Notas iniciais
Que o jogo comece e a melhor equipe vença.

Como isso pode ser possível? Luke morreu e não tem como voltar. Nico só pode estar me trolando.

– Muito engraçado, Nico. Você, realmente, me pegou nessa. Agora deixa de graça e me conta logo qual é a sua nova missão. — Eu pergunto procurando uma fagulha de humor no rosto dele. Mas Nico está muito sério, brincar não é algo que ele faz com frequência.

– Como isso é possível? — Pergunto incrédulo.

– Esse é o mistério, Percy, ninguém sabe. Meu pai está furioso, pois ele não aceita essa fuga. Os poderes dele foram violados, então você já tem uma ideia de como ele está se sentindo. Impotente e frustrado. – Nico diz, aos sussurros, as duas últimas palavras. — O mais impressionante foi que a alma do Luke, simplesmente, sumiu e se não está em nenhum canto no mundo inferior. Logo, ele só pode estar aqui, na terra.

– E como você pretende fazer essa busca? Você vai contar ao Quíron e escutar a Rachel proferir uma profecia? — Ele me olha torto com um ar de ironia.

– Claro que não, né Percy? Já disse que meu pai não quer que isto se espalhe. Hades não quer ninguém envolvido nisso, muito menos os outros deuses. Ele conferiu a mim esta missão. — Sento que Nico está bem orgulhoso de si mesmo por ele ter recebido uma tarefa como essa de Hades e não as Fúrias.

– Como eu posso ajudar você? Eu não quero que o Luke ande por aí no nosso mundo. — Falo exasperado e Nico me analisa atentamente.

– Medo... É o que você sente, sinto isso emanando dos seus poros. – Ele diz com a sua voz arrastada, soando totalmente sombrio. — Mas eu lhe entendo, eu também não ficaria tranquilo se meu maior rival conseguisse sair do submundo com pensamentos possessivos em arrancar de mim aquilo que mais me importa.

– Você vai me dizer como eu posso ajudá-lo ou não? — Pergunto novamente, expirando pesadamente.

– Bem, vejamos, ela lhe disse alguma coisa? — Ele interroga, referindo-se à Annabeth, evidentemente.

– Sim, ela sonhou com ele. Pelo que eu sei foi somente uma vez e ele ainda estava no mundo inferior, quando eles tentaram se comunicar ela acordou. — Disse tentando demonstrar indiferença.

– Entendo. Tenho algumas deduções sobre os passos dele, aonde ele deve ir, mas não passam de meras hipóteses. Tenho que averiguar, por isso amanhã mesmo eu começarei minha busca. Preciso descansar Percy, quando eu tiver alguma notícia lhe informo.

Depois dessa conversa foi impossível conseguir dormir mais que algumas horas. Então, acordo muito cedo. Vou caminhar pela praia e chego em um enorme galho caído um pouco distante da entrada do Acampamento.

– Percy? — Meu estômago se contrai, quando vejo quem me chama percebo que não é quem eu esperava. Trata-se de uma garota pequena e bonita, cabelo cor de âmbar meio avermelhado, definitivamente não loiro. A frustração é instantânea.

– O que você faz aqui tão longe da sua árvore? — Pergunto à Juníper que se aproximava.

– Eu tinha que conversar com você, mas quando você está no Acampamento sempre tem outros campistas lhe acompanhando e eu não queria falar na frente da Annabeth... As vezes ela me intimida. – Ela diz estranha e inquietamente.

– O que foi, o que você quer conversar comigo? — Pergunto meio seco e ela se encolhe. Inconscientemente, eu tomo as dores pelo Grover.

– Pelo visto você já sabe da minha separação temporária com Grover. Sei que de certa forma eu errei, mas não amo esse outro sátiro, eu amo Grover!

– Então, por que você ficou dando confiança para esse babaca? — Pergunto intrigado.

