Percy jackson e o coração negro.
7 VII - Melancolia
Notas iniciais
Já estávamos voando a mais ou menos oito horas, Blackjack já começava a ficar cansado, mas claro ele nunca diria isso. A cerca de dois quilômetros a nossa frente avistamos uma ilha, resolvi fazer uma parada ali e descansar um pouco.
–- Vamos descer um pouco Blackjack-- eu disse dando leves tapinhas em seu pescoço.
–- Tudo bem chefe eu posso continuar… tranquilo.-- ele disse, mas ele estava visivelmente cansado.
–- Acredito em você parceiro, mas não podemos esperar que seus amigos consigam acompanhar o seu ritmo, certo?-- Uma massageada no ego de Blackjack sempre resolve o problema. -- E alem do mais preciso esticar as pernas.--
–- Certo, se você quer chefe.--- Declarou Blackjack com um falso tom de rendição, mas dava pra notar o alivio ao concordar com a ideia.
Quando pousamos a ilha mais parecia um Pantano, estava totalmente encharcada o cheiro de mofo exalava do próprio chão.
–- Onde estamos?-- perguntei para Frank.
–- Não faço a menos ideia, essa ilha não esta no mapa, e nem deveria de qualquer forma. Não era para ela existir, não deveria haver terra firma até chegarmos muito próximos do continente africano.-- Declarou Frank.
–- Mas esta ilha esta morta, vejam aquelas arvores-- disse Nico apontando para as arvores da floresta, realmente estava tudo morto naquela ilha. -- Olhe estão todas apodrecendo, e é agua salgada esta ilha estava submersa com certeza.--
–- Esta correto.-- uma voz explodiu atrás de nos três.
Ao nos virarmos nos deparamos com uma mulher de 2 metros e meio, usando armadura brilhante, escudo e espada, seu rosto me lembrava muito Annabeth. Na hora não assimilei quem era, mas quando cai em mim, automaticamente baixei a cabeça e fiquei fitando o chão.
–- Senhora Atena!-- Nico disse enquanto ele e Frank se ajoelhavam diante da deusa, Frank por costume a chamou de Minerva, eu permaneci em pé.
–- Minha filha.-- disse Atena com voz calma mas com firmeza, eu não disse nada.
–- O que houve com minha filha?-- Indagou com o mesmo tom.
Não respondi mas mudei os olhos do chão para seus pé, por alguma razão algo começou a se agitar dentro de mim me fazendo ficar enjoado.
–- Responda, o que aconteceu com minha filha?-- sua voz retumbava potente mas ainda tranquila, no entanto seus pés começara a emitir uma luz mais brilhante que o normal, uma luz que indicava a ira de uma mãe.
“ Essa mulher… ele quer te matar, mate ela...” a voz sussurrou em meu ouvido, mas não podia peder o controle agora, não diante de Atena isso seria mortal, mortal para mim. Minha entranhas estavam se agitando.
–- Minha filha.-- o tom calmo dela estava me irritando, o que que há? ela é a deusa da sabedoria, ela sabe o que houve.
–- Você não a protegeu, você falhou com ela.-- disse calmamente mas senti estas palavras me cortar fundo e dolorosamente.
–- Eu… eu tentei salva-la-- eu disse sentindo a mesma raiva de quando ataquei Eterion na Estatua da Liberdade.
–- Você foi fraco, eu sempre soube disso!-- ela disse.
“ ela te odeia, mate, mate-a por que ela te odeia…”
–- E VOCÊ? VOCÊ NÃO É FORTE? POR QUE NÃO A SALVOU OH DEUSA DA SABEDORIA? ONDE VOCÊ ESTAVA QUANDO ELA FOI PENDURADA E MORTA? OU QUANDO ELA ENCONTROU SOZINHA A SUA PRECIOSA E ESTUPIDA ESTATUA DESAPARECIDA?-- Foi tudo muito rápido, um clarão, um formigamento e a dor.
Fui arremessado a uns trinta metros contra uma árvore que se despedaçou com o impacto do choque, certamente, algumas costelas foram quebradas e a dor foi se tornando aguda, mas a minha raiva agora fervilhava e eu tinha pleno conhecimento que era o coração negro controlando meus sentimentos, mas não me importei com isso, me ergui do chão.
–- Onde… Onde você estava quando ela foi raptada por Eterion? Vai me dizer que não sabia, a deusa da sabedoria não deveria saber de tudo?--- Eu disse cuspindo as palavras e mesmo vermelho de raiva minha voz fraquejava por causa da dor.
