Perdição

2 Capitulo Dois


Notas iniciais
Wow. Eras que não atualizo, não é mesmo? Não sou fã de pedir desculpas, por isso sempre evito dar mancadas como essa, but como manquei feio dessa vez, peço humildemente pelo perdão de vocês :') Uma série de problemas acarretaram esse atraso enorme, PC, Editor, Inspiração, Aulas e etc, mas espero que dessa vez eu possa enfim continuar! Primeiramente gostaria de pedir: Não me matem ♥ Espero que entendam que foi questão de necessidade acabar o capitulo como ele acabou, por dois motivos. Primeiro: ele está ENORME! São cinco fucking letras! E até hoje, o maior capitulo que eu já escrevi. Segundo motivo: Sou PÉSSIMA com lemons e por isso estou em fase de treinamento ;') Não me matem, essa história ainda terá um lemon ♥ E em segundo lugar: Eu revisei, revisei, revisei e revisei, mas meu trabalho não é betar histórias e sim escrevê-las! Portanto, perdoem os erros ♥ Obrigada *-* E é isso! Boa Leitura :3

A agressividade nunca foi a melhor forma de extravasar todos os sentimentos ruins que guardamos, era a mais fácil, mais pratica forma de colocarmos tudo para fora, mas nunca foi a que sempre funcionou. E céus, só agora ele entendia isso.

Irritado. Estava tão irritado, que quando olhou ao redor encontrou seu quarto em um estado deplorável: seu abajur estraçalhado no chão, o lençol de sua cama rasgado e embolado ao seu lado, travesseiros espalhados pelos cantos, cacos de vidros que ele mau sabia da onde vinha estavam espalhados por todo canto, um quadro caído... E mesmo que tudo estivesse quebrado, aquele nervosismo, aquela raiva, aquele... Ciúme não havia desaparecido.

Sim, ciúmes. O que havia presenciado não era nada demais, apenas um abraço singelo, acompanhado de um beijo casto sobre a bochecha alheia, mas...

Aomine não compreendia isso.

Veja bem, naquela manhã Daiki havia ido até a Kaijo. Queria ver Kise, saber como estava, perguntar por que não havia esperado-o após o fim do treino naquele dia e principalmente: Diria ao loiro o que sentia. Estava tudo planejado e ninguém acreditaria se eu dissesse que o moreno havia até mesmo ensaiado o que dizer em frente ao espelho. Ah... Quem diria?

Mas, naquele começo do dia, o moreno chegou a conclusão de que havia cabulado à toa, ao chegar na escola de seu loirinho havia o visto conversando com uma garota qualquer que após entregar uma cartinha rosa para o mesmo, o abraçou com força sendo então agraciada com um beijo na bochecha.

Naquele momento o ciúmes o tomou. Era irracional, sem motivo, sem um pingo de noção, mas para Daiki era o fim do mundo. Bufando, ele se virou e socou a parede ao seu lado com força, logo depois saindo dali como um furacão. Precisava extravasar a raiva, berrar e se debater e por isso ele se encontrava naquela situação.

Deplorável.

Ofegante, ele tampou os olhos com a mão, sentindo-se não só nervoso, como também um idiota.

Ninguém mandou se apaixonar, trouxa.

Uma pontada forte surgiu em seu punho direito, fazendo-o esboçar uma leve careta de dor. Ah merda... Agora essa.

Suspirou cansado, seus músculos tremiam levemente pelo estresse e nervosismo, sua vontade ainda era de descontar toda sua raiva nos móveis, paredes, ventos, qualquer coisa que pudesse quebrar e reduzir a pó com suas próprias mãos, mas não. Ele não fez.

— Dai-chan, você es- Ai meu Deus, o que houve por aqui?! — a voz de Satsuki chegou aos tímpanos do moreno, fazendo-o suspirar mais uma vez.

— Vá embora Satsuki — ele murmurou ainda de olhos fechados — Quero ficar sozinho.

O silêncio surgiu, o rapaz suspirou aliviado e retirou a mão do rosto, achando que estaria sozinho, sem ninguém para questioná-lo ou pertubá-la. Talvez Aomine tivesse esquecido quem era Momoi, por que né?

— Vai me dizer o que está acontecendo? — parada, em frente a sua cama a rosada o fitava séria — Ou vou ter que arrancar de você?

— Disse para ir embora, não disse? — Daiki respondeu, massageando as têmporas impaciente — Meus problemas, não se meta.