– Não sei ao certo, o Grover estava tão ausente, me deixou de lado quando passou a fazer parte do Conselho dos Anciãos de Casco Fendido, eu fiquei em segundo plano. Me senti só, abandonada! Quando Kito começou a conversar comigo, eu não tinha percebido as segundas intenções dele, porque ele demonstrou atenção e gentileza, algo que eu estava necessitando, um pouco de atenção. — Juníper falava com tanta dor que eu estava começando a sentir pena. — Eu só fui perceber que Kito estava interessado em mim quando ele se declarou pedindo que eu deixasse o Grover. Por isso eu pedi um tempo a ele.

– Então, você está confusa?

– Sim... Quer dizer, não! Ah... Não sei o que pensar. — Juníper chora tanto que está ficando toda verde, tadinha. Assim, sem saber o que fazer, começo a dar tapinhas nas costas dela.

– Juníper, quer um conselho? — Ela me olha tristemente. — Tenho a impressão que o Grover não sabe nem o motivo de você ter pedido um tempo. Fale para ele tudo o que você me contou, diga o que está sentindo. Assim, vocês chegarão a uma conclusão juntos. — Eu não sei de onde tirei tudo isso, mas parece ser o certo a dizer. Ultimamente meus conselhos têm dado certo para esses dois, espero que funcione novamente.

– É, eu sei que tenho que fazer isso, só precisava ouvir de alguém. Você tem razão, mas tenho que me acalmar primeiro, vou pensar em como falar tudo isso e, principalmente, decidir meus sentimentos.

Ela vai embora deixando um rastro esverdeado na areia. O sol sobe bastante, agora tenho que voltar para o Acampamento e enfrentar os olhos da Annabeth, espero que ela não perceba nada, porque eu não estou nem um pouco afim de conversar sobre o Luke. Vou ter que ajudar o Nico de outra forma, sem a intervenção dela, pois eu não sei como ela reagiria se soubesse que o Luke pode ter voltado para o nosso mundo e para ser sincero, não quero nem saber.

Chego na área dos chalés e a Annabeth está caminhando apressadamente para o chalé de Poseidon. Grito o nome dela.

– Percy! — Ela corre e pula em meu pescoço. Seus cabelos cheiram docemente. — Eu já ia chamá-lo para nós irmos tomar café. Onde você estava, que não foi me esperar no meu chalé?

– Ahh... Eu acordei muito cedo, não consegui dormir direito e fui caminhar na praia. — Digo enquanto pegava os dedos dela.

– O que houve com o seu sono? — Ela pergunta intrigada e um pouco desconfiada.

– Eu sei, é estranho eu acordar antes do despertador, mas aconteceu. E quando eu despertei e senti vontade de ver o mar. — Digo olhando os olhos dela.

– E por que você não me chamou? Eu gostaria de ter ido com você, faz tempo que não caminhamos na praia. — Annabeth se queixa de uma forma boba que eu adoro.

– Desculpa, eu não sabia que você gostaria de acordar tão cedo para caminhar. E além do mais, você tinha que descansar bastante para me entregar o seu boné hoje à noite! — Falo provocando-a. Ela revira os olhos e eu a pego em um beijo.

– Vamos Cabeça de Alga irritante, temos que nos apressar para não nos atrasarmos para a aula de canoagem.

A aula de canoagem foi tranquila. Depois do almoço Annabeth e eu estudamos Grego antigo e as histórias dos heróis. Faltava uma hora para o início do jogo.

– Annabeth, você não vai ficar muito chateada por eu ficar com o seu boné por três dias, não é mesmo? — Pergunto inocentemente.

– Com certeza, eu não irei ficar aborrecida por três dias, já que você estará fazendo todas as minhas tarefas e pedidos. Sabe? Eu sempre quis ter um golfinho domesticado. — Ela diz pomposamente e me abraça apertado quando vê minha cara de desprezo.

– Veremos então, estrategista, se você conseguirá me prender! — Com um riso dou um beijo nela e sigo para o Chalé de Hefesto, onde está o grupo.

