Notas iniciais
Mais um postagem no mesmo dia. O motivo? Bem, é que eu tava ouvindo uma música e aí apareceu a ideia e se eu não escrevesse eu ia esquecer. O capítulo é bastante revelador e vai matar a curiosidade sobre umas coisas e criar novas perguntas a serem respondidas. Espero que gostem!

Por um segundo, tive medo.

Medo da escolha do Percy, pelo que eu sabia os garotos estava prestes a tomar uma decisão que mudaria o curso do mundo. Mas, a que preço? Será que eu suportaria perde-los? A resposta era clara em minha mente. Eu não saberia viver sem meus amigos.

Percy hesitou em responder e aproveitei a deixa que ele deu para tentar convence-lo a aceitar meu plano.

–Há essa altura todos sabemos quem é o inimigo e que o único jeito é lutar frente a frente com ele. Para isso é preciso que você me ouça Percy! Pode ser o único jeito de sobrevivermos há isso e...

Percy fez um gesto com a mão, me interrompendo. Normalmente eu deixaria isso passar, mas devido a circunstancias não havia tempo para brigas desse gênero.

–Eu sei Ash, mas eu não suporto a ideia de que talvez o Estige seja demais para nós.

–Nunca saberemos se não tentarmos – opinou Annabeth.

Hades observava a discussão dos semideuses como se assistisse a um funeral. Afinal, não era isso que estava acontecendo? A decisão tomada seria o fim de todos naquela sala. Inclusive do deus.

–Essa é a sua escolha Percy? – rosnou Bryan.

Ele assentiu de leve.

A decisão havia sido tomada.

***

Na borda do Estige, me preparei para pular. O medo é demais para mim, minhas pernas tremiam e minha consciência gritava ordens do tipo “Saia logo dai sua ignorante!”.

Sob os olhares preocupados de meus amigos, imergi no rio de ácido.

Meu primeiro instinto foi gritar. Meu corpo afundava e queimava de dor. Dizem que para mergulhar no Estige você deve se concentrar em seu ponto mortal, mas como se pode ter o mínimo de concentração quando seus músculos parecem se desintegrar?

Tentei nadar, sem sucesso. Movimentava meus braços e pernas desenfreadamente mas não saia do lugar. Meus pulmões gritavam e imploravam por ar.

No mínimo irônico, a filha do deus dos céus sofrendo por falta de oxigênio.

Pensei em me render a dor. Tinha que passar alguma hora, não tinha? A ideia de sofrer daquele jeito para sempre me apavorava.

Sou uma completa covarde – pensei.

O dor agora já me dominava, membros dormentes já não respondiam ao comando do meu cérebro. Como se meu cérebro fosse funcionar numa hora dessas! Meus instintos de sobrevivência se apagaram e eu era só uma garotinha indefesa sendo queimada até a morte, literalmente. O que eu podia fazer? Justo eu que apago no simples ato de enfiar uma espada na boca de um leão. Que quase morro ao cair de uma altura de três metros, que perdi a consciência mais vezes do que eu poderia contar.

Sou um completo fracasso, mereço morrer. Frases desse tipo surgiam em minha mente com uma frequência desenfreada que quase acreditei no que meu subconsciente dizia.

Quase não. Eu acreditei e deixei o rio me levar.

Imagens de uma menina loira e sorridente surgiam na minha cabeça.

Ela com cinco anos correndo atrás de um sátiro da mesma idade.

Com seis aprendendo grego com Atena.

Com oito anos brincando no riacho com um moreno dos olhos verdes.

Aos dez, aprendendo a convocar raios com Zeus.

Aos onze, cantando com Apolo.

Que sortuda essa garota é – pensei.

Essa garota é você Ash, ouvi uma voz familiar em minha mente.

–Você antes do acidente que fez com que os deuses tirassem suas memórias para protegê-la, você sempre foi e sempre será a princesa do Olimpo, a semideusas mais querida pelos imortais, a mais poderosa, a mais talentosa a mais amada de todos os tempos – disse a voz – Não desista, lute bravamente. Agora que sabe de seu passado, pode escrever seu futuro.

Uma imagem tremeluziu em minha frente. Eram Percy, Bryan, Annabeth e Apolo. Eles me olhavam e sorriam.

Agora eu me lembrava. Eu havia caído da parede de escalada do Acampamento e meus amigos me encorajavam a subir e me juntar a eles.

–Venha Ash – disse Percy – Não consegue mais subir uma simples parede de lava?

Ele estendeu sua mão e soltou uma gargalhada gostosa.

Eu a segurei e me juntei a eles.

Voltei à superfície com minhas roupas fumegando e com graves queimaduras em minha pele.

Elas não doíam, só irritavam e coçavam.

Levantei-me e olhei para meus amigos que tinham expressões aliviadas em seus rostos,

Eu realmente não sabia o que falar. O que se diz numa situação dessas? Com certeza não algo do tipo “Oi galera, quase me transformei em cinzas e vocês, como estão?”. Olhes me fitavam com uma expressão de dor nos olhos. E havia ficado tempo de mais submersa? O que havia acontecido em quanto eu contorcia de dor lá em baixo?

Lembrei-me do meu ponto mortal, meu único segredo para com meus amigos.

Ele era um pequeno local na sola dos meus pés. Lugar que se eu protegesse bem, nunca seria atingido. Afinal, que resolve cortar a pé de alguém? Uma lágrima solitária escorreu no rosto da minha melhor amiga, que correu até mim e me abraçou levemente, com medo de me machucar.

–Nunca mais faça isso com a gente- sussurrou ela – Quase morremos de preocupação.

Bryan tinha um sorriso discreto em seu rosto, ao contrário de Percy, que possui todos os seus dentes a mostra.

Annabeth enfim me largou e me avaliou de cima abaixo.

–Eu devo estar péssima – pensei – mas o que se deviam esperar de alguém que esteve cara a cara com a morte?

Balancei a cabeça libertando-me de tais pensamentos.

–O que aconteceu lá embaixo Ashley? – perguntou Bryan, visivelmente preocupado.

Num lampejo tudo veio a tona. A minha vida que havia sido perfeita de todos os jeitos possíveis, eu havia crescido com os deuses e me tornado a melhor amiga de um deles. Mas, tudo tem um preço e anos de felicidade desabaram com uma maldição.

A minha maldição

–-Eu me lembro – disse eu – Agora, enfim, eu me lembro de tudo.

***

“O que ela não sabia era que naquele momento todo o seu mundo estava preste a ruir.

Para Sempre.”

Notas finais
O que acharam? Mereço comentários??? Por favor leitor, dê sua opinião para eu saber o que preciso fazer e como vai ser daqui para frente. Beijos e até o próximo capítulo.