Notas iniciais
Espero que gostem!

GABRIELLE

Sai dá tenda à tarde para minha primeira aula com Ephiny, Xena estava mais tranquila com a ideia, Ephiny veio até mim e me deu um cajado igual ao dela, levou-me para um lugar um pouco afastado do nosso acampamento, na beira de um pequeno rio, achei melhor assim pelo menos não passaria vergonha na frente de tantas pessoas.

— Vamos começar?

Ela estava olhando-me segurando o seu cajado com as duas mãos.

— Ephiny, eu não faço a menor ideia de como começar.

Ela se aproximou, sorrindo.

— Primeiro você precisa ter a postura certa, dobre um pouco os joelhos.

Fiz como ela falou.

— Assim, agora mova a cintura um pouco para trás.

Tentei fazer certo, não era uma postura confortável.

— Assim?

Ela me olhou e caminhou para trás de mim, colocou a mão na minha cintura suavemente e me puxou na sua direção, senti o corpo dela se encostando ao meu, falou sensualmente quase no meu ouvido.

— Assim.

Decidi parar por ai, não estava cômoda com essa aproximação toda, voltei a minha postura normal afastando-me, virei-me para olha-la.

— Ephiny, assim não vai dar certo, acho melhor a gente parar por aqui.

Ela estava desapontada. Eu realmente gosto dela, não do jeito que ela quer, mas se não for do meu jeito, não vai ser de jeito nenhum.

— Desculpe-me Gabrielle, eu passei dos limites, não acontecera de novo, prometo.

Xena me disse uma vez que a palavra de um guerreiro honrado é a melhor prova que ele pode dar, a julgar pelos poucos dias que convivo com Ephiny acredito que tenha honra. Aproximei-me um pouco mais dela.

— Ephiny gosto da sua companhia e adoraria que fossemos amigas, só amigas. Tudo bem?

Ela me olhou forçando um sorriso.

— Tudo bem amiga. Vem vamos treinar.

Terminamos quando já estava anoitecendo, aprendi alguns movimentos, Ephiny era realmente muito boa com o cajado, foi paciente com os meus erros, eu estava realmente adorando aprender. Tomei um banho e decidi voltar para tenda.

XENA

Sinto-me inútil aqui nessa cama, e pior ainda sabendo que Gabrielle esta lá aprendendo manejar o cajado com uma amazona que aposto estar interessada nela, já é praticamente noite e Gabrielle não volta, eu poderia ensina-la usar qualquer arma se soubesse que ela queria isso, deixar-me aqui sozinha e preocupada não é justo, se conseguisse me levantar ia até lá procura-la.

Respirei fundo tentando acalmar minha ansiedade. Gabrielle entrou na tenda estava com os cabelos molhados. Será que a amazona estava ensinando-a a tomar banho também? Eu tinha que provar a Gabrielle que confiava nela, seria difícil fingir está confortável com essa situação, decidi tentar, sabia que se desse uma crise de ciúmes iria magoa-la.

— Oi.

Tentei falar naturalmente.

— Oi Xena, está se sentido bem?

Ela se aproximou e se sentou ao meu lado.

— Estou bem, acho que amanha já conseguirei caminhar um pouco.

Vi seus olhos brilharem.

— Isso é muito bom.

Gabrielle abraçou-me cuidadosamente.

— Como foi a sua primeira aula com a amazona?

Já tinha me segurado demais, precisava saber como tinha sido.

— Foi muito legal, Ephiny me ensinou a postura, alguns golpes...

Reparei sua animação. O jeito que ela falava dessa tal Ephiny me incomodava. Um guarda anunciou a entrada de uma amazona que veio trazer o jantar, já estava cansada de comer sopa. Notei que ela olhou para Gabrielle antes de mim.

— Boa noite Senhora conquistadora.

Perguntei rispidamente, mesmo sabendo a resposta.

— Seu nome?

A amazona não parecia amedrontada.

— Ephiny senhora conquistadora.

Olhei para Gabrielle carinhosamente.

— Você pode me trazer um pouco de água Gabrielle.

Ela me olhou sem entender, sorri como se dissesse que ficaria tudo bem. Esperei-a sair, notei que Ephiny a seguia com o olhar descaradamente, admirei sua coragem e cinismo, já eram duas coisas que tínhamos em comum.

