Perdida em STILândia.
4 Um milagre de domingo. (3)
Acordei no dia seguinte totalmente animada e meu avô percebeu isso quando eu perguntei o numero do taxi e anunciei que iria sair.
Melissa estava um pouco irritada porque os gêmeos não tinha chegado ainda, já que passaram a madrugada toda em uma festa e isso me fez perceber o motivo da inquietação de Jackson e confesso que fiquei meio irritada por ele não ter me chamado.
Mas que porra tá acontecendo com o esse moreno maldito?
Era 6 horas da manhã de um domingo.
Sim, quem acorda esse horário? Eu... Até porque dormi muito cedo e perdi o sono a madrugada toda pensando nos últimos acontecimentos.
Já no Gaslamp Quarter, que é um centro comercial super importante e completamente fascinante pela sua variedade... Sim, eu estava andando nesse formigueiro.
Enfim, eu acabei pedindo dica pro taxista de um cabeleireiro e ele me indicou um que frequentava naquela região e foi lá mesmo que ele me deixou, junto com o cartão dele para que pudesse ligar depois.
Eu resolvi cortar o meu cabelo, quero dizer, eu só fiz uma franja básica e mantive-o grande até a cintura mesmo.
Quem sabe da próxima vez eu não corte mais.
"CORTEI O CABELO VADIA... Olha no instagram." Mandei uma mensagem para Allison depois de postar uma foto com o meu novo visual e também para alertar os fofoqueiros da minha cidade que nada iria me derrubar e quase comentei "AEWWWW, SEUS IDIOTAS... TÔ DE VOLTA" Ok, confesso que escrevi e depois apaguei.
Aproveitando que já era oito horas da manhã, vou a caminho de uma cafeteria de frente com o local que estava alguns minutos atrás e entro reparando que estava bem vazio.
Vou até o balcão e me sento por lá mesmo e me deparo com uma senhora. – Olá, quero um café bem forte.
A senhora de cabelos brancos sorriu de forma acolhedora. – Também está de ressaca? – Indagou e ao perceber que eu fiquei um pouco confusa ela apontou para um dos bancos que se encontrava afastado de nós. – Domingo é comum ver jovens de ressaca. – Ela não parecia irritada, apenas um pouco cansada com a rotina.
De longe avisei um rapaz e ele estava virado de costas para nós, mas parecia bem concentrado em beber seu café. Na outra mesa tinha duas meninas deitadas e aposto que daqui a pouco estariam dormindo.
— Você é meu milagre de domingo.
Quando ouvi ela dizer isso, acabei soltando uma risada e me curvei sobre o balcão para poder vê-la melhor. – Amém irmãos. – Levantei as minhas mãos para cima e deixei um sorriso divertido esbouçado em minha face. – Fica tranquila, senhora... Não costumo ficar de ressaca, mas caso isso aconteça prometo correr para cá.
Ela soltou uma risada e concordou e antes que pudesse voltar a falar, foi interrompida por um rapaz – Viola, Viola... Não acredito que já está reclamando sobre seus netos adotivos novamente. – Seu tom baixo era carregado de sarcasmo e senti a movimentação da cadeira ao lado, imaginando que ele tinha sentado e preferi não fita-lo. – Eu pensei que amava nos ver de ressaca todo domingo.
A senhora não se intimidou pelo tom dele, pelo contrario, ela esbouçou um sorriso sacana e aquilo me surpreendeu. – Fica quieto, seu pivete... Sou eu quem cuida dos vômitos depois. – Ela se curvou sobre o balcão e deu um beliscão no braço dele.
— Ai. – Ele resmungou. – Eu nunca vomitei. – Ele disse indignado e aquilo me fez analisa-lo de lado. Sua pele branca fazia um belo contraste com o cabelo castanho escuro, que estava um pouco bagunçado e provavelmente estava impecável no dia anterior e pelo pouco que pude analisa-lo, ele parecia um rapaz bonito, não um bonito como o Jackson que pararia um transito, mas um bonito que chamaria a atenção de qualquer um.
— Não vomitou? E aquele dia que tive que joga-lo no chuveiro? – A senhora estava se divertindo com aquilo e percebi que eles tinha algum tipo de amizade.
Provavelmente ele encontrava-a em muitos domingos.
Quando ele ouviu a pergunta da mulher, ele fez um breve bico e logo deixou que uma risada escapasse de seus lábios. – A senhora tem uma memoria boa... É uma velha assustadora.
Ao perceber que estava analisando-o muito, viro para ver a senhora e vi-a revirar os olhos.
— Vou pegar seu café. – Disse para mim e concordei, sentindo meu corpo ficar um pouco na defensiva quando ela se afastou.
Um minuto se passaram.
— Então... Você é nova aqui? – O menino resolveu se pronunciar e sabia que ele me analisava, como eu estava fazendo a alguns minutos atrás e ao perceber tal fato, acabo sentindo um constrangimento me invadir. – Você não gosta de falar é? – Perguntou depois de eu permanecer em silencio.