– Muito bem Ladrões chegou a hora de ganharmos alguns brinquedinhos novos. — Incentiva Jake, filho de Hefesto e líder do Chalé, nomeado depois da morte de Beckendorf. – A tática elaborada é a seguinte: Eu e meus irmãos vamos implantar armadilhas inofensivas, mas eficientes. Logo, vamos na frente, no entanto precisamos de proteção.

– Certo, mas onde é a base e o limite de cada grupo? — Pergunto.

Nossa base é o punho de Zeus na floresta e termina no trapiche de canoagem. Desse ponto até a árvore da Thalia é território de Temis. Logicamente, os instrumentos mágicos deverão estar na base deles, mais provável perto do Velocino de Ouro, o que é ótimo, pois nos dá uma boa posição, porém deve estar super protegido pelos atenienses. — Diz Drew, filha de Afrodite.

Comicamente, todos a olham espantados. Desde quando uma filha ou filho de Afrodite se interessa pelas atividades do Acampamento? Esquisito. O mais estranho foi que no momento em que ela sorri, sua face torna-se doce e gentil. Mais uma vez todos, inclusive eu, não conseguimos nos mover, paralisados pelo lindo sorriso dela. Por fim, eu compreendi, esse é o poder que a maioria dos filhos de Afrodite possuem. Sedução, persuasão, intensidade. Algo totalmente metafísico e extremamente difícil de lutar contra.

– Você e seus irmãos vão participar do jogo? — Pergunto me concentrando.

– Claro bobinho! Não perderemos isso por nada! — Ela me fala piscando sedutoramente, o que me constrange.

– Hum... Certo! E vocês e seus irmãos vão usar isso que você está fazendo comigo para nos ajudar a derrotá-los, não é mesmo? — Eu questiono tolamente.

– O que você acha? — Ela responde entre risinhos bobos, enquanto seus dedos remexem as pontas cor de cobre de seus cabelos.

– Oookay! Então, manteremos o plano. O chalé de Hefesto iniciará plantando as armadilhas, enquanto o chalé de Hermes distrairá o inimigo com a ajuda dos filhos de Afrodite. Como não precisamos proteger nada, só a nós mesmos, eu ajudarei no que puder tentando chegar à base deles para roubar meu boné. — Digo.

– Espera um pouco! — Fala Travis Stoll surpreso. — Não combinamos nada sobre demarcação de objetos, por que você tem que ficar com o boné? Eu também o quero! — Que bacana, agora além de ter que passar pelos inimigos eu ainda tenho que ser mais rápido que meus próprios amigos para conseguir meu prêmio.

– Hãn... Travis, eu achei que estava claro que eu ficaria com o boné da Annabeth, sabe?

– Não combinamos marcação de objetos! — Ele repete mais irritado.

– Parem vocês dois, não podemos perder tempo com essas coisas. Eu não quero prestar serviço para nenhum ariano! — Diz Jake mais irritado ainda. — Então, quem for mais rápido pega a porcaria do boné! Mas, por favor, não sejam egoístas, e isso é mais para você Travis, não pensem no prêmio e, sim, no maldito grupo.

– Claro, claro! — Concorda Travis travessamente.

A corneta toca, o jogo começou. Nos posicionamos. Contracorrente cresce em minha mão. Espero todos correrem para a batalha como o combinado. De longe posso ver os primeiros vestígios de luta. Chego à margem da floresta, alguém pede socorro, acho que é um Ladrão. Avanço cauteloso e vejo Travis pendurado pelo pé, ele foi pego em uma armadilha.

– Travis! Como você foi preso tão rápido? – Falo enquanto tento achar um meio de soltá-lo.

– Não sei Percy, foi tudo muito ligeiro, quando dei por mim estava de cabeça para baixo.

– Quem pegou suas armas? — Pergunto intrigado, pois não é fácil pegar os irmãos Stoll de surpresa.

– Não consegui ver direito, mas acho que foi um dos filhos de Atena, vi cabelos loiros. – Pelo visto, o sistema de ataque deles está muito bom, se eles continuarem assim vamos ser escravos por três dias. Provavelmente, o justiceiro ainda deve estar na espreita, esperando alguém soltar Travis...