A garota bufou, sentando-se na beira da cama e o encarando. Conhecia Aomine o suficiente para saber que se ele ficasse sozinho, a merda estaria feita e jogada no ventilador.

Hm... De novo.

Mais uma vez o silêncio se fez presente, Daiki passou a encarar Momoi com um ar meio melancólico, a raiva se esvaia de si, dando espaço para uma tristeza até então desconhecida pelo rapaz. Os olhos interrogativos da rosada deixava-o desconfortável, era como se estivesse cometido o crime mais ridículo da face da Terra, e ela soubesse e estivesse apenas esperando por uma confirmação, para gargalhar na cara dele como nunca havia feito antes.

Bom, o que havia acontecido ali e estava prestes a acontecer não era tão distante dessa comparação.

Suspirando derrotado, ele abaixou o olhar: — Você é impossível... — o sussurro escapou pelos lábios quase, inaudível — Você já sabe o que aconteceu.

— Ki-chan, mais uma vez?

Massageando as têmporas pela segunda vez naquele dia, ele suspirou — Ele! Como sempre, ele!

— Explique a situação — ela pediu, aproximando-se pouco do rapaz.

Ele bufou: — Hoje de manhã eu fui até a Kaijo e antes de mais nada, sim! Eu cabulei! — ele exclamou sobre o olhar reprovador da garota — Se 'ta achando ruim, me processa.

— Você tem que parar com essa mania de cabular! É o seu futuro em jogo!

— A questão, é que eu fui até lá pra ver ele — continuou, ignorando o breve sermão da garota e todo aquele papo de futuro. Qual é, ele acabaria em um time grande de basquete, isso era mais do que óbvio, para que se preocupar tanto com o futuro? — E quando cheguei lá, ele estava com uma garota.

Não foi bem assim!

— Com... Uma garota?

Ela vai rir de você, idiota.

— Sim.

— Explique como ele estava com essa garota — ela pediu com um olhar meio confuso e descrente. Com uma garota? Kise? Será que estavam falando da mesma pessoa?

O moreno revirou os olhos, sentindo as mãos soarem. Por quê estava tão difícil de explicar a situação? Por quê só agora tudo ali parecia um ataque infantil e ridículo de ciúmes?

— Ahn... Agarrado... — ele respondeu desviando o olhar, não era mentira, mas também era óbvio que não era a verdade.

O silêncio se instalou por breves segundos, antes de um som estridente tomar todo o local. As lágrimas se acumularam nos cantos dos olhos róseos e a garota não conseguia impedir seu corpo de convulsar enquanto ria. Só podia ser uma piada, Kise? Agarrado a uma garota?

— Do que você 'tá rindo ai?! — ele exclamou, desencostando-se da cabeceira da cama e a encarando indignado, sabia que isso aconteceria. Qualquer um riria colega — Cala a porra da boca Satsuki!

— É qu- É qu- É... — ela enxugou as lágrimas do canto dos olhos, esforçando-se para parar de rir — Ki-chan, agarrado com uma garota? O Kise? — ela apontou para o moreno, logo depois apontando pra si mesma — O Kise que nós dois conhecemos?

O moreno não respondeu diretamente, apenas encarou o outro lado do quarto com uma feição emburrada. Cruzou os braços e bufou, ficando em silêncio. É, talvez ele tivesse roubado uma rã porquê ela era bonita.

— Se você soubesse o quanto isso soa... Cômico — ela riu de novo, colocando um fio de cabelo atrás da orelha. Ele sabia muito bem amor, só tinha orgulho demais para assumir — Ele me lota de mensagens todos dias desde que todos nós saímos da Teiko, só para saber como você está, preocupado, interessado, sempre se importando contigo — O moreno relaxou ao ouvir aquilo, voltando a encará-la agora mais atento ao que a garota dizia — Hoje mesmo, ele mandou algumas mensagens querendo sa-

— Mandou?! — ele exclamou — Passa o celular pra cá Satsuki! Ahn... P-por favor.

"Por favor".

Ela não acreditava.

" Por favor".

Como é que é?

"Por favor"

Era sonho, só podia.

— Oi? — ela perguntou, encarando-o meio surpresa, meio "Ahn?" — Como disse?

Ele suspirou: — A Porra do celular! Me passa, por favor.

