Perdida Na Tempestade
68 Quebrando as convenções...
Notas iniciais
Hikaru tentou colocar-se contra Minara, mas Talon o atingiu e com a ajuda de Inuyasha, e Isamu, certificou-se de que ele não sairia dalí.
Minara partiu novamente para cima de Kikyou, mas ela esquivou com uma velocidade incrível, só não contava com o outro ataque, que agora vinha de Kagome.
—Minha irmã de alma? Pensei que ficaria ao meu lado!-Kikyou proferiu.
—Eu estarei sempre ao lado da minha irmã, Kikyou! E você não é ela! – Kagome vociferou partindo pra cima com toda a força.
—VOCÊS FICARAM LOUCAS? PARA PROVAR QUE EU SOU MESMO QUEM DIGO SER, MORRAM QUEIMADAS PELO FOGO SAGRADO! –Gritou a Kikyou, enquanto criava um círculo de fogo, ao redor de si mesma, para proteger-se. Apesar de ser um fogo semelhante ao da própria Kikyou, Shippöu que estava presente, ergueu-se e foi ajudá-las, ao se dar conta de que se tratava de “fogo de raposa.”
Enquanto isso, Talon, Inuyasha e Isamu, continuavam lutando contra Hikaru. Teigure e Claire se aproximaram do youkai tigre e tentaram contê-lo, mas Hikaru atacou os dois. Justificando-se com a máxima, de quem não estava com ele, estava contra ele.
Apesar de serem três youkais contra um, a luta estava ferrenha, em especial, para Talon, pois sendo Hikaru muito veloz, ele não conseguia ver seus movimentos com precisão.
Inuyasha sacou Tessaiga, e continuou páreo à pareo com o youkai tigre, enquanto Isamu tentava destraí-lo, para que conseguissem detê-lo sem matá-lo. Mas o tigre dourado percebera isso, e aproveitou-se de um descuido deles para atacar violentamente à Talon.
Hikaru empunhava sua espada de luz, e com ela desferiu um golpe rápido e sem defesa. Foi Inuyasha, quem viu que Talon seria atingido em cheio, e sem tempo para avisá-lo, se pôs entre os dois e conseguiu salvar Talon da morte certa.
E foi neste instante que Talon decidiu que estava na hora de usar seus poderes reais. Concentrou-se e começou a ler a mente do inimigo. Com esta vantagem, Talon não só esquivou-se de seus golpes, como conseguiu acertá-lo, aproveitando-se que ele ainda batalhava com Isamu, e levando Hikaru ao chão, para imobilizá-lo finalmente.
Do outro lado do jardim, Minara usando seus poderes e com a ajuda de Kagome, Rin, e Igraine, Shippöu e Souten, conseguiu derrubar Kikyou. Aproximaram-se todas juntas e vislumbraram a Kikyou que estava lutando contra elas ainda há pouco transformar-se em sua verdadeira forma.
Kagome ficou profundamente perturbada ao perceber que se tratava de uma boneca de barro, muito semelhante à que Kikyou havia se tornado quando se conheceram. Esta, no entanto, apesar de ter as feições da miko, não tinha uma alma humana. Um delicado cheiro de lírios emanava da boneca, e ela estava vestida com as roupas que Kikyou estava usando anteriormente, por conta disso o cheiro da miko, se fazia presente nela de maneira indelével.
—Diga onde ela está! Vamos, diga! O que você fez com ela?! –Souten perguntou, tomando à frente das demais ainda chocadas. Mas a boneca nada disse. Apenas transformou-se em barro seco, bem diante de todos, quando uma bola de magia negra lhe saiu pela boca esvaindo-se no ar, deixando mais perguntas do que respostas.
