Perdida
2 Na sala branca
Notas iniciais
A manhã estava fresca, o cheiro do café forte vinha do andar de baixo, o edredom que me aquecia era tão macio que me fazia desejar mais aquele momento. A imagem daquela mulher crescia em minha mente. Imediatamente as cenas que se seguiram depois daquelas passaram em meus pensamentos, minhas mãos sob as mãos gelidas e mortas dela, sangue por todo seu corpo que já manchara meu vestido rosa de setim,suas falas forçadas dizendo "Fuja!", neblina forte. De repente, gritos de desespero vinham do além, havia mais pessoas ali. Agora o som de tiros matavam os gritos um por um, mais sangue...Uma garota um pouco mais velha que eu me puxou dos braços daquela mulher:
-Corra!!! -ela gritava para mim, a mulher cada vez mais longe o sangue dela manchava meu vestido e era o mesmo sangue que corria em minhas veias."PAAAH!" O impacto da bala em meu crânio não doera mais que a perda daquele anjo, cai no chão. A garota que me puxara do meu anjo desapareceu, e agora eu a odiava, se fosse para morrer agora eu queria morrer ao lado do meu anjo. Eu sentia raiva, desejava ver o sangue daquela garota correr por meu vestido tambem, eu não sabia o que estava acontecendo comigo, eu só queria minha mãe de volta. Aquele sorriso me chamando de filha novamente, indicando que alguem já me amara antes.
Então tudo escureceu. Não me lembrava de nada depois disso, abri meus olhos. Estava tudo muito claro, a luz fluorecente não me deixava ver onde eu estava, três piscadas e algumas formas começavam a aparecer, bisturi e tesouras cirúrgicas, mascarás, tubos respiratórios, uma maquina que contava meus batimentos cardíacos.
–Você acordou!!. Eu temia sua morte, um tiro certeiro no crânio, você é muito forte garotinha.-ele não parava de falar.
–Quem..O que aconteceu comigo?
–AH! olha para mim — disse batendo na testa- Mal me apresento e já te bombardeio de informações. Vamos para a parte principal, eu sou um médico e encontramos você dentre as poucas pessoas que sobreviveram. Houve um ataque do país vizinho, um verdadeiro massacre naquele lugar onde você morava. Tudo foi destruido, você levou um tiro, nós a operamos. A propósito você se lembra disto?
Eu podia dizer que sim mas eu não lembrava de onde morava muito menos daquela mulher. Não lembrava da minha vida.
Uma enfermeira entrou com meu café.
Fale com o autor