Ok, ela ouviu pela segunda vez a mesma palavra sair da boca do moreno e por Deus, Momoi nunca esteve tão... Ahn... Surpresa? Achou melhor obedecer sem questionar, logo pegando o celular e dando-o na mão do maior. Se ele achou motivos para pedir com "educação", ela não seria contra. Ele estava estranho, vai que surta.

Aomine tratou de abrir o celular e ir direto para a caixa de mensagens. Havia 23 mensagens ali e quando abriu a mesma, o rapaz notou que a maioria era de um "Ki-chan" que ele conhecia muito bem.

Abriu a primeira.

Momocchi bom dia, como está? Aominecchi está bem hoje?

Abriu a segunda.

Não foi hoje??? Como assim? Por Deus, ele está bem?

Terceira.

Depois de visitá-lo me avise! Espero que ele esteja bem… Estou com saudades, queria ver ele mas... Não sei como agir.

Quarta.

Ué, claro que estou com vergonha!! Ele me atacou na biblioteca!

Não foi como se você também não quisesse, revirando os olhos o moreno abriu a quinta mensagem.

Não é bem assim… Aahh, odeio falar sobre isso.

Aomine suspirou. Viu que havia mais mensagens e pela forma que foram enviadas logo deduziu que era uma conversa de ambos. Pulou algumas em que aparentemente Kise estava fazendo cu doce, negando-se a contar o que quer que fosse para a rosada. Suspirou, até fazendo doce o loiro se mantinha adorável.

Quer dizer, só naquele momento mesmo, porquê se por acaso um dia ele ficasse de doce na hora do sexo, o moreno não saberia como agir.

Mas que porra eu 'to pensando?

Enquanto ignorava seus pensamentos, Daiki voltou a ler parcialmente as mensagens. Achou uma um pouco mais longa e tratou de abri-la.

'Ta bom! 'Ta bom! Eu falo! Como você é insistente e.e Mas, 'ta. Você sabe que eu queria sim que aquilo um dia acontecesse, desde que eu conheci ele mais ou menos, você é a que mais sabe Momocchi! Só que... Eu não queria que fosse daquele jeito, sabe? Poxa, tenho certeza que ele apenas agiu por impulso, eu o provoquei e ele agiu. Qualquer um faria isso. Eu pelo menos faria, ainda mais sendo o Aominecchi! Puta merda, eu não pensaria duas vezes se fosse a situação contrária. Mas, por impulso? Você sabe que eu queria sim que aquilo acontecesse, mas não por impulso… Ele não sabe de nada, mas continua sendo injusto com meus sentimentos.

"Você sabe que eu queria sim que aquilo acontecesse"

Puta merda...

"Você sabe que eu queria sim"

Ah caralho.

"Eu queria sim"

Santa Mai-chan de cada dia.

Ele queria! Kise Ryouta, o seu maior item de desejo e amor, aquele por quem se apaixonara e quase fez sexo em cima da mesa da biblioteca de sua escola, queria o moreno tanto quanto ele. Mais até do que Daiki havia imaginado. Ah caralho, o rapaz sentia uma felicidade enorme o tomando.

"Sentimentos"

Se o mundo soubesse como ele sentia-se só de ler aquela simples palavra. Puta merda, é bom demais pra ser verdade.

— 'Ta sorrindo feito bobo por quê?

Ele nem se deu o trabalho de responder, jogou o celular sobre a cama e se levantou rápido, o que causou uma "leve" tontura no mesmo. Ah caralho, ele precisava fazer alguma coisa. Queria ir até a Kaijo, correndo, de bicicleta, de táxi, de unicórnio, qualquer coisa. Só para ver o loiro e beijá-lo como nunca antes.

Puta merda, Daiki necessitava disso.

— Onde pensa que vai? — Momoi perguntou, encarando o rapaz que já estava no pé da porta de seu quarto.

— Eu não penso, eu vou — ele respondeu abrindo-a — Preciso falar com o Kise ainda hoje e-

— Hey, hey, hey — Momoi se exasperou, levantando-se rapidamente — Pode aquietar ai! Ki-chan deve estar em treino nesse exato momento, você não pode atrapalhá-lo, sente na cama! Vai!

O olhar de raiva surgiu assim que as palavras chegaram ao seus ouvidos, mas ao encarar a rosada e notar a seriedade com que ela lhe olhava, tudo o que o moreno fez foi estalar a língua e se afastar da porta.

