alguma forma.

— Olha, Jeremy, eu não quero ser rude, mas as coisas mudaram. Estamos falando de vácuo de quase três séculos.

— Tudo bem, Mere, eu entendo sua decisão. Além de tudo, favoritismo não é legal. Mas se não for você, será outro. – Ele disse num tom calmo.

— Jere, não é tão fácil assim. Hoje não há mais palavra. Se você não pode provar uma coisa, não aconteceu ou é mentira.

— Eu já percebi a necessidade de documentar tudo do século XXI. Por isso mesmo me inscrevi numa faculdade. Economia na LSE. – Não consegui esconder minha surpresa.

— Uau! Já foi aprovado? – Jeremy riu.

— Sim. – Declarou, como quem diz que vai chover, que entrou numa das melhores faculdades do país. – Não foi tão difícil falsificar meus documentos. Eles pedem muitas coisas, sabia? Por que tamanha surpresa? – Ele se interrompeu com a chegada dos pratos. – Você não esperava que eu virasse uma dona de casa, né?

— Não é isso... Eu só estou... surpresa. Mas, meus parabéns!, você com certeza adorará a faculdade. Eu me formei lá também...

— Aí está uma coisa que eu não sabia! Como nunca me disse isso antes? – Disse num fôlego só, empolgado.

— Ir para a faculdade para mim não é o mesmo que provavelmente será para você. Fiz por tédio. Matemática financeira.

— Que tipo de pessoa faz matemática financeira por tédio? – Jeremy me encarou como se eu fosse louca.

— Gosto de números. A ordem me deixa calma. E, honestamente, sou muito boa com eles. Mas não conte ao Alan, ele detestaria saber que não é o mais inteligente da família. – Pisquei charmosa em sua direção, esperando que isso dissipasse sua repentina e sempre infindável curiosidade. Deu certo, pois em questão de segundos ele começou a contar como ele tinha adorado os livros do Harry Potter e como a J. K. era inspiradora e genial. Ele parecia apaixonado por ela.

— Falando desse jeito dela, você me deixa com ciúmes.... – Disse manhosa depois do quinto elogio que ele fez para ela.

— Não fique. – Jere pronunciou com um sorriso bobo no rosto, pegando minha mão e depositando um beijo na palma. – Só tenho olhos para você, me- – Um pigarreio alto interrompeu-o. Lancei um olhar mortal na direção do som. Quem quer que fosse, era muito inconveniente.

— Desculpe interromper os pombinhos... – O tem de voz afeminado passou pelos meus ouvidos tão logo encarei Riddick a minha frente.

— Rodelling! – Sabe a sensação de que os seus mundos vão colidir quando pessoas de dois círculos diferentes seus se cruzam? Eu estava passando por isso naquele momento.

— Olá, queridos! – Cumprimentou maliciosamente, meu gerente.

— Jeremy, esse é Riddick Rodelling, meu gerente de marketing. Riddick, esse é Jeremy, meu... – Como apresentá-lo? Colega de casa, amigo, amante, ex-futuro-noivo-do-século-XVIII?

— Namorado. – Jeremy completou firme. – É um prazer conhecê-lo!

— Muito prazer, rei loiro! – Riddick não poupava ninguém. Na verdade não conheço alguém que não tenha um apelido por sua boca. O 'rei loiro' não entendeu nada, pois uma enorme interrogação pairou sobre sua cabeça. – Não quero atrapalhar mais, por isso já vou indo! Bom almoço para vocês.

— Rei loiro? – Jeremy me perguntou assim que ele saiu de nosso alcance.

— Ele me chama de rainha ruiva, deve ter achado apropriado chamá-lo de rei loiro. – Expliquei casualmente. – Acho que já terminamos aqui. Vamos?

Paguei a conta e saímos do restaurante. Andamos calmamente até a Charm&Beauty.

— Sabe voltar? –Perguntei já sabendo o que Jeremy acharia da pergunta. Ele apenas revirou os olhos para mim e acenou que sim com a cabeça.

— Te vejo a noite, então? – Assenti. Jeremy me puxou pela cintura e colou nossos lábios suavemente. – Até lá, meu amor!

Notas finais
Espero que tenham curtido! Sei que não foi um cap muito movimentado, mas ele é um capítulo de transição, portanto necessário. Não esqueçam de dizer o que acharam :) Beijos da DUp!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.