— Então Ephiny, explica-me realmente quais eram suas intenções quando resolveu aproximar-se de Gabrielle?

Ephiny não se mostrou amedrontada nem por um instante, será que ela acha que eu não seria capaz de mata-la agora, se pensa isso esta completamente enganada.

— Ela é uma mulher interessante.

Não demonstrei a raiva que senti ao ouvir essas palavras.

— Espero que você repense seu interesse por ela, ele pode acabar causando a sua morte.

Notei que minhas palavras surtiram algum efeito, ela tremeu, tentou se manter firme.

— Não se preocupe conquistadora, não faria nada para ferir ou magoar Gabrielle, ela deixou claro que me quer apenas como amiga e assim será.

Ephiny parecia triste, não sei por que mais as palavras dela me acalmaram.

— Saia.

Não falei tão rispidamente como antes.

Assim que ela saiu, Gabrielle entrou. Fiz-me de inocente.

— O que aconteceu Xena, por que você quis ficar aqui sozinha com Ephiny?

Sorri do seu jeito preocupado, meu humor havia melhorado bastante.

— Promete não contar para ninguém?

— O que?

Estava divertindo-me com sua curiosidade.

— Chega mais perto.

Ela se sentou ao meu lado. Falei baixinho.

— Gostei da minha concorrência.

— Xena!

Gabrielle falou em tom de advertência, sorrindo. Abraçou-me carinhosamente, olhou-me nos olhos.

— Você não tem nem nunca terá concorrência a sua altura, meu amor.

Beijei-a com carinho, depois com mais intensidade, desci minha mão direita que acariciava seu rosto lentamente até seu seio, afaguei-o delicadamente, minha excitação crescia cada vez mais. Levantei meu braço esquerdo para acariciar sua face uma dor terrível me impediu de continuar. Não consegui conter um murmúrio de dor. Gabrielle se afastou, falei baixo.

— Maldição.

Fiquei indignada, a desejava tanto, não queria parar.

— Você esta bem?

Notei que ela estava mais preocupada que frustrada, ao contrario de mim.

— Sim, estou bem, é melhor a gente dormir.

Desisti de fazer o que sabia eu que não daria conta. Desejei amanhecer melhor, sentia falta do meu palácio em Corinto, meus aposentos com minhas coisas todas no lugar, Téssalia. Nunca fui apegada a nada, acho que meu plano de mudar meu estilo de vida esta finalmente progredindo, reconheço que parte desse progresso é devido à pequena loira que dorme ao meu lado. Decidi que assim que consegui cavalgar voltarei para casa.

A noite passou rápido consegui dormir bem, sentei-me, já não sentia mais tanta dor ao me movimentar, fiquei observando Gabrielle dormindo tranquilamente ao meu lado, Melosa entrou na tenda.

— Bom dia Xena.

— Bom dia.

Ela começou a rir, não entendi porque, perguntei sorrindo com os braços cruzados.

— Qual é a graça?

Melosa olhou-me ainda sorrindo.

— Nunca pensei que iria te ver assim, perdidamente apaixonada.

Fiquei um pouco envergonhada, passei a mão no rosto tentando disfarçar.

— Você não me via assim quando eu estava com você?

Dessa vez ela que ficou envergonhada, consegui virar o jogo.

— Eu me via assim naquela época, mas passado é passado.

Lembrei-me de uma coisa importante, olhei para Gabrielle a fim de certificar que ela continuava dormindo, falei mais baixo.

— Melosa aconselhe Ephiny sobre sua aproximação com Gabrielle, não quero matar alguém que acabei de salvar.

Fiquei séria, apesar de simpatizar com a amazona se ela se tornar uma ameaça real a minha relação com Gabrielle, a matarei sem pensar duas vezes.

— Falarei com ela.

Os dias se passaram monotonamente devagar, consegui me levantar e dar alguns passos sem sair da tenda só sairia quando pudesse fingir não sentir dor ao caminhar, não me mostraria fragilizada ao meu exercito, nem as amazonas, a única coisa que conseguia me acalmar um pouco era a presença de Gabrielle.