Estranho, mas pois é.

— Não fode Satsuki!

~*~

Cansado. Tão cansado que se sentasse cairia no sono instantaneamente e tudo isso por quê além de se esforçar até demais durante o treino, estava a algumas noites sem dormir. E o motivo dessa insônia repentina, tinha pele morena, cabelos de um maravilhoso azul escuro, uma voz sedutora e uma puta pegada do caralho, que pelo amor se Deus! Fazia qualquer um subir pelas paredes! Sempre que fechava os olhos, se acomodava na cama e esvaziava a mente, o reverso acontecia e sua cabeça se inundava com as lembranças da biblioteca. Essas lembranças não lhe eram ao todo ruim, porém lhe renderam cansaço, olheiras e um bronca enorme de seu agente. Mas o que poderia fazer?

Um calmante, com certeza um comprimido enorme de calmamente.

Deixando de pensar por alguns minutos, o loiro abriu a porta de casa e encarou o vazio a sua frente.

— Okaeri — falou para o escuro, mesmo sabendo que naquela semana não teria alguém pra recepcioná-lo, o loiro não perdera o costume.

Retirou seus sapatos, fechou a porta e arrancou a gravata de seu pescoço enquanto andava direto para o seu quarto, no escuro mesmo, não queria dar-se o trabalho de acender as luzes. Quando chegou ao comodo, arrancou suas roupas amontoando-as no cantinho, não morava sozinho, mas naquela semana seus pais estavam viajando. Poderia bagunçar seu quarto sem ninguém lhe torrar a paciência depois.

To tão cansado... Mas tão cansado...

Olhou para sua cama e foi como se a mesma o chamasse, implorasse por ele e Kise quase, quase caiu na tentação que era deitar ali, mas a vontade de arrancar aquele suor de seu corpo era muito maior do que todo aquele cansaço, só de imaginar a água morninha, escorrendo por seus músculos tensos e relaxando-os fazia-o sorrir abobalhado. Não perdendo tempo, ele se dirigiu ao banheiro, antes que caísse na tentação de deitar e morrer ali.

Entrou no banheiro, arrancou a boxer, ligou o chuveiro e como se fosse algum tipo de castigo divina ou brincadeira de satanás, assim que a água morna entrou em contato com sua pele a campainha de sua casa tocou.

Puta que pariu.

Por quê caralhos alguém decidiu aparecer em sua porta e tocar a campainha lá para as oito da noite? Era uma boa pergunta que o loiro não sabia como responder. Decidiu ignorar, fingir que não estava e continuar seu banho calmamente, mas...

A pessoa parecia ser mais insistente do que nunca. Com a testa encostada na parede gelada, ele suspirou cansado e começou a se ensaboar, estava irritado e sentindo todo e qualquer outro sentimento que enchia o saco de qualquer um.

Meu Deus, só quero paz! É pedir demais?!

A campainha continuava tocando e Kise teria tentado ignorar se o ser vindo do inferno não tivesse a brilhante ideia de fincar o dedo no botão e segurar, fazendo com que o som estridente se espalhasse pela casa, entrasse nos ouvidos de Ryouta deixando-o extremamente irritado.

Eu vou quebrar a cara desse infeliz!

Ele desligou o chuveiro, enrolou a toalha na cintura e como um furacão se dirigiu à porta, pronto para socar o filho da puta que decidira importuná-lo. Ah claro, só não se esqueceu de acender a luz. A porta da sala se abriu com força, o som estridente cessou e o Kise puto de minutos atrás foi substituído por um surpreso e envergonhado.

O que não era para menos.

— Aominecchi?!

Do outro lado, encarando-o dos pés a cabeça e de queixo caído estava Aomine. O moreno não esperava ser atendido daquela forma. Kise estava tão lindo, tão sexy, tão... Tão... Ah, não havia palavras para descrevê-lo! Os cabelos loiros bagunçados e molhados, pingando gotas que escorriam pelo corpo esguio, delineando os músculos e acariciando a pele branquinha de Ryouta, para então cessarem seu caminho na toalha azul marinho que pendia em sua cintura.

Ah, Aomine não se importaria de secar todas aquelas gotículas enxeridas que desciam por aquele corpo tentador. De preferência com a língua, ao som dos gemidos manhosos do loiro. O silêncio era constrangedor e aquele olhar meio embasbacado, descrente e feroz que se mantinha nos olhos de Daiki apenas piorava a situação.