Meus olhos foram de encontro aos deles e porra, ele realmente tinha uma beleza rara. O rosto era bem desenhado e ele tinha sobrancelhas perfeitas e se ele fosse mulher nunca precisaria faze-las. "O que eu estou pensando?" Ok, os lábios dele estavam avermelhados e tinha um maldito sorriso sacana nos olhos castanho claro que focavam-se nos meus e vi-o arquear a sobrancelha como se me desaviasse a falar.
— O que te levou a pensar que sou nova aqui? – Indaguei de forma cautelosa.
— Você tem um pouco de sotaque. – Disse o obvio. – E bom, eu conheço todos que frequentam a cafeteria da Viola.
Meus olhos se reviraram. – Eu aposto que conhece. – Dando de ombros, meus olhos se focaram em Viola/a senhora de nome estranho — e no café que ela trazia.
— Aqui, querida. – Ela disse de forma meiga.
— Obrigada. – Murmurei ao dar um gole nele e suspirar com o calor do café. Logo o sininho da cafeteria anuncia a entrada de alguém e não demorou muito para eu perceber que não era um cliente de Viola e sim uma amiguinha do desconhecido.
— Ei, amor... Vim te buscar. – A voz melosa tomou conta do ambiente, enquanto uma garota jogava os braços em volta do ombro do rapaz ao meu lado e senti-a me empurrar de leve.
Me segurei para não bufar.
— Opa. – Ele disse batendo no balcão e curvando para dar um beijo em Viola. – Tchau, nos vemos domingo. – O tom ficou mais amoroso ao despedir-se da senhora e logo senti os olhos dele sobre mim, mas não virei para olha-lo. – Foi um prazer te conhecer, Lydia. – Dito isso ele apenas saiu junto com a garota, que indagava quem eu era.
— Idiota. – Murmurei baixo. – Espera... – Um pouco confusa, olho para trás e em seguida olho pra senhora que sorria de forma divertida. – Ele falou Lydia? – Ao vê-la concordar, sinto meus olhos se arregalarem. – Mas eu não falei o meu nome para ele... Falei?
Viola riu e deu de ombros, até porque ela não estava com nós quando se afastou.
— Ok, eu não falei. – Pensei e me levantei resolvendo fazer meus outros planos. – Obrigada pelo café Viola.
A mulher estava distraída e percebi que olhava para as meninas. – Não aguento mais. – Apontou para as garotas que dormia e sorri ao tirar o dinheiro e colocar sobre o balcão e de forma robótica, caminho até as garotas que dormiam e bati com tudo contra a mesa.
— Vamos acordar, anda... – Gritei alto e percebi o olhar ameaçador das garotas. – Vocês acham que a Dona Viola tem tempo para cuidar da ressaca de vocês? – Meu tom soou raivoso. – Podem pagar ela e sair andando, vai... – Quando disse isso as meninas olharem um pouco assustadas e pediram desculpas de forma constrangida e ao vê-las saírem do estabelecimento, ouço dona Viola rir e me chamar de louca. – Tchau. – Digo já me afastando com um sorriso divertido no rosto.
E sai pela rua cantarolando uma música qualquer, enquanto mandava mensagem para Alien e contava sobre o acontecimento de minutos atrás, fazendo-a rir muito sobre as meninas e perguntar como o maldito sabia meu nome.
E isso era uma ótima pergunta, porque aqui nem é interior.
Jack me mandou algumas mensagens e ignorei-o.
As horas foram se passando rápido enquanto eu continuava com o meu tour, tive que lanchar em uma hamburgueria porque comecei a ficar com fome. E comprei diversas lembranças para Allison.
Quando meu celular começou a tocar, revirei meus olhos ao perceber que era Jack.
— Mas que porra Jackson... É a quarta vez que você me liga. – Resmunguei ao bufar alto. – Está morrendo?
Confesso que estava irritada, enciumada e todas as merdas que você pode pensar.
O silencio do outro lado da linha foi torturante e eu sabia que ele estava pensando muito bem no que iria falar.
— Estava preocupado... Estou aqui na casa da sua mãe.
— Melissa. – Corrigi-o.
— Foda-se... Todos estão preocupados.
Eu soltei uma gargalhada. – Todos quem?
— Mel, seus irmãos... Você está andando em um lugar desconhecido e já é 17 horas.
Aquilo me fez revirar os olhos, porque era uma desculpa sem nexo. – Você citou várias pessoas e nenhuma eu devo satisfação e muito menos para você.
— Lydia. – A voz autoritária do meu vô me advertiu e percebi que estava no viva voz.
Merda.
— Que lindo. – Suspirei e me encostei na parede de um estabelecimento. – Olha, eu só estou conhecendo o lugar... E eu sei me cuidar. – Meu tom foi tão baixo, que tive que controlar minha raiva. – E obrigada Jackpor avisar que estava no viva voz. – Dito isso, desliguei o celular e mandei uma mensagem logo em seguida pro meu avô.
As respostas vêm logo em seguida.
Acabei sorrindo com a mensagem e passei a mão por meus cabelos em um gesto nervoso.
Eu sou livre.
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