O grito de Claire ao ver Hikaru ecoou pelo jardim. Ao contrário de Kikyou, que era uma boneca enfeitiçada, o falso Hikaru era um ser de carne e osso. Mas sua vida parecia estar chegando ao fim. Minara reconheceu Yuko, apesar do mesmo estar nitidamente abatido, e naquele momento, se debatia como se convulsionasse. Instintivamente a hanma pegou o pulso do Kitsune dourado, e puxou as mangas do quimono para ver-lhe os braços. E como ela esperava as veias de seus braços estavam negras, repletas de cicatrizes e furos, característicos de quem tomou diversas doses de substâncias nocivas ou teve seu sangue drenado, muitas vezes.
—Foi por isso que não percebemos a diferença. Yuko foi usado por sua capacidade de transformação. –Kyo, disse ao se aproximar, para ajudar o velho amigo.
—Pelos deuses... Sacerdotisas, por favor, ajudem-no!-Minara gritou. Prontamente as sacerdotisas presentes com exceção de Kagura, recolheram Yuko e o levaram para dentro para cuidar de seus ferimentos e tentar salvar-lhe a vida.
—Maldito Yuko! Kikyou havia me dito que ele a estava cortejando, mas eu não lhe dei ouvidos... E agora, onde está minha fêmea? O que ele fez com Kikyou?!-Raijin vociferou desesperado, e apesar de todos os apelos para que ele se acalmasse inusitadamente foi de Minara, a voz que ele ouviu.
—Raijin, alguém arquitetou tudo isso, para fazer a gente acreditar que eles nos traíram e nos abandonaram! Kikyou e Hikaru devem estar presos neste momento em algum lugar. E eu já imagino quem possa estar envolvida nisso!– Minara encarou o youkai seriamente, e estava prestes a citar Agláia e Akane, quando as duas se apresentaram à ela.
—Ora Minara hime, que coisa feia acusar os outros sem provas... Se você pretendia se referir a nós, bem, estávamos aqui. Pode perguntar aos seus aliados, incluindo o feioso ali. – Disse Agláia encarando Minara com soberba, enquanto apontava para Masato. O youkai Morcego apenas acenou com a cabeça, fazendo o sinal de positivo.
—Estávamos aqui, desde antes do início desta cerimônia horrorosa... –Akane que se encontrava toda de negro, como se estivesse de luto, continuou.
—Por que ao invés de ficar criando falsas acusações, para nós, você não vai interrogar o tal Yuko? Afinal ele deve saber onde a miko está. O mais importante é encontrar o Hikaru, pois somente ele tem capacidade para nos ajudar a descobrir quem fez tudo isso!–Agláia continuou erguendo a sobrancelha com a obviedade do que dizia. A hanma revirou os olhos e respirou fundo para não se irritar ainda mais.
—Minara, eu sei que sou suspeito para falar, mas Yuko, não faria isso... Ele estava encantado pela miko, e isso é verdade. Mas ele não sequestraria Kikyou... Ele jamais forçaria uma fêmea a ficar com ele. Nós não o víamos há mais de três dias, mas como ele continuava em seu aposento, não imaginamos que ele estivesse passando por algum problema. –Nagato aproximou-se, e argumentou em defesa do amigo. E Minara concordou.
—Raijin, você consegue localizá-la pela marca?Eu não consigo usar minha ligação com Hikaru! – A hanma perguntou aflita. Raijin estava tão atônito que não se lembrava desta hipótese.
Mas assim como aconteceu com Minara, o lobo da neve caiu de joelhos, gritando com a forte dor e agonia que tomaram seu ser ao tentar encontra sua fêmea.
—Filho, o que houve? Onde ela está? –Susanoo perguntou erguendo Raijin do chão com cuidado.
—Não consigo... Alguma coisa me impede de tentar localizá-la. –Raijin declarou ainda recuperando-se, mas já de pé.
—Comigo aconteceu o mesmo... Isso deve ser algum tipo de feitiço! – A Hanma disse angustiada.
Neste momento Hokuto aproximou-se voando, vindo dos portões do templo.
