Percy Jackson e o Legados dos Grandes Deuses
1 A Chegada ao Acampamento
Sinceramente, eu não aguento mais fugir. Há três dias venho sendo perseguida por tudo o quando é tipo de monstro mitológico e todos parecem ter o mesmo objetivo: servir-me no jantar. Quem eu sou? Ashley Grace. Qual o meu passado? Bem, esse é o problema. Eu não sei.
Tenho vagado sem rumo desde que acordei em uma fazendo no Kansas, sem memória, sem dinheiro e com uma pulseira que aparentemente só serve para decorar. Agora, cá estou eu, provavelmente diante do meu fim, ou quase isso. Diante de mim tenho uma manticore de quase dois metros de altura e sede de sangue. Em outras circunstancias eu saberia exatamente o que falar, mas acredite: quando se está de frente a frente com a morte, as palavras custam a sair.
— Ultimas palavras, filha dos Céus? – rosnou o monstro, já exibindo as presas afiadissímas.
—Vai para o Tártaro — rosnei.
Calma, eu tinha um bom motivo para dizer uma besteira dessas. Atrás do manticore, um garoto cravou uma espada de bronze no coração do monstro, reduzindo-o a pó. O garoto, que tinha cabelos negros e olhos verdes, se aproximou de mim e estendeu a mão, me ajudando a levar. Murmurei um obrigado silencioso.
—Você consegue enxerga-los também?
—Por que não enxergaria? – respondi com outra pergunta, arrependendo-me no momento em que me dei conta que tinha soado rude demais – Desculpe, é que estou um pouco confusa. Mas, sim. Eu consigo enxerga-lo.
Ambos estávamos cansados demais, então nos sentamos e contamos nossas histórias. O garoto de olhos verdes se chamava Percy, ele também perdera a memória e vagava pelos Estados Unidos em busca de pista que o levem a suas origens.
—Então... Percy. Como me encontrou?
—Eu tinha acabado de destruir uma Empousa perto daqui – Disse calmamente, como se aquilo explicasse tudo.
—Ashley, se você quiser pode dormir. Eu fico de guarda.
Confesso que a proposta era tentadora, mas eu ainda não confiava naqueles olhos verde-mar, então recusei. Ficamos em silêncio pelo que me pareceram horas. Até que percebi um movimento vindo da entrada do beco. Percy se levantou, empunhado a espada, por instinto bati em minha pulseira e arfei quando vi que ela tinha se transformado em um grande escudo de bronze com a uma figura medonha da Medusa estampada.
—Aegis – Sussurrei.
—Como você sabe? –Perguntou ele
Dei de ombros e seguimos em frente, prontos para enfrentar o que viesse. Ouvimos um balido e nos entreolhamos, confusos, abaixamos as armas ao notar que não era um inimigo e sim um sátiro.
—Não me machuque – baliu o Sátiro – Eu só vim me ajudar.
—Percy? – Perguntei e o olhei em busca de respostas
—Não sei, ele me parece... amigável.
O Sátiro suspirou aliviado e disse:
—Sou Grover Underwood, o sátiro encarregado de leva-los ao Acampamento – Disse orgulhoso – Vou escolta-los em segurança, então vamos.
Percy já estava acompanhando o sátiro quando segurei seu braço, forçando-o a olhar para mim.
—E se for uma armadilha?
Ele se desvencilhou de mim e semicerrou os olhos.
—Não sei se é, mas mesmo se for...
Bufei em frustação. Que escolha eu tinha? Acabei de conhecê-lo, mas sabia que devia protegê-lo. Não sei como, mas sabia.
***
Acertei seu único olho arremessando o escudo que voltou para minhas mãos como um bumerangue e, utilizando a espada de bronze de Percy, perfurei sua panturrilha, o monstro urrou de dor e avançou em mim. Meus reflexos estavam aguçados e desviei de seu golpe no momento exato. Subi em suas pernas, içando-me para cima e perfurei o ombro do ciclope. O monstro se reduziu a pó, e eu, que estava em cima dele pulei, caindo em direção ao meu fim.