Ah, não! Isso é uma emboscada. Estou ferrado.

– Travis! Isso aqui é uma emboscada, alguém está na espreita para me capturar também.

– Fuja, Percy! Você tem que ajudar os outros.

– Estúpido defeito fatal. — Reclamo. – Bem, não vou deixar você aqui, temos que disputar um boné idiota. Acho que encontrei sua liberdade. — Travis cai com um estrondo. – Opa... Desculpa.

– Sem problema. Obrigado. É melhor irmos andando antes que alguém chegue. — Travis sai correndo, sem olhar para trás.

Tento pegar um caminho alternativo mais fácil. Burrice. Meu pé entala em uma lama grudenta e estou preso. Se eu puxasse com força conseguiria sair, mas escuto alguém vindo. Meu coração acelera. Por favor, que não seja um inimigo.

– Percy! Não se mexa.

– Drew, me ajude a sair daqui! Me puxe, assim é mais rápido, eu não afundei todo o pé. – Assim, juntos fazemos força para me arranca da lama.

Ela segura minhas mãos, só que está escorregadio demais, então ela abraça meu tórax. Com uma ligeira noção da proximidade do seu corpo do meu, do seu perfume caro entrando em minhas narinas, tento focar-me na tentativa de sair da armadilha. E o mais rápido possível. Na terceira puxada, com a força que fazemos nos desequilibramos pela falta de apoio e caímos no chão. Por Drew ter me puxado para sua direção, inevitavelmente, caio por cima dela, esmagando-a. Agoniado, começo a me levantar.

– Percy?! O que você está acontecendo? — Ah, não! De todos os inimigos que poderiam me pegar nessa situação, por que tinha que ser justamente a Annabeth?

– Annabeth! Não é o que você está pensando. – Essa é a pior frase que se pode dizer em uma situação assim, mais clichê impossível. Logicamente, ela me olha ceticamente. — Eu fiquei preso na lama e a Drew me ajudou a sair.

Justifico-me rapidamente. Annabeth olha para mim e para Drew tentando decifrar a verdade, mas acho que ela não acreditou, pois ela saca a faca, o que é preocupante. Contudo, sei que Annabeth é inteligente o suficiente para entender que a história não é o que aparentou ser. Contrariamente, ou a Drew é burra demais ou corajosa ao extremo, pois não tem a mínima noção do perigo, já que ela escolheu, justamente, esse momento para alisar meus bíceps.

Observo preocupado Annabeth, ela aparenta ter recebido a benção de Ares, porque seus olhos estão brilhando como chamas de fúria. Ela avança para cima de nós com a faca empunhada, o que eu não sei é quem ela quer acertar. Então, eu rebato sua faca com a minha espada, impedindo-a de cortar o rosto de Drew. No meio da confusão eu vejo Christopher, do chalé de Hefesto, e mais um garoto de Afrodite, que eu não reconheço de imediato, correndo para nos ajudar.

– Parem! — Grita firmemente o filho de Afrodite, enquanto Christopher joga uma bola preta, que tem o poder de escurecer o ambiente nos deixando temporariamente cegos. Impressionante, todos que escutaram pararam e prestaram atenção nele.

Santo poder afrodisíaco, nossa salvação. Isso foi a deixa para que Drew, recobrasse a sanidade e fugisse com os outros dois, deixando-me com uma insana Annabeth. Encamo-nos, avaliando um ao outro, calculando as probabilidades de vitória ou fuga, minha fuga na verdade. Ela cerra os olhos e ataca para me prender. Logicamente, eu corro. Ela é rápida e está quase me alcançando. Passamos por outros duelos, que eu nem me atrevi a olhar e ajudar. Vejo minha saída: o lago. Corro pelo trapiche e pulo, sem nem pensar, na água.

– Percy! — Grita Annabeth muito exasperada. — Eu sei que você está me vendo.

