Percy Jackson e o Legados dos Grandes Deuses
6 Uma visita ao Hades
Notas iniciais
Minha visão ficava cada vez mais embaçada e meus sentidos praticamente desapareceram. Não havia mais dor, não havia mais preocupação, não havia mais nada.
No momento em que minha visão escureceu por completo, ouvi o grito de dor da Medusa.
Pelo menos tínhamos conseguido.
***
P.O.V. Percy
Decepei a cabeça da Medusa com um único golpe, a adrenalina correndo por minhas veias numa velocidade alucinante. Só me acalmei quando vi o sangue esverdeado do monstro escorrendo pelo chão da caverna.
Corri até Ashley o mais rápido possível e me ajoelhei ao seu lado, segurando-lhe a mão.
—Vai ficar tudo bem Ash – falei por entrem as lágrimas que escorriam em meu rosto – Não vou deixar você morrer. Não vou...
Atrás de mim, um clarão se formou. Virei-me para trás em súbito e vi uma mulher usando um longo vestido feito com flores primaveris.
—Acalma-se jovem. A garota ficará bem. Vim até aqui a mando de meu marido, que atende um pedido de seu filho.
—Bryan. Você é Perséfone, a deusa, você pode curá-la!
A deusa sorriu docemente.
—Felizmente o veneno não foi letal, só serviu para deixa-la adormecida. Quem mandou a Medusa deve querer a garota viva.
Dito essas palavras lembrei-me da lança, agora caída ao chão. Era ela. A arma que procurávamos.
Como se pudesse ler os meus pensamentos, Perséfone disse:
—Creio que não. Não é a espada, é só uma pista sobre sua localização. Pegue-a.
Não queria soltar Ashley, mas, meio a contragosto, fui até lá e peguei a lança do chão.
—Ferro Estígio – observei – isso quer dizer que...
—Quem possui a arma está no Mundo Inferior , isso mesmo – completou
Parei para pensar, então era por isso que Bóreas fez Bryan ir até o Hades. Ele sabia que a Ashley precisaria de ajuda do deus e que era o lugar que devíamos procurar.
—Venha herói, vamos leva-la até um lugar seguro para que possa se tratar.
—Não sou herói – sussurrei
A deusa sorriu, divertida.
—Para mim, qualquer um capaz de ir ao Hades é um herói.
Dito isso, os dois desapareceram. Deixando para trás uma caverna com o corpo da Medusa, que não havia se desintegrado.
***
P.O.V. Ashley
Eu estava me sentindo a semideusa mais inútil do universo. Por quê? Talvez porque em todos os combates eu acabo desmaiando e isso é... No mínimo, constrangedor.
Acordei num ambiente diferente. Parecia um quarto. Não, com certeza aquilo era um quarto.
E que quarto— pensei.
Foi então que me veio uma pergunta: O que aconteceu na batalha contra a Medusa?
Ouvi passos se aproximando e fingi dormir até ouvir uma voz conhecida.
—Será que ela vai ficar bem? – disse Percy suavemente.
—Vai sim, meu jovem. Ela é forte, como o pai – falou uma voz doce que não identifiquei.
—Espero que esteja certa – disse o garoto, logo em seguida acariciando minha testa.
Foi então que percebi, eu devia estar morta. A lança era envenenada e não havia ninguém que poderia me ajudar. Afinal, onde eu estava?
Resolvi que era hora de revelar que eu tinha acordado. Abri devegar os olhos e encontrando um olhar preocupado nos olhos verde-mar de Percy.
—Ela acordou – disse a voz feminina.
—Você está bem Ash? – perguntou ele.
—Ashley – o corrigi num tom brincalhão – Estou sim Percy, mas o que aconteceu ontem?
Percy e a mulher (que agora sabia que era Perséfone) contaram-me toda a história e me atualizaram sobre os acontecimentos recentes.
Percebi com desespero que agora só nos restavam 4 dias para encontrar e devolver a espada.
—Fique calma Ashley – disse a deusa – já sabemos qual será o próximo passo para encontrar a espada e por isso vocês poderão ter um dia de folga e descansar um pouco, oque eu acha?
Folga? Como assim folga? Havia uma missão, o mundo corria perigo e uma deusa da primavera me dizia que eu precisava ficar calma? Resisti ao impulso de dizer tudo isso, porque no fundo, bem no fundo, tudo que eu mais queria era descansar um pouco que seja.
Limitei-me a assentir.
—Ok, vejo você daqui a pouco, vou falar com Hades sobre a ajuda que forneceremos a sua missão. Ah! Eu separei uma roupa para você vestir. Vamos Percy, deixe ela se trocar.
Ambos saíram, me deixando no enorme e luxuoso quarto.
Ao ver a roupa confesso que fiquei espantada. Era fofa e delicada, ou seja, nada a ver com uma garota que estava prestes a dar a vida para salvar o mundo. Sim, eu tinha um plano. Caso não encontrassem a espada, seria o único jeito de evitar o fim. Não contaria minha estratégia para os garotos. Eles nunca me entenderiam e, talvez, até me impedissem de fazer o que era realmente necessário.
Desci a longa escadaria em direção à sala do trono de Hades e me deparei com Bryan e Percy discutindo com o deus dos mortos e...
Deixa-me ver se entendi: discutindo, e ainda por cima com um deus?
O que aqueles dois garotos tinham na cabeça?
Cheguei apressada até eles e dei uma tapa de leve no braço dos dois, fazendo todos, inclusive Hades, olharem para mim com expressão de surpresa.
Dei de ombros. O que se deveria fazer numa situação dessas?
—Posso falar com vocês dois em particular? – perguntei, mas tive certeza que eles sabiam que aquilo não dava para eles o direito de decidir se vinham ou não.
Sem escolha, eles me acompanharam até um jardim fora do castelo.
—O que vocês estavam pensando? – gritei – Discutindo com um deus? Vocês ficaram loucos? Querem ser fulminados? Incendiados? Transformados em golfinhos?
Eles me olharam com uma expressão boquiaberta.
—O que foi? – questionei – Até parece que nunca me viram com raiva antes!
Percy fez um gesto com a cabeça enquanto Bryan continuava em choque.
Fui me virando lentamente para trás, assumindo pouco a pouco a mesma expressão que os dois vestiam ao ver ao ver que tanto os espantou.
—Pai? Quer dizer, Zeus? – perguntei e ele assentiu – O que faz aqui no Mundo Inferior?
—Vim tratar de um assunto importante com minha única filha – disse ele, com um tom de voz superior – Ashley, pode me acompanhar?
— Claro p-pai – Gaguejei – Para onde vamos?
—Ao Olimpo, minha filha. Vamos para morada dos deuses.
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