—Minara, o local está cercado pelos soldados da guarda de meikakuna mun... Ninguém diferente entrou ou saiu daqui. Se Kikyou ou Hikaru tivessem passado por eles, com certeza teriam visto. –O grifo disse ao se aproximar da Princesa. Logo em seguida Kurö Ookami e Brunhilde, que ainda tentavam examinar o que era a tal coisa que tomara o lugar de Kikyou, também se aproximaram para tomar as decisões necessárias.
— Vamos vasculhar o templo. Se as roupas que eles vestiam estavam na boneca e em Yuko, então certamente eles ainda estão por aqui. –Kurö Ookami concluiu, e começou a organizar grupos para vasculhar a área atrás dos dois desaparecidos.
Inu no Taishou, Isamu, Inuyasha e Shippöu, foram em direção à entrada procurar nos pátios frontais, por qualquer pista.
Teigure, Nagato, Tatsuo e Yashiro foram para o jardim esquerdo, adjacente ao pátio central, onde estava sendo realizada a cerimônia.
Hideaki, Kurö Ookami, Shuhei e Koüga foram para a parte traseira do templo junto com Akane que insistiu em segui-los, e Kaede que quis ir junto, Kagura foi ajudá-la, e finalmente Hokuto que foi acompanhar as duas.
Minara queria ir junto, mas Brunhilde não o permitiu por ver o estado que a filha se encontrava e teve o apoio de Talon e Claire, que insistiram que ela devia ficar e esperar. Katashi se encarregou de proteger Rin e as fêmeas de Inu no Taishou, além da nora e da própria fêmea.
Raijin por sua vez era amparado pelos pais nitidamente preocupados com a nora e o próprio filho. Yukina e Ícaro informavam aos demais convidados o que havia ocorrido, mantendo-os sentados e afastados de onde havia ocorrido a batalha, enquanto Aika e Kagome juntaram-se as demais sacerdotisas, Hildrah, Misty e Kara, e buscavam um modo de curar Yuko, que só piorava.
Após alguns minutos de busca, depois e as equipes finalmente começaram a retornar. Mas para maior desespero não haviam encontrado nada. Nem sequer um resquício do que poderia ter acontecido. Quando Kaede, Kagura e Hokuto retornaram, Minara viu nos olhos marejados da Miko, o desespero.
—Não encontraram nada? Nem uma pista? – A hanma perguntou atônita e voltando-se para Kagura.
—Lamento Mina não há nada lá... A única coisa que falta é o tapete que estava na sala onde Kikyou se arrumava... –Kagura falou e a mente de Talon que permanecia próximo à Minara se iluminou.
—Mina o tapete! O servo que carregava o tapete e empurrou Naelle!- Talon lembrou-a.
—É claro! Foi assim que Kikyou e Raijin forma tirados daqui! Mas apenas um deles poderia ter saído. Só vimos um tapete saindo! –Minara concluiu e Hokuto prontamente levantou voo para falar com os guardas que permaneciam cercando o local.
Alguns minutos se passaram, até que Hokuto retornou com as notícias.
—Os guardas disseram que um servo saiu levando duas tapeçarias, há alguns minutos. Em seguida um deles, voltou e buscou um enorme baú, que havia chegado com flores para serem dadas para a noiva. Lírios negros, o mesmo cheiro que a boneca exala. –Hokuto afirmou confirmando as suspeitas de Minara.
—Então agora sabemos para que isso foi usado. Eles usaram este elixir de orvalho, possivelmente para que ao passar pelos guardas eles não sentissem o cheiro dos dois. –Talon mostrou o frasco que havia pegado no chão próximo à porta do local de onde Kikyou havia sido levada.
—Como assim? O que esse tal elixir de orvalho faz? –Souten questionou.
—Faz quem o toma, perder seu cheiro característico. Talon está certo, era isto que este frasco continha. –Brunhilde avaliou com exatidão.
—Então o que estamos esperando? Temos de ir atrás deles! –Raijin disse exasperado.
—Impossível saber com exatidão para onde eles foram. Os servos do shiro disseram que os servos saíram em uma carruagem voadora, há mais de quarenta minutos. Eles podem estar em qualquer lugar, e terem tomado qualquer direção! –Hokuto concluiu.
