Percy Jackson e as alianças de prata.
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Tentei esquecer o que aconteceu enquanto assistíamos á mais um episódio dos Simpsons. Annabeth estava preocupada com o horário, amanhã nós dois voltaríamos para a escola e nos veríamos só de tarde, até que chegasse o fim de semana.
–Que horas são?- perguntou ela mela milésima vez.
Ela estava deitada sobre meu colo com a cabeça encostada no meu ombro, com o rosto quase encostado em meu pescoço. A apertei em um abraço e beijei seu cabelo.
–Que horas são?!!!- Ela pegou o controle da minha mão e viu o horário.
–Esquece isso- Tirei o controle de sua mão e joguei para o outro sofá. Ela vez cara feia e se sentou.
–É sério, não posso demorar para ir embora.
Fiz que sim- Eu sei, mas está tão bom aqui, só nós dois- A olhei nos olhos, ela fazia beicinho e me olhava pidona- Eu sei, ok? Também tenho essa droga de aula amanha.
Annabeth riu sem graça, depois ficamos em silêncio, apenas com o som da TV e da batedeira da minha mãe na cozinha.
–Sabe... Uma vez eu e Rachel quase saímos na briga também.
Esperei que ela continuasse.
–Você não estava. Nós tínhamos uns catorze/ quinze anos quando isso aconteceu. Nos encontramos no acampamento e ela quis saber porque eu não a suportava. Cuspi tudo na cara dela, e foi ai que admiti que tinha ciúme. Ciúme de vocês dois. Depois que algumas verdades foram ditas e ouvidas, é claro, ela também me disse muita coisa, me vi sentada sobre ela com a mão fechada em punho, pronta para acertar aquele nariz sardento. Mas alguém segurou a minha mão. Era Grover. Ele me puxou para longe da Rachel e eu o fiz jurar que nunca contaria á você sobre o que aconteceu.
Escutei em silêncio. Eu nunca ficara sabendo sobre essa “quase” briga entre Annabeth e Rachel. Eu sempre soube que as duas não se davam bem, mas na época eu não sabia bem o motivo. Idiota, eu sei. Se fosse hoje eu saberia só pelo modo com que elas se olhavam, mas eu tinha outras preocupações. Mas saber que meu melhor amigo, meu protetor, e minha namorada esconderam de mim algo que me envolvia até a cabeça, era como amputar suas mãos.
–Por isso não estou brava- disse ela por fim- Sei o que você sentiu.
Olhei em seus olhos mais uma vez. Hoje eu e Rachel éramos apenas amigos, inclusive as duas também eram, mas Annabeth sempre me lembrava da rixa entre as duas, como um aviso.
–Então nós dois já tivemos nossa cota de ciúme- concluí
Ela chegou mais perto e me deu um selinho, depois se afundou em meu peito.
–Não me arrependo.Queria ter quebrado o nariz dela, só pra deixar claro que ela não passaria da cerca que separavam você e ela.
–E essa cerca é você- deduzi- Uma cerca farpada.
Annabeth mordeu a língua.
– É. Uma cerca elétrica.
Apertei ela em meus braços, ainda mais forte.
–Está me sufocando- resmungou ela- você vai me matar!
Parei, a apertei mais uma vez para que me olhasse.
–Que foi?
–Você sabe. Eu iria em seguida.
Ela ficou quieta e assentiu.
Já tivemos essa conversa uma vez. Eu dissera á Annabeth que se algo acontecesse á ela e nós dois nos separássemos eu não hesitaria em pedir minha passagem só de ida para o Mundo Inferior, se isso me trouxesse ela de volta. Se nós pudéssemos ficar juntos de novo.
Ela dizia a mesma coisa, mas o assunto acabava rapidamente, por que nós dois queríamos viver muito. Ter filhos e um cachorro... Talvez dois. Por isso não tocávamos no assunto “morte” ou “ nos separarmos”. Isso estava fora dos nossos planos de nos casar e termos uma família. Era tudo o que eu queria, mas se eu precisasse partir dessa para melhor, se fosse para ter Annabeth de volta, eu iria.
–Mariah...
Olhei para Annabeth e fiz cara feia.
–Não comece.
–Não! Mariah é um nome bonito. Muito bonito.
–Prefiro Heyley.