— Hm... A-Aominecchi... — chamou mais uma vez, puxando a atenção do rapaz para seu rosto. Se Kise corou? Ah, não era necessário responder — O que faz aqui?

Ele não 'tá tão animado como o costume: — Hm... — Daiki enfiou as mãos no bolso de sua blusa, desviando o olhar brevemente, não o fez por vergonha, óbvio. Vamos lá, fale!— Eu vim hm... Conversar.

Não.

Uma pontada surgiu em seu peito e seu coração se apertou, mas Kise forçou um sorriso disfarçando qualquer sentimento ruim que se alastrava por dentro, dando então espaço para que o moreno pudesse passar: — Bom, então entre!

Não pode ser o que estou pensando.

Aomine entrou sem esboçar muitas emoções, mas não era como se naquele momento não estivesse sem sentir nada. Seu coração batia forte, rápido, suas mãos estavam trêmulas e dentro de sua mente uma batalha entre o desejo de atacar o loiro mais uma vez e a razão que dizia o quão babaca ele seria se o fizesse, era travada.

Apenas se controle, só isso.

— Os seus pais, eles já estão dormindo? — Daiki perguntou, quebrando o silêncio enquanto observava a casa vazia e silenciosa — Ou eles saíram?

Kise caminhou até o centro da sala, sendo acompanhado por Aomine que parecia muito interessado em observar tudo, menos o loiro: — Na verdade eles estão viajando, a trabalho e tudo o mais... — virando-se, Ryouta sorriu para Daiki e apontou para o sofá escuro — Sente-se um pouco Aominecchi, vou só me vestir, é que estava no banho.

Ah Kise... Não vou reclamar se continuar assim.

— Ok, eu espero.

O loiro não perdeu tempo, assim que Daiki se sentou, ele correu se vestir. Nunca. Nunca imaginou que o ser insistente da campainha fosse Aomine, a quanto tempo não falava com ele? Desde o ocorrido na biblioteca, que foi a exatos quatro dias? Pois é.

Pensou que poderia ser o síndico do prédio, algum amigo de seus pais, o cara da pizza que o cantava sempre que tinha entrega no seu andar... Todos, até mesmo aquela velhinha da loja de conveniência que ajudara semana passada e logo descobrira que era sua vizinha, mas não o moreno causador de sua insônia. Claro que Daiki havia tentado contato por mensagem, ligou e Kise até soube por terceiros que naquela manhã o moreno chegou a visitar sua escola e por mais que estivesse "na cara" que era o moreno na porta, Kise nunca desconfiaria, afinal, Ryouta não havia dado seu novo endereço a Daiki.

Como raios ele conseguiu meu endereço?

A pergunta martelava em sua mente e foi enquanto vestia sua blusa azul que seu celular tocou em cima da cama, alertando a chegada de uma nova mensagem. O nome "Momocchi" piscava na tela e com um estalo, ele logo percebeu como Aomine sabia onde morava. Vestiu seu moletom cinza e suspirou.

Como se Momoi não fosse passar seu endereço para Daiki.

Revirando os olhos, ele ao menos leu a mensagem. Saiu de seu quarto e voltou para a sala, meio receoso do que estava por vir. Tudo o que menos queria era ouvir o que já sabia. Doeria mais se da boca do moreno saísse as palavras "Foi apenas o momento, não queria realmente fazer aquilo, não se iluda". Por que era óbvio que desculpas, ele não pediria. Não seria Daiki sentado em sua sala se isso acontecesse.

— E então Aominecchi — começou, assim que reapareceu no recinto, viu Daiki se levantar e o encarar — Quer alguma coisa? Uma água, algo para comer...

Você tá no cardápio?

— Ahn... Não, na verdade não — o moreno coçou a nuca e apontou para o sofá — Só senta, meio que precisamos conversar mesmo, assunto sério.

"Assunto sério". Se antes o loiro estava receoso, agora as coisas estavam piores. Aomine não demonstrava aquele sorrisinho cínico e carregado de sarcasmo e arrogância de sempre, seus ombros estavam tensos e Kise até mesmo podia imaginar o quão aquele trapézio estava dolorido. Não se importaria de fazer uma massagem...