—E o que vamos fazer? Ficar sentados esperando? EU não vou suportar isso! –Raijin disse já perdendo a razão.
—Eu já sei o que farei... Eu vou voltar no tempo... E vou impedi-los! –Minara disse para desespero de Brunhilde;
—Não pode fazer isso! É proibido até mesmo para nós, fazermos esse tipo de coisa Minara! Se você mover qualquer coisa, pode alterar o tempo de maneira irreversível! –Brunhilde falou seriamente. Cortando de imediato o plano da hanma.
—Eu não tenho escolha, mãe! –Minara desesperou-se. E subitamente Masato, que ainda permanecia sentado na primeira fileira, veio até a hanma parando atrás do grupo, por cerca de cinco passos.
—Deixe-me ajudá-la, Minara hime... Se usarmos o poder mental associado à marca, talvez possamos anular este feitiço... –O youkai morcego disse pausadamente, e o alívio que suas palavras causaram, impediram Minara de questionar o porquê dele não ter se manifestado em favor do seu grande amigo Hikaru.
— Aqui, esta a minha marca. –Minara disse com esperança, mostrando o braço pouco abaixo do ombro, enquanto o youkai a encarava friamente.
Após alguns segundos de espera, Masato colocou uma mão sobre a cabeça de Minara para mantê-la firme. Uma leve brisa soprou, contra eles, e os demais que estavam com ela anteriormente puderam sentir o fraco aroma de lírios negros, que exalava do youkai morcego.
Tudo aconteceu muito rápido, e de maneira inesperada. Masato, aproveitou-se da confiança da hanma, para atacá-la com uma adaga.
O ataque foi rápido, e Minara mal conseguia respirar ao vir o boneco amaldiçoado, cuspir magia negra e cair ao chão, despedaçado por cristais espelhados, imensos.
—Este não é o senhor Masato Mina... Pegaram ele, também... -A doce Naelle, autora do rápido ataque que salvou a hanma ruiva, chorava ao constatar o fato.
O mundo parecia desabar sob Minara novamente, e o prognóstico era o pior possível. Não havia nenhum outro youkai com poder mental desenvolvido, como Hikaru e Masato entre eles, pois mesmo Teigure pertencendo ao mesmo clã, e possuindo certo dom mental, seus poderes eram muito aquém dos limites necessários para aquela empreitada.
E nesta hora, de pura agonia e choque para todos, uma mão a segurou pelo ombro. E para sua surpresa maior, era o próprio Ryouko, o lorde das terras do fogo, quem tentava animá-la.
—Levante-se hime. O chão não é o seu lugar... Seu macho Hikaru, não é o único que tem um poder mental extenso. –E ao dizer isso, olhou para Talon, que se aproximou um tanto quanto arredio.
—Talon? –Minara perguntou, tentando entender a situação.
—Ajude-a meu filho... A miko humana não merece perder o dia de sua união... Além disso, com a morte do Gorudën Taiga, não só ela, perderá muito, mas, todos nós...–Ryouko disse com seus olhos marejados, e Talon julgou que a emoção repentina, e o fato de seu pai revelar publicamente um dos dons mais poderosos e obscuros que ele possuía, era por conta da grande amizade de seu pai para com os Taiga. Não, quando justamente, seu pai, era o maior entusiasta de que seus poderes deveriam ser ocultados.
—General Raijin, por favor, fique ao lado da hime. E você Garotinha, mostre-me a marca. –Talon disse com autoridade, e otimismo, sorrindo de lado para Minara.
A hanma mostrou o braço enquanto Talon fê-la fixar o olhar em seus olhos, sua mão direita, segurou Raijin pela testa, e a outra mão tocou a marca de Minara.
Imediatamente a hanma teve sua consciência, transportada para a mente de Hikaru, enquanto Raijin entrou na mente de Kikyou.