Ficamos quietos mais uma vez. Essa conversa estava seguindo por um caminho que eu sabia onde acabaria. Não que nós não falássemos sobre ter filhos, na verdade conversávamos abertamente sobre isso, mas nunca chegamos a decidir nomes. Era cedo demais.
–Gostei. Heyley é forte, porém doce. Mas Megan... Não sei, gosto desse também.
Ela queria continuar falando sobre isso. Annabeth, a pessoa mais sensata que eu conhecia, estava tentando conversar sobre nomes com seu namorado. Me lembro de quando deixei escapar meus planos sobre nos mudarmos para Nova Roma, ela ficou meio surpresa sobre nossa conversa ter ido tão longe, mas agora, era ela que começava a falar sobre o futuro que planejávamos ter.
–Então escolha mais sete nomes- brinquei. Esperei que ela me desse um tapa, como sempre fazia quando eu dizia que queria ter dez filhos.
–Talvez, se ganharmos na loteria.
–Sobre o que estão falando?- minha mãe apareceu na porta da cozinha, desenformando uma torta salgada que cheirava muito bem.
Minha mãe já havia me pego numa conversa como essa. Esperou até que estivéssemos sozinhos para me fazer contar o que eu tinha em mente. Seus olhos se enchiam de lágrimas, e eu ficava meio sem ação.
–A torta- disse a primeira coisa que me veio em mente- Está cheirosa...
–É de frango e queijo- comentou ela- Gosto de Heyley se querem saber.
Ela voltou para a cozinha com as bochechas tão vermelhas quanto as minhas deviam estar.
– Então é dois á zero para Heyley
**
Annabeth jantou em casa antes deu leva-la para casa, durante o caminho conversávamos sobre os episódios de The Walking Death que eu tinha perdido, então ela me dava Spoilers sobre o que aconteceria. Eu não reclamava, gostava de Spoilers, principalmente se aquilo a mante-se falando. Eu adorava quando conversávamos durante horas. Parei em frente á entrada principal de sua escola e conversamos por mais algum tempo. Logo estávamos falando sobre outras séries que assistíamos em casa, outras que eu nunca ouvira falar, mas quando ela perguntava se eu já tinha visto algum episódio eu concordava e dizia que sim, só para que ela continuasse falando. Ela ficava linda quando estava extasiada, seu ânimo enchia o carro, e as horas passavam mais depressa.
Quando ela finalmente terminou de falar sobre os personagens que menos gostava, tive a ideia de ligar o som do carro. Fizemos aquela competição de canto que fizemos quando saímos pela última vez. Dessa vez cantamos Usher, o cara mais estiloso do universo, depois de mim e Chris Brown.
Prometi a Annabeth que a levaria á um Karaoke, então marcamos para o próximo final de semana.
Nos beijamos e antes de descer do carro ela pediu que lhe desse uma folha de papel e uma caneta.
Ela escreveu um texto, pelo o que pude ver, me beijou, dobrou a folha e a colocou dentro do porta luvas.
–Me prometa que só vai ler o que escrevi quando chegar em casa- ela me olhou séria.
–Prometo- respondi sem entender- Mas sobre o que é?
Ela me beijou mais uma vez e sorriu.
–Você vai ver- Annabeth abriu a porta e correu para o portão da escola.
Ela mandou um beijo antes de entrar. Estava tão curioso para saber o que ela tinha escrito que pisei fundo no acelerador e cheguei em casa em menos de dez minutos.
Quando entrei em casa a primeira coisa que fiz foi tirar a folha do porta luvas e correr para meu quarto.
Me sentei na beira da cama e respirei fundo antes de começar. Abri o papel e li a primeira linha.
Era uma lista, na verdade uma lista de nomes. Dez no total. Enfileirados um acima do outro.
O primeiro era um nome masculino, um que sem querer deixei escapar para minha mãe:
Logan
Eu não sabia como ela havia descoberto sobre minha preferência por este nome, mas imagino que elas tenham conversado sobre isso.
Em seguida havia um que eu ouvira Annabeth dizer para sua madrasta:
Justin
E o terceiro fez meus olhos se encherem de lágrimas:
Heyley
Não sabia como seria nosso futuro. Na verdade ninguém pode dizer o que acontecerá no dia de amanhã. Mas de uma coisa eu tinha certeza: Annabeth seria a mãe dos meus filhos. De cada um dos dez.
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