Perdida Na Tempestade
55 Capítulo - 55- Quem governa o mundo?
Notas iniciais
Faltando pouco mais de três horas para o anoitecer, Byaküro foi avisada por Rin, de que já era hora de chamar os machos. Fora Sesshoumaru, que assim como Tatsuo, saíram cedo da festa, para aproveitar a tarde em companhia de suas respectivas fêmeas, todos os demais machos ainda estavam na festa e isso poderia ser um grande problema. Por isso, a youkai loba das neves, acompanhada por Emi, Brunhilde, Kikyou, Kagome e Claire, decidiu ir buscá-los, e mostrar às "novatas", a fúria das fêmeas, e explicar que essa "técnica" resultava em pelo menos, alguns anos de bons machos dentro de casa.
—Bom, eles estão aí dentro. Não importa o que vocês vejam, exagerem! E se for possível chorem! Entenderam? — Byaküro explicou e assim que todas concordaram ela usou seus poderes para congelar a porta e explodí-la de uma só vez.
—O que diabos foi isso? — Perguntou Susanoo que à esta altura estava dançando só de hakama com uma dançarina.
—Foi isto mesmo, meu querido, FORAM OS DIABOS! — Vociferou Byaküro, com as mãos sobre a cintura. Enquanto Susannoo, corria para se vestir.
— Olha só mais que exemplo é este, que está dando aos seus filhos, General Katashi?! — Emi apontou para o rosto de Katashi que já se encontrava completamente bêbado, mas ficou surpreso com a presença dela, e para Isamu ainda amarrado, dormia, igualmente embriagado e com uma calcinha na cabeça, e para Hideaki, também bêbado, estava sendo agarrado por duas dançarinas nuas.
—Que bonito, meu amor. FAZENDO UMA FESTINHA, ESCONDIDO DE MIM?! Brunhilde estava de braços cruzados, falando entre os dentes. Kurö Ookami estava de pé, também bastante afetado pela bebida, apreciando a outra dançarina que fazia uma dança sensual, só de tanguinha.
—Teigure??? O que significa isto!? — Claire gritou apontando um soutien cheio de lantejoulas que estava vestido em seus braços, enquanto ele dançava com um esqueleto, proveniente da sala de estudos de Izanami. Teigure engoliu em seco e tentou esconder Hikaru que estava ainda atrás de si.
Agláia e ele estavam dormindo, e Claire aproximou-se para examiná-los. A cena era suspeita já que ele estava nu da cintura para cima e não estava amarrado, e Agláia estava só com a parte de cima de um conjunto de quimono e calça, completamente descomposta. Até Akane, que estava dançando com Raijin só de combinação, enquanto ele estava apenas de calça e ainda por cima aberta, estava menos incriminadora do que Agláia. Enquanto Claire constatava que Hikaru estava deveras drogado, Kikyou encarou Raijin, em completo silêncio.
Kikyou continuou sem dizer nada. Aproximou-se dos dois, enquanto Raijin, apenas dizia, "Eu juro que não aconteceu nada". Ele afastou Akane, e ajoelhou-se na frente da Miko, jurando pela vida de seus pais, que não havia acontecido nada além de uma dança. Akane não podia acreditar no que estava acontecendo. Raijin implorando à uma fêmea que não o deixasse? Isso era demais para ela.
—Como você pôde descer tão baixo, Raijin? Se humilhar por causa de uma humana ridícula? Eu estou aqui! Eu sou uma youkai, do poderoso clan das salamandras! Eu sou cobiçada por cada macho que pousa seus olhos em mim! E você me troca por uma humana, imunda? — A youkai vociferava com seus olhos em chamas. Mas foi pêga pelo pescoço por Raijin.
—Calada sua vadia. Kikyou é muito mais fêmea do que você ousaria ser! É a minha fêmea marcada, e eu não vou permitir que você a ofenda! — E dizendo isso, deixou-a cair no chão.
—Isso não vai ficar assim, Raijin! Eu juro que você vai ser meu de novo! -Gritava ela, do chão, enquanto Kikyou olhava-a ainda do alto.
—Boa sorte para você... Só espero que você não tenha o mesmo destino que me aguardou quando deixei que o meu amor, virasse ódio, e meu ódio, me alimentasse... — Disse Kikyou dando as costas à youkai que pegava suas roupas de qualquer modo.