Ambos começaram a sentir o que seus amados entes sentiam. Os dois, tanto Kikyou quanto Hikaru estavam drogados, de maneira que mal conseguiam se mexer. Hikaru fazia um esforço sobre-humano para manter seus olhos abertos, na tentativa de identificar para onde estava sendo levado. Quando estava prestes a desistir, e se deixar vencer pela poderosa droga que lhe fora administrada, ouviu a voz tênue de Minara, chamando por ele.
—Mina... É você...? Minha mente... Está tentando... Me enganar?-Hikaru murmurou, esforçando se ao máximo para conseguir ao menos um mínimo de lucidez.
—Sou eu... Estou aqui, meu amor... Tudo o que eu te peço, é que você se acalme... Eu estou chegando! –E dizendo isso, Minara pegou Raijin pela mão, e segurou Talon com a outra, e usou o tempo espaço, para locomover-se, guiada pela mente de Hikaru.
Os três caíram dentro da carruagem negra voadora. Talon de pé, apesar da má “aterrissagem”. Minara, em cima de Raijin, que rolou com ela até os pés de Masato e Hikaru.
Ambos estavam sentados no chão lado à lado, amarrados com um tipo de corda que usava magia negra, e que não podia ser arrancada de maneira convencional. Atrás deles, estava Kikyou, ainda dentro do baú, igualmente drogada, mas sem as amarras de magia.
Raijin prontamente a tirou do baú, pegando-a em seus braços, para aconchegá-la. Ao examiná-la ele, percebeu que apesar de dopada, não havia risco de morte para ela.
Minara e Talon examinaram, os outros dois, e constataram que as cordas drenava suas energias vitais, tornando-os mais fracos, e impossibilitando-os de reagir contra o que quer lhes tivesse sido administrado.
—Vamos fazer essa carroça voltar pra casa, lá as sacerdotisas vão saber o que fazer!- Minara sugeriu.
—Eu tenho uma ideia melhor... –Disse Talon, antes de usar seu youki para tocar a corda, e fazê-la se enfraquecer lentamente até simplesmente se quebrar.
—Como fez isso, Talon? –Minara perguntou curiosa enquanto amparava à Hikaru e Masato.
— Tenho uma aptidão natural com magia negra... Ela simplesmente não funciona contra mim... –Talon disse levemente ruborizado. Fazendo com que Minara relaxasse e sorrisse pela primeira vez depois do incidente que ambos assistiram naquele fim de tarde.
Logo em seguida, Raijin seguido de Talon saíram da carruagem, para deter os cocheiros, e viram com pavor e desconfiança que ambos os servos, os mesmos que haviam levado Kikyou, Masato, e Hikaru, eram mais bonecos amaldiçoados.
Derrotaram-nos em pouco tempo, e prepararam-se para voltar com a carruagem para Meikakuna mun.
A noite já começava a se fazer presente. E em poucos minutos as luzes de Meikakuna Mun, já clareavam o caminho da carruagem voadora. Embora ainda estivesse zonza e muito afetada pelo veneno, Kikyou abriu os olhos, e conseguiu recuperar a consciência, e mesmo alguns movimentos, antes de finalmente chegarem ao templo.
Com a ajuda de Aika, Kagome e as demais sacerdotizas, o veneno que foi ingerido por Kikyou e Masato e Hikaru, foi quase todo removido, e isto possibilitou que eles ficassem de pé, embora ainda estivessem bastante debilitados.
Nenhum deles, conseguia discernir o que lhes atacara, lembrando apenas de receberem recados falsos que os levaram a áreas distintas, onde cada um deles realizou uma ação diferente: Hikaru tomou uma bebida oferecida por um servo; Masato abriu um envelope que continham uma lâmina e cortou-lhe o dedo; e Kikyou recebeu e cheirou um Lírio negro.
Deste modo, constataram que cada um deles recebeu um tipo de droga específica para seu tipo de ser. O que comprovava que o responsável, era alguém que os conhecia e que havia planejado tudo minuciosamente. Apesar de tudo, o que havia acontecido, Raijin e Kikyou, decidiram que sua união aconteceria, mesmo já tendo passado mais de duas horas do horário combinado. E foram apoiados pelos demais, que decidiram manter os guardas por perto, e a investigação para o dia seguinte.