O loiro se aproximou e sentou-se no sofá, suas mãos suavam levemente e seu desespero crescia aos poucos. Viu Aomine sentar ao seu lado e o coração pulou em seu peito, um frio súbito surgiu em seu interior e Ryouta agradeceu a todos os deuses de todas as religiões por não ter comido nada horas mais cedo, se não, era bem provável que teria sujado tanto seu precioso Aominecchi quanto o adorado sofá de sua mãe.

Não, eu não quero ouvir!

O suspiro escapou pelos lábios finos, na tentativa quase nula de acalmar seus nervos.

Não me force a ouvir isso Aominecchi! Não me force a ouvir o que já sei! A ouvir que foi tudo de momento, sem sentimento, sem emoção, sem... Sem...

Kise encarou Aomine e tudo então entrou em câmera lenta. A forma como o moreno acariciou os cabelos e respirou fundo, o olhar sério que fora depositado sobre si, o segundo suspiro, o passar tímido da língua alheia sobre os lábios, umedecendo-os antes da boca se abrir.

Não, por favor, não!

É necessário dizer que o coração de Ryouta estava a ponto de explodir?

— Então, Ki-

Não!

— Aominecchi! — interrompeu, levantando-se de supetão e recebendo um olhar interrogativo do maior — Você parece estar tão tenso! Quer uma massagem?!

O loiro não notou o que havia dito, até o olhar de Aomine mudar de interrogativo, a confuso e então para meio... Malicioso? Como se Aomine não fosse imaginar Kise montado em si, massageando seus ombros e peitoral, enquanto o olhava desejoso, mordiscando o lábio e rebolando sobre seu membro. Óbvio que Daiki não pensaria nisso. Até parece!

— Uma massagem? — até mesmo o sorrisinho sacana estava lá!

— Hm... É-é! — ele sorriu meio sem graça, enquanto procurava uma desculpa plausível para proposta da massagem, tudo o que menos queria era que Aomine pensasse sacanagem -o que já havia acontecido- ou pensasse que ele queria evitar a conversa. O que era verdade — B-bom, é que somos atletas né!

Que ridículo!

— Hm... É...? — o moreno respondeu, agora mais confuso do que nunca — Mas, que porra tem uma a ver com a outra?

— B-bom, é que… — droga, droga, droga— Como atleta sei o que uma tensão muscular faz! Isso! — O loiro riu meio sem graça, já dando a volta no sofá.

— Kise, espera.

— Só vou pegar aquele creme de massagem, para dor muscular… — continuou, como se não ouvisse o moreno — Pode já tirar a blusa se…

— Kise — chamou pela segunda vez, segurando-o pelo pulso.

— Não, esquece, não tira a blusa! – não vai me fazer bem, te ver sem.

— Kise, porra!

Os olhos se encontraram por breves segundos, até o loiro desviar o olhar meio envergonhado. Aomine estava tão sério que chegava a assustá-lo, o toque quente da mão morena sobre a sua, trazia-lhe uma sensação gostosa, aconchegante. Dava-lhe vontade de aconchegar-se a Daiki, abraçá-lo com força e…

— Eu tenho algo a te dizer — Aomine falou, puxando o loiro pela mão e fazendo-o cair sobre seu colo — E você vai escutar tudo. Nada de massagens agora.

Kise engoliu em seco. Tentou se levantar, mas Daiki o segurou forte pela cintura, deixando claro que dali ele não sairia. Aomine não seria louco de deixá-lo sair dali agora, não podia mais adiar o que tinha para falar. Não queria que as horas passadas na frente do espelho fossem em vão.

— A-ahn… A-Aominecchi eu…

A frase não se completou, uma sombra se formou sobre si e o loiro sentiu seus lábios serem pressionados levemente por outros a qual ele já conhecia o sabor. Os braços fortes circundaram-no e o aperto firme do abraço aconchegante surgiu ao mesmo tempo em que o moreno agarrou com sua mão direita os fios sedosos, arrancando quase todo o ar do loiro. Ah, como Kise adorava essa pegada forte de Aomine! Era tão gostosa e excitante!

A língua alheia acariciou os lábios finos de Ryouta, pedindo aquela magnífica passagem que foi-lhe dada sem hesitação. Kise não tinha como pensar ou reagir contra, não quando Aomine o beijava.

Calmo. Era estranho, mas era bom. O beijo calmo, sem pressa alguma, apenas o toque suave, o carinho das línguas, aquele conforto que só havia quando ambos estavam assim. Juntos. Bastava uma segunda vez, para terem certeza absoluta de que nunca houve e era bem provável que nunca haveria outro alguém que pudesse transmitir tantas… Emoções através de um único beijo.