Já no chão, mergulhei na inconsciência.
***
—Ela vai ficar bem?
—Não sei criança. Fizemos tudo que era possível, porém os ferimentos foram graves. Talvez não resista...
***
Abri os olhos.
O que vi não era bem o que eu esperava.
Estava numa sala branca repleta de macas. A maioria desocupada. Só havia dois ou três adolescentes que não aparentavam ter nenhum ferimento grave. Pisquei algumas vezes, tentando me adaptar a claridade do ambiente. Tentei me levantar. Ênfase em tentei. Um par de mãos me segurou, me impedindo de cair mais uma vez. Percy que me ajudara e sua testa estava franzida em sinal de preocupação.
Um garoto que eu mal conhecia quase havia dado a vida por mim — pensei
Balancei a cabeça afastando aquele pensamento.
—Está melhor? – disse ele – A queda foi bem feia. Achamos que não resistiria...
—Por um momento você acreditou que um simples Minotauro gigante e assustador ia me fazer em mil pedaços?
Rimos. Deixando de lado toda a confusão, pelo menos por um momento.
—Quíron quer falar com você – afirmou, indo em direção á porta – Vamos?
Ao passar pela porta, arfei com a cena que vi.
Estávamos numa espécie de acampamento de verão, a paisagem tinha várias construções que lembravam a arquitetura da antiga Grécia — um anfiteatro, uma arena de combates, um pavilhão á céu aberto – porém tudo parecia novo, com as colunas de mármores reluzindo ao sol.
Percy me conduziu até uma casa com uma varanda, onde um centauro nos recebeu com um sorriso.
Espera um pouco.
Centauro?
Devo ter feito uma cara muito engraçada, pois todos ao meu redor riram discretamente. Lancei meu melhor olhar mortal na direção de todos (menos para o cara do traseiro de cavalo, sinceramente, aquilo me dava arrepios) e eles recuaram.
—Crianças, bem-vindas a Casa Grande.
Contive-me para não fazer piadinha daquilo. Sério, eu tinha 13 anos!
—Olá Quíron – disse Percy, como se já tivesse intimidade com o centauro – Essa é a Ashley. Ashley Grace.
—Prazer em conhecê-la menina. Venham, o sr. D nos espera.
Na extremidade da varanda, havia um homem baixinho com o nariz vermelho que jogava pinochle com o sátiro.
—Esse é o s.r D. O Diretor do Acampamento Meio-Sangue. – Disse Grover sorrindo para nós
—Acho eu devo dizer bem-vindo ao acampamento, blá, blá, blá e espero que não morram filhotes de deuses.
Aquele anão gorducho estava me dando raiva. Eu realmente esperava que o diretor desse lugar tivesse o mínimo de consideração, ou pelo menos nos desse uma explicação sobre o que estamos fazendo aqui!
Só aí me deu conta, ele nos chamou de “filhotes de deuses”, assim como o manticore, que me chamou de “filha dos Céus” antes de ser morto. Procurei na minha memória (coisa que não tinha) um deus que comece com a letra d.
—Você é Dionísio – disse – deus grego do vinho.
—Sério. Só agora se deu conta disso? – disse o deus – E ainda acham que ela é filha do cara.
Decidi que deixaria para entender tudo isso depois. Era informação demais para quem mal sabia o próprio nome.
—Bom, agora me contem – disse o centauro – qual a história de vocês?
Percy e eu nos entreolhamos.
—É isso que queremos saber – dissemos em uníssono.
***
Mal sabiam eles que tudo aquilo tinha um motivo.
Era chegada a hora.
A hora em que os filhos dos Três Grandes deveriam se unir.
E destruir o mal,
De uma vez por todas.
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