Decidi que era a hora de sair da tenda, não aquentava mais. Gabrielle me disse que estava um dia lindo, resolvi sair e ver com meus próprios olhos.

— Tem certeza Xena?

Ela perguntou, ajudando-me a me levantar.

— Tenho.

Andei devagar até a saída, sorri para Gabrielle.

— Fica do meu lado direito. Tá?

Ela assentiu, fiz minha feição rígida e sai. Caminhamos um pouco, todos me cumprimentavam respeitosamente fazendo reverencias, eu acenava com a cabeça em resposta, estava difícil esconder a dor, passei meu braço em volta do pescoço de Gabrielle apoiando-me nela, uma amazona nos chamou para almoçar com elas, sentamo-nos numa pedra, e comemos, reparei que Ephiny e Melosa não estavam. Assim que terminamos sentamo-nos numa pedra um pouco mais afastada.

— Você está bem Xena?

Notei que ela estava realmente preocupada.

— Estou bem, não se preocupe.

Devia ter respondido que estou fingindo estar bem, vi Ephiny se aproximando com dois cajados.

— Senhora conquistadora.

Ela falou respeitosamente.

— Ephiny.

Disse com indiferença, ela olhou para Gabrielle.

— Então Gabrielle, vamos.

Ephiny falou oferecendo o cajado, Gabrielle olhou-me, sorri para ela.

— Se importariam em ter plateia hoje?

Gabrielle sorriu.

— Seria um honra senhora conquistadora.

Ephiny falou escondendo o desapontamento. Passei meu braço novamente pelo pescoço de Gabrielle, ela se levantou lentamente apoiando-me, pegou o cajado que Ephiny oferecia, sua mão livre segurava minha cintura. Caminhamos até um pequeno rio, achei que não chegaria mais, a cada passo sentia meu peito latejar. Sentei numa pedra para assistir o treinamento de Gabrielle, notei que Ephiny estava ensinando-a bem, quando chegar ao palácio continuarei ensinando Gabrielle, mostrarei a ela alguns truques, ela parecia tão contente, fiquei observando por um tempo, minha dor aumentou resolvi que havia chegado ao meu limite, levantei-me lentamente, Gabrielle veio até mim.

— Quer ajuda para ir embora?

Ela estava ofegante, tentei sorrir.

— Não, tudo bem. Continue seu treinamento.

— Tem certeza?

Assenti com a cabeça, olhei para Ephiny que estava um pouco mais afastada, sorri, ela respondeu sorrindo também. Caminhei devagar, se antes eu achei esse rio longe do acampamento agora parecia o dobro da distancia. Vi Melosa, ela veio até mim.

— Tudo bem Xena?

Não conseguia mais esconder a dor.

— Tudo ótimo. Posso me apoiar em você?

Ela sorriu, se aproximou, repeti a posição que fiz com Gabrielle, como Melosa é mais alta fiquei um pouco mais confortável apoiada nela, ela entrou comigo na tenda e me ajudou a sentar no colchão, senti-me melhor imediatamente.

— Senta.

Melosa se sentou no colchão ao meu lado. Ficamos conversando.

— Você e Gabrielle podiam ir até nossa aldeia quando você se recuperar.

Aceitaria o convite se pudesse e aposto que Gabrielle adoraria.

— Não podemos, o palácio já está sozinho há muito tempo. Em outro momento te visitarei.

Ela se ajeitou no colchão chegando mais perto de mim, não pude deixar de notar suas pernas torneadas, não mudou nada nesse tempo todo, desviei o olhar já estava começando me sentir culpada.

— Xena.

Ela falou sensualmente, não olhei diretamente para ela.

— Sim.

Senti a mão dela acariciando minha coxa subindo e descendo devagar.

— O que essa menina te deu que eu não dei?

Ela aproximou seu rosto ainda mais do meu, sua mão continuava na minha coxa.

— Melosa, sou fiel a Gabrielle.

Tentei recuperar o controle.

— Tem certeza?

A sensualidade da sua voz estava me tentando, nunca coibi minha excitação, senti essa necessidade neste momento, ela se aproximou ainda mais vi que ia me beijar, desviei o rosto e vi Gabrielle parada na entrada da tenda, assistindo tudo.

Notas finais
Até o próximo Bjs.