Ela está extremamente linda com raiva, suas sobrancelhas ficam unidas pela frustração, enquanto um fofo biquinho se forma em seus lábios. Impossível não apreciar esta cena, então, concedo-me um momento para apreciá-la. Sem querer, deixo escapar um riso, assim algumas bolhas escapam, o que a enlouquece de frustração.

Logo, ela se debruça na beira do trapiche com o rosto altamente concentrado para a água. Essa é minha chance. Desejo ficar molhado e com a ajuda das correntezas emerjo na superfície, pegando-a totalmente de surpresa com um beijo molhado. Durante os segundos preciosos em que ela fica atônita, eu saio correndo da água, molhando-a no processo. Ela pragueja me xingando feio, o que só me fez rir alto.

Assim, deixando Annabeth para trás, estou quase chegando ao topo da árvore, defendo-me de um justiceiro e, neste momento, Travis emparelha-se na corrida comigo. Lançamo-nos em busca do mesmo objeto mágico, que de longe o avistamos perto do Velocino de Ouro, o cobiçado boné azul marinho dos Yankees. Eu e Travis nos entreolhamos e fazemos um acordo silencioso, o melhor Ladrão levará o prêmio. Eu sei que ele vai jogar sujo, o que é muita ingratidão da parte dele. Mas estou concorrendo com um oportunista, então seria tolice esperar jogo justo de um filho de Hermes.

Que sorte eu estar molhado, assim eu reúno a pouca água que tenho no meu corpo e lanço com força no nariz do Travis, engasgando-o. Ele desacelera, dando-me a chance de pegar o boné. Escuto o som do sino, o sinal de que um objeto foi roubado. Imediatamente, o coloco na cabeça e fico invisível. Volto até Travis e o ajudo a pegar outro objeto.

Assim, ele corre livremente enquanto eu lhe dou cobertura, e pega a lança da Clarisse. Outra badalada de sino soa. Falta apenas mais um objeto ser roubado. Não há nenhum Ladrão por perto, temos que fazer alguma coisa, pois ficar ali parados não adianta. Flechas estão sendo lançadas em nossa direção pelos arqueiros de Apolo e Annabeth está dando tudo de si na luta, como se a vida dela dependesse disso, conseguindo prender vários Ladrões com quem ela duela.

Estamos perdendo a disputa, eu preciso fazer algo rápido. Uma ideia desesperadora me vem à mente. A regra diz que eu só posso pegar um objeto, mas não há regra nenhuma que me impede de emprestá-lo para que alguém roube outro objeto. Com essa esperança, analiso o campo de batalha.

Falta bem pouco para que metade dos Ladrões seja capturada, tenho que ser rápido. Alguém corre em minha direção, mas está com problemas com um justiceiro. Percebo que se trata de Drew. Por que justamente ela? Assim, ignorando todos os alarmes em minha mente, tiro o boné e vou ajudá-la, no momento em que ela me vê, um sorriso aliviado ilumina o rosto dela. Logo, puxo contracorrente e luto contra o justiceiro do Chalé de Ares.

No momento em que eu o desarmo, passo o boné para Drew e corro com ela para a base da árvore. Assim, estando Drew invisível, a atenção da equipe inimiga fica voltada para mim. Em alguns instantes, o sino badala duas vezes, pois junto com a Drew, outro campista do Chalé de Hefesto consegue roubar um objeto também. Logo, ganhamos e tenho um boné poderoso que será meu por três dias.

– Vitória dos Ladrões H! — Grita Quíron enquanto galopa até a base da árvore junto com alguns outros jogadores.

No instante em que meus aliados e eu gritamos vivas, os nossos inimigos se lamuriavam, principalmente, os que perderam seu instrumento mágico, como é o caso da Clarisse que pira quando vê sua lança na mão de um Travis sorridente. Sinto alguém puxar minhas mãos, fazendo-me andar de costas, percebo ser Annabeth. Viro-me para olhá-la, mas foi alguém invisível que me puxou, Drew. Assim, no momento em que ela tira o boné, seus braços enlaçam-me pelo pescoço em um abraço apertado.