Raijin a aguardava, cabisbaixo, mas foi andando um pouco à frente, enquanto ela piscava discretamente para Byakurö que compreendera que ela tinha criado, uma nova "técnica" quase tão boa quanto à dela.
Os gritos de Akane, acordaram Hikaru que assustou-se ao ver Agláia novamente ao seu lado. Levantou-se segurando a cabeça, como se estivesse ainda tonto.
—Ah que bom que vocês chegaram, eu tentei avisá-los para parar com a festinha! -Disse Hikaru quando viu as fêmeas, ainda cambaleante.
—O que aconteceu Hikaru? — Claire perguntou e ele compreendeu que algo estava errado. Claire só o chamava pelo nome quando ele havia feito algo errado.
—Não fiz nada, mãe. Eles me amarraram e me trouxeram para cá. Depois Agláia chegou e com a ajuda do meu pai, me fez beber uma bebida estranha... Acho que apaguei depois disso... — O youkai disse sinceramente. Claire e Brunhilde se entre-olharam e olharam juntas para Teigure.
—O quê? Agláia me disse que era só uma bebida estimulante! Eu não imaginei que ela mentiria sobre isso! — Teigure se defendeu surpreso com a atitude da capitã.
De qualquer forma o que acontecesse alí era apenas uma despedida de solteiro, e nem Brunhilde, e nem Claire, não estragariam uma união por causa das armações de Agláia. Além disto, Brunhilde conhecia bem Hikaru, e ela sabia que ele não estava mentindo. Foi neste momento que Agláia despertou, escandalosamente.
—Humm... Ah Hikaru, que cochilo gostoso, meu amor... Ei o que vocês estão fazendo aqui?
—Pare com o teatro Agláia, sabemos que você estava acordada quando chegamos aqui. Agora suma de nossas vistas. -Byakurö se adiantou demonstrando todo seu desprezo.
— E se possível for, da vida de meu filho. -Claire disse aproximando-se dela.
—Eu não posso sair da vida dele! Eu sou necessária, ao MEU GENERAL. — Respondeu Agláia com deboche, enquanto ia de encontro à Claire.
Mas a miko Claire, sentiu algo à mais no desprezo que costumeiramente, sentia por Agláia. Algo demoníaco e ameaçador vinha da youkai, e mesmo Claire sendo, um pouco mais baixa do que Agláia, acertou lhe um sonoro tapa, no rosto da coruja branca, que envergou-se e acabou caindo no chão. Agláia se perguntava como uma simples miko pudesse ter força para derrubá-la quando Claire encarou-a e a ameaçou.
—Não vou falar novamente. Eu tive muito apreço por seu pai, e é por ele, que eu não vou exorcizá-la agora mesmo! Mas fique ciente, sua youkaizinha fútil, meu filho, Hikaru, tem uma fêmea, e você vai ficar longe deles, e da nossa família, compreendeu? — Claire estreitou os olhos, e sem esperar uma resposta, saiu levando Hikaru pela mão e Teigure pela orelha.
Byakurö fez o mesmo com Susanoo, e Brunhilde com Kurö Ookami. Emi saiu abraçada aos filhos, e com katashi preocupado, atrás de si.
Kagome tirou Inuyasha da poltrona, e o beijou carinhosamente.
—Você não brigar comigo? Não vai me acusar de nada? — Ele perguntou desconfiado.
—Não, meu amor... Eu sei que você nunca faria nada, estando amarrado assim... — Ela disse sorrindo, e os dois saíram de mãos dadas.
—Está vendo, Hokuto, o senhor da terra do oeste não têm de dar satisfações à ninguém. -Inu no taishou, estava hesultante.
Foi quando Kagome voltou correndo, para avisar que Satori, estava no Shiro, e que ela e Izayoi o aguardavam para uma conversa.
Inu no taishou e Hokuto se entre-olharam, e o Inu Dai youkai tratou de sair o quanto antes, sendo seguido por Hokuto.
Ao chegarem aos aposentos de Hikaru, no entanto, Claire finalmente relaxou e respirou fundo.
—Eu quero saber o que está acontecendo com você Hikaru, e quero saber agora! — Claire questionou-o séria.