–- Cuidado com o que fala criança.-- sua voz soava firme e fria.
Isso me deixava mais irado ainda, tudo aquilo era perda de tempo, oque ela queria de mim afinal? Uma confissão, pra dai então me fulminar? Tudo besteira, dane-se isso tudo. Minha visão estava embaçada, minhas costelas doíam muito e seja la o que for estava ficando mais agitado dentro de mim.
–- QUE DIREITO VOCÊ TEM DE ME CULPAR? SE EU SOU FRACO POR QUE NÃO A SALVOU VOCÊ MESMA?-- explodi.
–- Ca.. calma ai Percy-- disse Frank com os olhos arregalado.
–- Cara, pega leve, vocês esta falando com uma deusa lembra?-- sussurrou Nico chegando bem perto de mim.
–- O QUER QUE EU FAÇA?-- me virando num movimento brusco, e Nico saltou para trás assustado-- EU… eu sei mas isso esta me enlouquecendo, essa voz, essa raiva…-- cai de joelhos com as mão tapando ou ouvidos, um zunido terrível.
–- Então é verdade, ele se uniu ao coração.-- disse Atena ajoelhando-se ao meu lado.
“ NÃO! AFASTE-SE DELA, ESSA MULHER ODIOSA. ELA O TIROU DE MIM… MATE, MATE TODOS ELES”.
Eu estava sentindo um nó nas tripas, senti a agua fluindo abaixo de mim, se agitando, presa, me chamando para estarmos juntos. Não sei como mas soquei o chão e um esguicho de agua estourou para o alto, o chão foi se quebrando e vertendo agua negra, era a agua negra que eu estava sentindo.
–- MAS QUE DROGA É ESSA, DA ONDE SURGIU ESSA ÁGUA?-- gritou Frank caindo sentado.
A água esguichava, melhor, ela saltava desesperada para fora do buraco no chão que ia ficando maior a medida que o chão ia se quebrando, e nós nos afastávamos, mesmo que eu me sentisse um pedaço de pano seco e poido, aquela agua me atraído para me lançar dentro dela. Sentia que aquilo me faria bem.
–- O que você fez?-- Atena me encarava zangada, aquela calma abandonou a sua voz. -- Você libertou essa abominação!-- acusou ela.
–- Como assim libertei, essa coisa já estava aqui?-- Perguntei irritado.
Atena suspirou e ficou em silencio por alguns segundos antes de dizer algo.
–- Sim, isso não pode ser destruído, então foi aprisionado nessa ilha, no interior da ilha, eu e seu pai, Poseidon a prendemos aqui a séculos atraz.--
–- Mas não entendo… Como essa água ja existe se ela foi criada ao se fundir a mim pelo coração negro… então como?-- Eu estava girando dentro de mim mesmo.
–- Isso também aconteceu com o ultimo escolhido pelo que chamam de “coração”.--- ela disse.
–- Como assim?-- indagou Nico.
–- Quer dizer que todos que são… possuídos pelo coração infectam a água?-- Foi a vez de Frank falar.
–- Não! Isso é por que, o ultimo também era um filho de Poseidon.-- Declarou
–- O QUE?-- gritamos os três em coro
–- Isso mesmo, e após sua morte, nada podia conter essa água que contaminava tudo o que tocava, então eu e Poseidon criamos essa prisão e a prendemos dentro para que não vazasse e contaminasse os oceanos.--
–- Ele não conseguiu descobrir onde estava o coração?-- Perguntou Nico.
–- Não teve tempo de procurar mais.-- Atena disse.
–- Sera que ele sofreu no fim?-- Frank quis saber.
Pela primeira vez na vida vi Atena ficar como se estivesse sem jeito para falar.
–- Não, garanto que não.--
–- Como você sabe que não?-- Perguntei sentindo que ela sabia mais do que estava nos contando, ela não respondeu.
“ NÃO! MALDITA, FOI VOCÊ!!” berrava a voz dentro de mim.
–- Como você sabe?-- Forcei.
–- Por que eu o Matei.-- Disse sem nenhum pesar.
“ MALDITA, SUA MULHER MALDITA.”
Entendi o por que de Atena aparecer do nada, não foi por causa de Annabeth , foi por mim e eu era o próximo, a nova ameaça que deveria ser eliminada.
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