– Ganhamos Percy! Graças à sua ajuda genial em ter me emprestado esse boné. – Drew fala deleitosa perto do meu ouvido, enquanto joga menosprezando o boné de Annabeth no chão.

Assim, não se contentado ainda com estrago que estava fazendo, ao sair do abraço, Drew beija-me no rosto me pegando desprevenido. Totalmente ciente da presença de alguns campistas que pararam de comemorar para observar a escandalosa cena. Logo, pego Drew pelos ombros para impedi-la de fazer algo pior e falar que não estou interessado nela. Mas neste instante, pela visão periférica, vejo Annabeth parada observando a cena como os outros campistas.

– Por que você fez isso? — Pergunto com irritação enquanto a empurrava.

– Ora bobinho, para provocar... Principalmente, você. — Ela disse melosamente.

– Me provocar? – Dou um sorriso de escárnio, estufando o peito, olhando-a de cima. — Você nunca teria chances comigo, além do mais, eu prefiro as loiras. Então, vai limpar essa sua maquiagem para ver se você consegue se enxergar. — Junto o boné do chão e ao me virar encontro todos os campistas me olhando um tanto impressionados pelo fora que acabo de dar em uma filha de Afrodite.

Ando até Annabeth, que está se esforçando muito para não demonstrar nada, mas tenho certeza de uma determinada vaidade no olhar dela, algo superior em seu ar, pequenos gestos que ela faz quando está contente e confiante. Juntos, nós voltamos para a área dos chalés, e aparentemente, Annabeth não se importa mais que eu esteja com o seu boné, pois enquanto caminhamos ela abraça minha cintura.

– Quer dizer que você prefere as loiras? — Annabeth me pergunta com um lindo sorriso de canto. Ela sempre puxa os lábios para o lado direito quando está ligeiramente tímida, mas segura em sua autoestima.

– Ora, pensei que isso fosse óbvio. — Digo sorrindo também, enquanto paramos em frente ao Chalé de Atena.

– Cabeça de Alga irritante. — Ela bota os braços no meu pescoço e me beija longamente.

Quem escolheria a Drew ao invés da Annabeth? Só um louco. Infelizmente, temos que entrar em nossos chalés, além do mais os outros campistas estavam chegando. Então, interrompemos nosso beijo, mas nos olhamos. Seus olhos estão brilhosos e intensos.

– Obrigado pelo boné, sabidinha!

– Argh! Você não cansa de ser chato, não é mesmo? — Ela diz reclamando, porém com riso na voz. Dou um beijo de despedida nela e sigo para meu chalé.

Definitivamente foi um jogo difícil, por pouco perderíamos e apesar das complicações conseguimos vencer. Estou muito cansado. Então, tomo um banho rápido, coloco o boné no criado mudo e me deito. Acordo com um susto. Recordo-me de estar andando atrás de uma garota, mas não consigo definir quem era. Sonho estranho.

Esfrego os olhos, olho para o relógio, três horas da madrugada. Vou dar uma volta na praia, será que a Annabeth gostaria de ir comigo? Ontem ela reclamou porque eu tinha ido só. Como agora eu tenho a vantagem de estar invisível, será divertido dar uma fugida com Annabeth para a praia.

Ainda bem que ninguém se preocupa em trancar as portas por aqui, quem poderia nos assaltar, além dos filhos de Hermes? Então, entro no Chalé de Atena e fecho a porta devagar, a luz da lua penetra as persianas, enquanto eu ando silenciosamente até a cama de Annabeth. Ao me aproximar e distinguir a situação através da precária iluminação, percebo uma cena me paralisa.

Não podia ser verdade, provavelmente, eu ainda estou sonhando. Então, eu tiro o boné, ficando visível. Annabeth percebe minha presença e me olha com terror nos olhos, no entanto o mais medonho não é sentir o seu pavor e, sim, perceber que a pessoa que ela abraça é Luke.

Notas finais
Até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.