—Mãe não está acontecendo nada! Agláia está armando das suas, como sempre! — Hikaru desconversou mas Claire não deixou barato.
—E você está permitindo que ela continue! Porquê, Hikaru?
—Ah, mãe você sabe como ela é! Mas apesar disso é uma boa capitã, e é fiel as terras do oeste e a mim... Eu tenho que valorizar isso... — Hikaru continuou desconversando, e Claire perdeu à cabeça.
—Você não me engana, meu filho... Quando o conheci, eu lhe disse que nunca toleraria mentiras, simplesmente porque nunca mentiria para você. E desde essa época, eu tenho provado dia após dia que você é o MEU filho, mesmo não saindo de mim, Hikaru... Sei que passaram muitos anos... Sei que fiquei longe muito tempo, meu filho, mas eu ainda sou sua mãe, Hikaru! E como tal, eu sei que você está mentindo para mim... Está escondendo alguma coisa, e tenho certeza de que tem haver com sua mãe biológica, não é, Hikaru? — A miko revelou sabendo que o irritaria, já que o único assunto que ele jamais falava, era da mãe.
—A única mãe que tenho ou tive na minha vida foi você. E você tem razão, eu estou escondendo algo, e é sobre aquela miserável criatura. Mas ao contrário do que você pensa, não estou fazendo isso, por mim, mas por você, mãe Claire... Eu não quero que seu coração puro, seja maculado com as abominações dela. — O youkai respondeu, abraçando-se à Claire com seus olhos marejados. Ao menos desta vez estava sendo sincero.
—E o que Agláia tem com isso? Porque ela pôde saber aquilo que eu não posso?
—Porque ela estava lá... Ela conviveu com aquela youkai maldita... Mas não se preocupe, eu sei que ela tem passado dos limites e vou puní-la, mãe, eu lhe prometo...
—Hikaru, ouça me uma única vez... Mais vale a mais terrível verdade, do que a mais bela mentira, meu filho... Não se esqueça que por pior que seja o seu segredo, a verdade, poderá sempre ser perdoada. E a mentira poderá levar para longe as coisas mais raras que conquistamos na vida... Pense nisso, meu filho. — Claire falou ao coração de Hikaru e torceu para que ele a ouvisse, antes de sair do quarto e ir em direção ao seu aposento. Hikaru respirou fundo e sentou-se na poltrona sendo observado por Teigure.
—Hikaru, eu nunca lhe cobrei nada, você sabe. Nunca quis saber sobre sua vida quando vivia com sua mãe, mas apenas o fiz, por uma questão de paciência. Eu só queria que você soubesse que era amado e aceito, sendo você do jeito que fosse. Mas eu sinto, meu filho que de certa forma isto o magoou... — Teigure que ouvira toda a conversa de Claire com Hikaru em absoluto silêncio, resolvera se pronunciar depois que Claire terminara.
—Não magoou pai. Eu entendi e entendo sua posição. E acho que o senhor fez o certo, eu aprendi a confiar no senhor, por conta de sua confiança em mim.
—Está certo, Hikaru... Como Claire disse, nós ficamosmuito tempo longe, meu filho, mas estamos aqui agora... Não precisa mais ficar sozinho... Se precisar de qualquer coisa, me avise meu filho...
Os dois se abraçaram e ouviram alguém bater na porta. Era um servo que trazia as vestes de Hikaru. Teigure então deixou que o filho lhe mostrasse as vestes, e antes de sair para deixá-lo se arrumar, o youkai tigre abraçou novamente seu filho com força, e lhe desejou toda a sorte do mundo.
Assim que Teigure saiu, Hikaru foi até o banheiro onde pretendia banhar-se com calma pois, ainda tinha algum antes do nascimento da lua. Novamente batidas na porta e Hikaru abriu imaginando se tratar de seu pai que esquecera de algo, e qual não foi sua surpresa.
—Agláia? O que você quer agora?
—Hikaru, eu preciso... De ajuda! — A loura disse antes de entrar correndo, fazendo com que Hikaru estreitasse os olhos para ela desconfiado.
—Fale logo o que quer Agláia, e suma do meu quarto! Você já me causou problemas demais por hoje! — Hikaru vociferou irritado.