O ar faltou, o pulmão do moreno ardeu e ele se afastou. Quer dizer, tentou, mas Kise não estava demonstrando querer quebrar o beijo. Agarrando o pescoço do maior, Ryouta ajeitou-se sobre o colo de Daiki, deixando suas pernas uma de cada lado do corpo do moreno aproximando então os corpos ao máximo que pode. Não dava para resistir nessa situação. O tempo perdido em frente ao espelho não seria em vão, mas o que tinha a dizer também poderia esperar mais um pouco, se Kise queria brincar, por que ele evitaria a brincadeira?

O beijo tornou-se profundo, a mão direita enrolou-se mais nos fios dourados e os puxou com certa força, alguns gemidos manhosos escaparam meio abafados e o loiro rebolou levemente.

Ah, filho de uma..!

Daiki mordeu-lhe o lábio inferior, descendo suas mãos pelo corpo a sua frente lentamente, até alcançar aquela região a qual o moreno sonhava com frequência, apertando as nádegas com vontade e sugando a língua de Kise com volúpia, tendo como resposta aquele gemido gostoso que somente seu loirinho conseguia soltar.

Ryouta rebolou novamente, a calça de Aomine começou a tornar-se incomoda, seu baixo ventre formigando, o tesão crescendo, crescendo e o gosto salgado chegou a seus lábios, algo molhado escorreu entre seu rosto e do de Kise e então o dito estremeceu por completo.

Mas o que?!

Alguma coisa estava errada.

Aomine quebrou o beijo rapidamente, encarando o rosto do copiador banhado em lágrimas, sem entender uma vírgula do que estava acontecendo ali, não podia negar também que estava um pouco frustrado, qual é, as coisas estavam ficando tão interessantes…

— De-desculpe, Aominecchi! — Kise gaguejou, tampando o rosto com ambas as mãos — E-eu… E-eu não consigo!

Aomine ajeitou-se sobre o sofá e suspirou, logo passando as mãos entre seus cabelos impaciente. Céus! Tinha Kise ali, em seu colo, chorando ao ponto de soluçar e ele não tinha a minima ideia do que poderia dizer ou fazer.

— Ahn… Kise — o moreno chamou, meio incerto do que deveria falar — O que… Ta acontecendo aqui?

Merda… Por quê ele tinha que chorar? Por quê tinha que pensar no quanto Aomine apenas o queria superficialmente? Não poderia simplesmente aceitar o que o moreno lhe oferecia de bom grado, como o prêmio de consolação por não ser correspondido em seus sentimentos? A resposta era óbvia.

Claro que não.

O loiro sempre queria mais, necessitava de mais, não se contentaria com apenas prazeres vazios de sentimentos e sustentados apenas por desejo, vindo daquele a qual amava. Qual é, não é por que era um garoto, um modelo, um adolescente inconsequente como muitos por ai poderiam julgar, que ele deveria aceitar um “prêmio de consolação”. Aomine estava disposto a dar muito mais ao loiro, óbvio que estava.

Ryouta só não sabia disso. Ainda.

— E-eu… Não quero isso Aominecchi — a voz embargada pelo choro, fez se presente. Kise continuava chorando, mas pouco encarava o moreno.

Um gelo subiu pela espinha de Daiki, deixando-o mais tenso e receoso do que antes. Ele por acaso estava indo rápido demais? Pegando pesado? Forçando a barra? Estava… Forçando-o a alguma coisa? Aomine respirou fundo, contou até três e enquanto buscava se acalmar e a ter paciência, ele encarou a parede ao lado: — Ok… Ahn… O que você não quer, exatamente?

Ryouta respirou fundo, depositou ambas as mãos na barriga do outro e enquanto brincava com a blusa do mesmo, Kise passou a encará-lo, recebendo o olhar do moreno em troca. Os olhos vermelhos, o rosto molhado, o lábio trêmulo e as mãos apertando o tecido, demonstrando tanta insegurança. Ele não sabia se devia ou não falar, mas… Não podia deixar de lado o que sentia.