A cerimônia foi realizada por Kaede à luz do luar. E Embora não tenha ocorrido como estava prevista, foi emocionante ver o casal fazer seus votos conforme a tradição humana vigente. Assim que a cerimônia acabou o pátio adjacente estava pronto para receber os convidados para o jantar e as danças tradicionais.
Minara e Hikaru, ficaram até o fim da cerimônia e após cumprimentarem os noivos, Hikaru, de mãos dadas com sua princesa, caminhou cuidadosamente até a mesa, onde estavam Ryouko e a família, com a exceção de Naelle que se recolhera mais cedo.
—Lorde Ryouko... Eu gostaria de agradecer ao senhor, e seu filho por toda a ajuda prestada... Sei que se não fosse por ele, eu provavelmente não estaria aqui... –O Youkai começou a falar com humildade.
—Está tudo bem General... O senhor faria o mesmo por mim... –Talon respondeu enquanto Ryouko apenas assentia com a cabeça parecendo perturbado com a presença de Hikaru.
—És um jovem promissor, Príncipe Lukyan. Orgulho-me de conhecê-lo, e rogo aos deuses que nos deem a dádiva de ter um filho com metade de seu caráter e coragem... –Hikaru disse olhando de soslaio para Minara, antes de estender à mão para Talon, que a aceitou, sem saber que seria puxado para um caloroso abraço.
Ao tocar o jovem, Hikaru foi acometido, por uma imensa emoção. E só depois de alguns segundos, que se deu conta, de que ele, possuía um cheiro, muito familiar.
Quando se soltaram, Talon voltou a se sentar com sua família enquanto Hikaru e Minara se afastavam devagar. Ambos ainda surpresos com a estranha proximidade que lhes acometia.
Masato observava à tudo de longe, enquanto procurava por Naelle. Como não a encontrou, nem mesmo junto aos seus familiares, sentiu que aquela festa não seria interessante. Por isso, após cumprimentar o jovem casal, ele decidiu ir ver Yuko, e recolher-se definitivamente para seu aposento.
Ao chegar à enfermaria do shiro, para onde Yuko fora transportado posteriormente, Masato tivera a notícia, de que o Kitsune, ainda lutava pela vida, mas as sacerdotisas já haviam feito tudo o que podiam, e agora dependia apenas dele.
O youkai morcego, lamentou o estado do Kitsune, e mais ainda o enfraquecimento de seus poderes, pois deste modo, não conseguiria vasculhar a mente de Yuko, para buscar suas respostas. Caminhou para fora da enfermaria e recomendou aos dois soldados que o guardavam que tivessem cuidado, pois aquele que fizera aquilo com Yuko poderia tentar matá-lo para ocultar-se definitivamente.
Logo após isso, caminhou para seu aposento sentindo-se realmente cansado, já que seus sentidos ainda permaneciam fracos. Abriu a porta do aposento, mergulhado na penumbra da noite, e despiu a parte de cima de seu quimono, antes de perceber o cheiro de fêmea virgem que o lugar exalava. Ao virar-se para sua cama, assustou-se ao perceber que Naelle dormia abraçada a um de seus quimonos de dormir.
O youkai morcego sentiu-se impelido a acordá-la e levá-la discretamente para seu aposento, mas o rosto plácido, da hanma, o fez mudar de ideia.
Decidiu banhar-se para relaxar os músculos, antes de tomar qualquer atitude, assim ela poderia descansar um pouco mais.
Aproximou-se dela, e a cobriu com uma manta de lã, que estava dobrada aos pés da cama, antes de voltar-se para a cômoda e pegar um quimono mais simples, e ir em direção ao banheiro. Para não fazer barulho, e presumindo que a hanma dormia pesadamente, deixou a pesada porta destrancada.
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