—Você não pode se unir à ela Hikaru... Não pode! Você tem quer ser meu... Eu amo você, eu quero tanto você... Nós SOMOS FEITOS UM PARA OUTRO! — Aglaia rasgou suas roupas e falava em voz alta demonstrando todo o seu descontrole.
—Pare com Isso Agláia! Você perdeu o juízo! Eu nunca pertenci à você, e nunca pertencerei! Eu amo Minara, e vou me unir à ela!
—Nãooo... Você me prometeu... Você ia ser meu, Hikaru! — Agláia chorava e gemia em desespero.
—Agláia, eu sinto muito, mas veja isso pelo lado certo! Eu nunca poderia fazer você feliz como fêmea, Agláia... — O youkai pegou-a pelos ombros e a colou contra a parede para contê-la.
—Hikaru.... Hikaru... Aceito que você não me ame... Mas eu imploro à você que ao menos tentemos fazer o que planejamos à princípio! Lembre-se do porquê, nos aproximamos daquela Hanyou alada! — Agláia falava com dificuldade, enquanto tentava tocar o rosto de Hikaru.
—Nunca Agláia, Nunca mais pense sequer nisso! Eu amo Minara, e é com ela que vou passar o resto de minha vida! EU já LHE DISSE MILHÕES DE VEZES QUE NÃO EXISTE MAIS UM PLANO!- Hikaru ficou, cara à cara com Agláia, para fazê-la entender.
—EU NÃO ACEITO ISSO! VOCÊ NÃO PODE ME DESCARTAR ASSIM! Depois de todos esses anos, sendo cúmplices, você, vai me trocar por outra morta!?
—Você não entende, mesmo, não é Agláia? Eu a amo... Mais do que qualquer coisa... Eu não desisti de cumprir minha promessa, e sei que ainda vou encontrar um modo, de conseguir isso... Mas não vou envolver Minara nisso, nunca mais! Agora vá embora, e lembre-se de que se disser qualquer palavra, à qualquer um, eu nunca irei perdoá-la... -Hikaru afastou-se dela com desprezo, como se Agláia não valesse sequer sua irritação.
—O que me importa se você, me perdoará ou não? EU NÃO TENHO MAIS NADA A PERDER... — Agláia vociferou ainda mais descontrolada. Neste instante, Hikaru a pegou pelo pescoço. Seus olhos estavam negros e suas garras rasgavam a pele macia do pescoço da youkai.
—Lembre-se, de quem sou eu, Agláia... Não sou seu pai, ou seu amiguinho... Sou um monstro, e seu senhor... Você aprontou comigo, pela última vez, e apesar de toda a sua fidelidade, eu juro que não haverá uma próxima vez... Se houver, você não viverá para contar à ninguém, entendido Agláia?
—Entendi, meu senhor... -Ela murmurou, com dificuldade, sentindo o ar lhe fugir dos pulmões.
Em seguida, Hikaru caminhou ainda erguendo o corpo de Agláia no ar, abriu a porta e atirou-a no corredor, como uma trouxa de roupa suja. A youkai se deixou cair, mas não demorou muito para que se levantasse, ainda acariciando o pescoço.
Hikaru fechou a porta atrás de si, arrumou novamente o aposento, e caminhou até a banheira, na esperança de poder relaxar um pouco. Seus belos cabelos louros, antes presos, em um rabo de cavalo alto, foram soltos, caindo suavemente pela pele levemente bronzeada. Entrou na água morna, e lavou os cabelos, para refrescar a cabeça, pesada com tantos pensamentos. Não queria ter machucado Agláia, mas ela o provocara, e muito. Ele não podia correr o risco dela, contar o que sabia, pois poderia ser o fim de sua união e ele não permitiria isso. Ele amava Minara, e naquele momento, seu maior medo, era que ela descobrisse seu sombrio passado. "Ela nunca entenderia..." Pensava ele, absorto. Ele não suportaria perdê-la novamente. Não suportaria perder sua fêmea mais uma vez. E esta certeza lhe afundou aindamais em seus pensamentos, e lembranças doloridas, fazendo com que o youkai retorcesse a face em uma expressão preocupada. "Mesmo que houvesse um modo de trazê-la de volta... Eu nunca sacrificaria Minara por isso..." Concluiu ele, respirando fundo, e neste instante, Hikaru não resistiu mais e libertou suas lágrimas de dor e agonia, rangendo os dentes, enquanto se lembrava de seu doloroso passado.