— Eu não quero isso… — os olhos se fecharam por alguns instantes, como se Kise buscasse dentro de sua mente, algo para encorajá-lo a continuar — Não quero dessa forma… N-não quero…

— Por Deus! — Daiki exclamou, não estava entendo nada do que estava acontecendo, custava ser mais objetivo? — Não quero ser insensível nem nada, mas porra, da uma ajuda. Eu não to entendo nada, de nada do que ta acon-

— Eu gosto de você! — a frase foi dita rápida, mas alta o suficiente para calar o maior instantaneamente — Merda, eu amo você! — Kise olhou para cima, encarando o forro sem um pingo de vontade de olhar para o moreno — Não quero transar com você em cima do sofá, sabendo que não vai significar nada pra você…. Eu…

Incrédulo. Ouvir aquilo, da boca do loiro, diretamente daquela boca que tanto o tentava, era como música para seus ouvidos.

“Eu amo você”.

Céus, será que alguém conseguia entender a felicidade que invadia o peito do moreno só com essas três palavras? Puta que pariu, era felicidade demais para se conter! Acabou que virou impossível controlar e quando o moreno deu por si, estava rindo como uma criança.

— Mas… Não ria de mim! — Ryouta berrou, irritado, magoado, prestes a descer do colo de Aomine.

— Calma, calma — Daiki respondeu, impedindo que o loiro descesse de seu colo, enquanto ainda ria. Ah, aquele estava sendo o melhor dia da sua vida! — Fica calmo ai, Betsuma¹.

Ao ouvir o antigo apelido, o menor apenas desferiu um soco contra o peito do moreno. Nunca havia gostado dessa comparação, mas agora não podia negar. Até que combinava com sua situação atual.

— Não 'to rindo de você — Daiki começou, circundando a cintura do loiro e sorrindo aliviado — Eu 'to rindo da situação mesmo, só isso — o sorriso descontraído e feliz surgiu em seu rosto, ganhando total atenção do menor — Eu…

E então um nervosismo antes inexistente surgiu, Aomine estava prestes a dizer o quanto amava o loiro, mas de sua boca nada saia. Kise o encarava interrogativo e cismado, com aquele olhar de quem vai te bombardear com um milhão de perguntas, e Daiki estava ali, mais perdido do que cego em tiroteio, prestes a ter um infarto, com medo de dizer as três palavras que ele sabia que não seriam rejeitadas. Todo aquele tempo gasto na frente do espelho, todo aquele treino, tudo, exatamente tudo o que havia planejado dizer havia simplesmente sumido de seu cérebro.

Abre essa boca e fala!

E ele obedecia, abria a boca e tentava falar, mas nada saia. De uma hora para outra, Daiki se tornara mudo.

Fala logo imbecil!

— Aominecchi? — Kise chamou, recebendo um olhar vago do maior — Está tudo bem?

Porra Daiki, o que 'ta acontecendo com você?!

— Aominecchi, você ta me ouvindo?

Só fala que ama ele e pronto acabou, vai, fala!

— Hey, Aominecchi! Não me ignore!

Vai, fala!

— Eu te amo! — o silêncio de repente tomou o lugar, Aomine soltou um suspiro aliviado e quando focou em Kise, o encontrou totalmente surpreso — Eu também am-

— Mas, Hein?! — a cor avermelhada surgiu no rosto de Ryouta, uma timidez tão desconhecida em seu ser o bombardeou em cheio e tudo o que o loiro gostaria de fazer era enterrar sua cara em algum canto — M-me ama?

Sorrindo, o maior aproximou mais os corpos, suas mãos invadiram a blusa de Kise e subiram lentamente, acariciando a pele branquinha com as pontas dos dedos e causando arrepios no mesmo: — Sim, amo — ele respondeu, tirando então aquele pano tão indesejado daquele corpo tão tentador — Agora vem cá — e se livrando daquela peça, Daiki segurou Kise pela nuca e o puxou para um beijo — Chega de falar, 'ta na hora terminarmos o que começamos mais cedo.

Notas finais
Espero que vocês tenham aguentado ler até aqui, por que pra ser sincera, eu achei o capitulo bem chato. Foi escrito durante um período conturbado, então já esperava que não sairia as mil maravilhas que eu queria e por isso espero que entendam! Sem mais delongas, né? Espero que tenham gostado e, se por acaso, ainda tiver alguém lendo, peço humildemente que apareça! ¹ - Betsuma, é o nome de uma protagonista de um mangá Shoujo, que acaba se apaixonando por um Bad Boy. Referência a alguns "extras" do mangá de KNB. O próprio Aomine o apelidou assim.