Em sua aconchegante e espaçosa casa, Leodora saía do banho demorado que havia tomado. olhou para as roupas no canto o banheiro e lembrou-se do "senhor" o Youkai que ela havia ajudado, se dando conta de que não sabia o nome dele. Vestida com um roupão, comprido, Leo caminhou para fora do quarto, indo em direção ao corredor, passou pela sala, depois sala, depois pela cope, pela cozinha e finalmente chegou à varanda da parte traseira de sua casa. Lá caminhou até uma torneira que despejava sobre um tanque de pedra, e pôs-se a lavar as roupas vigorosamente. Enquanto lavava as peças, sua mente divagou, sobre seu passado, fazendo-a recordar. Leodora nasceu em uma terra muito distante. Sua tribo era basicamente formada por hanmas que dominavam a terra, e se valiam disso para obterem grandes e preciosas colheitas. Apesar de ser também hanma de terra, Leo tinha um poder muito raro. Ela não só, controlava a terra, como conseguia tirar dela, qualquer coisa que quisesse. Por causa de seu dom, encontrar ou mesmo exigir da terra que lhe desse ouro, ou qualquer outra riqueza, era uma brincadeira de criança. Conforme crescia, seus poderes iam aumentando gradativamente. Quando se tornou uma pré- adolescente, seus inocentes pais, não fizeram segredo do dons de sua filha, e foi assim que Kyuura a encontrou. Ele convenceu os pais de Leodora, com presentes e falsas promessas, de que ela seria a prometida de seu filho Ryotaro. E assim ela foi levada às terras do leste, mas quando lá chegou, foi trancada em um porão escuro, onde ela tinha de usar seu poder para retirar da terra, quilos e mais quilos de pedras e metais preciosos, para financiar as guerras travadas por Kyuura em sua loucura de vingança. Sua lamuriosa escravidão, durou seis anos. Um dia, Leodora descobriu que seus poderes, haviam aumentado tanto, que poderiam tirá-la dalí, mas o medo a impedia de tentar. Foi em uma noite de lua cheia, que uma youkai com grandes asas de águia entrou em sua sela e a ajudou a fugir, para o lugar mais seguro que existia: Meikakü mum.
Lá, ela encontrou apoio, e foi treinada pela própria youkai que se apresentou como Izanami, a feiticeira do tempo. Ela conheceu e ajudou uma princesa que estava sempre morrendo e vivendo. Esta princesa, era Minara. Como hanma, Leodora possuía sangue celestial, e ao conhecer a história da princesa, igualmente traída por Kyuura, ela se ofereceu para ajudar e foi através desse gesto de compaixão, que Izanami, percebeu que sua neta precisava do tipo de sangue certo para curar -lhe a ferida: o sangue celestial. Como recompensa por sua bondade, e percebendo nela, algo que a grande youkai dizia se tratar de "O ventre fecundo da mãe terra", Izanami concedeu à Leodora a juventude eterna, e ela ficou com a aparência de seus dezoito anos, para sempre. Mesmo nunca tendo conhecido, Ryotaro, e após Minara ter lhe assegurado que o youkai fênix, não tinha nada a ver com o pai, Leodora desistiu dele. Sempre que ele vinha visitar Minara, Leodora se retirava para outras partes daquelas terras. Às vezes ia ao litoral, outras para as montanhas... Apenas não queria encontrá-lo. Desta maneira ela havia passado, quase duzentos anos.
Neste momento ela começou a lavar o lenço, que o youkai havia lhe emprestado, e lembrou-se de porque começara a cobrir sua face. Sua beleza desde sempre, atraía muitos pretendentes. Apesar de ter sido, prisioneira por tantos anos, Kyuura nunca havia violado, e não permitia que nenhum outro macho entrasse em sua prisão, pois temia que ela ao ter sua primeira relação sexual, pudesse ficar muito poderosa e fugir de seu cárcere. Mas em Meikakü mum, o único problema era que sua beleza, poderia atrair curiosos, e como seu medo, ainda a fazia prisioneira, Leodora decidira cobrir a face e esconder-se em sua solidão.
E ela sentiu muita solidão. Mas quando a ferida de Minara se fechou depois de tantos anos, e Izanami deu todo seu sangue para sua neta, antes de finalmente partir, a grande Izanami, pediu à Leodora que encontrasse Janis, a hanma filha do sol e da lua, detentora de um poder único e muito raro: a tempestade galáctica, e ainda segundo a youkai águia, possuidora do único da “arma da execução suprema dos deuses”. Izanami previu que a hanma loura acabaria por se perder naquela era. Izanami deixou nas mãos de Leodora o treinamento e a segurança de Janis, e da própria Minara, bem como a liderança de um de seus maiores segredos: a Sociedade dos oito.
A Hanma balançou a cabeça, tentando focar em sua tarefa e esquecer as lembranças que lhe atormentavam. Quando finalmente terminou, olhou para as roupas estendidas no varal, e lembrou-se do youkai que ela havia ajudado, se dando conta de que havia esquecido de perguntar o nome dele. Mais uma vez. Mas pouco importava já que entregaria a roupa, lavada e passada, no dia seguinte. Provavelmente nunca mais se veriam, já que a maioria dos machos perdia completamente o interesse depois que sabia de sua condição de mãe solteira.
Ao retornar para seu aposento, teve o cuidado de passar pelos outros quartos e verificar se suas crianças estavam bem. Em seguida foi direto ao armário, abriu-o, e afastou algumas peças, para contemplar o tão falado vestido, reinando absoluto no quesito extravagância. Ela o tirou e colocou-o em cima de sua cama, voltando depois ao armário, para buscar a anágua, e os sapatos.
—Mamãe, você vai usar o vestido vermelho?- Perguntou Áureael, aproximando-se rapidamente da cama, curiosa.
—Vou, filha. Acha que vai ficar bom? — Leodora mostrou os sapatos.
—Acho que sim. Mas você promete que vai levar a gente no festival amanhã? — A menina perguntou, sorrindo com toda a sua sapequisse.
—Claro que prometo, Áureael! Eu já não lhe disse, que vou? — Leodora sorriu encantada com a esperteza da filha.
—Tá bom mamãe... Era só pra saber, mesmo... Mas o que você vai usar no cabelo?
—Ainda não sei! Pensei em usar aquele diadema dourado. O que você acha?
—Não, mamãe! Você fica tão linda com seus cabelos soltos. Faz assim, ó, prende só um pouquinho, aqui do lado, e deixa o resto, pronto. Se você colocar o diadema vai ficar muita coisa, porque seu vestido tem muitos detalhes! — A mocinha prendeu algumas mechas longitudinais, atrás da cabeça da mãe para explicá-la.
—Você tem toda a razão, minha princesinha. Acho que vou usar apenas uma rosa mesmo. Abra as mãos, por favor. — E sorrindo Leodora, pegou uma caixinha em sua penteadeira. Colocou nas mãos de menina uma belíssima fivela de cabelo, em forma de rosa com aplicações de pedras vermelhas e negras.
—Que linda, mamãe! — A menina sorriu encantada.
— Você gostou? Quando chegamos da batalha, eu não consegui dormir. Por isso resolvi trabalhar um pouco e fiz essa fivela. Agora guarde na caixa. A mamãe vai preparar o jantar e depois vai se vestir, e aí você vai me ajudar a arrumar o cabelo com ela. — Leodora explicou, deixando a criança ainda mais orgulhosa de sua mãe.
O vestido vermelho, era burlesco. O tecido era pesado e armado, vermelho escuro. Possuía mangas curtas e volumosas, eram recobertas pela renda preta, enquanto o decote tramado por amarração, deixava à mostra, o cólo da hanma. O decote decia em um corpete até a cintura onde formava um bico arredondado. Na saia a renda descia volumosa coberta pelavmesma renda das mangas, e por baixo do corpete, se abrindo em uma fenda frontal onde apenas o tecido se descortinava dando um belo efeito ao vestido. Ainda na cintura , rosas de renda e tecido, subiam desde a cintura até um pouco abaixo do seio destacando a cintura.
Leodora deixou tudo preparado e voltou-se para a cozinha a fim de preparar a refeição dospequenos antes de sair tendo o cuidado de fechar a porta, para evitar que a curiosidade deles pudesse causar algum acidente.
Kedrik e Naelle

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